Ban ki-moon, Secretário-Geral da ONU, se encontrará com familiares dos brasileiros vítimas do terremoto no Haiti

O Secretário-Geral da ONU terá uma agenda cheia no Brasil, onde desembarca nesta quinta-feira, dia 27 de maio de 2010.

Ele visitará o Centro de Instrução de Operações de Paz (CIOPAZ) do Exército Brasileiro, onde fará uma homenagem e se encontrará com familiares dos brasileiros que perderam a vida no terremoto no Haiti em 12 de janeiro de 2010. Dentre os homenageados está o saudoso amigo, o Capitão PMDF Cleiton Batista Neiva.

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Discurso da Senadora Ideli Salvatti na Homenagem aos Mortos Brasileiros no Haiti

A SRª IDELI SALVATTI (Bloco/PT – SC. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão da oradora.) – Agradeço, Sr. Presidente. Quero, de forma muito carinhosa, cumprimentar a todos os que se fazem presentes nesta longa sessão de homenagem às pessoas que faleceram no terremoto do Haiti, os nossos militares, os representantes do nosso corpo diplomático e, de forma muito especial, à nossa querida Zilda Arns.

Eu tive conhecimento da morte da Drª Zilda no Palácio do Planalto. Naquele dia, eu estava na antessala do Presidente Lula, quando veio a notícia da morte da Drª Zilda, e tive a oportunidade de acompanhar toda a movimentação não só do Presidente, mas de todos os seus assessores mais diretos, mais imediatos. O Ministro da Defesa estava juntamente com o Ministro Vannuchi, quando veio a notícia. Tive a oportunidade, Senador Flávio Arns, de acompanhar o doloroso telefonema do Gilberto Carvalho a V. Exª, comunicando aos familiares, dando oficialmente a notícia do falecimento da Drª Zilda, colocando à disposição toda a estrutura do Governo brasileiro para que a família pudesse se deslocar até o Haiti para fazer o resgate.

E tive, inclusive, a incumbência… Não me coloquei assim, mas, como eu estava em Palácio para tratar de outros assuntos, na saída, a imprensa queria saber o resultado da reunião que houve naquele dia, a respeito de questões relacionadas ao plano dos Direitos Humanos. E a reunião do Presidente Lula era exatamente com o Ministro da Defesa e o Ministro Vannuchi e estava programada para tratar dessa questão. Na saída, a imprensa toda me abordou, querendo saber do resultado da reunião do Ministro Jobim e do Ministro Vannuchi com o Presidente Lula. Acabei sendo eu que comuniquei à imprensa brasileira que nada havia sido tratado, até porque um assunto de muito mais relevância tinha ocorrido: o falecimento da Drª Zilda.

Então, para todos nós que a conhecíamos pessoalmente, que sabíamos de toda história, pelo fato de a Drª Zilda ser catarinense, nascida no Município de Forquilhinha, em Santa Catarina, no sul do Estado, de ainda haver familiares nascidos no nosso Estado – há irmãs, parentes muito próximos da Drª Zilda e do Arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns –, foi um momento muito duro, muito triste, realmente de uma emoção muito forte.

Acho que muitas pessoas, nesse período, depois da sua morte, resgataram o papel evangélico, pedagógico, extremamente solidário, de doação da Drª Zilda, mas fiz questão de buscar realçar algo em que a Drª Zilda teve um papel fundamental.

Hoje, temos no Brasil, solidificada, uma política de saúde que tem no programa Saúde da Família um dos seus principais pilares. E a Drª Zilda, através do desafio que ela aceitou, de Dom Paulo Evaristo, de organizar a Pastoral da Criança, não tenho a menor dúvida, foi uma das principais precursoras dessa concepção de saúde, que é a organização, o trabalho na comunidade onde as pessoas residem, no local de moradia, com acompanhamento direto, organização local, aproveitando, inclusive, os talentos locais, a doação de milhões, de milhares de pessoas, que, no voluntariado, dedicam-se a fazer o acompanhamento, e, veja bem, Senado Flávio Arns: com muito pouco dinheiro. Hoje, não tem fim a necessidade de dinheiro para a saúde. Quanto mais se põe, mais se necessita, para poder dar atendimento, até porque, infelizmente, lucra-se e muito com a doença. Muito, muito!

