As legiões polonesas e a Guerra de Independência do Haiti

Sérgio Carrera de Albuquerque Melo Neto[1]

Luciana de Albuquerque Carrera[2]

“For yours and our freedom”

 RESUMO: Este artigo tem por finalidade discorrer sobre fatos que tratam da imigração polonesa no Haiti, originada no período de sua independência da França, quando legiões polonesas integraram as forças de Napoleão Bonaparte para o conflito na Ilha de Saint Domingue. Serão analisadas a formação das legiões, a atuação delas no Haiti e as possíveis influências da imigração polonesa na cultura haitiana. O tema nos foi apresentado há alguns anos e sempre se mostrou interessante para uma pesquisa mais detalhada e de campo, o que não foi possível neste trabalho. O assunto é controverso e sem muitas provas reais e estudos diversos mais profundos que nos permitam críticas mais enfáticas sobre os fatos. Nesse sentido, o texto baseia-se nas poucas referências bibliográficas, narrativas e materiais de consulta disponíveis. 

PALAVRAS CHAVES: Haiti – Legiões polonesas – Napoleão Bonaparte – Dessalines.  

ABSTRACT: This article aims to discuss facts that deal with the Polish immigration in Haiti, during the period of the Haitian independence from France, when Polish legions joined the forces of Napoleon Bonaparte to the conflict on the island of Saint Domingue. It will be analyzed the creation of the Polish Legions, the performance of them in Haiti and the possible influences of the polish immigration on Haitian culture. The subject was presented a few years ago and it has always proved interesting for further research and fieldwork, which was not possible in this paper. The subject is controversial and without much real evidence and several studies that allow us for more emphatic analysis about the facts. In this sense, the text is based on few references, narratives and materials available. 

KEYS WORDS: Haiti – Polish Legions – Napoleon Bonaparte – Dessalines.

INTRODUÇÃO

O desenvolvimento da Revolução de Independência do Haiti, entre os anos de 1791 e 1804, dentre os já conhecidos fatos históricos, econômicos, sociais e políticos, apresenta um curioso, controverso e por poucos conhecido elemento: a participação de legiões polonesas à serviço de Napoleão Bonaparte na Ilha Hispanhola. Com a assunção do controle da França em 1799, Bonaparte decidiu por acabar com as hostilidades e movimentos em Saint-Domingue (Ilha Hispañola, atualmente território do Haiti e da República Dominicana). A escravidão já havia sido extinta na Ilha em 1794, quando em 04 de fevereiro, a Convenção Francesa votou pela abolição da escravatura nas colônias, baseada em atos de proclamação de direitos humanos, como a Declaração do Direito do Homem (1774), e com a eclusão da Revolução Francesa (1789), vindo os negros locais a se insurgirem e a dominarem a Ilha, o que incomodava o novo governante francês.

Com o intuito de buscar aliados para a sua própria independência, exércitos formados por voluntários e militares poloneses, incorporaram as forças de Napoleão Bonaparte frente às Américas, que incluíam a presença de soldados de povos dominados ou intimidados pela força, ameaças ou promessas de ajudas futuras. No atual território do Haiti, os confrontos foram intensos especialmente pelo fato da já conquistada liberdade do povo local, os haitianos, que preferiam morrer a voltar ao domínio dos colonizadores, pois a liberdade antes de tudo queria dizer o fim da escravidão [3].

 

O HAITI

Em meados de 1789, a Ilha de Saint-Domingue era considerada a maior e mais valiosa colônia francesa, fornecedora de dois terços de seu comércio exterior, e o maior mercado internacional para o comércio de escravos europeus, cana de açúcar, tabaco e café, disputando inclusive com o Brasil a liderança do comércio de cana de açucar no mundo. Com o fim da escravidão, a população na Ilha era de aproximadamente 500 mil habitantes, sendo apenas 30 mil formada por brancos e outros homens livres. A colônia era composta principalmente por nativos haitianos defensores da independência, de colonizadores franceses e de aliados espanhóis e britânicos; todos cobiçavam controlar o território e lucrar com as farturas oferecidas pela produção da Ilha.

A grande parte da população nativa falava apenas o crioulo haitiano, derivado do francês mesclado com outros do oeste africano trazidos por escravos e dialetos indígenas locais. Assim como hoje, os franceses tinham dificuldade em se comunicar em crioulo. A maioria dos haitianos era analfabeta e poucos dominavam a língua francesa (dos colonizadores), fazendo com que aqueles que tiveram a oportunidade de receber algum tipo de ensino por parte e iniciativa de seus proprietários, passassem a se rebelar contra a elite dominante francesa, proprietária de terras e escravos.  

Dentre os haitianos mais cultos havia um que se destacava, passou a liderar os movimentos de independência contra a França e comandar um exército formado por negros, o indígena, chamado François-Dominique Toussaint L’Ouverture, um autodidata e filho de escravos domésticos. Uma série de destruição de plantações, casas dos brancos e cidades, juntamente com a matança de mais de 2 mil homens de cor branca ocorrida nas proximidades de Cap-Français, em 22 de agosto de 1791, já mostrava o quão violentos e sangrentos passariam a ser os anos seguintes, inclusive com uma série de invasões dos britânicos, entre 1793 e 1797.[4]

Em abril de 1796, Toussaint governava e mantinha controle de Saint-Domingue, graças a feitos importantes, como a vitória contra uma Força Expedicionária Britânica (1798), uma invasão à parte espanhola da Ilha (1800) e por ter libertado os escravos da referida região em 03 de janeiro de 1801. A referida situação num futuro breve nada agradou a Napoleão Bonaparte.

