DPF e Missões de Paz?

Hoje, tomei conhecimento que o Departamento de Polícia Federal (DPF) estaria enviando um efetivo de policiais federais para uma Missão de Paz. Provavelmente, para o Haiti. Dentre os muitos questionamentos que surgem, desde competências e características fundamentais aos policiais, surgem alguns mais enfaticamente, tais como:

– O Exército Brasileiro também está fazendo o controle desses policiais ?

– Qual o papel do Ministério da Defesa nessa questão, visto que é responsável pela gestão relativa ao emprego de policiais e militares em Operações de Paz? (Vale mencionar que o DPF está subordinado a outra pasta, o Ministério da Justiça.)

– Perderia assim o Ministério da Defesa a soberania e controle sobre assuntos de defesa e operações de paz? Ou, por questões políticas, abriria (abrirá) mão desse controle e os  policiais federais seguirão para Missões de Paz sem os protocolos e trâmites existentes e a revelia do Exército e Ministério da Defesa?

– Seria então apenas “bizu”?

– Seria o enfraquecimento do Ministério da Defesa e por consequência, do Exército Brasileiro nessa questão?

– Seria assim o fortalecimento institucional do Ministério da Justiça e DPF?

– E os policiais militares, que há quase 20 anos representam o Brasil em Operações de Paz da ONU, ganhariam ou perderiam com essas mudanças?

Em se concretizando, o país passará por uma grande mudança de paradigmas no que tange a questão de policiais e operações de paz, visto que o tema, até hoje tratado e gerido pelo Ministério da Defesa, passaria a ser “compartilhado” com outro Ministério. Este é assunto para um bom estudo mais aprofundado, que em breve será feito e publicado.

Eu já havia comentado sobre essas possibilidades para o ano de 2010…mas pelo visto, as mudanças estão ocorrendo mais rápido que do muitos pensavam…

Sérgio Carrera

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Published in: on fevereiro 3, 2010 at 1:19 am  Comments (6)  

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6 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Conterrâneo, será mesmo uma MISSÃO DE PAZ ou, apenas, um apoio humanitário em um país onde está ocorrendo uma Missão de Paz? Afinal, como todos vimos, o Brasil falou, falou, mostrou reportagens, discutiu no congresso, mas nada de mandar a ajuda prometida (e, principalmente, no tempo necessário). Talvez eles tenham se organizado mais rápido, à revelia de tudo isso e tenham ocupado o espaço deixado pelo próprio MD nessa questão.

    Ainda assim é preocupante, ainda que não devamos ter medo do novo. Quem viver, verá…

    Do Timor, com um abraço.

    Vilaça – Cap PMPE/UNMIT

    • Essa é uma excelente posição!
      Escrevi sobre isso num artigo que escrevi. Justamente sobre as diversas possibilidades de cooperação bilateral…
      Temos que ver….o que me foi passado por algumas pessoas, seria a figura de UNPOL… gotta wait to see!
      Abraço,
      SC
      PS: Depois mando o artigo.

  2. Se isso fosse verdade, a resposta que primeiro viria a mente seria:
    “Dessa forma nós poderíamos ser mandados para missões policiais em outros países, principalmente nas Embaixadas do Brasil no exterior,né? Ou não?
    Se ninguém se manifesta quando é necessário fazer radiopatrulhamento tático em outros países em colapso social, como ocorreu no Haiti, isso abre espaço para que lideranças não ortodoxas devam ser acionadas para suprir a inércia de quem deveria/poderia estar realizando o devido comando e controle em nosso favor.”

    Mas é imortante que eu repita o que já disseram antes
    Maria Cristina Sanches Amorim – economista, professora titular da PUC/SP e Regina Helena Martins Peres – psicóloga, doutoranda em ciências sociais na PUC/SP em compilação de Maquiavel, Gramsci, Hayek e Foucault:

    “(…)Tal qual sugerido por Maquiavel (1973), o líder deve estar preparado para estas disputas, mantendo-se em eterna vigilância. Não há vácuo de poder nas organizações, se alguém desiste de assumi-lo, outrem o fará. E urge evitar a profecia de Hayek (1977), deixando que os piores assumam.(…)”

    A pergunta é: a quem interessa isso?

  3. Parafraseando o mesmo Nicolo Machiavel ” …se os tempos mudam e os comportamentos não se alteram, é a ruína!” . Precisamos nos organizar melhor, e passar a pensar em enviar frações de tropa PM completas aptas a desempenhar com maior propriedade as tarefas policiais de proteção, prevenção, dissuasão e repressão. Com treinamento adequado e equipamento apropriado. O simples envio de oficiais nem sempre é suficiente para expressar o potencial da Corporação que o envia e até do próprio oficial dadas as limitações diversas que sabemos encontrar num teatro de operações mais complexo.
    Não devemos temer, devemos ser melhores sempre e assim ter incólome nossa área de interesse.
    TC PMDF ALAIR – ex MINUGUA

  4. http://www.un.org/en/peacekeeping/sites/police/pdf/UNPolice_mag4.pdf

    UN Police magazine no link

    Boa leitura


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