Homenagem aos bombeiros militares do DF

Recebi o email abaixo do Sd. PMDF Johnson e resolvi transcrevê-lo na íntegra a fim de ganhar força em homenagear alguns dos heróis que estiveram empenhados em salvar vidas no terremoto do Haiti.

“Herói não é apenas aquele que morre.”

A essa lista, gostaria de acrescentar o nome do Capitão Algenor, da PM do Amazonas, e do Tenente Ricardo Couto, da PM de Pernambuco, ambos atuando na Polícia da ONU (UNPOL) na MINUSTAH e que desempenharam trabalho de heróis durante o período mais crítico no Haiti.

SC

“…”

Segue: Sugestão de Medalhas para Combatentes Heróis do Corpo de Bombeiros.

“A monopolização da violência física, a concentração de armas e homens sob uma única autoridade, torna mais ou menos calculável o seu emprego e força os homens desarmados, nos espaços sociais pacificados, a controlarem sua própria violência mediante precaução ou reflexão. Em outras palavras,isso impõe às pessoas um maior ou menor grau de autocontrole.”(Norbert Elias: O processo civilizador: Formação do Estado e Civilização. V2. Jorge Zahar Editor,1993)

Na minha busca por documentos nos quais os bombeiros falassem de si mesmos, me deparei com a “Canção do Soldado do Fogo”. Essa canção foi composta por dois bombeiros brasileiros e se constitui no hino de diversos corpos de bombeiros, tais como o de Brasília, São Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro.4 A letra da canção mostra os bombeiros como uma organização da sociedade cujos membros desempenham o papel de corajosos cidadãos que salvam vidas e se sacrificam em prol da vida alheia nos momentos de paz, mas também como uma instância do braço armado do Estado que atua valorosamente nos momentos de conflito com nações estrangeiras. Este duplo papel é sublinhado na estrofe que se repete três vezes, bem como no verso “voluntários da morte na paz, são na guerra indomáveis leões”.

Canção do Soldado do Fogo
Tenente Sérgio Luiz de Mattos (letra)
Capitão Antônio Pinto Júnior (música)

Contra as chamas e lutas ingentes
Sob o nobre alvirrubro pendão,
Dos soldados do fogo valentes,
É na paz, a sagrada missão.
E se um dia houver sangue e batalha.
Desfraldando a auriverde bandeira,
Nossos peitos são férrea muralha,
Contra audaz agressão estrangeira.
Missão dupla o dever nos aponta: Vida alheia e riqueza salvar
E, na guerra punindo uma afronta
Com valor pela Pátria lutar.
Aurifulvo clarão gigantesco
Labaredas flamejam no ar
Num incêndio horroroso e dantesco,
A cidade parece queimar
Mas não temem da morte os bombeiros
Quando ecoa d’alarme o sinal
Ordenando voarem ligeiros
A vencer o vulcão infernal.
Missão dupla o dever nos aponta: Vida alheia e riqueza salvar
E, na guerra punindo uma afronta Com valor pela Pátria lutar.
Rija luta aos heróis aviventa,
Inflamando em seu peito o valor,
Para frente que importa a tormenta
Dura marcha de sóis ou rigor?
Nem um passo daremos atrás,
Repelindo inimigos canhões
Voluntários da morte na paz
São na guerra indomáveis leões
Missão dupla o dever nos aponta: Vida alheia e riqueza salvar
E, na guerra punindo uma afronta
Com valor pela Pátria lutar.

Muitas interpretações desses versos poderiam ser feitas, mas nesta dissertação desejo destacar a oposição implícita entre voluntários e guerreiros. Ser “voluntário” é agir espontaneamente, sem precisar de coação (Ferreira:1999), enquanto que lutar pela pátria é uma atuação obrigatória que, conforme o verso, os bombeiros realizam não com o desprendimento do voluntariado, mas com a garra e liderança do leão. Esta percepção do self enquanto cidadão e, ao mesmo tempo, braço armado e agente de controle do Estado faz com que haja uma ambigüidade de percepções sobre si mesmos, constituindo-se na problemática central dessa dissertação.

Os discursos dos bombeiros raramente se referem ao papel que desempenham enquanto parte do sistema repressivo do Estado. A “Canção do Soldado do Fogo” é antes bem uma exceção não apenas no Brasil como também em outros países. Como pode ser apreciada na canção e no poema a seguir, a tônica dos discursos é o elogio ao cidadão que salva vidas e que se sacrifica em prol dos outros.

A canção “A Sacrifice So Dear” exprime um discurso sobre o heroísmo e o sacrifico do bombeiro concidadão. Escrita pelo capitão do corpo de bombeiros de Nova York, Jim Coyne, homenageia àqueles homens que morreram no último atentado ao World Trade Center. O bombeiro é visto como aquele que doa a sua vida para salvar o próximo sem lágrimas nos olhos e com um sorriso de orgulho e bravura. O reconhecimento de seus concidadãos é expressado por meio de fortes metáforas que invocam as lágrimas dos anjos derramadas diante do sacrifício do mártir/santo/patriota e o tratamento especial que merece quando chega ao paraíso.