Em 1801, Louverture emitiu uma Constituição de Saint-Domingue que previa a autonomia e decretava que ele seria governador vitalício. Em retaliação, Napoleão Bonaparte, enviou uma grande força expedicionária de soldados franceses e navios de guerra para a Ilha, liderados pelo cunhado de Bonaparte, Charles Leclerc, para restabelecer o domínio francês. Eles estavam sob instruções secretas de restaurar a escravidão após a vitória.[5]

 A FORMAÇÃO DAS LEGIÕES POLONESAS

Após o domínio do território e a divisão da Polônia por uma aliança formada pela Rússia, Prússia, Alemanha e Áustria em 1792[6], promessas de apoio ao restabelecimento e independência do país foram feitas por Napoleão Bonaparte, desde que militares poloneses incorporassem às forças francesas[7]. Muitos poloneses ficaram presos e vários se refugiaram na França visto Napoleão ter se oposto a divisão do país. Em 11 de outubro de 1976, o General Jean-Henri Dombrowski (em polonês, Jan Henryk Dąbrowski) formou Legiões Polonesas, com o apoio de Napoleão. Uma vez que o Artigo 287 da Constituição Francesa não permitia estrangeiros como membros das suas forças armadas, essas tropas foram destinadas a outras áreas da Europa, de interesse da França. Em 20 de janeiro de 1797, Napoleão e o General Dombrowski celebraram um acordo onde o General estava disposto a levantar uma legião polonesa para ajudar o povo da Lombardia, a qual viria a colocar a disposição da França os serviços de voluntários poloneses recebendo em troca a cidadania da Lombardia, mesma remuneração e prerrogativas dos soldados franceses, além do apoio para a reunificação do país. Em pouco tempo, Dombrowski publica e divulga a convocação para os voluntários formarem as novas legiões, a serviço da França. [8]

Em pouco tempo, muitos voluntários se candidataram às vagas oferecidas, sob o ideal de lutar por causas justas e a liberdade de povos que assim como eles, buscavam direitos e independência. O lema “para a sua e nossa liberdade” (For yours and our freedom) fazia parte da cultura militar polonesa, guiando-os nas frentes de batalha. As legiões foram criadas com hierarquias e comandantes poloneses, consideradas exércitos poloneses em exílio, e a comando da França, as quais contavam também com contingentes aliados de alemães e suiços. Os poloneses já contavam com legiões de voluntários em alguns países europeus e, sob a liderança do General Dombrowski, já haviam desempenhado bons trabalhos na Lombardia, Reggio, e Civita Castellana.[9]

Cerca de 5.280 legionários poloneses (ex-militares, militares servindo em outros países e voluntários) partiram em expedição com destino a colônia de Saint Domingue, de um total de efetivo enviado por Napoleão ao Caribe em torno de 50 mil homens[10] com objetivo de parar com as hostilidades[11], retomar a colônia, reestabelecer a escravidão, o poder econôminco da Ilha e economizar a sua tropa principal francesa, enviado assim, seus “aliados”. [12]

Segundo Wesolowski, a primeira legião polonesa pensava inicialmente que se destinava a região da Louisiana (posse da França nos atuais Estados Unidos da América), e não à Porto Príncipe, capital do Haiti, onde desembarcou em 02 de setembro de 1802. Os poloneses, conduzidos de maneira compulsória, integraram as forças napoleônicas e passaram a lutar por uma causa desconhecida, sem treinamento ou conhecimento do tipo de conflito e inimigo que iriam enfrentar.[13]

A legião polaca não estava satisfeita com as missões dessa expedição, visto que na Europa atuavam e se focavam principalmente na liberdade polonesa. A idéia de lutar contra a liberdade, a milhares de quilômetros de distância de casa, aparentava both ridiculous and annoying to these soldiers, mas como militares, tinham que cumprir com as ordens superiores.[14]

As condições das batalhas na Ilha não eram favoráveis aos poloneses em vários aspectos. Eles não estavam acostumados com a temperatura e não aguentavam o clima[15]. Para Pachonski e Wilson eles não estavam preparados para lutar no estilo necessário o local e tinham táticas militares de combate em formação em pequenos grupos de militares, o que os tornavam alvos mais vulneráveis para os haitianos.[16]

Segundo Sypnieswka:

Primeiro de tudo (…) o Haiti era um mundo que os soldados polacos nunca imaginaram. A Polônia não era assim tão quente. A Polônia não tinha febre amarela e outras doenças tropicais. Eles estavam mal preparados para o calor (…). A maioria dos poloneses não estava familiarizada com homens negros. Havia ódio contra os brancos perpetrados pelos negros, e os franceses temiam e odiavam os negros da mesma forma. [17]           

            Thouvenet Vicomte, comandante dos contingentes Napoleônicos nas Antilhas, escreveu ao comissário para os assuntos militares e coloniais em 10 de marco de 1803:

