Tropas da ONU contrabandearam armas para milícias no Congo

KINSHASA – Capacetes azuis do Paquistão e da Índia contrabandearam ouro e marfim, trocando-os por armas com milícias, no Leste do Congo, segundo foi divulgado ontem pela BBC. Uma nova testemunha contradiz a versão das Nações Unidas de que não houve transferências de armas na região. A ONU informou anteriormente ter encontrado evidências de contrabando entre os capacetes azuis, porém nada envolvendo armas.

A BBC já havia feito denúncia similar há mais de um ano, e a ONU iniciou uma investigação sobre o possível envolvimento das tropas. O porta-voz da organização no Congo, Kemal Saiki, considerou que a reportagem aparentemente não traz informações novas e que as investigações continuam. “É certo que houve condutas inaceitáveis de indivíduos, mas não há prova do tráfico mencionado”, disse.

Segundo Saiki, não foram encontradas “provas irrefutáveis” em relação ao suposto contrabando de armas e munição. A BBC informou ter encontrado testemunhas que confirmaram as negociações de armas entre a ONU e as milícias em Mongbwalu. De acordo com a reportagem, as armas eram entregues para que as milícias guardassem áreas de minas de ouro e fizessem a segurança da região.

Ex-líderes da milícia detidos em Kinshasa também confirmaram ter recebido armas de capacetes azuis. Funcionários da ONU disseram que as investigações não encontraram evidências de comércio de armas, ainda que haja indicações de que um capacete azul do Paquistão tenha contrabandeado ouro.

Conforme noticiado, um contingente de capacetes azuis indianos voou em um helicóptero da ONU até o Parque Nacional Virunga, no Congo, para trocar munição por marfim com um grupo rebelde de Ruanda. Os comandantes desse grupo estariam entre os responsáveis pelo genocídio ocorrido em Ruanda, em 1994.

A força da ONU no Congo, com 18 mil soldados, é a maior operação de paz da entidade. Ainda que tenha sido fortemente afetado por escândalos de abuso sexual e corrupção, o contingente ajudou a organizar e policiar o país em suas primeiras eleições livres em décadas, em 2006. A força também perdeu vários de seus membros em confrontos com milícias.

As novas acusações ocorrem em um momento em que o Congo parece regredir para um padrão de conflitos incessantes entre bandos armados. No início deste ano, falhou a tentativa para se chegar a um acordo de paz no país. O Congo luta para controlar as fronteiras, após décadas de guerras e falta de um governo de fato. Minas com muito ouro, diamante e cobalto operam com pouco monitoramento e o contrabando é comum.

http://www.tribunad aimprensa. com.br/noticia. asp?noticia= internacional12

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Published in: on abril 30, 2008 at 10:27 pm  Deixe um comentário  

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