Uma Missão de Paz, um sonho (Tenente Leonardo Pujol – PMBA)

End of Mission

Uma Missão de paz…Um Sonho…

Cada indivíduo faz a sua escolha… Cada um tem a sua história de vida… Cada qual tem o seu destino…

Neste momento muito especial e único de minha vida profissional gostaria de fazer alguns agradecimentos por esta realização pessoal…

À todos os veteranos e aspirantes policiais militares brasileiros boinas azuis que formam um conjunto seleto no cenário da Segurança Pública do País, que apesar de todas as dificuldades e obstáculos, cumprem as suas missões anônimos nos mais longínquos lugares deste planeta Terra. Levando o nome de suas Corporações e do Brasil para o mundo, deixando o alto grau de profissinalismo como uma marca registrada em suas diversas missões…  “verás que um filho teu não foge à luta!”

Aos veteranos blogueiros: Cap PMDF Sérgio Carreira & Cap BMRS Marco seu comprometimento com a causa é inspiração e muitas vezes a única fonte de consulta sobre o tema…muito obrigado por tudo e tenham certeza que são a referência da família policial boina azul.

Aos instrutores do ainda Centro de Instruções de Operações de Paz, atual Centro Conjunto de Operações (CCOPAB): TCel PMERJ Silva, Maj PMERJ Alexander e Cap PMESP Hélio – sua experiência foi de grande vália em diversos momentos. Parabéns pelo trabalho, sabemos também do anônimato e do sacrifício, mas tenham a certeza que não foi em vão…hoje as Polícias Militares do Brasil conquistaram o seu espaço no Centro Sérgio Viera de Melo graças ao seu profissionalismo.

Foram quase dois anos e meio desde a aprovação no Processo Seletivo realizado pelo Exército Brasileiro – COTER em Agosto de 2009 na cidade de Fortaleza, do Curso EAD realizado pelo CCOPAB em Dezembro de 2009, do Estágio de Preparação para Missões de Paz em Maio de 2010 no Centro Sérgio Viera de Melo na capital carioca, da entrevista telefônica com o Departamento de Operações de Paz em Novembro de 2010, do esperadoTravel Authorization em Dezembro de 2010, do início da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti no dia 01 de Janeiro de 2011 ao retorno para casa em Janeiro de 2012.

Minha chegada no Haiti foi bastante marcante… Viajei em plena virada do ano, começando a missão literalmente no dia 01 de Janeiro 2012, momento em que as notícias no mundo mais uma vez estavam voltadas para a Ilha Hispanhola, os haitianos acabavam de finalizar o Primeiro Turno das Eleições Presidenciais marcado por protestos e ondas de violência… Além de estar passando por mais um desastre oriundo de uma grande epidemia de Cólera que assolava a saúde pública haitiana. Um momento muito triste no qual a tragédia do terremoto onde morreram cerca de 300 mil pessoas de Janeiro de 2010 completava um ano. O cenário estava tenso, mas vida que segue…

Fim do  Induction Training agora sim um Blue Beret, fui “deploiado” na Região de Oeste do país na capital de Toussaint L’Ouverture – Port au Prince designado para trabalhar na Comissária de Polícia Haitiana do “bairro” de Pétion Ville região com pessoas de maior acesso financeiro, no qual o principal delito eram os constantes sequestros. Destacado na equipe Anti Kidnapping minha tarefa de Mentor & Monitor da missão foi posta em pauta. Foram dois meses muito intensos e difíceis até compreender o país, os seus costumes e a nova realidade: as Nações Unidas. Para os que acham que estavamos de férias e ficamos ricos após a missão… foram 2 meses de 3 noites por um dia de folga…totalizando 40 noites de trabalho e muitas perguntas na cabeça…

 Em Março veio o Segundo Turno da Eleições Haitianas, e agradeço a Deus pela oportunidade de participar de alguma maneira neste processo da história haitiana. Em meio a desconfiança da visão mundias as eleições haitianas ocorreram sem grandes transtornos. Neste período fiquei adido à Comissária de Pétion Ville porém com a missão de prover a segurança da residência do responsável pelo Comitê Eleitoral Provisório das Eleições Haitianas, ainda na capital na região conhecida como Delmas. Também fui nomeado para coordenar uma Zona Eleitoral nas eleições.