O General Brunet e os comandantes de pelotão reclamam incessantemente sobre a falta de coragem dos poloneses. Estes homens apáticos e inertes, cujas formas e linguagem são completamente diferentes da nossa, tendo sidos transportados a uma grande distância de sua terra natal, parecem ter perdido toda a sua energia, e eles estão apavorados com a idéia de ter de lutar uma guerra sobre a qual nada sabem. É, portanto, impossível de implantá-los, exceto como sentinelas, e seria extremamente perigoso confiar no futuro.[18]

Os fatos narrados trazem reflexões preocupantes quanto ao cenário dos conflitos, as circuntâncias de vulnerabilidade quanto às condições dos poloneses e a confiabilidade dos franceses em relação a eles. O desespero da legião de Dombrowski era aliviado por canções e um hino em especial, que os davam esperanças de retorno à terra natal e de conseguirem a independência que buscavam há muito tempo, vindo a ser a base do Hino Nacional do país: 

Poland has not perished yet

So long as we still alive

That which alien force has seized

We at sward point shall retrieve.

March, March, Dabrowski!

From Italy to Poland!

Let us now rejoin the Nation

Under thy Command. [19]

 

A Polônia não desaparecerá,
Enquanto nós vivermos.
Aquilo que a prepotência estrangeira nos tirou,
Com a espada reconquistaremos.

Marche, marche, Dombrowski,
Da terra italiana para a Polônia,
Sob a tua liderança
Nos uniremos com a Nação.

(tradução própria)

 

Com o tempo, os poloneses passaram a perceber o sofrimento dos haitianos, que desejavam liberdade e independência, objetivos também almejados por eles. Segundo alguns estudiosos, já no início do ano de 1803, os poloneses começaram a desobedecer às ordens emanadas pelas autoridades francesas e passaram gradativamente a se unir aos haitianos ao perceber que estavam lutando contra a liberdade e não pela liberdade.[20] Para Johnson Poland was merely a pawn that Napoleon ruthlessly exploited in his imperial strategy, and he had no reservations about abusing the Poles freedom-loving potential[21].

Existia um latente conflito de ideologias entre os poloneses e os franceses, como se as dúvidas quanto às suas ações e condutas fossem constantes nesse período. Certa feita, um regimento polonês, sob o comando do General francês Charles Leclerc, desobedeceu  ordens e se recusou a afogar 600 presos capturados em Saint Domingue, o que leva Buck-Morss a classificar os poloneses como pertencentes a grupo nenhum no conflito.[22] 

Nos meses seguintes, aproximadamente 4 mil poloneses perderam a vida devido a fatores diversos, tais como: doenças tropicais (especialmente a febre amarela), ações militares, mortes em combate, afogamentos durante as longas viagens e/ou prisões na Jamaica e Inglaterra, após fugirem do controle das forças francesas[23]. Viram-se os polacos envolvidos em uma “guerrilha suja” e que não lhes pertencia. Com o tempo (…) the poles realized that the black were fighting for the same ideals of freedom and liberty to which they, the Poles, aspired: the expulsion of foreign powers[24] e com o sentimento de que foram explorados como em outras tantas guerras na Europa.[25]

 

O FIM DOS CONFLITOS E OS PROVÁVEIS DESTINOS DOS POLONESES

            Em 18 de novembro de 1803 as tropas francesas perdem a Guerra contra os haitianos na Batalha de Vertières[26]. O agora líder do movimento, o General Jean Jacques Dessalines proclamou a independência do país em 01 de janeiro de 1804, na cidade de Gonaïves, sendo nomeado Governante Geral Vitalício, e, logo após, Imperador do Haiti em 1805[27]. Muitas são as possíveis causas para a derrota dos franceses, como: (i) a organização e determinação dos haitianos; (ii) febre amarela (e outras doenças tropicais); (iii) a nova guerra declarada pelos britânicos contra a França em maio de 1803.[28]

            Dessalines governou com mãos de ferro a Ilha e determinou o massacre de todos os brancos, tendo muito deles fugidos para Cuba, Jamaica e EUA. Entre 16 e 25 de março de 1804, Dessalines determinou o assassinato de praticamente todos os franceses, com o objetivo de afastar outros franceses, manter o país como um campo militar [29] e intimidar os próprios haitianos, sob a política do Koupe tet, boule kay [30].

            Alguns poucos franceses foram poupados, como afirmam Paquin e Brax:

The slaughter of the French population, which had originated in the south reaches Port-au-Prince and continues northward. Only doctors, pharmacists and priests are spared.[31]

            Como relata Sypnieswska:

A maioria dos colonos franceses restantes fugiu à frente do exército francês derrotado, muitos imigrando para Louisiana ou Cuba. Ao contrário de Toussaint, Dessalines mostrou pouca tranqüilidade em relação aos brancos. Em um ato final da retribuição, os franceses remanescentes foram abatidos por forças militares no Haiti. Cerca de 2.000 franceses foram massacrados em Cap-Français, 900 em Port-au-Prince, e 400 em Jeremie. Ele emitiu uma proclamação declarando, “nós temos reembolsado estes canibais, a guerra pela guerra, o crime para o crime, o ultraje de ultraje“. [32]

