Brasil deixa de indicar policiais para funcoes estrategicas junto a ONU

Segundo informacoes nao-oficiais, a Pasta responsavel por indicar policiais militares para funcoes junto as Nacoes Unidas (ministerio da Defesa – MD) tem deixado de apresentar nomes de policiais brasileiros para vagas estrategicas junto a ONU (maioria delas de secondment – contratadas).

Em alguns casos, informa simplesmente que “deixa de indicar policiais a concorrer a vagas…”, como feito pela segunda vez recentemente, deixando o Brasil de indicar candidato policial para concorrer a vaga de “Deputy Police Commissioner for Operations” na MINUSTAH, cargo este considerado o numero 03 na hierarquia do componente policial (UNPOL) no Haiti.

Deixa tambem de indicar policiais brasileiros para vaga de “Strategic Adviser to the Directorate of Investigations” na UNMISS, no Sudão do Sul.

E outras vagas que chamam a atencao como o de deixar de apresentar nomes de policiais brasileiros para integrar o rol de policiais disponíveis para assumir cargos de liderança em operações de manutenção da paz (“Senior Police Leadership Roster”) – DPKO, para participar do Encontro Temático Sobre Capacitação e Desenvolvimento Policial, em Oslo (19 – 21 março 2014), e deixando de indicar nomes de policiais para concorrer ao cargo de “Chief of the Standing Police Capacity” na Base Logística das Nações Unidas em Brindisi, Italia.

O que se tem apurado, sao informacoes de falta de policiais voluntarios para concorrerem ou assumirem vagas importantes em QG ou Missoes de Paz.

Como na comunidade de policiais veteranos de missoes de paz a comunicao é bem articulada, muito impressiona nao termos no Brasil policiais veteranos voluntarios a essas vagas ou que nenhum instituicao tenha autorizado que seus efetivos concorram aos certames internacionais.

Pelo que se pode interpretar ao ver o Brasil deixar de indicar nomes de policiais para cargos de primeiro escalao junto aos componente policiais de missoes de paz ou sede (como NY e Brindisi) seriam: 1) inexistencia de policiais voluntarios, 2) nao autorizacao dos estados federados; 3) ou ma-gestao de policiais brasileiros e 4) inexistencia de uma agenda e politica de envio/participacao de policiais brasileiros no contexto da paz e seguranca internacionais.

Alguem teria a resposta?

Se continuamente policiais tem sido enviados a integrar missoes de paz como UNPOL… fica dificil entender algumas posicoes… a pensar…..

duvida

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Published in: on maio 9, 2014 at 8:11 pm  Comments (2)  

Visita oficial da SRSG/MINUSTAH ao Brasil.

A Representante Especial do Secretário-Geral da ONU, Md. Sandra Honoré (SRSG) da MINUSTAH, realizará visita a países sul-americanos, inclusive o Brasil., no próiximo mês. Contará com a presença do Police Commissioner e Force Commander. Participação e maior envolvimento policial brasileiro está na pauta. Visitas com Ministros das Relações Estrangeiras, Defesa e Justiça…além da PR e parlamentares.

Published in: on março 10, 2014 at 11:57 pm  Deixe um comentário  

Vamos evoluir!

Qual a dificuldade do Brasil em participar de mais missões de paz? Um escritório com 2-3 veteranos resolve isso + Adido Policial na Missão Permanente junto a ONU em NY.

Burocratização em excesso no Brasil relativo ao tema.

Muitas medidas simples são viáveis, efetivas e práticas!

Basta vontade e interesse.

Vamos evoluir!

Published in: on março 10, 2014 at 11:54 pm  Deixe um comentário  

SAAT e Brasil

A cada dia que passa e com mais experiência, me pergunto qual a dificuldade do Brasil em ter SAAT… não existe!

É muito simples. Basta haver interesse!

Avancemos!

A Argentina vai para seu vigésimo SAAT. Uruguay há muitos anos. Chile e Colômbia também tem SAAT… ou seja, dos países sul-americanos que contribuem com policiais para missões de paz, apenas o Brasil não solicita SAAT à ONU.*

Sérgio Carrera
Selecionador ENG/FRA AMS SAAT da Police Division da ONU.

* Recentemente o Paraguai desdobrou seu segundo policial em missão de paz. Praticamente não tem experiência.

Published in: on março 10, 2014 at 11:38 pm  Comentários desativados em SAAT e Brasil  

O idioma francês e a Polícia da ONU – UNPOL

A falácia oficializada no Brasil de que a ONU não pede policiais fluentes em francês chega a beirar o absurdo. A tendência da maioria das missões tem o francês como idioma oficial da UNPOL. E essa é uma tendência, conforme palavras do Undersecretary-gereral for Peacekeeping Operations (Mr. Herde – diplomata francês) e do Police Advisor e Diretor da Police Division, o policial alemão Stephen Feller em reunião com Comandantes de Contingentes e Chefes de Unidade na MINUSTAH. Inclusive solicitado para transmitir informações aos países de origem e citando as missões na África. Selecionar policiais apenas em inglês é um contra-senso!

De forma alguma, devem deixar o inglês em segundo plano, por questões óbvias.

Tempo para reflexão e evolução sobre o tema.

Durante muitos anos o Brasil realizou seleção em francês (mesmo que não reconhecida pela ONU) e acredito que estamos no momento de voltarmos a fazê-la (Brasil).

bandeira da franca

Published in: on março 10, 2014 at 11:32 pm  Deixe um comentário  

Nota de esclarecimento – 30nov2013

Apos receber e-mails com questionamentos diversos, seguem alguns rapidos esclarecimentos:

1) Quem pode participar de uma Missao de Paz da ONU como Policial?

R – Resposta neste mesmo site, neste link.

2) O Curso de Missoes de Paz e Policiamento Internacional promovido pela SENASP/MJ é pré-requisito para se participar de uma Missao de Paz da ONU?

R – Nao. O curso é apenas para fins de conhecimento e divulgacao do tema. Da mesma forma que ao se fazer um curso na area de investigacao criminal da SENASP/MJ, nao qualificara nenhum profissional a ser um investigador. O referido curso nao habilita nenhum profissional a participar de uma Missao de Paz tampouco é um pré-requisito (ver link acima).

3) Por que nenhum policial veterano de Missao de Paz, com experiencia e conhecimento, é indicado pelo Brasil a concorrer a vagas de secondment em posicoes de alto escalao dos componentes policiais das diversas Missoes DPKO e DPA (além de outras missoes regionais), assim como vagas no DPKO, Base Logistica da ONU, etc.?