Está aí comprovado que exatamente essa concepção de saúde conseguia diminuir os índices de mortalidade e melhorar os de subnutrição com recursos extremamente escassos, mas com resultado fantástico. Fantástico! Então, essa concepção diferenciada de saúde, organizada na comunidade, com os recursos da comunidade, com, inclusive, instrumentos muito simples…

Quais são os instrumentos que a Pastoral da Criança adotou em praticamente quase todos os Municípios brasileiros, e não só no Brasil, em outros países, na América Latina, na África, em todos os países onde a Pastoral da Criança está? Uma mistura e o soro, uma pesagem e o acompanhamento mensal. Não é uma UTI, não é um medicamento de ponta de linha, que leva não sei quantas décadas para ser descoberto.

Agora, o resultado, a quantidade de crianças que foram salvas, de crianças que passaram a ter mais qualidade de vida com o resultado desse trabalho é algo que precisa ser realçado, precisa ser colocado.

É interessante porque tivemos aqui muitos discursos, e ela sempre surpreendeu. Eu me lembro do debate, do embate que ocorreu aqui, neste Senado da República, por ocasião da nossa discussão sobre a CPMF, o quanto de ideológico teve para ser derrubada a CPMF, para se retirar recurso da saúde. A CPMF era isto: recursos fundamentalmente para a saúde; e tinha um viés tributário, porque, pela CPMF, cruzavam-se dados com o Imposto de Renda e descobriam-se as pessoas que sonegavam. Isso porque, pelo banco, se passasse dinheiro legal ou ilegal, a CPMF identificava, e o cruzamento permitia, inclusive, descobrir lavagem de dinheiro, narcotráfico, bandidagem das mais diversas.

Foi interessante, porque, naquele debate, muito poucas personalidades tiveram coragem de vir a público fazer a defesa. E a Drª Zilda Arns, foi uma das que, corajosamente, vieram. Eu me lembro – porque, aqui, não estava fácil o debate a respeito da CPMF – do documento assinado pela Drª Zilda, uma médica, que teve essa visão totalmente inovadora, revolucionária, da saúde pública, comunitária, a partir do local, a partir das forças locais e das condições pedagógicas e sanitárias onde as pessoas moram. Ela não se omitiu.

Então, naquele dia em que veio a notícia, eu, como Senadora catarinense, como professora, mãe, senti como todos os catarinenses, todos os brasileiros e todos os seres deste planeta que conheceram, tiveram oportunidade de conhecer o trabalho da Dra Zilda Arns. Para nós, foi uma grande perda, e ela continua muito viva entre nós, muito viva, pelo exemplo e pelo resultado do trabalho que desenvolveu.

Então, eu queria aqui, em nome dos mais de seis milhões de catarinenses, prestar esta homenagem, agradecer por tudo o que ela fez.

Tivemos oportunidade de estar no velório da Drª Zilda, acompanhando, inclusive, a comitiva do Presidente da República; tivemos oportunidade, Senador Flávio Arns, de viver aquele momento do Presidente com todos os familiares e do agradecimento que o Presidente Lula fez à família da Dra Zilda pelo trabalho magnífico que ela desenvolveu.

Eu queria também deixar aqui registrado o reconhecimento do povo brasileiro ao maravilhoso trabalho que o Exército Brasileiro faz, já há vários anos, na missão de paz no Haiti. Aos nossos militares que perderam a vida, às suas famílias, nós temos a obrigação de agradecer pela disposição de estarem numa área de conflito, numa situação como a que o Haiti vivencia, há tantos anos, de instabilidade política, instabilidade institucional, de domínio, inclusive, da violência.

Todos os que para lá foram, que lá estiveram colocaram a sua vida em risco e nós tivemos os que perderam a vida no episódio do terremoto, mas tem uma pessoa que eu acho que simboliza, dos nossos militares mortos, uma situação de doação muito especial, que é o Capitão Cleiton.

O Capitão Cleiton esteve no Haiti, oficialmente, cumprindo a missão, em 2004. Quando ele quis retornar, desejou retornar, ele não pode fazê-lo na condição de militar da Polícia Militar do Distrito Federal.