Outro documento que destaca a bravura e o despreendimento com que os bombeiros enfrentam o perigo para amparar a vida dos outro é o poema de um bombeiro militar de Brasília esse poema mostra que o diferencial entre o bombeiro e os seus concidadãos está justamente no fato do primeiro ter como razão de existir o cumprimento dessa missão divinal e heróica, ao passo que os demais cidadãos não têm essa especialidade. O bombeiro é o “paladino da vida”, montado no seu cavalo/viatura ele deve ser rápido, preciso e impiedoso na luta contra a morte. Além disso, a viatura/cavalo se confunde com o próprio corpo do bombeiro, uma vez que ambos são movidos pelo mesmo líquido, a disposição e conhecimento necessários para ajudar o próximo. Se por algum motivo a missão não é cumprida, a conseqüência é a sensação de desolação e impotência do bombeiro. Uma notícia sobre a condecoração de bombeiros que realizaram atos de bravura destaca que o bombeiro vive uma tensão constante entre o “emocional” e o “profissional” no seu dia-a-dia. O emocional está ligado ao descontrole, à incapacidade de agir rapidamente, precisamente e impiedosamente diante do perigo à vida alheia. Já ser profissional significa não hesitar na ação, estar alerta para situações inesperadas em qualquer dia, horário e lugar; estar ciente que o ato máximo da ação é o auto-sacrifício. A recompensa desse esforço é pessoal no sentido de ser íntima ao bombeiro, estando ligada a consciência dele. O não cumprimento do dever coloca em ação um mecanismo de auto-punição que não está relacionado apenas ao que a sociedade espera do bombeiro, mas ao que ele espera de si mesmo. Sobre essa questão há um filme intitulado “Vivendo no Limite” de Martin Scorcese que conta a história de um bombeiro-paramédico que entra em depressão pelo fato de todos os seus atendidos terem morrido. Este bombeiro cai em profunda deterioração, se envolve com o álcool e outros tipos de drogas e tem sua vida pessoal transformada num caos absoluto. A notícia, intitulada “Os Super-heróis de Carne, Osso e Farda”, foi publicada pela 5ª Seção do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal
Nos bastidores das operações de salvamento e combate a incêndio, os bombeiros passam por anônimos redentores que, dia-a-dia dedicam-se a salvar vidas e evitar tragédias. A característica de super-heróis – na definição ilusória dos gibis e filmes de ação pode ser descartada – mas o espírito de heroísmo dos combatentes do fogo certamente pode surpreender. Onze desses incansáveis militares feridos em operações de salvamento e controle de incêndio foram condecorados com a Medalha Sangue do Brasil, semana passada, no quartel do Comando Geral do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. Suas histórias revelam grandes atos heróicos, como o inusitado salvamento de uma mulher que ao atravessar o trilho de uma ferrovia na região do Guará ficou com o carro preso na linha férrea no instante em que passava o trem. Nesse momento, o cabo Areovan, que passava por lá, percebeu que o trem se aproximava e a mulher não conseguia sair do carro. Correu para salvá-la. Corria o risco de morrer junto com a vítima, mas isso não importava. Não somos super-heróis, mas devemos dar de tudo pela pessoa socorrida, afirmou. Não pensamos duas vezes. Não colocamos o emocional para não atrapalhar o profissional. Areovan teve alguns hematomas e foi agraciado com a medalha por esse ato heróico na semana passada. O militar sabia que de alguma forma estava preparado para aquela situação. Estamos sempre prontos para o inesperado, disse. O limite do bombeiro é a morte. E a recompensa não vem com o salário no fim do mês e nem com elogios, segundo o soldado Valderi, bombeiro especializado em emergência médica. É cansativo e desgastante, mas temos a gratificação do dever cumprido, que é pessoal e imensa, relatou.
Existe uma proposta de se dedicar um dia internacional para se homenagear os bombeiros de todo o mundo. A data sugerida é o dia 11 de setembro, data do último atentado ao World Trade Center em Nova Iorque. O argumento é que na cidade de Nova Iorque existem muitas culturas e muitas raças que representam os povos do mundo. Assim, a escolha do 11 de setembro não é apenas uma homenagem aos bombeiros nova-iorquinos, mas aos bombeiros de todo o mundo, pois a função do bombeiro é proteger todos os cidadãos que vivem no globo terrestre, independentemente do seu lugar de moradia e de suas diferenças sócio-culturais. Há, portanto, a noção de que independentemente da nacionalidade, raça, cor, credo ou qualquer outra diferença, a função do bombeiro é proteger a sociedade na qual ele vive. Mais estudos precisam ser feitos, no entanto, me parece que a declaração de um dia internacional do bombeiro indica que a identidade bombeiro tende a se mundializar, situando-se num lugar invariável no tempo/espaço, e desse modo construindo-se numa identidade essencial.
Para finalizar esta breve apresentação dos dados documentais destaco o papel importante que os “NOSSOS HÉROIS BRASILIENSES” do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, Brasileiros que desempenharam na missão do HAITI, principalmente no resgate do corpo do CAP QOPM CLEITON, vale relembrar que foi promovido ao posto post-mortem, portanto sugiro ao Vosso Comandante Geral da Gloriosa e bicentenária corporação PMDF, que preste uma singela e merecida homenagens aos nossos heróis com a nossa MEDALHA DE CRUZ E SANGUE, prestando assim o reconhecimento por tudo que fizeram por aquele povo sofrido e principalmente como forma de agradecimento pelo ato de resgate do nosso combatente.