R – Obviamente, que sao inumeros os policiais com experiencia e que teriam vontade de concorrer ou ser indicado pelo Governo brasileiro para tais vagas. Ha, contudo, de se notar a inexistencia de uma politica voltada para policiais brasileiros em missoes de paz, ficando a cargo do Ministério da Defesa – MD, e nao do MRE, decidir sobre essas indicacoes. Nao esta claro o porque do MD informar ao MRE a inexistencia de policiais voluntarios para ocupar/concorrer a tais vagas, como acontece. Em alguns casos, existem impedimentos legais.

PS: Existe apenas uma excecao, a assuncao da chefia do componente policial por um Cel PMDF em Guine-Bissau, como Senior Police Adviser.

4) Quem arca com as despesas dos policiais militares brasileiros a servico da ONU?

R – A Uniao nao gasta um unico centavo quando o Brasil envia policiais militares para integrarem missoes de paz da ONU. Cabe a Unidade Federativa (os estados e o Distrito Federal) arcar com todas as despesas relativas aos salarios dos UNPOLs.

5) Quem autoriza o envio dos policiais brasileiros para Missoes de Paz?

R – O chefe do poder executivo local (Governador de Estado/DF) ou outra autoridade a quem lhe delegar competencia. Em alguns locais, o Secretario-Chefe da Casa Militar (DF), em outros o Comandante-Geral, em outros o Secretario de Seguranca Publica… depende de cada UF.

Legalmente, quem autoriza ou nao, é o poder executivo dos estados e do Distrito Federal

(apos consulta que sai da ONU – Missao Permanente do Brasil junto a ONU/MRE, MRE – MD – EM-conjuntos FFAA – EM-EB, COTER/EB, IGPM/COTER/EB – Unidade Federativa).

Os demais orgaos, como EB, MD e MRE fazem o tramite da documentacao.

6) Porque o Ministerio da Defesa ou Exército por vezes decidem nao autorizar solicitacao de pedidos de extensao de policiais militares?

R – Uma vez que cabe as UF arcar com todas as despesas, assim como decidir pela cessao ou nao de seus efetivos, nao fica bem claro prover uma resposta. Pode ser por uma questao de gestao, mas se a autoridade estadual/DF é a responsavel por ceder efetivo e pagar pelos custos, deveriam fazer parte do processo de tomada de extensao nao apenas para a cessao inicial, mas tambem para avaliacao quanto as extensoes. Faz parte da politica e essa articulacao (ou a falta dela) pode (podera) gerar inclusive que uma UF deixe de contribuir com o MD e MR (Brasil) por nao ser consultada ou fazer parte dos processos de tomada de decisao.

7) Porque a Medalha da Vitoria (MD) nao é concedida (ao menos nao ha divulgacao) aos UNPOLs brasileiros, conforme esta previsto em seu decreto de criacao?

R – Nao ha resposta. Ver post.

“*Medalha da Vitória*

A Medalha da Vitória é uma condecoração brasileira que foi criada pelo Decreto nº 5.023, de março de 2004, em reconhecimento à atuação do Brasil em defesa da liberdade e da paz mundial, em especial na Segunda Guerra Mundial (art. 1º). Consoante dispõe o art. 2º do Decreto em referência, a Medalha da Vitória poderá ser conferida aos militares das Forças Armadas, aos civis nacionais, aos militares e civis estrangeiros, aos policiais e bombeiros militares e às organizações militares (grifo próprio) e instituições civis nacionais que tenham contribuído para a difusão dos feitos da Força Expedicionária Brasileira e dos demais combatentes brasileiros durante a 2ª Guerra Mundial, participado de conflitos internacionais na defesa dos interesses do País, integrado missões de paz, prestado serviços relevantes ou apoiado o Ministério da Defesa no cumprimento de suas missões constitucionais (alterado pelo Decreto nº 6.126, de 15 de junho de 2007).

Essa Medalha prevê tacitamente a outorga aos UNPOL brasileiros. Poderia ser, considerando inclusive o baixo número de policiais militares que participam de Missões, uma forma de valorização dos veteranos. (Não tenho conhecimento de muitos UNPOL que a tenham recebido – salvo engano, apenas 2 que na Presidência serviam).

Algumas outras condecorações federais poderiam, além de agraciar os policiais militares veteranos, também as instituições policiais militares estaduais, que cedem seus efetivos para servir o Brasil.”

(Post de 16 nov 2012)

8) Porque Cabos e Soldados PM nao sao autorizados a participar de Missoes de Paz?

R – Decicao do Exercito brasileiro ou do Ministerio da Defesa (nao estou certo). Nao ha impedimento algum por parte da ONU. Se os policiais preencherem os requistos obrigatorios (de acordo com SOP especifico de selecao de UNPOLs), nao importa a patente. A missao UNPOL é uma missao “no rank”, onde a hierarquia é definida de acordo com as funcoes e cargos estabelecidos e nao por patentes dos paises de origem. No ano passado, ST e SGT PM foram autorizados a participar dos processos seletivos, assim como os oficiais.

9) Porque a participacao policial brasileira é quantitativamente baixa e porque o Brasil nao articula cargos estrategicos nos componentes policiais?

R – Falta de uma politica especifica/interesse em todos os niveis. Apos a criacao da Divisao de Paz e Seguranca Internacional – DPAZ/MRE, sob a lideranca do Ministro Norberto Moretti, pode-se afirmar que houve um “avanco consideravel” quanto a uma melhor compreensao e importancia do papel do componente policial em missao de paz.

10) Porque tao poucas mulheres policiais brasileiras participam de Missoes de Paz?

R – Fatores culturais e a falta de uma politica especifica para a questao de genero, conforme estimula a ONU (Res.1325 e outros).

11) Porque nos ultimos anos, o COTER/EB, orgao responsavel pela selecao dos policiais para Missao de Paz, deixou de aplicar provas no idioma frances?

R – Nao ha como afirmar, em especial, porque existe um estimulo por parte da ONU que os Estados-membros fomentem o estudo da lingua francesa a seus policiais, por uma questao bem clara: a maioria das missoes de paz existentes e as que provavelmente serao criadas, terao o frances como idioma principal. Atualmente, apenas um policial brasileiro, agora servindo na MINUSTAH, esta habilitado em ingles e frances.

12) Quanto tempo dura a habilitacao?

R – O Exercito costuma ser coerente e adota os padroes estabelecidos pela ONU, mesmo que seu processo seletivo nao seja reconhecido pela Organizacao. O SOP de selecao define que apos selecao e a apos a data de fim de missao de um policial, por 24 meses ele estara automaticamente habilitado, sem a necessidade de fazer qualquer outro tipo de selecao.

13) Porque o Brasil nao realiza SAAT Tests, conforme estimulado pela ONU?

