SEM PERDER O FOCO

Anteriormente, com o objetivo de contar um pouco de minha primeira experiência como Boina Azul e visando fazer com que os leitores  conhecessem um pouco sobre minha carreira, eu descrevi em um único relato toda a minha passagem por Moçambique em 1994, desta vez, até pra que o meu texto não fique muito longo, escreverei por partes, hoje contarei como consegui vencer as barreiras para poder ir novamente para uma outra missão de paz.

Por Hélio Pacha, colunista.

Após o término da missão em Moçambique, em dezembro de 1994, eu pude chegar a duas conclusões, a primeira delas foi que os brasileiros que  falavam bem o Inglês haviam sido designados para boas funções, chamadas de “Bocas boas” e em localidades muito melhores do que os péssimos locais onde os não falantes do Inglês foram parar, conhecidas por “Bocas podres” e a segunda conclusão veio ao final da missão e foi a clara percepção de que não seria nada difícil aprender o idioma Inglês.

Decidi então me dedicar ao aprendizado da língua inglesa para poder tentar outra participação em uma outra Missão de Paz da ONU e me matriculei em uma tradicional escolinha de Inglês, cursei treze períodos por sete anos e em seguida prestei vestibular para Licenciatura Plena em Letras, idioma Inglês e fui aprovado.

Nesse ínterim, acontecia a fase mais intensa de minha carreira e como todo policial militar da ativa concorri a escalas de serviço operacional nas ruas e a diversas operações de todos os tipos, comandei unidades, conduzi diversos inquéritos policiais militares e sindicâncias, participei de longas solenidades de formaturas em datas comemorativas, escalas de representação em substituição aos meus atarefados comandantes, fui instrutor de cursos de formação e especialização, entre outras atribuições peculiares e ainda assim nunca sai do meu foco no aprendizado da língua inglesa, estudando no período da noite.

Até o final dos anos 90, como não era costume a aplicação de processos de seleção por parte do Comando de Operações Terrestres (COTER) do Exército, visando a proficiência na língua exigida pela ONU para a respectiva missão de paz, a seleção de policiais militares, no âmbito das corporações, dependia exclusivamente da indicação de seus comandantes e era praxe dar oportunidades e diferentes oficiais e praças, evitando que alguém pudesse ir em outra missão mais de uma vez, enquanto havia outros voluntários que ainda não tivessem ido.

No final do ano de 2002 a PMRO recebeu do COTER um edital de concurso para participação em Missões de Paz no Timor Leste porém, desta vez, somente aprovados nos testes de proficiência na língua inglesa poderiam seguir para a missão já no ano seguinte.

Nessa ocasião, os candidatos deveriam arcar com as próprias despesas para deslocarem-se a Brasília no Distrito Federal afim de participarem do certame.

Provavelmente por isso e acreditando que devido as circunstâncias financeiras que afetavam a todos no Estado de Rondônia, na PMRO não haveria voluntários, não houve restrição para que aqueles que houvessem participado de missões anteriores pudessem se candidatar novamente.

Naquele momento enxerguei a oportunidade ímpar que surgia, então incentivei para ir comigo para Brasília o então Capitão NILSON e assim o fizemos nossos requerimentos.

Em 2002 eu ainda era Major e como já mencionei, o Estado passava por dificuldades, nossos salários eram muito defasados, por essa razão decidimos ir de ônibus até Brasília para podermos economizar e aproveitamos os dois dias e meio de viagem para estudarmos um pouco mais.

Após nos apresentarmos no COTER, Logo que conhecemos os demais candidatos ocorreu um fato que depois me questionei se eu teria sido presunçoso, arrogante, antipático ou se foi estratégia para tentar deixar os concorrentes mais ansiosos, atualmente creio que foi só empolgação por estar satisfeito com meu próprio desempenho, a gente sente quando está indo bem.