            No fim do ano de 1803, dezenas de poloneses remanescentes decidiram por vez não mais obedecer as ordens de Napoleão e se uniram aos haitianos e as tropas de Dessalines na Batalha de Vertières, sendo essa considerada a maior guerra e a que deu a vitória final contra os franceses. Perceberam os polacos que eram instrumentos de repressão colonial que Bonaparte cinicamente enviara ao Haiti.[33] Ironically, the poles contributed to Haiti´s independence by contacting swamp fever and dying near to the last man.[34]

            Havia um pensamento comum de que os poloneses se simpatizavam com a situação dos cidadãos de Saint Domingue, e, aliado ao fato de não falarem francês e serem mais cordiais que os franceses, fez com que os haitianos e os líderes do movimento de rebelião passassem a ter uma postura mais amena em relação aos poloneses. Rezam alguns registros que o General Jean-Jacques Dessalines ficou surpreso e impressionado com o bom tipo de tratamento que os poloneses dispensavam aos haitianos, muito mais respeitoso que os demais europeus. Ademais, os poloneses não desejavam estar em Saint Domingue, eram críticos dos franceses e tinham simpatia pelos índios Taíno/Arawak (nativos da Ilha). Dessalines declarou que os poloneses deviam ser considerados e aceitos como filhos da Ilha. Devido ao comportamento positivo[35] de Dessalines em relação aos poloneses, supostamente, os haitianos passaram a oferecer um melhor tratamento aos capturados. Entretanto, para Pachonski e Wilson, esse comportamento benevolente dos haitianos seria apenas uma maneira dos polacos serem mortos mais rapidamente ao invés de serem torturados antes, como faziam com os franceses.[36]

            Neste momento os polacos não estavam certos sobre o futuro, ou seja, se seriam alvos dos franceses ou mortos pelos próprios escravos. As suas vidas não estavam bem definidas para ambos os lados, em especial pelo fato de alguns terem se voltado contra as tropas francesas e fugido, ficando a mercê das duas partes. A morte instantânea ou um castigo seriam destinos prováveis e muitos acabaram por se esconder. Contudo, a mudança de lado de alguns levaram muitos a perceberem que poderiam possuir terras, por ter lutado ao lado dos escravos.[37]

            Com o fim da Guerra e independência do Haiti, e com a matança generalizada ordenada por Dessalines, ele próprio poupou alguns poucos alemães, suiços e os poloneses. Dentre a maioria polonesa, apenas alguns 15 oficiais de alta patente e outros 150 homens conseguiram pagar seu retorno para a Europa, enquanto os legionários de baixa patente não tiveram condições financeiras para tal.[38] Entre 300[39] e 700 homens[40] retornaram à França e estima-se que 240[41] e 400 homens[42] tenham se estabelecido no Haiti.

            Dezenas de poloneses se dispersaram pelas ilhas caribenhas vizinhas, nos Estados Unidos da América ou foram incorporados pelo Exército colonial britânico. Os que permaneceram, como tinham poucas habilidades, acabaram como trabalhadores em lavouras, plantações e como fazendeiros em vilarejos remotos e desabitados no alto das montanhas, muito provavelmente se escondendo dos franceses e dos haitianos. Alguns poloneses foram tomados por bandidos e mantidos como reféns (um resgate que não podiam pagar). Assim, alguns decidiram juntar-se aos piratas, que ocasionalmente rumavam para a Europa, dando-lhes a possibilidade de finalmente voltar para casa. Outros chegaram a Cuba, mas foram parados pelo General francês Sarrasin Fressinet que se recusou a ajudá-los a chegar a Polônia. Um destino similar foi registrado quando chegaram à Jamaica. Os ingleses ofereceram para ajudá-los somente se eles servissem por um mandato junto as suas forças armadas, o que foi recusado, tendo sido devolvidos para o Haiti. [43]

            A Maçonaria desempenhou um importante papel na Revolução. Um grupo de poloneses foi autorizado a continuar sua fuga a partir de Jeremie para Cuba, porque seu comandante dividiu um aperto de mão maçônico secreto com o comandante britânico. Em geral, muitos membros da elite francesa e haitiana eram maçons, sendo inclusive relatado certa generalização da maçonaria entre os haitianos[44].

            Apenas os poucos que retornaram à Europa viram, parcialmente, a sua recompensa tornar-se realidade, com a criação do minúsculo Duchy of Warsaw, proporcional a um quinto do antigo território da Polônia.[45]     

            Segundo West-Durán, Dessalines fez constar na Carta Magna da nova Nação, agora com o nome indígeno Taíno de Haiti (Terra das Montanhas), dispositivos legais que excluíam todos os brancos do direito de posse à propriedade no país, além de banir e matar os remanecentes no território. À regra supracitada, foi feita exceção aos soldados poloneses e alemães considerados desertores do Exército Napoleônico e que contribuíram com a libertação do Haiti, os quais também conquistaram o direito a cidadania haitiana.[46] As mulheres brancas casadas com os haitianos também foram poupadas.

 Os Artigos 12 e 13 da Constituição Haiti de 1805:

12. No white man of whatever nation he may be, shall put his foot on this territory with the title of master or proprietor, neither shall he in future acquire any property therein.

13. The preceding article cannot in the smallest degree affect white woman who have been naturalized Haitians by Government, nor does it extend to children already born, or that may be born of the said women. The Germans and Polanders (Poles) naturalized by government are also comprised (sic) in the dispositions of the present article.[47]

            Os haitianos definiram a cor negra (nèg, em creole) para significar tanto os cidadãos haitianos quanto os estrangeiros, e, independentemente da cor da pele, as pessoas poderiam ter cidadania haitiana.