Ele estava tão convencido da importância de ir, do trabalho importante que as Forças Armadas Brasileiras desempenhavam no Haiti, que se licenciou para poder cumprir mais um período de missão. Então, ele esteve no Haiti oficialmente, como representante da Polícia Militar, em 2004, e retornou em 2007.

No meu gabinete, tem uma pessoa que compartilhou com o Capitão Cleiton um período de formação e me entregou, para que eu pudesse fazer a leitura, uma correspondência do Capitão aos colegas de turma aqui de Brasília. Ele a encaminhou ao Professor Felipe, que atuou no curso que eles tiveram oportunidade de fazer juntos.

Eu vou ler alguns trechos, porque é uma mensagem muito forte e muito bonita a que ele mandou:

“Prezado Professor Felipe:

Como há muito não falo com o senhor e com os queridos colegas da turma aproveito a oportunidade para relatar um pouquinho do que está se passando por aqui comigo.

Finalmente, após pegar o voo do dia 2 de junho no sábado (meu aniversário), parti em direção a Brindisi na Itália onde fiz o treinamento para a missão por uma semana.”
Ele ficou uma semana em Brindisi, na Itália, se preparando.
“(…)Cheguei no Haiti no dia 10 de junho e comecei outro treinamento específico para a missão. Fui designado para descascar o abacaxi mais difícil que conheci aqui depois de Cite Soleil.

Professor, quanto a Cite Soleil, o senhor não vai acreditar, mas a cidade está irreconhecível…virou jardim de infância. Eu nunca vi tanta criança brincando na rua como vi por lá e claro o comércio de ambulantes e no Haiti uma das impressões mais claras de tranquilidade e vida mais próxima do normal.”

O Capitão Cleiton, em 2004, tinha atuado diretamente em Cite Soleil. Então, no retorno, ele ficou muito admirado ao ver o resultado do trabalho.
“No meu programa de treinamento estava incluída também uma manhã de patrulha com a equipe tática da Segurança da ONU.

Então fomos para Cite Soleil, mas os seguranças estavam super tranquilos que sequer colocaram os coletes. Agora naturalmente os bandidos se dispersaram. Alguns claro foram presos. O índice de sequestros reduziu assustadoramente (eu continuo curioso para saber das estatísticas). Isso é o que as sessões oficiais dizem, mas estou já checando os critérios de verificação para saber se são fidedignos.

Como dizia, eu fui designado para uma zona quente como Regional Security Officer (chamada de Gonaives), que tem por missão zelar pela segurança do staff local e internacional da ONU em uma região que é comparada a uma das regiões do Brasil, mas claro que bem menor dada as dimensões continentais do nosso país.

Lá há muito conflito entre gangues, há problemas de catástrofes naturais, como a que matou mais de quatro mil pessoas em agosto de 2004. O furacão Jane.

Local onde muitos membros da ONU ficaram desalojados. E também local marcado por todos os focos de movimentos revolucionários na História do Haiti, desde a revolução de 1804 até as insurreições mais atuais.

O Cleiton já fez suas orações e está indo na próxima segunda-feira para a assunção das novas funções. Estou vibrando muito pois talvez seja o maior desafio da minha vida até agora.

Muitas saudade das aulas, dos amigos, mas aplico muitas das nossas discussões em momentos de diálogos entre parceiros da missão.

Obrigado porque de uma maneira ou de outra vocês estão comigo.

Um forte abraço e até breve.
Cleiton Neiva. Fiquem com Deus!!!!”

Essa é uma correspondência do Capitão Cleiton, de 2007. Ele faleceu em janeiro e estaria retornando depois da segunda etapa de missão, em fevereiro, para o Brasil.

Então, em nome do Capitão Cleiton e da Drª Zilda Arns, os agradecimentos do Brasil e, tenho certeza, de todo o povo haitiano por essa verdadeira doação que tem representado a presença do Brasil naquele tão sofrido país.

Muito obrigada. (Palmas.)

NOTA: Parabéns pelo belíssimo discurso, Senadora! A honrosa menção ao Capitão PMDF Cleiton Batista Neiva, por uma parlamentar, reafirma a condição de herói desse brasileiro tão envolvido com a causa humanitária haitiana. Com certeza, emocionou os seus familiares e amigos, bem como ressaltou ainda mais o seu status junto a sociedade brasileira.