Durante nossa recepção pela Comissão Aplicadora dos testes havíamos sido informados que somente cinco dentre os aprovados  iriam para o Timor Leste . Em um dos intervalos entre um teste de inglês e outro, um dos colegas comentou sobre as cinco vagas, de imediato eu o corrigi informalmente dizendo que ele estava enganado pois, só quatro vagas estavam em disputa e ele retrucou  reafirmando que não, que eram cinco e que tinha certeza pois, havia escutado bem quando informaram já que ele estava sentado bem na frente. Nesse momento, de súbito eu lhe falei sorrindo que só eram  quatro vagas mesmo que eles estavam disputando porque uma das vagas já era a minha!”

Lembro que a Capitão PMGO KEDMA perguntou se eu tinha certeza e eu lhe devolvi a pergunta dizendo:

“- Você acha que eu viria de ônibus de Rondônia pra cá se não tivesse certeza? Vencem aqueles que acreditam que vencerão!”

Em Brasília concorreram ao teste cinquenta e três Oficiais PM de vários Estados do país e somente treze obtiveram aprovação, o Major PMDF NIÑ0, o Major PMRO PACHÁ, o Capitão PMRO NILSON, a 1º Ten PMGO KEDMA e 1º Ten PMSE ÁLVARO.

Após retornarmos para Rondônia, cerca de quatro ou cinco meses depois e para surpresa aos incrédulos fomos informados sobre a data de nossa partida.

Na ocasião eu tive que trancar a minha matrícula na faculdade de Inglês no meio do semestre e passar o comando do 1º Batalhão de Polícia Militar onde estava na função de comandante há pouco mais de três meses para poder em seguida seguir viagem para o Timor Leste, do outro lado do mundo, com doze horas de diferença no fuso horário, começava então a minha segunda oportunidade nas Nações Unidas.

Foram diversos fatores que, durante nove anos aconteceram e que poderiam ter me desviado de meu objetivo porém, a perseverança e a esperança nunca me permitiram fraquejar assim, quando a oportunidade surgiu eu estava pronto para segurá-la. Desta vez, as “ Forças Ocultas” não impediram o meu sucesso e assim consegui integrar por mais uma vez o rol dos Boinas Azuis das Nações Unidas.

 

Foto Texto 2 Contingente de policiais militares brasileiros no primeiro dia no Timor Leste. 2003. (1)

Foto: Efetivo policial militar no Timor Leste, em 2003.

 

 

 

 

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Published in: on agosto 29, 2017 at 8:17 pm  Comments (1)  

Policiais brasileiros são condecorados na MINUSTAH (Haiti)

No dia 11 de março de 2013, no Gabinete do Comissário da Polícia da ONU na MINUSTAH, Luís Miguel Carrilho (Portugal), o Major PMPE Robson Cordeiro e o 1 Tenente PMSE Moraes foram condecorados com a medalha da ONU pelos relevantes serviços prestados em prol da paz e segurança no Haiti.

Parabéns aos oficiais!

Medalha Haiti  - Robson e Moraes

Foto: Sentados (Tenente Moraes, Comissário L. Carrilho e Major Robson)

Published in: on março 31, 2013 at 4:05 am  Comments (3)  

Brasil aumenta efetivo policial no Haiti

O Governo brasileiro tem promovido ações no sentido de aumentar o efetivo de policiais militares a fim de integrar o Componente Policial (United Nations Police – UNPOL) na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH).

O efetivo brasileiro, desde 2004, contou com apenas 04 vagas, e tem hoje 02 oficiais in locu (01 Major da PMPE e 1 Tenente PMSE). Ocorre que outros 05 oficiais tiveram recentemente seus curriculum aprovados pelo Departamento de Operações de Manutenção da Paz (DPKO) da Organização das Nações Unidas (ONU) e também passaram na avaliação oral (por telefone) realizada pela Police Division do DPKO.

Os policiais militares aguardam apenas a chegada da Autorização de Viagem (Travel Authorization – TA) para marcarem seus voos, o que permitirá a maior presença PM no Haiti, 07 policiais militares.