 Abril de 2012 o mundo conhece presidente “cantor” Michael Joseph Martelly  eleito com cerca de 67% dos votos do povo… iniciou-se uma era de esperança para os haitianos. Senti o clima mudar…

 Tão logo fui “re-deploiado” para uma unidade de significativa importância dentro da Polícia das Nações Unidas no Haiti. A Joint Operations está no centro do Pilar I da MINUSTAH (Pilar das Operações) é subordinada à Seção Central de Operações (antiga diretoria – DIROPS), a qual é responsável pelo planejamento e pela execução de todas operações envolvendo: a Polícia Nacional do Haiti, a Polícia das Nações Unidas (quer seja UNPOL ou FPU) e as Forças Militares da MINUSTAH – de essência policial em todo o território haitiano. Unidade que inclusive já foi chefiada pelo Brasil e por onde passaram muitos dos UNPOLs brazucas na MINUSTAH, confesso que a responsabilidade foi grande de dar prosseguimento ao incansável trabalho policial brasileiro na missão. Abracei a oportunidade e me joguei de cabeça na nova missão, conheci os quatro cantos do país nas mais diversas modalidades de policiamento, vivênciei situações no sistema da ONU de “no rank” as quais em minha carreira (operações a nível Companhia e Batalhão) que só poderei experimentar novamente daqui a dez, quinze anos. Foram 9 meses de muito trabalho e experiências adiquiridas.

 Outro momento marcante foi a esperada Medal Parade. Passou um filme na cabeça, pensamento foi longe em questão de minutos, turbilhão de emoções… começava a sentir a sensação que não tem preço… o dever cumprido.

 Na MINUSTAH pude conhecer realidades de polícias de cerca de 52 diferentes países –  a verdadeira “Torre de Babel” de forma bem resumida, unidos no mesmo ideal, claro deixando o romantismo de lado cada um com seu interesse. Percebi que apesar dos pesares estamos muito bem quando a matéria é policiar, e fiquei muito orgulhoso quando não mais de uma vez, escutei de algum desses países “de primeiro mundo” a sua surpresa positiva com relação à polícia brasileira.

Em falar em amizades, para mim foi uma das coisas que mais marcaram a minha missão. Aos heróis do Complex Confort (morada de quase todos os policiais brazucas desde o início da missão): nossa união nos tempos bons e ruins foi o que fez que o gigante pela própria natureza não desistisse do sonho, as lágrimas e as risadas ficaram guardadas na memória de quem foi, veio e venceu…

A primeira família (Cap PMAM Algenor, Cap PMAM Honda & Cap PMERJ Tadeu) & A segunda família ( TCel PMBA Issa, Cap PMDF Popov & Ten PMPR Azevedo) & aos camaradas da Joint Operations meu eterno agradecimento por todos os momentos vividos.

 

Sempre haverá um boina azul ! Até a próxima…

1° Ten PMBA Leonardo Moreira Pujol

MINUSTAH 2011

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Published in: on fevereiro 21, 2012 at 7:55 pm  Comments (3)  

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3 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Meus parabéns, Pujol! Pela missão desempenhada.

  2. Palavras emocionantes que fizeram voltar a minha cabeça momentos inesquecíveis!!
    Parabéns pelo excelente texto e obrigado pelas lembranças!!
    “Sempre haverá um boina azul!!”

    Grande abraço
    Tadeu Barbosa – Cap PMERJ
    Minustah 2010-2011

  3. Parabéns grande amigo!!!

    “Veni, vidi, vici”

    Abraços

    Maj Alexander – PMERJ

    UNMIK 2007-2008


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