Capitã PMDF Natália participa de viagem de estudos a Washington como parte do programa de mestrado na Universidade de Duke/EUA. 


A Capitã PMDF Natalia, veterana da MINUSTAH, participou em julho de viagem de estudos a Washington – DC, como parte integrante do Mestrado em Desenvolvimento Internacional de Políticas Públicas na Sanford School of Public Police, Duke University, Carolina do Norte – Estados Unidos, do qual faz parte como bolsista no programa Rotary Pro Paz.  
A viagem teve como objetivo ampliar o desenvolvimento profissional e facilitar networking em vários organismos internacionais que trabalham em prol do desenvolvimento como: Agencia Americana para Desenvolvimento Internacional – USAID; Banco Mundial; Banco Interamericano para o Desenvolvimento – BID; OXFAM, entre outros.

Entre as conquistas acadêmicas da Capitã Natalia durante seu primeiro ano de mestrado, vale destacar sua pesquisa sobre a Política Brasileira sobre Drogas: Addressing Brazil’s National Plan to Combat the use of Crack Cocaine, que tem impacto substancial na Segurança Pública, recentemente publicado na sexta edição da Revista Américas, The John Hopkins Journal of Latin American Studies, um dos mais renomados centros de estudos sobre a América Latina nos Estados Unidos. 

A publicação pode ser acessada pelo link:

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Published in: on setembro 19, 2017 at 4:38 am  Deixe um comentário  

Policiais militares migram da MINUSTAH para MINUSJUSTH 

O Brasil não encerrou suas atividades no Haiti.

Os efetivos militares sim, mas os policiais militares continuam no país e na nova missão e outros se preparam para integrar a MINUSJUSTH.
Os únicos dois policiais militares remanescentes migrarão para a nova missão. Entretanto, as regras de transição exigem policiais com experiência prévia e de patente de gestão para as missões individuais (IPO) e as de secondment. 

Os que estão em missão não podem requerer extensão, mas é o comando do componente policial da ONU (UNPOL) que analisa e requisita a permanência dos que já estão no terreno. 

Ontem tivemos a grata surpresa de tomar conhecimento que o Tenente Paulo, da PMMG, foi convidado a permanecer. No momento, é fundamental por parte dos órgãos federais sensibilizar as autoridades de seu estado quanto a importância de autorizar sua continuação no Haiti. 

Outros policiais militares veteranos estão aplicando para processos seletivos de secondment para cargos de chefia, os quais em sua maioria exigem o francês e o inglês. 

No caso dos IPO abre-se uma oportunidade de pensar em aumentar um pouco o número de policiais e únicos uniformizados brasileiros no Haiti, após término da MINUSTAH. 

A MINUSJUSTH prevê apenas 298 unpol e 7 FPU. 

Published in: on setembro 19, 2017 at 3:00 am  Deixe um comentário  

O Brasil permanece no Haiti: policiais militares continuam mesmo com o término da MINUSTAH

 

Matéria do Estadão

Brasil que fica. Depois que a Minustah for oficialmente encerrada, em 15 de outubro, apenas dois policiais brasileiros que trabalham nas Nações Unidas devem permanecer no país. Um deles é o mineiro Paulo Filipe Moura, de 30 anos. Há 9 meses em Porto Príncipe, ele diz que a imagem que ficou do Haiti no Brasil é a do militar com fuzil e capacete, mas a missão de paz é mais ampla e dezenas de policiais brasileiros o antecederam.

Paulo chegou ao Haiti após passar dez anos na Polícia Militar de Minas e se submeter a testes de idioma, informática, tiro, armamento e direção, além de entrevistas e treinamentos. Seu mandato é de um ano, prorrogável por mais um. O trabalho da polícia das Nações Unidas é auxiliar na melhoria da polícia haitiana, ainda carente de técnica e doutrina, e transferir conhecimento aos policiais. Paulo trabalha na seção de operações conjuntas, responsável por planejar e executar operações pelo país. O outro brasileiro é Anderson Silva Santana, do Rio de Janeiro.

A partir do mês que vem, o número de policiais estrangeiros no país cairá de 980 para 295. E os contingentes de FPUs serão reduzidos de 11 para 7. “Hoje o país está tranquilo. O problema é se surgir algum fator que abale essa estabilidade, como um desastre natural ou um processo eleitoral conturbado. Acho que vai aumentar o índice de criminalidade, mas num nível ainda tranquilo se comparado a outros países. Como policial, aqui no Haiti me sinto muito mais seguro que no Brasil.”

 

NOTA:

O Brasil não encerrou suas atividades no Haiti.

Os efetivos militares sim, mas os policiais militares continuam no país e na nova missão e outros se preparam para integrar a MINUSJUSTH.

O componente policial da ONU (UNPOL) continua mesmo após o fim da MINUSTAH (2004 – 2017).

Matéria do Estadão: LINK

 

 

🇧🇷👮🏻👮🏻‍♀️

Published in: on setembro 4, 2017 at 12:13 am  Deixe um comentário  

Distintivo de Missão de Paz da PMSC

A Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) acompanhando as demais Corporações Policiais Militares, criou distintivo para aqueles que participaram de Missões de Paz.

A Portaria N. 150, de 12 de maio de 2017, aprovada pelo Exmo. Sr. Comandante-Geral da PMSC:

“Art. 1º Aprovar o distintivo de participação em Missões de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), conforme normatizado no Ato nº 469 de 12 de maio de 2017”.

O Ato, seguindo as demais corporações prevê:

Art. 3º O uso do presente distintivo será exclusivo dos Policiais Militares da Corporação, que tenham integrado Missões de Paz da ONU e permanecido na área de missão pelo período mínimo de 6 (seis) meses.