É motivo de destaque a presença de 02 policiais militares femininas, sendo elas as primeiras mulheres policiais brasileiras a integrar a MINUSTAH até hoje.

A previsão de chegada na área da Missão é para o fim de outubro/novembro.

Importante destacar as articulações do Ministério das Relações Exteriores (MRE) do país, que tem percebido a importância do aumento da presença do nosso efetivo policial nas Missões de Paz, que tão bem tem representado o Brasil a serviço da ONU.

Os governos estaduais e do Distrito Federal e os comandos-gerais das Corporações Policiais Militares tem se envolvido a cada dia mais na cessão de seus efetivos, contribuíndo para a imagem e objetivos externos do país, percebendo ainda o retorno que esses profissionais podem fornecer as instituições quando de seu regresso.

Trata-se não apenas de representar seus estados e Corporações, mas esses profissionais adicionam em seus uniformes a bandeira nacional brasileira como símbolo máximo da nossa representatividade policial em ações de paz e segurança no mundo.

Sérgio Carrera

Published in: on outubro 14, 2012 at 3:56 am  Deixe um comentário  

Registro da chegada do Tenente PMSE Moraes no Haiti

Conforme publicado pelo Sr. TC PMBA Issa, Comandante do Contingente PM brasileiro na MINUSTAH, o Primeiro-Tenente Moraes, da Polícia Militar de Sergipe, chegou no dia 10 de abril de 2012 na capital haitiana, Port au Prince.

Na foto abaixo, o Capitão PMDF Popov, o Tenente PMSE Moraes e o TC PMBA Issa, na chegada do Oficial no Aeroporto Internacional Toussant Louverture:

O Primeiro-Tenente PMDF Casas continua aguardando a demorada burocracia para poder se unir aos demais policiais militares na MINUSTAH. Aguarda a entrevista, emissão do passaporte e Travel Authorization.

Sucesso ao Tenente Moraes nesse ano de Missão!

Abraço,

Sérgio Carrera

Fonte: Arquivo pessoal/FB TC PMBA Issa.

Published in: on abril 25, 2012 at 1:27 am  Comments (2)  
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PM de Sergipe enviará representante para missão das Nações Unidas no Haiti

A Polícia Militar sergipana enviará neste mês de abril um representante da corporação para a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), que tem como objetivos prioritários estabilizar o Haiti, pacificar e desarmar grupos guerrilheiros e rebeldes da região; promover eleições livres e informadas; bem como formar o desenvolvimento institucional e econômico do referido país. Para esta missão, o foco será a reconstrução de rodovias e hospitais haitianos.


Para auxiliar as forças policiais no Haiti, a Minustah realiza uma rigorosa seleção. No caso de Sergipe, a Polícia Militar enviou três oficiais da instituição para possível recrutamento. Como resultado, o tenente Moisés Moraes de Souza, lotado no Batalhão de Choque, foi selecionado e embarcará rumo ao Haiti nos próximos dias. A missão terá a duração de um ano.

“O ganho de experiência profissional em uma Missão deste porte é incalculável, tanto para mim como para a corporação que represento. Terei a possibilidade de interagir com policiais que trabalham em diversos países. Por outro lado, também nos possibilitará a ajuda humanitária aos irmãos haitianos que passam por um processo de transição, após o período de ditadura”, destacou o tenente Moraes.

Todos os profissionais de Segurança Pública que almejam atuar em Missões de Paz passam por um rigoroso processo de avaliação, composto por testes de idiomas, direção de viatura com tração 4×4, tiro e manutenção de armamentos, além de um estágio no Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil, situado no Rio de Janeiro (RJ); e Ministério da Defesa, através do Exército Brasileiro, nas cidades de Brasília (DF) e Recife (PE).

Outras missões

A PM de Sergipe tem tradição no auxílio a missões realizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), com importantes participações em Moçambique (1994), Timor Leste (2003 e 2004) e agora no Haiti (2012).

Fonte: Site da PMSE.

Published in: on abril 25, 2012 at 1:09 am  Deixe um comentário