R – Falta de coordenacao e verba destinada para tal fim, possivelmente. O SAAT é uma equipe composta por policiais das Missoes e por integrantes da Police Division da ONU que vao aos paises aplicar todo o processo seletivo. Os policiais aprovados nao sao submetidos a novos processos quando chegam na area da missao, onde, caso reprovem, serao repatriados. Ha um minimo necessario de candidatos (50) e maximo (800). O Brasil possui 2 policiais militares agora no Haiti habilitados para realizarem processos de selecao em qualquer pais do mundo, com excecao do Brasil. Desta forma, a selecao realizada pelo Exercito é apenas para fins de evitar problemas, mas todos os policiais brasileiros sao submetidos a todas as provas quando chegam na missao, correndo o risco de repatriacao.

14) Quem arcaria com a repatriacao de policiais reprovados nos exames na area da Missao, uma vez que cabe ao Estado-membro pagar pelos custos (passagem e demais gastos)?

R – (?)

15) Cursos promovidos pelo Centro Conjunto de Operacoes de Paz do Brasil (CCOPAB).

R – Um post especifico é necessario.

16) Existem policiais veteranos trabalhando com o tema “Policia em Missoes de Paz” em algum orgao estrategico?

R – Nao que se tenha conhecimento. Nenhum na IGPM, COTER, Divisao de Missao de Paz do COTER, MRE, MD, Missao Permanente… Assim, todas as decisoes relativas a “Policiais em Missoes de Paz” sao decididos pelos militares e normalmente acolhidas pelo MRE, sem qualquer participacao de policiais nesse processo.

17) Participacao de Bombeiros em Missoes de Paz.

R – Post especifico sera publicado.

___________________________________________________________________________________________________
PS: Favor desconsiderar os erros em portugues, devido a utilizacao de teclado sem pontuacao da lingua (alem do corretor automatico)

Published in: on novembro 30, 2013 at 4:18 pm  Comments (4)  

Multidimensional Peacekeeping

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Fonte: UN website.

Published in: on setembro 25, 2013 at 6:19 pm  Deixe um comentário  

Participacao de Pracas em Processos Seletivos para Missoes de Paz da ONU

Apos anos de muitas tentativas, pracas PM passaram a poder participar de processos seletivos para Missoes de Paz. Num primeiro momento, o Exercito Brasileiro, orgao responsavel por tal gestao, autorizou que SGT e ST participassem.

A quantidade e proporcionalidade e muito grande e assim, por merito proprio em concurso nacional, tanto oficiais quanto pracas podem se habilitar e concorrer a vagas em missoes da ONU.

A importancia da busca pelo conhecimento de idioma (especialmente o ingles) deve partir hoje do proprio individuo, sendo que dentre as provas do processo seletivo, a etape de lingua estrangeira e a que mais reprova candidatos.

Espera-se que em breve algum orgao do pais se interese em promover cursos de idiomas e de preparacao, como faz a Argentina, por exemplo. Oficiais e pracas participam de uma preparacao de 9 meses de estudos no Centro policial da Gendarmeria Nacional para se habilitarem.

No ultimo processo seletivo (agosto 2013), o numero de pracas inscritos foi muito baixo e apenas 2 pracas foram aprovados, um ST PMDF e um SGT PMESP (total de 22 aprovados).

Divulguem e motivem os colegas a se prepararem. A oportunidade esta aberta e anualmente 2 concursos nacionais sao realizados!

Em breve, SD/CB tendem a ser autorizados da mesma forma, visto nao haver impedimento por parte da ONU para tal.

pmestudando

Published in: on setembro 21, 2013 at 7:31 pm  Deixe um comentário  

Oficiais PM do Paraná e Ceará são designados para Missões de Paz no Sudão e Timor Leste.

Os Tenentes Fábio Barros e Juan Abreu da Polícia Militar do Paraná (PMPR) e o Tenente Adriano Marcel, da Polícia Militar do Ceará (PMCE), concluintes do United Nations Police Officer Course (UNPOC), realizado pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) em parceria com a Polícia da Suécia em outubro de 2011 na Academia da PMDF, foram designados para as Missões de Paz da ONU no Sudão (01) e Timor Leste(02 – um do PR e um do CE).

Aos oficiais designados, os demais concluintes, instrutores e coordenação do Curso desejam votos de sucesso nas missões e que vocês possam bem representar vossas Corporações PM e o Brasil.

Sérgio Carrera

Published in: on fevereiro 19, 2012 at 12:21 am  Comments (1)  

Oficiais da PMDF são selecionados para Curso Internacional na Suécia

Na semana passada, dois jovens e promissores oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal – PMDF, dois tenentes – um masculino e um feminino, foram selecionados para Corporação para frequentarem o International Police Officer Course (IPOC), a ser promovido pela Polícia Sueca. Dando continuidade a cooperação técnica em andamento desde o ano passado entre a PMDF e a Polícia sueca na formação e intercâmbio de alunos e instrutores na área de Missão de Paz, os dois policiais militares seguirão em breve para esse importante passo em busca de uma capacitação de alto nível e reconhecida pela ONU para policiais em missões de paz.

Para o mesmo Curso, 2 policiais militares possuidores do Curso Train of Trainers (ToT) atuarão como instrutores na Suécia. No Brasil, apenas 12 oficiais PM detém tal credenciamento internacional, que os conferem legitimidade perante uma comunidade de países para serem “instrutores” em cursos de Policial Internacional/ONU para missões de paz – padronizado em vários países e já realizado em 2011 (outubro) na Academia da PMDF, que contou com alunos de vários Estados brasileiros, Suécia e Portugal, além de um corpo docente composto por policiais militares brasileiros e policiais suecos.

Parabéns a PMDF pelos contínuos esforços em ajudar o país em fomentar e motivar que seu efetivo e de coirmãs se interessem por missões de paz.

Sérgio Carrera

Published in: on fevereiro 18, 2012 at 11:38 pm  Comments (1)  

UNPOL Janeiro 2012: Alguns dados e considerações.

A Organização das Nações Unidas apresentou alguns dados interessantes no mês de janeiro sobre o seu componente policial (United Nations Police – UNPOL):

*Os 10 países que mais contribuem com policiais para Missões de Paz da ONU (ONU, janeiro 2012). United Nations Top 10 Contributors Countries (UN, January 2012)

  1. Bangladesh
  2. Jordânia
  3. Índia
  4. Paquistão
  5. Senegal
  6. Nepal
  7. Nigéria
  8. Egito
  9. Ruanda
  10. Gana

**Os países que mais contribuem com policiais femininas em Missões de Paz da ONU (ONU, janeiro 2012). United Nations Top 10 female police Contributors Countries (UN, January 2012)

  1. Bangladesh
  2. Nigéria
  3. Ruanda
  4. Índia
  5. Gana
  6. 6.       Sierra Leon
  7. Gâmbia
  8. Tanzânia
  9. Camarões
  10. Nepal

 