segue os nomes dos valorosos Bombeiros que merecem o nosso respeito pelo serviço prestado ao Haiti:

V – RELAÇÃO DE MILITARES QUE VIAJARAM COM DESTINO AO HAITI 

O COMANDANTE OPERACIONAL, no uso das atribuições que lhe confere o art. 70, inciso XIII, do Regulamento de Organização Básica do CBMDF, aprovado pelo Decreto nº 16.036, de 4 de novembro de 1994, resolve:

TORNAR PÚBLICO a relação dos militares que viajaram com destino ao Haiti, no dia 14/1/2010, de acordo com o Ofício nº 3/2010-1º BBS:

– Comandante da Operação: Ten-Cel. QOBM/Comb. ROGÉRIO RIBEIRO ALVARENGA, matr. 1399861;
– Oficial de Ligação: Cap. QOBM/Comb. IVAN LUIZ FERREIRA DOS SANTOS, matr. 1400121;
– Oficial de pessoal: 1º Ten. QOBM/Comb. ANDRÉ MOTA PINTO COTA, matr. 1424908;
– Oficial de Logística: 1º Ten. QOBM/Comb. RODRIGO RASIA, matr. 1425149.

– Subten. QOBM/Comb. JÚLIO CESAR ALVES BRAVO, matr. 1403055;
– 1º Sgt. QBMG 1 CLEBER ALVES DOS SANTOS, matr. 1402948;
– 1º Sgt. QBMG 1 LUIS ANTÔNIO AQUINO CAETANO, matr. 1402219;
– 2º Sgt. QBMG 1 ANTÔNIO GLAHSTON FELIX ALBUQUERQUE, matr. 1402290;
– 2º Sgt. QBMG 1 RENATO GONTIJO E SILVA, matr. 1405811;
– 2º Sgt. QBMG 1 PAULO CÉSAR DA SILVA COELHO, matr. 1404938;
– 3º Sgt. QBMG 1 RODRIGO GOSTON E FIGUEIREDO, matr. 1405620;
– 3º Sgt. QBMG 1 SEBASTIÃO DOS SANTOS JUNIOR, matr. 1404136;
– 3º Sgt. QBMG 1 PAULO DO NASCIMENTO BENIGNO, matr. 1405717;
– Cb. QBMG 1 LUCIANO GALVÃO DE SOUZA, matr. 1222850;
– Cb. QBMG 1 ARIOSVALDO MENDONÇA DE OLIVEIRA, matr.1404010
– Sd. QBMG 1 NELSON DA COSTA PINTO JUNIOR, matr. 1404433;
– Sd. QBMG 1 DEUSIMAR NUNES DA SILVA, matr. 1405212;
– Sd. QBMG 1 ANDRÉ DE OLIVEIRA RODRIGUES, matr. 1406209;
– Sd. QBMG 1 ROBSON DA SILVA DANIEL, matr. 1406110;
– Sd. QBMG1 WILKESON FERREIRA DA SILVA, matr.1404359; e
– Sd. QBMG 1 ANDRÉ LUIS CORDEIRO, matr. 1405213.

Atenciosamente

Johnson Gonçalves Rodrigues – CB QPPMC

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Published in: on abril 29, 2010 at 1:35 am  Comments (7)  

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7 ComentáriosDeixe um comentário

  1. amigos ai esta o livro sobre bombeiros que contem tudo o que nunca ninguém
    ousou escrever sobre nós.

    Bem hajam e todos os meus colegas bombeiros.

    mais informações:

    http://www.almasdefogo.pt.vu
    http://www.lugardapalavra.pt

  2. Obrigado, companheiro pela informação divulgada, eu simplesmente fiz a minha parte, como combatente que fui um dia, hoje tenho a impressão que só servirmos quando servirmos, quando não servirmos, somos esquecidos por aqueles que um dia foram servidos.
    ATT

    Johnson Gonçalves Rodrigues 3º SGT QPPMC

  3. Pena que essa medalha nunca chegou a ser entregue. mas obrigado pelo reconhecimento!!!

    • É uma pena mesmo!
      Abraço,
      Sérgio Carrera
      Cap.PMDF

  4. bombeiros parabens pra vcs ????????????????????

  5. grande é o coraçao do bombeiro que nada ele pede em troca entra no meio do braseiro nunca sabendo se volta

  6. Somente de pois de 5 anos que estou vendo essa homenagem, porém é missão que não esquecemos. Obrigado aos nobres irmãos de farda!


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