The first constitution of Haiti (1805) broke abruptly with the whole question of race by identifying all Haitians, regardless of the color of their skin, as black – a characterization that included, among others, a substantial number of German and Polish troops who had joined in the fight against Napoleon.[48]

            A nova nação passava a ser composta por ex-escravos, os livres e os mulatos.[49] Vários dos estrangeiros, obviamente, constituíram famílias com as mulheres haitianas e alguns receberam a cidadania local. Ao longo dos séculos, árabes, judeus e alemães judeus fugindo do nazismo se estabeleceram no Haiti, tornando-se também “nèg”. [50]

 A IMIGRAÇÃO POLONESA E A SUPOSTA INFLUÊNCIA NA CULTURA HAITIANA

            De acordo com Pachonki e Wilson, vários jornalistas e antropologistas, dentre eles alguns poloneses, envidaram esforços no sentido de encontrar documentos e evidências sobre a imigração polonesa decorrente desse período da história, tendo indicado como as principais localidades dos descendentes, a cidade de Cazale (a sul de Miragoane), La Valle de Jacmel, Fond des Blancs  (La Baleine), Port Salut e St. Jean du Sud, Kasoley (Região de Artibonite). Todavia, nenhum documento, fotos ou outros registros foram encontrados, exceto alguns nomes com semelhanças do idioma polonês e relatos de haitianos loiros, com aparência européia. Orizio foi um dos pesquisadores que esteve em Cazales e afirma que outros europeus também por lá estiveram. Encontraram, entretanto, um antigo cemitério com inscrições polonesas e com nomes do mesmo idioma gravados em lápides.[51] A região de Cazales é montanhosa, acima do nível do mar, sem estrutura, saneamento básico e água potável, mas à época, devido a possíveis densas florestas existentes, os soldados poloneses casados com haitianas se estabeleceram no local devido ao isolamento, seu clima frio e a distância. [52]

             A cidade de Cazales é tida como o maior reduto da imigração polonesa no Haiti, onde algumas famílias e comunidades são conhecidas como blanc ou polone. Entretanto, há de se registrar que os haitianos costumam chamar os estrangeiros de pele clara de blanc (branco, em crioulo haitiano), muitas vezes de maneira pejorativa ou por simples costume. No mesmo sentido, poderíamos comparar com a maneira que muitos brasileiros chamam os estrangeiros de “gringos”. Existe uma associação dos haitianos oriundos de Cazales como sendo poloneses, devido a grande proporção de pessoas de olhos-azuis e pele clara na região. Gold classifica como gloomy[53] os poloneses da Vila de Cazales[54], muito provavelmente pela tristeza de terem sido deixados para trás.                  

(…) l’actuel Cazales, connu aujourd’hui pour la particularité de son peuplement composé de descendant des soldats polonais de l’expédition Leclerc qui avaient déserté pour se joindre aux Haitien.[55]

          Entre março e abril de 1969, um massacre em Casales envolveu haitianos de peles claras e possíveis descendentes de poloneses: 

In the village of Cazale (sometimes spelled Casale or Casal), North of Port-au-Prince, army soldiers and macoutes killed several dozen peasant families. A few weeks earlier, several young, light-skinned members of the Communist Party, a political party persecuted by the regime, including Alex Lamaute and Roger Méhu, had taken refuge in this town, assuming that they would blend into a population regarded as generally light-skinned (for having harbored many Polish soldiers after the war of independence). At the same period, locals had been embroiled in a tax dispute and had refused to pay taxes on the sale of agricultural products, which had alienated the Duvalier regime further. On April 3, several macoutes arrived in the area, set several houses on fire and raped an unknown number of peasant women. The following day, after the macoutes arrested two peasant leaders opposed to taxes, the local population burned down the mayor’s office and took down the black-and-red flag of the Duvalier regime (the original Haitian flag was blue-and-red). On April 5, 500 soldiers and macoutes arrived in the area and started the killing. At the end of the day, 25 bodies were found but 80 had disappeared and were never found. This represented the largest “forced disappearance” under the Duvaliers. Several families were entirely wiped out. In addition, 82 houses had been looted and torched. Cattle was killed or taken away by looting soldiers. Women were forced to dance and “celebrate” with the soldiers who stayed in the village. [56]

             A cidade de Fond-des-Blancs também é apontada como local de descendentes poloneses e, como reza a tradição local, o nome da cidade foi concebido em homenagem aos soldados poloneses que imported by Napoleon to put down the Haitian revolution, refused to do so.[57]

             A imigração polonesa e os já haitianos-poloneses podem ter contribuído para o estabelecimento do culto à imagem da Nossa Senhora de Częstochowa (Black Madonna of Czestochowa ou Matka Boska Częstochowska), trazida pelas legiões polonesas à Saint-Domingue.  Impressionados com a devoção à imagem e ao catolicismo por parte dos poloneses, acredita-se ser essa a Deusa Vudu chamada Erzulie Dantor, a Deusa do Amor, um espírito guerreiro, protetor das mulheres e crianças. Esse culto à Virgem Negra pode ter sido passado aos haitianos ao longo do tempo, em especial pelas semelhanças entre ambas as imagens e suas três cicatrizes.[58]