Dos cerca de 16,000 policiais da ONU em 12 missões de paz, o Brasil conta hoje com 20 policiais militares (18 homens e 2 mulheres) em apenas 4 missões. O Brasil precisa de uma política mais proativa e que coadune com as necessidades da comunidade internacional, em especial às Missões de Paz da ONU. Segurança e Desenvolvimento estão intrinsecamente ligados, e a consolidação da paz em vários países no mundo, necessariamente, recai no papel desempenhado pelo componente policial das Nações Unidas. O Brasil poderia ter voz mais ativa internacionalmente, ao dar mais atenção e reforçar esse setor fundamental nas Missões de Paz. Incentivos e estratégias para uma maior participação de policiais (especialmente, policiais femininos) e especialistas civis brasileiros junto a ONU devem entrar na agenda político-diplomática nacional. Juntamente com a ascensão mundial, fomentada pelo crescimento da economia, ao buscar maior espaço e credibilidade frente às demais potências existentes e as emergentes, o país deve considerar que “reponsabilidade internacional” vincula-se ao soft power que se busca promover, inclusive, ao se pleitear um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. A política nacional referente aos militares está bem definida e em amplo e atuante crescimento, carecendo as autoridades de voltar os olhos aos demais elementos que compõem uma Missão de Paz (Civil, Policial e Militar).

Sérgio Carrera

Published in: on fevereiro 18, 2012 at 11:07 pm  Deixe um comentário  

Evolução da polícia

Por Anderson Nakamura

“Nestes últimos anos temos visto várias realidades, ou como alguns preferem dizer, várias polícias dentro da Polícia Militar do Distrito Federal. Há aqueles que convivem com idéias e ideiais de construção de uma corporação melhor e há aqueles que ainda são obrigados a conviver com os coneitos e moldes de uma polícia não democrática.
 
Em que pese os fatos e fatores negativos, a Polícia Militar do Distrito Federal vem caminhando a passos largos para a modernização de sua estrutura e renovação de seus paradigmas. Nos meses de fevereiro e março foram realizados dois cursos de formação de Policial da ONU (UNPOC), sendo o primeiro realizado na Suécia e o segundo na Noruega. Há ainda um terceiro curso em andamento na cidade de Estocolmo, na suécia.  Os policiais foram selecionados por meio de prova escrita e oral no idioma inglês e ainda passaram por uma banca que realizou entrevista no intuito de avaliar o perfil profissiográfico do candidato.
Em tempos passados era comum que se proibisse ou dificultasse a presença de praças em cursos internacionais, mas não foi o que aconteceu dessa vez. Todas as versões do UNPOC contaram com a presença de praças. UNPOC I SD Leandro, UNPOC II SD Nakamura e UNPOC III SGT Da Mata.
 
Tal acontecimento demonstra maturidade e proporciona a todos os policiais igualdade de direitos tendo em vista as missões de paz da ONU não exigirem qualquer grau hierárquico, exigindo apenas que o policial tenha 5 anos de experiência policial, domine o idioma da missão e tenha aptidão para dirigir viaturas 4×4.
 
É fato de igual importância a tentativa de incluir o efetivo feminino nos cursos da ONU. A PMDF tem dado especial importância às nossas mulheres, contudo nosso efetivo feminino ainda não atendeu ao chamado da forma esperada.
 
Anderson Nakamura”
 
Fonte: Blog Policiamento Inteligente.

Tolerância Zero para Exploração Sexual numa Missão de Paz da ONU

O “UNMIT Daily Media Review: Morning Edition, 4 April 2011” apresenta um artigo importantíssimo para o mundo das Operações de Paz da ONU, onde trata do tema “Policiais da ONU que cometem crimes são legalmente processados” (UN Police officers who commit crimes are legally processed).

O Representante Especial do Secretário-Geral da ONU no Timor Leste, Ameerah Haq, enfatiza que qualquer Policial da ONU (United Nations Police – UNPOL) que venha a se envolver em crimes no país será devidamente processado.

As ações que contrariam as normas e condutas previstas pelas Nações Unidas, em nível de disciplina e crimes, serão investigadas pela própria Missão de Paz e, em se configurando a ocorrência de um crime, os casos serão encaminhados ao Poder Judiciário, após o Secretário-Geral retirar a imunidade que os UNPOL possuem por representar a Organização.

Nesse sentido, uma das maiores preocupações da ONU está vinculada a conduta de todos os seus membros no que se refere a sua política de “Tolerância Zero quanto a Exploração Sexual” cometida por policiais, militares e civis da ONU. 

A Organização das Nações Unidas é rigorosa, e deve ser, em qualquer ação cometida por um de seus funcionários ou representantes no que se refere ao envolvimento deles na oferta de vantagens pecuniárias ou semelhante à população local ou pessoas de condição social  desfavorecida,  em troca de sexo.

Em 2007, no Haiti, somente o indício de que um pequeno grupo de militares haviam cometido atos de exploração sexual ou condutas semelhantes com mulheres haitianas acarretaram o repatriamento de toda uma Companhia do componente militar da MINUSTAH, composta por  150 (cento e cinquenta) homens.

Há de se esperar que um representante de um país e da ONU não se envolva com o pagamento de prostitutas ou mesmo condicione relações sexuais mediante oferta de vantagens financeiras.  Mais grave ainda dar-se o envolvimento sexual com menores.

Mesmo não sendo recomendado, existe sim a possibilidade da existência de “relações reais” entre membros da ONU com integrantes da população local, como já ocorrera inúmeras vezes, mas NUNCA esta relação deverá ser pautada na troca “sexo x dinheiro”.

É lamentável a conduta de policiais, militares e civis da ONU que não observam as normas internas e colocam em cheque o nome e a credibilidade da Organização e do país de origem dos representantes, especialmente quando se utilizam dos recursos financeiros que dispõem para “comprar” sexo ou algo do gênero.

É motivo de vergonha e humilhação qualquer possibilidade de um brasileiro se envolver ou ser repatriado por motivos como esses. Mas nada mais justo, necessário e imprescindível que a ONU, ou mesmo o chefe de contingente, atue imediatamente e com o devido rigor em casos que venham a manchar e macular o nome de nosso país ou das Nações Unidas por atos repugnantes e com certeza cometidos sem a devida noção da importância do papel que assume ao representar a comunidade internacional em uma ação humanitária/Missão de Paz.

Published in: on abril 6, 2011 at 1:43 am  Comments (1)  

Where There Is A Will There Is A Way

we have seen it now with trillions poured into funds

A few days ago the UN Secretary General Ban ki-Moon expressed his concerns that “the financial crisis does threaten to undermine all the UN’s achievements and all its progress” and that “it would be the final blow that many of the poorest of the world’s poor simply cannot survive”

With the present world situation having the potential to become globally more difficult on the political and on the humanitarian front by a worsening scenario within developing and underdeveloped countries, these concerns are shared by many. Due to the ramifications of the current crisis there is a possibility that the industrialized world might focus primarily on their problems at home and that the targets set regards aid, development, climate change and MDGs by developed nations might not be honored.