Sérgio Carrera

Brazilian National Congress will pay tribute to the brazilian victims in Haiti

Tomorrow, February 23 2010 (Tuesday), at 2 pm, Brazilian National Congress will pay  tribute to the 22 Brazilians who had lost their lives in Port au Prince – Haiti, due to earthquakes on January 12 2010.

Among the honorees is Police Captain Cleiton Batista Neiva, of the Federal District Military State Police (PMDF).

All family members and friends are invited.

The initiative was proposed by Senator Flávio Arns. Congratulations to the Senator and the Congress!

More information will be posted throughout the day.

Sergio Carrera

Congresso Nacional fará homenagem aos brasileiros vítimas do terremoto no Haiti

Amanhã, dia 23 de fevereiro de 2010 (terça-feira), a partir das 14h, o Congresso Nacional fará justa homenagem aos 22 brasileiros que pederam a vida em Porto Príncipe – Haiti, devido aos terremotos que abalaram o país no dia 12 de janeiro de 2010.

Dentre os homenageados está o Capitão Cleiton Batista Neiva, da Polícia Militar do DF (PMDF).  Todos os familiares e amigos estão convidados.

A iniciativa é do Senador Flávio Arns. Parabéns ao Senador e ao Congresso Nacional!

Maiores informações serão postadas no transcorrer do dia.

Sérgio Carrera

OBS: Uniforme PMDF – 4° A

INSTITUTO DE GEOGRAFIA E HISTÓRIA MILITAR DO BRASIL (IGHMB) — Notificação da Morte do Capitão (PMDF-Falecido) CLEITON BATISTA NEIVA

por George Felipe de Lima Dantas

em 13 de fevereiro de 2010

 Transcrição de mensagem eletrônica (datada de 13 de fevereiro de 2010) encaminhada ao Senhor Coronel de Engenharia e Engenheiro Militar, Doutor Luiz Carlos Carneiro de Paula, Titular da Cadeira 75 – Vilagran Cabrita, do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil.

Caro Senhor Doutor Coronel Carneiro de Paula:

Agradeço a presteza da resposta da minha modesta informação, para registro e eventual anúncio pelo INSTITUTO DE GEOGRAFIA E HISTÓRIA MILITAR DO BRASIL (IGHMB), da morte trágica do Capitão (PMDF-Falecido) CLEITON BATISTA NEIVA em 12 de janeiro de 2010 (sob os escombros da sede da ONU/MINUSTAH), sepultado em Brasília, Distrito Federal, em 07 de fevereiro de 2010 (promoção póstuma na mesma data do funeral).

Os termos da sua pronta mensagem-resposta são mais que alentadores. Eles denotam a importância com que um “Membro Titular da Cadeira 75” do IGHMB, nomeada por um brasileiro da importância histórica de um prócere militar como VILAGRAN CABRITA, recebe e acolhe respeitosamente a notícia do padecimento na tragédia do Haiti, enquanto prestava serviços à MINUSTAH, de alguém acumula, unicamente de forma concomitante, o fato de ser brasileiro, brasiliense, policial militar e oficial da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), instituição constitucionalmente apontada como Força Auxiliar Reserva do Exército Brasileiro.

Farei chegar a sua resposta ao pequeno órfão (de um ano e sete meses), Yannick Hoeglinger Neiva, por intermédio da viúva do Capitão CLEITON, Irene Hoeglinger Neiva. Tal resposta é muito mais dele, em um futuro em que buscará explicação para o presente e o passado, do que de qualquer um mais. Ela certamente dignifica não só o Capitão CLEITON, mas também o IGHMB por um gesto de reconhecimento e justa homenagem.

Grato em meu pesar.

Prof. Doutor George Felipe de Lima Dantas

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Elogio da ONU ao Policial Militar do DF Cleiton Batista Neiva

Até breve, querido amigo!

“Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir

Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam “não”
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração

Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.”

Canção da America
Milton Nascimento

 

Tradução na internet (google translator)

Portugûes

English Deutsch

Français

Creolle haitianne
“Amigo é coisa para se guardarDebaixo de sete chaves

Dentro do coração

Assim falava a canção que na América ouvi

Mas quem cantava chorou ao ver o seu amigo partir

Mas quem ficou, no pensamento voou

Com seu canto que o outro lembrou

E quem voou, no pensamento ficou

Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa para se guardar

No lado esquerdo do peito

Mesmo que o tempo e a distância digam “não”

Mesmo esquecendo a canção

O que importa é ouvir

A voz que vem do coração

Pois seja o que vier, venha o que vier

Qualquer dia, amigo, eu volto

A te encontrar

Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.”