(…) not only because she is black, but also because she appears to have parallel scars on her right cheek, scars that function both as reminders of West African scarification and as external signs of the emotional wounds sustained by this archetypal mother.[59]

            Há relatos de que danças e rituais misturavam o vudu e músicas culturais polonesas em festas fete champetre no Haiti, onde dançarinos trajavam roupas e adereços parecidos com uniformes militares antigos, composto por várias peças e insígnias de decoração.[60]

            Em 09 de março de 1983, o Papa João Paulo II visitou o Haiti e vários moradores da região de Cazales, com o sentimento de descendentes do mesmo país de sua Santidade, pensavam ser essa uma oportunidade para a salvação daqueles que foram esquecidos e deixados para trás por sua terra-mãe, a Polônia. Muitas são as contradições em relação a uma possível visita do Papa ao Vilarejo, o que nunca fora confirmada. Nem mesmo alguns minutos de conversa com representantes da comunidade com o Pontífice, a fim de escutar as histórias e quiça algum tipo de caridade do Papa em ajudar os locais de Cazales foi viável. Muitos haitianos ficaram decepcionados com o abandono, minguando assim uma possibilidade de mudança de vida ou mesmo do reconhecimento oficial de descendência polonesa por João Paulo II.

            Benson faz um relato interessante sobre o fato:

TV explained that they were descendants of the Polish troops who fought on the side of the slaves. Their greeting from the Pope was, as one would expect, warm. This may be the event that has come to be reported as a Papal visit to Kazal (Casales, Casal ou Cazales). The events of the short visit were so compacted that I (…) doubt the Pope (went) any farther than the diplomatic residence of the Nuncio. [61]

CONCLUSÃO

            Para os haitianos, os descendentes dos legionários poloneses são parte de sua população, assim como os imigrantes dos séculos 19 e 20 dos territórios franceses, os quais são considerados bem sucedidos comerciantes e negociantes.[62] Ainda hoje, os haitianos afirmam que a maioria dos descendentes poloneses vivem na Vila de Cazales[63], possuem pele, cabelos e olhos mais claros que os demais haitianos. Nomes poloneses não são incomuns no Haiti[64] e muitos sobrenomes foram provavelmente adaptados a língua local, pela dificuldade em pronunciá-los e soletra-los. Até os dias atuais, muitos nomes de famílias foram originados pela imigração polonesa.[65]

            Na cidade de Gonaïves, por exemplo, grupos familiares de descendência européia são comuns, conhecidos e influentes na cidade, como uma família de origem alemã e haitiana, com forte senso de patriotismo e amor a cultura e história do país. Mesmo com educação nos Estados Unidos e Europa optam pela permanência no interior do país. De aparência mestiça, com cabelos encaracolados e alvos, olhos claros e aparência que foge a forte marca biológica e física do haitiano comum, vários desses descendentes são possíveis de serem encontrados. Contudo, há de se levar em consideração a imigração européia no Haiti: 

Around 1830, in the wake of the Polish rebellion, several Jewish families arrived in Haiti. These new immigrants were quickly absorbed in the upper echelons of Haitian society. Jewish life in Haiti began in 1890 with the arrival of about 30 families, mainly from Lebanon, Syria, and Egypt. They engaged primarily in the cloth trade. The Jewish population in Haiti in 1915, at the time of the American occupation, is considered to have been less than 200 persons.[66]

             Na capital do Haiti, Porto Príncipe, é mais perceptível a diferença entre a grande maioria negra haitiana e a classe elite predominante de cor mulata, muitos dos quais com origem árabe, comerciantes e negociantes ricos e conhecidos na cidade. Haitianos de pele clara, atualmente, são minorias e os próprios locais costumam associa-los a alguma outra descendência. Uma pequena quantidade de haitianos albinos são conhecidos por toda a capital, por chamar a atenção e se destacarem pela cor da pela dentre a maioria, o que não se trata de uma descendência européia, mas chega a causar, dentre os menos esclarecidos, vinculação com alguma origem estrangeira.

            Verifica-se muito mais a existência de rumores do que fatos e registros que comprovem os relatos apresentados e a disseminação na cultura haitiana da relevante e ativa participação polonesa na independência do país. Dentre os prováveis mitos e lendas criadas durante os séculos, várias foram apresentadas de forma exagerada, se estabelecendo e se tornando parte da história haitiana até os dias atuais, se perpetuando e sendo passadas de geração a geração, como herança. De fato, estima-se que apenas 120 e 150 legionários poloneses realmente abandonaram os franceses e lutaram ao lado dos haitianos, não havendo registros de que dezenas de militares das tropas polacas tenham mudado de lado[67], como alguns autores e haitianos costumam afirmar. Resta-nos a concluir, como citado por vários pesquisadores, que essas afirmativas se tratam de uma maneira de legitimar as ações de independência e luta pela liberdade no Haiti, incluindo nesse contexto, a contribuição e apoio dos próprios europeus. Todavia, independente da existência ou não de provas, The Republic of Haiti has never forgotten the Polish legionaries who helped throw off the rule of France in 1802-3.[68]

         
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Como citar: 

MELO NETO, Sérgio Carrera de Albuquerque & CARRERA, Luciana de Albuquerque. As legiões polonesas e a Guerra de Independência do Haiti. Revista Eletrônica Boletim do TEMPO, Ano 5, Nº26, Rio, 2010 [ISSN 1981-3384].

ARQUIVO EM PDF: As legiões polonesas e a Guerra de Iindependência do Haiti – 08 set 2010


[1] Mestrando em Ciências Políticas (Centro Universitário UniEURO), Pós-graduado em Direitos Humanos e Democratização (Universidade de Coimbra/Portugal) e Bacharel em Relações Internacionais (Centro Universitário de Brasília – UniCEUB). Email: sergiomneto@gmail.com.

[2] Pós-graduanda em Análise Criminal (Universidade Católica de Brasília – UCB) e licenciada em Educação Física (Universidade Católica de Brasília – UCB).

[3] PRADO, Maria Ligia. A formação das nações latino-americanas. 3. ed. São Paulo: Editora da Universidade Estadual de Campinas, 1987. p.14.

[4] Aproximadamente 20.500 soldados britânicos morreram de malária e febre amarela.

[5] ROGOZINSKI, Jan.  A Brief History of the Caribbean. New York: pp.85, 116-117, 164-165.

[6] BUCKI, Carl L. Um olhar sobre a ligação da Polónia para o Haiti. Disponível em  <http://www.ampoleagle.com/link.asp?smenu=147&twindow=Default&sdetail=3262&mad=No&wpage=1&skeyword=&sidate>. Acesso em 28 jun.2010.

A Polônia só voltou a ser uma país unificado em 1918, com exceção de um breve período durante o domínio Napoleônico.

[7] WESOLOWSKI, Zdzislaw P. The Polish Contribution to the Haitian War of Independence. Florida Memorial College Miami, Florida. Disponível em <http://toussaintlouverturehs.org/PolishContribut.htm>. Acesso em: 20 jun.2010.

[8] PIVKA, Otto Von, ROFFE, Michael. Napoleon’s Polish troops. Oxford: Osprey Publishing.1974. p. 3.

[9] ODROWAZ-SYPNIEWSKA. Margaret. A Tragédia das Brigadas Lost Polonês (1802-2002). White Eagle Newsletter of the Polish Nobility Association Foundation, Fall/Winter 2002, Edition, pp. 3-5. Disponível em <http://www.angelfire.com/mi4/polcrt/PolesinHaitiA.html>. Acesso em 27 jun.2010.

[10] Esse quantitivo varia entre 20 e 50 mil, dependendo da fonte.

[11] WESOLOWSKI. Op.Cit.

[12] WIKIPÉDIA. Disponível em <http://en.wikipedia.org/wiki/Polish_Legions_(Napoleonic_period)>. Acesso em 27 jun.2010.

[13] WESOLOWSKI. Op.Cit.

[14] UZAR, Raf. Lost Polish Tribe on Haiti. Disponível em: <http://uzar.wordpress.com/2010/01/24/lost-polish-tribe-on-haiti/ >. Acesso em 12 jul.2010.

[15] STODDARD, T. Lothrop. The French Revolution in San Domingo. Kessinger Publishing, 2005. p.337.

[16] Ver: PACHONSKI, Jan & WILSON, Reuel K. Poland’s Caribbean Tragedy: A Study of Polish Legions in the Haitian War of Independence 1802-1803. New York: East European Monographs, 1986.

[17] ODROWAZ-SYPNIEWSKA. Op. Cit. 

[18] ORIZIO, Riccardo.  Haiti: Papa Doc’s Poles. In: Lost White Tribes: The End of Privilege and the Last Colonials in Sri Lanka, Jamaica, Brazil, Haiti, Namibia, and Guadaloupe. New York: The Free Press, 2000. p.134.

[19] DAVIES, Norman. God´s playground: a history of Poland. Volume II: 1975 to the present. Oxford: Oxford University Press, 2005. p.13.

[20] BIDELEUX, Robert, JEFFRIES, Ian. A History of Eastern Europe: crisis and change. Oxon: Routledge, 1998. p.279.

[21] JOHNSON, Lonnie. Central Europe: enemies, neighbors, friends. New York: Oxford University Press, 1996. p. 130.

[22] BUCK-MORSS, Susan. Hegel, Hati and Universal History. Pittsburg: University of Pittsburg Press, 2009. p.75.

[23] PACHONSKI & WILSON. Op. Cit. pp. 297 – 309.

[24] THOMSON, Ian. Bonjour Blanc: A Jorney through Haiti. Hutchinson: Universidade de Michigan, 1992. p.54.

[25] DAVIES, Norman. Op. Cit. p.26.

[26] Verière localiza-se ao norte da Ilha e atualmente é chamada de Cap-Haitian.

[27] Jean Jacques Dessalines assumiu a liderança do movimento em 1802, quando Toussaint L’Ouverture foi enganado, capturado, preso e morreu de frio numa cela (pneumonia) em Fort-de-Joux na região do Jura, na França.

[28] PACHONSKI & WILSON. Op. Cit. p. 242.

[29] PACHONSKI & WILSON. Op. Cit. p. 248.

[30] Em crioulo haitiano: “Cortem as suas cabeças, queimem as suas casas”.