However, there are two schemes that have already been used successfully during the debt crisis of the late 1980’s and with some modifications these could again be revived during these globally testing times. The debt-for-nature swap is a scheme instituted in the late 1980s when a portion of a developing nation’s foreign debt was forgiven in exchange for local investments in conservation measures. The other scheme was known as the Global Environment Facility (GEF). GEF was set up, operated by the World Bank, various UN agencies, and a host of bilateral aid agencies to provide several hundred million US dollars per annum for biodiversity protection projects.

The setting up of a Global Solidarity Facility/Fund (GSF) could target national priorities related to aid, development, climate change and the MDGs. An example: developing countries could be paid not to cut down their mature, well-established, biodiversity rich forests. Forests also yield regional watershed benefits, benefits which were compensated by GEF. But today these countries can also take advantage of their forest resources to provide competitively priced carbon sequestration and emission reduction projects to industrialized countries, e.g. through the Clean Development Mechanism (CDM). The potential source of income would make concession renewal conditional on forest certification and would be a powerful, no-cost tool for governments to promote better management of logging concessions and have the potential to generate significant sustainable conservation payoffs with longterm benefits. In 2006 alone more than US$ 5.5 billion of carbon offsets were purchased. Guyana has already placed its rainforest under the protection of the UK in return for development and technical aid.

At a time that the industrialized nations have a credit squeeze and in order for commitments still to be achieved, a scheme deducting the promised amounts from a developing nation’s foreign debt would free up money previously earmarked for interest payments. An example (and this could be an impetus for much needed renewal and changes within global financial institutions) for the WB/IMF to buy US$ 50 million worth of Niger’s government debt from international commercial banks at a discounted price of e.g. 35 million (as was done during the debt crisis of the late 1980’s) and in exchange the Niger government would commit to establishing a MDGs/development fund using the money thus freed up from the interest payments (which were due on the amount deducted) to implement projects related to the MDGs, development and climate change.

This would apply to all indebted countries to which MDGs/ development aid was promised. It might be necessary to make sure that the projects within a country are allocated and executed in a democratic and transparent manner, so that the money is indeed directed to such projects. Also to be considered is for the amount of the portion of funds still to be allocated for these to be in the country’s national currency and whenever possible for national and local institutions, NGOs and enterprises to be involved, thus creating much needed jobs and for the money to circulate nationally thereby benefiting local trade.

It is also important to be aware that the financial crisis was brought about by the reckless behavior of the 1st world’s financial institutions with consequences for the 3rd world. The US and the developed nations need to accept responsibility for this on some level. While the West has borrowed billions to put into their banking systems, underdeveloped and developing countries cannot do this. They do not need more loans. The need part of their debt to be cancelled so that they can start implementing their MDGs.

It is very hard for many to understand that industrialized countries have billions for their financial institutions but then do not seem to have the money to help those who are at risk of losing everything or on the brink of starvation and death. This feeling of abandonment, of betrayal might have future consequences when it comes to diplomatic, political and trade relations. Such schemes will also go a long way towards relieving the feeling of indebted countries that these very debts were incurred illegally.

During these times of major financial turmoil the above schemes would still allow industrialized countries to pay 0.7 of their gross national product (GNP) towards aid, development and the Millennium Development Goals (MDGs), and UN’s Secretary General Ban ki-Moon’s concerns do NOT have to become a reality and “those least responsible” do NOT have to pay with their lives the price of an outdated financial system.

Like the debt-for-nature swaps, the debt-for-aid/MDGs swaps could be limited to a one-time or x-time payment/s and to be enacted at times of global emergencies, such as the ones we find ourselves in. It would also show that industrialized nations are well aware of the problems besetting the developing world and are willing to consider solidarity measures.

The two above schemes are mentioned as examples. The architecture for these might already be in place and with some obvious and needed changes these could be applied and made viable in a relative short time. It is up to the experts the likes of Prof. Stiglitz, Dr Yunus , Prof Krugman, Prof Sachs et all to see if there is any merit in these proposals and how this could best be achieved. The situation is such that we have to work on this collectively. If we don’t do anything today, then the situation in the least developed countries could well get worse and then the committed 0.7% of GNP will need to be substantially revised, upwards. Not to do anything now will cost considerably more in the future.

Today current thinking along traditional economic lines might be ‘limiting’ and globalization also require ‘out of the box’ and interdependent approaches. Civil society and NGOs have much to contribute. Given the urgency of the times and with the meeting of the G8 and G20 in the US is set for November 15th then time is short. The above proposal could form the basis for further discussion and feedback by NGOs could be given to UN S.G. Dr Ban ki-Moon and the current EU President N. Sarkozy? By working together and by putting our minds to achieving the best possible way forward, collective solutions can be found. But is there a political will? Is there the wisdom to understand why? Is there the courage to act? That is the question and no doubt the people of the world and especially the poor will expect the November 15 meeting in Washington to consider sweeping alternatives that put people first.

Vita de Waal

International Affairs Liaison

Main Representative to UN Geneva

Planetary Association for Clean Energy

100 Bronson Ave # 1001

Ottawa, Ontario K1R 6G8, Canada

Published in: on novembro 7, 2010 at 5:15 pm  Comments (2)  

ONU mudará as regras de emprego das FPU nas Operações de Manutenção de Paz

O Departamento de Operações de Paz (DPKO) da ONU encontra-se trabalhando em novo SOP para mudança da forma de emprego das Formed Police Unit (Unidade de Polícia de Choque) nas Operações de Paz.

Em breve postarei o novo SOP e seus pontos principais.

Sérgio Carrera

Published in: on setembro 24, 2010 at 3:04 am  Deixe um comentário  

Efetivo total de policiais e militares em Operações de Paz da ONU (janeiro de 2010)

Atualmente, o efetivo total de policiais e militares em Operações de Paz da ONU figura da seguinte maneira:

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Policiais =12,867

Militares = 84,728

Observadores = 2,348

Total = 99,943

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Dos 12,867, o Brasil conta com 8 policiais em Missões de Paz da ONU.

Alguém pode explicar?!

SC

Published in: on março 22, 2010 at 2:20 am  Comments (3)  

O que é uma FPU?

Foi com grande satisfação que li o texto sobre Formed Police Unit (FPU), postado por meu amigo e veterano da MINUSTAH, Capitão Marco Antonio, Oficial da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.

“A Formed Police Unit – FPU é uma modalidade de emprego policial utilizado pelas Nações Unidas no desempenho de suas atividades em uma missão de paz. A FPU é uma unidade policial constituída, em regra, por 125 policiais e que atua de maneira semelhante aos batalhões de choque de nossas polícias militares estaduais. Sua organização estrutural é semelhante a dos contingentes militares.