Parágrafo único. Será vedado o uso do distintivo aqui tratado, por aqueles que tenham sido repatriados por motivos de natureza disciplinar ou que, de forma administrativa, tenham sido considerados pela ONU, inabilitados ou impedidos de prosseguir na Missão.

Parabéns a PMSC!

 

 

Published in: on agosto 30, 2017 at 1:32 am  Deixe um comentário  

SEM PERDER O FOCO

Anteriormente, com o objetivo de contar um pouco de minha primeira experiência como Boina Azul e visando fazer com que os leitores  conhecessem um pouco sobre minha carreira, eu descrevi em um único relato toda a minha passagem por Moçambique em 1994, desta vez, até pra que o meu texto não fique muito longo, escreverei por partes, hoje contarei como consegui vencer as barreiras para poder ir novamente para uma outra missão de paz.

Por Hélio Pacha, colunista.

Após o término da missão em Moçambique, em dezembro de 1994, eu pude chegar a duas conclusões, a primeira delas foi que os brasileiros que  falavam bem o Inglês haviam sido designados para boas funções, chamadas de “Bocas boas” e em localidades muito melhores do que os péssimos locais onde os não falantes do Inglês foram parar, conhecidas por “Bocas podres” e a segunda conclusão veio ao final da missão e foi a clara percepção de que não seria nada difícil aprender o idioma Inglês.

Decidi então me dedicar ao aprendizado da língua inglesa para poder tentar outra participação em uma outra Missão de Paz da ONU e me matriculei em uma tradicional escolinha de Inglês, cursei treze períodos por sete anos e em seguida prestei vestibular para Licenciatura Plena em Letras, idioma Inglês e fui aprovado.

Nesse ínterim, acontecia a fase mais intensa de minha carreira e como todo policial militar da ativa concorri a escalas de serviço operacional nas ruas e a diversas operações de todos os tipos, comandei unidades, conduzi diversos inquéritos policiais militares e sindicâncias, participei de longas solenidades de formaturas em datas comemorativas, escalas de representação em substituição aos meus atarefados comandantes, fui instrutor de cursos de formação e especialização, entre outras atribuições peculiares e ainda assim nunca sai do meu foco no aprendizado da língua inglesa, estudando no período da noite.

Até o final dos anos 90, como não era costume a aplicação de processos de seleção por parte do Comando de Operações Terrestres (COTER) do Exército, visando a proficiência na língua exigida pela ONU para a respectiva missão de paz, a seleção de policiais militares, no âmbito das corporações, dependia exclusivamente da indicação de seus comandantes e era praxe dar oportunidades e diferentes oficiais e praças, evitando que alguém pudesse ir em outra missão mais de uma vez, enquanto havia outros voluntários que ainda não tivessem ido.

No final do ano de 2002 a PMRO recebeu do COTER um edital de concurso para participação em Missões de Paz no Timor Leste porém, desta vez, somente aprovados nos testes de proficiência na língua inglesa poderiam seguir para a missão já no ano seguinte.

Nessa ocasião, os candidatos deveriam arcar com as próprias despesas para deslocarem-se a Brasília no Distrito Federal afim de participarem do certame.

Provavelmente por isso e acreditando que devido as circunstâncias financeiras que afetavam a todos no Estado de Rondônia, na PMRO não haveria voluntários, não houve restrição para que aqueles que houvessem participado de missões anteriores pudessem se candidatar novamente.

Naquele momento enxerguei a oportunidade ímpar que surgia, então incentivei para ir comigo para Brasília o então Capitão NILSON e assim o fizemos nossos requerimentos.

Em 2002 eu ainda era Major e como já mencionei, o Estado passava por dificuldades, nossos salários eram muito defasados, por essa razão decidimos ir de ônibus até Brasília para podermos economizar e aproveitamos os dois dias e meio de viagem para estudarmos um pouco mais.

Após nos apresentarmos no COTER, Logo que conhecemos os demais candidatos ocorreu um fato que depois me questionei se eu teria sido presunçoso, arrogante, antipático ou se foi estratégia para tentar deixar os concorrentes mais ansiosos, atualmente creio que foi só empolgação por estar satisfeito com meu próprio desempenho, a gente sente quando está indo bem.

Durante nossa recepção pela Comissão Aplicadora dos testes havíamos sido informados que somente cinco dentre os aprovados  iriam para o Timor Leste . Em um dos intervalos entre um teste de inglês e outro, um dos colegas comentou sobre as cinco vagas, de imediato eu o corrigi informalmente dizendo que ele estava enganado pois, só quatro vagas estavam em disputa e ele retrucou  reafirmando que não, que eram cinco e que tinha certeza pois, havia escutado bem quando informaram já que ele estava sentado bem na frente. Nesse momento, de súbito eu lhe falei sorrindo que só eram  quatro vagas mesmo que eles estavam disputando porque uma das vagas já era a minha!”

Lembro que a Capitão PMGO KEDMA perguntou se eu tinha certeza e eu lhe devolvi a pergunta dizendo:

“- Você acha que eu viria de ônibus de Rondônia pra cá se não tivesse certeza? Vencem aqueles que acreditam que vencerão!”

Em Brasília concorreram ao teste cinquenta e três Oficiais PM de vários Estados do país e somente treze obtiveram aprovação, o Major PMDF NIÑ0, o Major PMRO PACHÁ, o Capitão PMRO NILSON, a 1º Ten PMGO KEDMA e 1º Ten PMSE ