O Capitão BMRS Átila e sua experiência no Timor Leste (2012)

Por: ATILA MESADRI PEZZETTA
Capitao QOEM – BRIGADA MILITAR

Nossa Missão comecou dia 01 de marco com uma longa viagem de dois e meio dias, passados quatro diferentes voos, comecando por Porto Alegre. Passamos por São Paulo, Johanesburgo, Cingapura e Díli, capital do Timor Leste. Fomos recebidos pelos oficiais brasileiros, instalados em um hotel e no dia seguinte, baldeados para as provas de armamento e tiro. A tarde tivemos testes de idioma. O teste de condução de “pick up” na “mão inglesa” foi no final do Induction
Training.

Atualmente a Missão conta com 4 Formed Police Uinit, (unidades formadas como tropas especiais para controle de distúrbios civis) e suporte para a PNTL e para a UNPOL, diante de casos extraordinários. Conta ainda com aproximadamente 500 UNPOLs distribuídos em Dili, junto ao comando e nos 13 distritos, compreendendo mais de 50 países.

No ambito distrital tudo é replicado: comando, staff(seções do EM) e times de patrulha. O distrito da UNPOL funciona junto com a PNTL (Policia Nacional do Timor Leste). Os UNPOLs auxiliam no treinamento e monitoramento da policia nacional e a Unidade se subordina diretamente ao “Deputy Police Commissioner for Operations”, no âmbito operacional.
Há atividades de operações, controle de pessoal, logística, investigação, polícia comunitária, trânsito, inteligência entre outros.

No Timor Leste há carência economica e muitos vivem com menos de um dólar por dia, sendo o país ainda em parte dependente de ajuda estrangeira. Trata-se de um país realmente lindo, montanhoso, cheio de florestas bem preservadas e com muitos campos de arroz e criação de
animais. Prevalece a união familiar e muitos formam aldeias nas zonas rurais.

Parte da renda vem dos royalties da prospeção do petroleo junto a Austrália, de ajudas internacionais e das exportações. É comum que ofensas sejam indenizadas com patos, búfalos, gansos ou grãos. Existe uma justiça tribal paralela que em casos menos graves substitui a do
Estado e harmoniza as relações sociais. Existe a figura dos “chefes dos sucos” ou das aldeias que normalmente resolvem muitos destes problemas. Promovem reuniões de conselhos tribais, fora dos tribunais.

Todos criam cabras e muitos ainda vivem numa mistura de selva e área rural, em cabanas de palha e bambu. Os porcos do mercado são vendidos vivos, muitos produtos são produzidos em pequenas propriedades. Os galos de rinha são muito comuns. Planta-se arroz coletivamente em
campos artesanalmente irrigados, talvez com mais de 1.000 anos de tradição.

Alguns criam búfalos e galinhas, outros colocam uma vendinha ao lado da outra, e outros vendem os vegetais em tendas. Parecem pessoas honestas e humildes, talvez ainda vivendo o trauma de verem suas esposas e filhas sendo ultrajadas por invasores e guerrilheiros. O território tem 14.609 km quadrados, tendo como recursos naturais ouro, petróleo, gás natural, manganês e mármore. A agricultura e, em regra, para a subsistência, importando-se muitos alimentos, como frango do Brasil.

Seu regime político e a república, com o sistema de governo presidencialista, cuja capital é Dili. Nela vivem aproximadamente um terço da população – ou seja – 300.000 pessoas. As demais se espalham por 13 distritos. São 98% católicos, além de muçulmanos, budistas e outras denominações. Tem a língua portuguesa como idioma oficial.

Todavia, poucos abaixo dos 45 anos falam outra coisa além do “tetum”.

A espectativa de vida e próxima dos 56 anos, suportando uma mortalidade infantil em torno de 64 mortes para cada 1.000 nascimentos.  A fertilidade eh de 7.8 filhos por mulher, fazendo a
população crescer 4.7% ao ano, algo hoje perto de 1.100.000 (estimativa). Essas mães geram filhos que descendem de uma etnia composta pela maioria austronesia (malayo-polinesia) e papua, que lembram os aborígenes, em nada se aparentando com povos asiáticos.

Poucos imigrantes chineses, indonésios, se fazem notar. Tem estatura mediana (1.60m, 1.75m) e uma cor quase mulata. A moeda e o dólar americano. Sua subdivisão transparece ainda a existência de 65 subdistritos, compostos por 442 sucos (lideranças tribais regionais), com influencia sobre 2.189 aldeias e, logicamente, sobre o processo eleitoral. Tal processo ainda esta em fase de consolidação, eis que o pais recebeu o reconhecimento de sua independência após 24 anos de dominação indonésia, que iniciou em 1974, fazendo o pais padecer de total
dependência.

Em idos dos anos 1.300 o Timor fornecia sândalo, mel e cera para os chineses. Portugueses chegaram em 1.515 e colonizaram a ilha em 1.702. Ja no século XVII chegaram os holandeses e tomaram conta do lado oriental do Timor. Exploravam economicamente café, açúcar e algodão.

Durante a II Guerra Mundial Japoneses e Australianos ocuparam a ilha, palco de ferozes combates entre tropas do imperador e comandos australianos. Ao final da guerra 60.000 pessoas haviam morrido e abandonadas as plantações.  A independência da Indonésia em 1945 gerou a anexacao da porção oriental do Timor, restando o Timor Leste com Portugal. Isso perdurou ate 1974, quando o governo de Portugal reconheceu o direito de autodeterminação das suas colônias além-mar.

A Indonésia manteve o controle do Timor Leste por 24 anos, quando uma disputa interna eclodiu em uma guerra civil, terminando com a declaração de independência em 1975, como Republica Democrática do Timor Leste e o exercito indonésio entrou no pais em 1975,  infrentando resistencia de timorenses. A ONU e o Conselho de Segurança nunca reconheceram a anexação Indonésia e se retiraram do pais. Os indonésios proibiram a língua portuguesa, obrigaram as escolas a ensinar sua língua e investiram grandes recursos no pais, já que o
considerava seu território.

A crise asiática, já passado o periodo Suharto, levou o sucessor Habibe a permitir um plebiscito em 1999, que culminou com 78% dos votos pela independência. Milícias fizeram pressão para intimidar o povo, terminando com a destruição de 80% dos prédios publicos, todos
os registros e documentos queimados e a infra-estrutura destruída. Nova crise em 1999 apontou que possivelmente 1.400 pessoas teriam sido mortas e outras 250.000 ficaram desalojadas e fugiram para as montanhas, buscando seguranca.

Houve sucessivas missões das Nações Unidas, partindo da UNAMET, apos a declaração de independência, no intento de supervisionar a transição. Houve uma onda de violência envolvendo milícias, levando a ONU a criar nova missão. A INTERFET surgiu em 04 de setembro de 1999, com uma forca multinacional liderada pela Austrália para restabelecer a paz.

Quado as tropas desembarcaram em Dili em 20 de Setembro de 1999. As milícias fugiram para o lado ocidental e se desmobilizaram. Foi criado um gabinete de transição e em 2002 Xanana Gusmão foi eleito presidente e em setembro do mesmo ano Timor Leste se juntou a ONU. A UNTAET supervisionou a consulta popular para transição para independência, autorizada em 1999 e foi chefiada pelo diplomata Sérgio Vieira de Mello.

A presente Missao foi criada em 2006, quando a ONU a autorizou e que teve como mote principal um pedido do Parlamento local pelo estabelecimento da UN Police Force no Timor Leste, buscando manter a lei e a ordem no pais, viabilizando sua reorganização e reconstrução,
o dialogo político e a governança democrática.

Nossa Missao se encontra em fase final e apos tres periodos eleitorais bem-sucedidos vemos agora a preparacao para a sua retirada e o retorno dos seus integrantes aos seus paises.


Átila Mesadri Pezzetta”

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Published in: on setembro 26, 2012 at 1:04 am  Deixe um comentário  

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