É uma tropa aquartelada, ou seja, diferentemente do policial empregado como UNPOL, possui toda a infra-estrutura de um quartel com alojamentos, seções administrativas, serviço médico, refeitório e local para esportes.
O mandato para as FPU também é diferente da UNPOL, pois elas desempenham um papel fundamental na proteção do pessoal e das instalações das Nações Unidas e prestam apoio em força para as atividades de policiamento da polícia local ou da UNPOL. Suas prerrogativas são limitadas por não serem considerados agentes responsáveis pela aplicação da lei amparados na legislação do país anfitrião, no entanto os integrantes das FPU podem parar, deter e revistar pessoas, de acordo com o mandato específico da missão e diretrizes emitidas pelo DPKO.
Entre suas missões também encontramos as ações de controle de distúrbios civis, bem como, o emprego de equipe de operações especiais, as denominadas SWAT, em situações de alto risco, sempre em conjunto com as forças policiais locais e sob a coordenação da ONU.
Essas funções de segurança em apoio das agências nacionais responsáveis pela aplicação da lei são atualmente desempenhadas por membros das FPUs em missões das Nações Unidas no Haiti, na República Democrática do Congo, Costa do Marfim e Libéria.

Outra característica que diferencia os policiais que integram uma FPU e os policiais que integram a UNPOL é que aos primeiros não são obrigados a ter fluência em Inglês ou francês, pois trabalham em missões de patrulhamento sempre acompanhados de intérpretes.

Apenas Oficiais em funções de Estado Maior devem ter fluência em um ou outro idioma de acordo com o idioma oficial da missão determinado pela ONU. Já para os policiais que integram a UN Police, os denominados UNPOLs, este é um pré-requisito obrigatório e faz parte do processo seletivo.”

Leia a matéria na íntegra no Blog UN Police Brasil.

Published in: on março 1, 2010 at 3:01 am  Deixe um comentário  

Discurso da Senadora Ideli Salvatti na Homenagem aos Mortos Brasileiros no Haiti

A SRª IDELI SALVATTI (Bloco/PT – SC. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão da oradora.) – Agradeço, Sr. Presidente. Quero, de forma muito carinhosa, cumprimentar a todos os que se fazem presentes nesta longa sessão de homenagem às pessoas que faleceram no terremoto do Haiti, os nossos militares, os representantes do nosso corpo diplomático e, de forma muito especial, à nossa querida Zilda Arns.

Eu tive conhecimento da morte da Drª Zilda no Palácio do Planalto. Naquele dia, eu estava na antessala do Presidente Lula, quando veio a notícia da morte da Drª Zilda, e tive a oportunidade de acompanhar toda a movimentação não só do Presidente, mas de todos os seus assessores mais diretos, mais imediatos. O Ministro da Defesa estava juntamente com o Ministro Vannuchi, quando veio a notícia. Tive a oportunidade, Senador Flávio Arns, de acompanhar o doloroso telefonema do Gilberto Carvalho a V. Exª, comunicando aos familiares, dando oficialmente a notícia do falecimento da Drª Zilda, colocando à disposição toda a estrutura do Governo brasileiro para que a família pudesse se deslocar até o Haiti para fazer o resgate.

E tive, inclusive, a incumbência… Não me coloquei assim, mas, como eu estava em Palácio para tratar de outros assuntos, na saída, a imprensa queria saber o resultado da reunião que houve naquele dia, a respeito de questões relacionadas ao plano dos Direitos Humanos. E a reunião do Presidente Lula era exatamente com o Ministro da Defesa e o Ministro Vannuchi e estava programada para tratar dessa questão. Na saída, a imprensa toda me abordou, querendo saber do resultado da reunião do Ministro Jobim e do Ministro Vannuchi com o Presidente Lula. Acabei sendo eu que comuniquei à imprensa brasileira que nada havia sido tratado, até porque um assunto de muito mais relevância tinha ocorrido: o falecimento da Drª Zilda.

Então, para todos nós que a conhecíamos pessoalmente, que sabíamos de toda história, pelo fato de a Drª Zilda ser catarinense, nascida no Município de Forquilhinha, em Santa Catarina, no sul do Estado, de ainda haver familiares nascidos no nosso Estado – há irmãs, parentes muito próximos da Drª Zilda e do Arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns –, foi um momento muito duro, muito triste, realmente de uma emoção muito forte.

Acho que muitas pessoas, nesse período, depois da sua morte, resgataram o papel evangélico, pedagógico, extremamente solidário, de doação da Drª Zilda, mas fiz questão de buscar realçar algo em que a Drª Zilda teve um papel fundamental.

Hoje, temos no Brasil, solidificada, uma política de saúde que tem no programa Saúde da Família um dos seus principais pilares. E a Drª Zilda, através do desafio que ela aceitou, de Dom Paulo Evaristo, de organizar a Pastoral da Criança, não tenho a menor dúvida, foi uma das principais precursoras dessa concepção de saúde, que é a organização, o trabalho na comunidade onde as pessoas residem, no local de moradia, com acompanhamento direto, organização local, aproveitando, inclusive, os talentos locais, a doação de milhões, de milhares de pessoas, que, no voluntariado, dedicam-se a fazer o acompanhamento, e, veja bem, Senado Flávio Arns: com muito pouco dinheiro. Hoje, não tem fim a necessidade de dinheiro para a saúde. Quanto mais se põe, mais se necessita, para poder dar atendimento, até porque, infelizmente, lucra-se e muito com a doença. Muito, muito!

Está aí comprovado que exatamente essa concepção de saúde conseguia diminuir os índices de mortalidade e melhorar os de subnutrição com recursos extremamente escassos, mas com resultado fantástico. Fantástico! Então, essa concepção diferenciada de saúde, organizada na comunidade, com os recursos da comunidade, com, inclusive, instrumentos muito simples…

Quais são os instrumentos que a Pastoral da Criança adotou em praticamente quase todos os Municípios brasileiros, e não só no Brasil, em outros países, na América Latina, na África, em todos os países onde a Pastoral da Criança está? Uma mistura e o soro, uma pesagem e o acompanhamento mensal. Não é uma UTI, não é um medicamento de ponta de linha, que leva não sei quantas décadas para ser descoberto.

Agora, o resultado, a quantidade de crianças que foram salvas, de crianças que passaram a ter mais qualidade de vida com o resultado desse trabalho é algo que precisa ser realçado, precisa ser colocado.

É interessante porque tivemos aqui muitos discursos, e ela sempre surpreendeu. Eu me lembro do debate, do embate que ocorreu aqui, neste Senado da República, por ocasião da nossa discussão sobre a CPMF, o quanto de ideológico teve para ser derrubada a CPMF, para se retirar recurso da saúde. A CPMF era isto: recursos fundamentalmente para a saúde; e tinha um viés tributário, porque, pela CPMF, cruzavam-se dados com o Imposto de Renda e descobriam-se as pessoas que sonegavam. Isso porque, pelo banco, se passasse dinheiro legal ou ilegal, a CPMF identificava, e o cruzamento permitia, inclusive, descobrir lavagem de dinheiro, narcotráfico, bandidagem das mais diversas.