Música:

Canção da America

Cantor: Milton Nascimento

Brasil

“A friend is something to keep
Under lock and key
Within the heartThus spoke the song that I heard in America

But who sang cried to seeing his friend to leave

But who was in the thought flew

With his song that the other reminded

And who flew in thought was
With the memory of the other sang

Friend is something to keep

On the left breast

Even if the time and distance to say no

Even forgetting the song

What matters is to listen

The voice that

comes from the heart

For whatever it comes, come what may

Some day, my friend, I come back
The find you

Any day, my friend, we will meet. ”

Music: Canção da América
Chantor: Milton Nascimento

Brazilian

“Ein Freund ist etwas zu halten
Hinter Schloss und Riegel
Im Herzen
So sprach das Lied, das ich hörte, in Amerika
Aber wer sang, rief
Als er seinen Freund ausAber wer war in dem Gedanken, flog
Mit seinem Lied, dass die anderen daran erinnert,
Und wer fliegt in Gedanken war
Mit dem Speicher des anderen sang

Freund ist etwas zu halten
Auf der linken Brust
Auch wenn die Zeit und die Distanz, nein zu sagen
Selbst zu vergessen das Lied
Was zählt, ist zu hören
Die Stimme, die von Herzen kommt

Denn ganz gleich ob es darum geht, komme was wolle
Einige Tage, mein Freund, ich komme zurück
Die finden Sie
Jeder Tag, mein Freund, werden wir uns treffen. ”

Song of America
Milton Nascimento

“Un ami, c’est quelque chose à garder
Under Lock and Key
Dans le coeur
Ainsi parlait la chanson que j’ai entendu en AmériqueMais qui a chanté pleuré
Voyant son ami à partir

Mais qui était dans la pensée s’envola
Avec sa chanson que l’autre a rappelé
Et qui a été volé dans la pensée
Avec le souvenir de l’autre chantait

L’ami est quelque chose à garder

Sur le sein gauche

Même si le temps et la distance de dire non

Oubliant même de la chanson

Ce qui importe, c’est d’écouter

La voix qui vient du cœur

Pour quel qu’il arrive, quoi qu’il advienne mai

Un jour, mon ami, je reviens
La vous trouvez
N’importe quel jour, mon ami, nous allons rencontrer.

Musique: Canção da América

Singer: Milton Nascimento

Bresil

“Yon zanmi se yon bagay ki kenbe
Anba kadna ak kle
Nan kè a
Kidonk te pale chante nan sa mwen tande nan Amerik
Men ki rele Sang
Wè zanmi l ‘sotiMen, moun ki te panse a te vwayaje
Avèk chante sa li lòt la te sonje
Yon moun ki panse yo te vwayaje nan
Nan memwa ak nan lòt chante

Friend se yon bagay ki kenbe
Sou tete a goch
Menm si distans ak tan an di pa
Menm oublié la chanson
Sa se zafè tande
vwa ki soti nan kè a

Pou tou sa li vini, sa ka vin
Kèk jou, zanmi mwen, mwen tounen
ou jwenn nan
Tout lajounen, zanmi mwen an, nou pral satisfè. ”

Song nan Amerik
Milton Nacimento

Mensagem em homenagem a Cleiton Batista Neiva (8ª Turma da APMB – Aspirantes 1999)

 

“Em abril de 1997, CLEITON BATISTA NEIVA ingressa na Polícia Militar do DF como cadete do 1º ano. Para toda a 8ª Turma da Academia de Polícia Militar, significava uma vida nova, novos desafios, novos caminhos a serem desbravados e conquistados.

Vencidos os primeiros dias de um misto de apreensão e alegria, o Cleiton já se destacava como um grande e verdadeiro amigo de todos. Com seu jeito sincero e divertido de ser, conquistou a amizade e admiração de toda a turma.

