Homenagens no enterro de capitão (Correio Braziliense – 08fev2010)

Correio Braziliense

Brasília, segunda-feira, 08 de fevereiro de 2010

Mundo

tragédia no haiti
Homenagens no enterro de capitão

Gisela Cabral

Tristeza e emoção marcaram o velório e o sepultamento do capitão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Cleiton Batista Neiva, na manhã de ontem, no cemitério Campo da Esperança. O corpo do militar morto no forte terremoto que assolou o Haiti foi velado por familiares, amigos e cerca de 500 companheiros de corporação na Academia de Polícia Militar (APMB), no Setor Policial Sul. Durante a cerimônia, o oficial foi promovido postumamente a capitão, além de condecorado com as medalhas do Mérito Brasília, Segurança Pública do DF e Joaquim José da Silva Xavier – Tiradentes. Cleiton estava no país caribenho desde 2005 a serviço da Organização das Nações Unidas (ONU). O militar era casado com a jornalista austríaca Irene Hoeglïnger — que também atuava na organização — e deixa um filho de apenas 1 ano.

As homenagens ao oficial começaram cedo. Por volta das 8h, a movimentação já era grande na academia. L ogo após a missa de corpo presente, o capitão foi lembrado pelos amigos como um homem de força, um verdadeiro herói. Segundo o tenente André Garbi, a atuação em causas humanitárias era um sonho antigo e se manifestou muito cedo, desde a época em que Cleiton ingressou na PM, em 1997. “Percebíamos a facilidade que ele tinha para se expressar em outros idiomas, motivo pelo qual se destacava bastante. Infelizmente perdemos um irmão”, lamentou o tenente, que leu uma mensagem em nome 8ª turma de aspirantes de 1999, da qual o capitão fez parte. Bastante emocionada, a família preferiu não dar entrevistas. Além dos pais Admilson dos Santos Neiva, 59 anos, e Maria Batista Neiva, 60, estavam a esposa Irene Hoeglïnger, o filho Yannick e os irmãos domilitar.

Tiros
Depois do velório, o cortejo guiado por batedores da PM seguiu para o setor B do cemitério Campo da Esperança. O caixão coberto com as bandeiras do Brasil e da PMDF foi recebido com honras distintas a um militar, entre elas uma salva de tiros da Guarda Fúnebre, formada por cadetes da Academia de Polícia, e marcha fúnebre do compositor norueguês Edvard Grieg, conduzida pela banda militar. Num dos momentos de maior emoção, o helicóptero da PM sobrevoou o cemitério e pétalas de rosas foram jogadas sobre os presentes. Visivelmente consternada, a julher do capitão morto no terremoto não saiu de perto do caixão um minuto sequer. Ela e o filho estavam na capital Porto Príncipe no dia da tragédia e escaparam ilesos.

O oficial brasiliense morto em missão no Haiti era um dos boinas azuis — o objeto em questão identifica os policiais que participam de missões de paz. De acordo com o comandante-geral da PMDF, o coronel Ricardo Martins, pelo menos 60 policiais já deixaram o DF para atuar em causas semelhantes. “Aqueles que aqui se encontram com boinas azuis representam todos aqueles que um dia se arriscaram nas mis sões. Porém, sabemos da grandeza desse trabalho. Atualmente, temos 15 policiais espalhados pelo mundo”, salientou o comandante, que também faz parte do grupo. Para o assessor do Senado Federal Wilson Andrade, 53, o capitão Cleiton foi um exemplo de vida. “Ele era tão competente que foi chamado pela segunda vez para atuar na ONU. Estou arrasado. Perdi um grande amigo”, desabafou.

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Published in: on fevereiro 9, 2010 at 12:47 am  Deixe um comentário  

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