[31] PAQUIN, Raphael, BRAX, José (org.). Histoire d’Haiti:1492-2004. Ed. II. Pétion-Ville: Bibliothèque National d’Haiti, 2006. p.46.

[32] ODROWAZ-SYPNIESWSKA. Op. Cit. (tradução própria).

[33] LUKOWSKI, Jerzy, Zawadzki, W. H. A concise history of Poland. Edição II. Cambrige: University Press, 2006. p. 139.

[34] JOHNSON, Lonnie R. Op. Cit. p. 130.

[35] O General criou inclusive uma Guarda de Honra chamada de Les Polonais, pois assim como os poloneses, os recém-chegados africanos também não falavam bem o crioulo.

[36] PACHONSKI & WILSON. Op. Cit. pp 307-317

[37] ODROWAZ-SYPNIEWSKA. Op. Cit.

[38] Ibidem.  

[39] LERSKI, Jerzy Jan, et. ali. Historical dictionary of Poland, 966 – 1945. Westport: Greenwood Publishing Group, p.1996. p. 316.

[40] WIKIPÉDIA. Op. Cit.

[41] WIKIPÉDIA. Op. Cit.

[42] ODROWAZ-SYPNIEWSKA. Op. Cit.

[43] Ibidem.  

[44] PACHONSKI & WILSON. Op. Cit. pp. 249 – 295, 309.

[45] MIŁOSZ, Czesław. The history of Polish literature. Los Angeles: University of California Press, 1983. p. 195.

[46] WEST-DURÁN, Alan. African Caribbeans: a reference guide. Westport: Greenwood Publishing Group, 2003. p. 103.

[47] THE 1805 CONSTITUTION OF HAITI. Second Constitution of Haiti. 20 maio.1805. Promulgada pelo Emperador Jacques I (Dessalines). Disponível em < http://www.webster.edu/~corbetre/haiti/history/earlyhaiti/1805-const.htm&gt; . Acesso em 26 jun.2010.

[48] HALLWARD, Peter. Haitian inspiration: On the bicentenary of Haiti’s independence. Disponível em <http://www.abahlali.org/node/3037>. Acesso em 04 jul.2010.

[49] COUPEAU, Steeve. The history of Haiti. Westport: Greenwood Press, 2008. p. 34.

[50] SCHER, Philip W (org.). Perspectives on the Caribbean: A Reader in Culture, History, and Representation. Singapura: Blackwell, 2010. p.262.

[51]  Ver ORIZIO. Op.Cit.

[52] ODROWAZ-SYPNIEWSKA. Op. Cit.

[53] Em português: tristes, deprimidos, sobrios.

[54] GOLD, Herbert. Haiti: best nightmare on Earth, Vol. 2000. New Jersey: Transaction Publisher, 2001. p.104. 

[55] CAUNA, Jacques.  Au temps des isles à sucre: histoire d’une plantation de Saint-Domingue au XVIIIe siècle. Karthala Editions, 2003. p. 29.

[56] Ver: BENOIT, G., Harnessing History to Development: the Story of Cazale. Trinity College: Haiti Papers. N. 5, 2003. pp 6-9. e PIERRE-CHARLES, Gérard, Radiographie d’une dictature: Haïti et Duvalier, Montreal: Les Editions Nouvelle Optique, 1973. pp 112-113.

[57] LONGUE, Sandy. A Mission in Haiti. St. Augstine Catholic Magazine. Disponível em < http://www.internationalhealthvolunteers.org/cgi-bin/view_article.cgi?id=13>. Acesso em 28 jun.2010.

[58]  DAYAN, Joan. Haiti, History, and the Gods. Los Angeles: University of California Press, 1998. p. 296.

[59] ARTHUR, Charles, DASH, J. Michael. A Haiti anthology: libète. Kingston: Ian Randle Publishers, 1999. p. 266.

[60] REID, Ralph. 22 Jul.1996. In: Poles In Haiti And Haitian Revolution.

Disponível em <http://www.webster.edu/~corbetre/haiti/misctopic/ethnic/poles.htm>. Acesso em: 06 jul. 2010.

[61] BENSON, LeGrace. 22 Jul.1996. In: Poles In Haiti And Haitian Revolution.

Disponível em <http://www.webster.edu/~corbetre/haiti/misctopic/ethnic/poles.htm>. Acesso em: 06 jul. 2010.

[62] ZÉPHIR, Flore. The Haitians Americans. Westport: Greenwood Press, 2004. p. 20.

[63] BUCKI, Carl L. Op. Cit.

[64] BROWN, Karen McCarthy. Mama Lola: a Vodou priestess in Brooklyn.  Los Angeles: University of California Press, 1991. p.238.

[65] REDDAWAY, William Fiddian.  The Cambridge history of Poland, Volume 2. Cambridge, 1971.p.7.

[66]ENCYCLOPAEDIA JUDAICA. Vol. 7, 1971. Disponível em <http://www.geschichteinchronologie.ch/am-M/haiti/EncJud_juden-in-Haiti-ENGL.html>. Acesso: 04 jul. 2010.

[67] Ibidem. p. 310.

[68] HOSKING, Geoffrey A., SCHÖPFLIN, George. Myths and nationhood. New York, Routledge, 1997. p.151.

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Published in: on setembro 10, 2010 at 4:06 pm  Deixe um comentário  

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