Quem não se lembra das vezes em que estávamos todos em forma, o Chefe de Turma desesperado porque em suas contas estava faltando um cadete e, de repente, víamos o Cadete CLEITON correndo em direção ao alojamento…

Aqueles 3 anos de formação na Academia não foram fáceis. Vivenciamos muitas dificuldades e desafios, mas esta batalha foi vencida e, em dezembro de 1999, fomos declarados Aspirantes-a-Oficial.

Em janeiro de 2000, chega o momento de separar a Turma. Cada um é lotado em uma Unidade Policial Militar e inicia-se uma nova fase da carreira. Assim, o CLEITON é lotado no quartel da Asa Sul (1º BPM).

Em março de 2003, o TEN CLEITON foi designado para trabalhar no GPTUR (Grupamento de Policiamento Turístico), pois já destacava sua fluência nos idiomas francês e inglês. O TEN CLEITON sempre gostou de viajar, de falar outras línguas, conhecer outros costumes, outros povos, enfim, queria conhecer e conquistar o mundo…

Em maio de 2003, foi designado para servir no CFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças), onde se dedicou a difundir seus conhecimentos aos policiais militares que estavam em fase de formação, especialmente aos soldados que ingressavam na Corporação.

Objetivando concretizar seus ideais, o TEN CLEITON participa do processo de seleção da ONU para servir em missão de paz em outros países. Como já era esperado, ele é aprovado e selecionado pela ONU para ajudar nas ações de paz em Porto Príncipe, Capital do Haiti.

Assim, em setembro de 2004, o TEN CLEITON embarca para o Haiti para mais uma fase especial de sua vida. Estava a realizar mais um de seus sonhos…

Naquela cidade, o TEN CLEITON conhece a IRENE e começam a namorar… Passado o 1º ano no Haiti, ele consegue a prorrogação de sua permanência naquele país por mais 6 meses. Vencida esta prorrogação, o TEN CLEITON solicita uma nova prorrogação, mas não consegue.

Assim, em abril de 2006, ele volta para o Brasil, inicia o gozo de férias e retorna ao Haiti.

Não tendo mais formas legais de permanecer no Haiti, em julho de 2006, o TEN CLEITON é apresentado na 16ª CPMInd (Quartel do Metrô e dos Convênios). Em agosto daquele ano, ele se casa com a IRENE.

Em junho de 2007, o TEN CLEITON entra em gozo de licença especial e retorna ao Haiti. Em fevereiro de 2008, inicia o gozo de licença para tratar de interesse particular (LTIP) e, em razão de suas qualidades profissionais e pessoais, é admitido como Oficial de Segurança da ONU. Assim, continua a desempenhar o que mais gostava: ações de segurança noutro país, país este assolado pela miséria, pela fome, por doenças infecto-contagiosas, enfim, tudo era e é muito precário. 

Em julho de 2008, mais uma grande alegria em sua vida: nasce o pequeno YANNICK.

No dia 12 de janeiro último, ocorre o terremoto na cidade de Porto Príncipe que, com a autorização de Deus-Pai todo poderoso, nos tirou o CLEITON, com a idade de Cristo (33 anos), do nosso convívio terreno…

Você, CLEITON, foi um verdadeiro amigo, um companheiro para todos os momentos, um exemplo para nós… Ontem, lá no aeroporto, sabe como você estava sendo chamado? Como o HERÓI DO BRASIL…

Saiba que, apesar da profunda tristeza que estamos sentindo e da forte emoção, você será sempre lembrado como aquela pessoa alegre, entusiasta, amiga, incansável, um irmão querido por todos nós… porque foi a sua alegria que sempre nos ajudou, nos motivou… nos fez bons amigos… saiba que a sua passagem em nossas vidas fez diferença… e para melhor!

Hoje não conseguimos entender porque Deus quis levá-lo agora, mas temos a convicção de que Ele sabe o que é melhor para cada um de nós e, muitas vezes, nossos planos não coincidem com os Dele!

Que Deus o abençoe, que nos dê consolo, especialmente para sua família (seu pai, sua mãe, seus irmãos, sua esposa e seu filho)…

Fica com Deus…

Brasília, 07 de fevereiro de 2010.

8ª Turma da APMB (Aspirantes 1999)”

Nota 1: A presente Carta foi escrita pelo Capitão Henrique Costa e lida pelo 1° Tenente André Gustavo de Oliveira Garbi durante o funeral. Ambos os oficiais são da mesma turma de Cleiton.