Foi interessante, porque, naquele debate, muito poucas personalidades tiveram coragem de vir a público fazer a defesa. E a Drª Zilda Arns, foi uma das que, corajosamente, vieram. Eu me lembro – porque, aqui, não estava fácil o debate a respeito da CPMF – do documento assinado pela Drª Zilda, uma médica, que teve essa visão totalmente inovadora, revolucionária, da saúde pública, comunitária, a partir do local, a partir das forças locais e das condições pedagógicas e sanitárias onde as pessoas moram. Ela não se omitiu.

Então, naquele dia em que veio a notícia, eu, como Senadora catarinense, como professora, mãe, senti como todos os catarinenses, todos os brasileiros e todos os seres deste planeta que conheceram, tiveram oportunidade de conhecer o trabalho da Dra Zilda Arns. Para nós, foi uma grande perda, e ela continua muito viva entre nós, muito viva, pelo exemplo e pelo resultado do trabalho que desenvolveu.

Então, eu queria aqui, em nome dos mais de seis milhões de catarinenses, prestar esta homenagem, agradecer por tudo o que ela fez.

Tivemos oportunidade de estar no velório da Drª Zilda, acompanhando, inclusive, a comitiva do Presidente da República; tivemos oportunidade, Senador Flávio Arns, de viver aquele momento do Presidente com todos os familiares e do agradecimento que o Presidente Lula fez à família da Dra Zilda pelo trabalho magnífico que ela desenvolveu.

Eu queria também deixar aqui registrado o reconhecimento do povo brasileiro ao maravilhoso trabalho que o Exército Brasileiro faz, já há vários anos, na missão de paz no Haiti. Aos nossos militares que perderam a vida, às suas famílias, nós temos a obrigação de agradecer pela disposição de estarem numa área de conflito, numa situação como a que o Haiti vivencia, há tantos anos, de instabilidade política, instabilidade institucional, de domínio, inclusive, da violência.

Todos os que para lá foram, que lá estiveram colocaram a sua vida em risco e nós tivemos os que perderam a vida no episódio do terremoto, mas tem uma pessoa que eu acho que simboliza, dos nossos militares mortos, uma situação de doação muito especial, que é o Capitão Cleiton.

O Capitão Cleiton esteve no Haiti, oficialmente, cumprindo a missão, em 2004. Quando ele quis retornar, desejou retornar, ele não pode fazê-lo na condição de militar da Polícia Militar do Distrito Federal.

Ele estava tão convencido da importância de ir, do trabalho importante que as Forças Armadas Brasileiras desempenhavam no Haiti, que se licenciou para poder cumprir mais um período de missão. Então, ele esteve no Haiti oficialmente, como representante da Polícia Militar, em 2004, e retornou em 2007.

No meu gabinete, tem uma pessoa que compartilhou com o Capitão Cleiton um período de formação e me entregou, para que eu pudesse fazer a leitura, uma correspondência do Capitão aos colegas de turma aqui de Brasília. Ele a encaminhou ao Professor Felipe, que atuou no curso que eles tiveram oportunidade de fazer juntos.

Eu vou ler alguns trechos, porque é uma mensagem muito forte e muito bonita a que ele mandou:

“Prezado Professor Felipe:

Como há muito não falo com o senhor e com os queridos colegas da turma aproveito a oportunidade para relatar um pouquinho do que está se passando por aqui comigo.

Finalmente, após pegar o voo do dia 2 de junho no sábado (meu aniversário), parti em direção a Brindisi na Itália onde fiz o treinamento para a missão por uma semana.”
Ele ficou uma semana em Brindisi, na Itália, se preparando.
“(…)Cheguei no Haiti no dia 10 de junho e comecei outro treinamento específico para a missão. Fui designado para descascar o abacaxi mais difícil que conheci aqui depois de Cite Soleil.

Professor, quanto a Cite Soleil, o senhor não vai acreditar, mas a cidade está irreconhecível…virou jardim de infância. Eu nunca vi tanta criança brincando na rua como vi por lá e claro o comércio de ambulantes e no Haiti uma das impressões mais claras de tranquilidade e vida mais próxima do normal.”

O Capitão Cleiton, em 2004, tinha atuado diretamente em Cite Soleil. Então, no retorno, ele ficou muito admirado ao ver o resultado do trabalho.
“No meu programa de treinamento estava incluída também uma manhã de patrulha com a equipe tática da Segurança da ONU.

Então fomos para Cite Soleil, mas os seguranças estavam super tranquilos que sequer colocaram os coletes. Agora naturalmente os bandidos se dispersaram. Alguns claro foram presos. O índice de sequestros reduziu assustadoramente (eu continuo curioso para saber das estatísticas). Isso é o que as sessões oficiais dizem, mas estou já checando os critérios de verificação para saber se são fidedignos.

Como dizia, eu fui designado para uma zona quente como Regional Security Officer (chamada de Gonaives), que tem por missão zelar pela segurança do staff local e internacional da ONU em uma região que é comparada a uma das regiões do Brasil, mas claro que bem menor dada as dimensões continentais do nosso país.

Lá há muito conflito entre gangues, há problemas de catástrofes naturais, como a que matou mais de quatro mil pessoas em agosto de 2004. O furacão Jane.

Local onde muitos membros da ONU ficaram desalojados. E também local marcado por todos os focos de movimentos revolucionários na História do Haiti, desde a revolução de 1804 até as insurreições mais atuais.

O Cleiton já fez suas orações e está indo na próxima segunda-feira para a assunção das novas funções. Estou vibrando muito pois talvez seja o maior desafio da minha vida até agora.

Muitas saudade das aulas, dos amigos, mas aplico muitas das nossas discussões em momentos de diálogos entre parceiros da missão.

Obrigado porque de uma maneira ou de outra vocês estão comigo.

Um forte abraço e até breve.
Cleiton Neiva. Fiquem com Deus!!!!”

Essa é uma correspondência do Capitão Cleiton, de 2007. Ele faleceu em janeiro e estaria retornando depois da segunda etapa de missão, em fevereiro, para o Brasil.

Então, em nome do Capitão Cleiton e da Drª Zilda Arns, os agradecimentos do Brasil e, tenho certeza, de todo o povo haitiano por essa verdadeira doação que tem representado a presença do Brasil naquele tão sofrido país.

Muito obrigada. (Palmas.)