Nota 2: Somente após a leitura da presente carta, o Decreto do Governo do DF de promoção post mortem ao posto de Capitão foi publicamente lido pelo Mestre de Cerimônia do evento.

Homenagem ao Capitão Cleiton Batista Neiva (por Orlando Rodrigues)

“MEU AMIGO, MEU HERÓI

Ele embarcou rumo ao céu com seu sorriso

Mas ainda o vejo tão presente

Com suas brincadeiras, seus gestos…

Aquela alegria de viver e de querer ser importante para o próximo

E conseguiu…

Como tantos outros embarcou em busca de paz

Em meio ao conflito, ao desespero de um povo

Correndo riscos diariamente, mas firme no seu propósito

No peito fica aquele orgulho

De tê-lo conhecido de perto, tão próximo

Um herói que não vamos esquecer

Nós os amigos não o esqueceremos

Agora você é parte das filas celestiais

Transformas-te tua vida num legado

Cheio de conquistas, de alegrias, de desafios

E agora habita o céu!

Deus o tenha amado amigo

E nós aqui, vamos nos render às saudades

As lembranças serão inevitáveis

Mas temos a certeza de que o dever foi cumprido!”

Por Orlando Rodrigues, em 21 de janeiro de 2010

CAPITÃO CLEITON E OS HERÓIS DE CINZA (por Ivôn Correa)

          A briosa corporação de milicianos, criada por ato de D. João VI perdeu, perdeu não, cedeu para a história e para rol dos mártires, um valoroso oficial de suas fileiras. Não tive a honra de tê-lo como companheiro de trabalho, mas tive a honra de envergar a mesma camisa cinza e de ostentar a mesma boina azul. Sei qual é o sentimento de presenciar um companheiro envolto no manto sagrado do Brasil em solo estrangeiro, pois presencie tal fato em solo angolano.

            O saudoso Capitão merece toda honra que hoje lhe é prestada, pois viveu aquilo que diariamente repetia ao entoar a Canção da Policia Militar: “… Ainda mesmo que a morte nos caiba, saberemos com honra morrer…”.

            O momento histórico por que passa o Distrito Federal nos faz procurar por homens honrados, homens que se preocupam com a coisa pública, homens dignos de ocuparem cargos que o povo lhes confia, homens que tenham dignidade, acima de tudo.

            Antes de ser herói o Capitão Cleiton era um soldado a serviço da população, um profissional que fez ainda mais digno o circulo dos Oficiais da PMDF por ser possuidor e observador das virtudes militares como a honra, o senso de justiça, a honestidade, a lealdade, dentre outras.

             Mas quantos Capitães Cleiton, heróis anônimos, existem em nossas fileiras? Que tal falarmos sobre o soldado que se encontra neste exato momento em uma viatura desprovido de um armamento adequado, de bons equipamentos de proteção, de veiculo e comunicações eficientes lá nos confins de Santa Maria, São Sebastião ou Gama? E o sentinela na solidão da guarita do presídio, exposto a toda sorte de intempéries, ataques de mosquitos e uma escala estafante? E o cavalariano, que horas antes do efetivo serviço já se encontra nas baias, cuidando do fiel amigo?

          Quaisquer desses soldados se entregam diariamente ao serviço, se doam, sofrem por um serviço que deveriam, mas não conseguem oferecer. São homens que não podem viver, jamais a vida de um cidadão comum, pois tem o dever de serem diferente, são, e devem ser, balizadores de conduta. Como certa feita citou Ricardo Balestreri, são pedagogos da sociedade. Muito acima de mantenedores, deverão ser promotores da segurança aos cidadãos.

           Que a Corporação continue a honrar o nome do Capitão Cleiton e tantos outros anônimos Capitães Cleiton de nossas fileiras.

           Que os homens que dirigem a capital do Pais possam se espelhar no exemplo de vida e de comprometimento com a coisa pública. Que os valores éticos possam ser resgatados. Que não se precise elogiar algum por ser honesto, leal, comprometido. Uma vez que essas virtudes devem obrigação de todos, não exceção. Que a Corporação continue a produzir em série mais e mais Capitães Cleiton. Que a Corporação reverencie sempre o Capitão Cleiton e os anônimos Capitães Cleiton.

            Ivon Corrêa