NOTA: Parabéns pelo belíssimo discurso, Senadora! A honrosa menção ao Capitão PMDF Cleiton Batista Neiva, por uma parlamentar, reafirma a condição de herói desse brasileiro tão envolvido com a causa humanitária haitiana. Com certeza, emocionou os seus familiares e amigos, bem como ressaltou ainda mais o seu status junto a sociedade brasileira.

Sérgio Carrera

Equívoco da imprensa gerou expectativa de envio de policiais ao Haiti

“Amigos leitores, motivado pela repercussão do post anterior, bem como por mensagem enviada hoje à tarde aos integrantes do grupo UNPOL pelo meu amigo Tenente Carrera – PMDF – na qual diz não querer acreditar, como eu, na situação que se apresenta com relação ao envio de policias ao Haiti, bem como lembrou o fato de o Congresso Nacional ter aprovado no final de janeiro o envio de 100 policiais ao Haiti, resolvi pesquisar a fundo o tema.

E para minha surpresa confirmei uma tese levantada logo após a aprovação feita no congresso, a imprensa de modo geral, por desconhecer a diferença entre Polícia do Exército (PE) e Polícia Militar (PM), publicou equivocadamente que o Congresso havia autorizado o envio de policiais militares, quando na verdade são 150 policiais do exército inseridos no total dos 900 militares, conforme divulgou de maneira correta o próprio site do Senado Federal, tendo o seguinte texto:
“O efetivo de novos 1.300 militares será composto por um batalhão de infantaria (750 militares), uma companhia de polícia do Exército (150 militares) e mais 400 militares que ficarão de prontidão para se deslocarem ao Haiti caso necessário.”

A mensagem do Presidente Lula enviada ao Congresso, a qual foi assinada também pelos Ministros Nelson Jobim, da Defesa, e Celso Amorim, das Relações Exteriores, fala somente no aumento do efetivo de militares.

Como é de conhecimento de todos, a mensagem presidencial, transformada no Projeto de Decreto Legislativo (PDS-CRCN 01/10), foi aprovada pela Comissão Representativa do Congresso Nacional (CRCN), em votações simbólicas, recebendo a denominação de Decreto Legislativo nº 75/2010, publicado no Diário Oficial da União de 26 de janeiro de 2010, o qual, por possuir apenas 2 artigos, transcrevo abaixo:
DECRETO LEGISLATIVO Nº 75, DE 2010

Autoriza o aumento do efetivo do contingente brasileiro para a Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH).

O Congresso Nacional decreta:

Art. 1º É autorizado o aumento do efetivo do contingente brasileiro para a Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH) em mais 1.300 (mil e trezentos) militares.
Parágrafo único. São sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em modificação do referido contingente, assim como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do inciso I do art. 49 da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional.

Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação.

Congresso Nacional, em 25 de janeiro de 2010.

SENADOR JOSÉ SARNEY
Presidente do Senado Federal

Ou seja, fica claro que a autorização é apenas para militares, pois em nenhum momento se falou, publicou ou escreveu, de forma oficial por parte do governo a respeito do aumento de efetivo policial no Haiti.”

 Fonte: Blog UN Police.

Published in: on fevereiro 18, 2010 at 4:51 am  Deixe um comentário  

Brasil não pretende aumentar efetivo policial no Haiti

“Infelizmente para nós policiais brasileiros a notícia vinda do DPKO não é boa. Na última quinta-feira (11 fev 2010) foi realizada uma conferência para a imprensa internacional na sede da ONU em Nova York a fim de prestar esclarecimentos sobre as ações que já foram tomadas, bem como as que ainda estão por ser implementadas por parte da MINUSTAH no Haiti, decorrido 1 mês do terremoto que castigou Porto Príncipe e cidades próximas.

O vídeo completo do evento pode ser conferido na página oficial da MINUSTAH e tem cerca de 1 hora e 6 minutos de duração. Confesso que vi apenas os 20 primeiros minutos (momento em que Edmond Mullet – SRSG em exercício – passou a falar direto de Porto Príncipe através de vídeoconferência), mas já foi o bastante para obter a informação de que O BRASIL AINDA NÃO SE MANIFESTOU JUNTO AO DPKO PELO ENVIO DE MAIS POLICIAIS AO HAITI.

O Sub-Secretário Geral da ONU para Missões de Paz, Alain Le Roy, iniciou a conferência informando dados a cerca dos trabalhos de ONU após o desastre, as dificuldades iniciais enfrentadas pelo fato da missão ter sido decapitada (ele usou este termo), o número de mortos das Nações Unidas que oficialmente é 94, entre outras informações relevantes.

A partir do 12º minuto do vídeo Alain Le Roy relata que foi solicitado ao Conselho de Segurança o aumento de efetivo militar (2.000) e policial (1.500) o que foi prontamente atendido. Após passou a listar os países-membros que já ofereceram militares, os quais inclusive já estão chegando ao Haiti. Estes contingentes são os seguintes: 900 militares brasileiros, 190 militares do Japão (Cia de Engenharia), 240 militares da Koréia (Cia de Engenharia), 150 militares da República Dominicana que trabalharão em patrulhamento conjunto com os haitianos na zona de fronteira entre os dois países. Estes militares totalizam 1.480 homens dos 2.000 previstos. Informou ainda que vários outros países latino-americanos também ofereceram efetivo, sendo que os processos encontram-se em fase de aceitação por parte da ONU e que em breve todas as 2.000 vagas estarão preenchidas.

Já no que tange ao aumento de policiais, Le Roy informou que o DPKO já possui a oferta total de 500 UNPOLs provenientes dos seguintes países-membros: Espanha, Nova Zelândia, França, Bangladesh e Itália (não foi informado o quantitativo de cada país). Por fim, informou que também foram ofertadas FPUs, as quais deverão chegar em breve a Porto Príncipe, sendo estas dos seguintes países-membros: Índia, Bangladesh, Turquia, Paquistão e Ruanda (este último confesso que não compreendi bem a pronuncia em inglês, portanto se alguém puder ver o vídeo e confirmar se realmente é Ruanda, eu agradeço).

O importante a destacar é que na MINUSTAH as Formed Police Units – FPUs (Batalhões de Choque) são compostos de 125 UNPOLs (exceção feita a FPU Senegalesa que tinha apenas 85 homens). Cinco FPUs totalizam 625 UNPOLs que somados aos outros 500 totalizam 1.125 UNPOLs já definidos. Restam 375 vagas e O BRASIL AINDA NÃO SE PRONUNCIOU!
Infelizmente, caros leitores, o segmento policial das Missões de Paz da ONU nunca foi prioridade do nosso governo e pelo “andar da carruagem” permanecerá não sendo, pois se realmente houvesse interesse em enviar mais policiais acredito que o DPKO já teria sido informado.”

Fonte: Blog do Capitão Marco Antonio.

 

Published in: on fevereiro 17, 2010 at 6:28 pm  Deixe um comentário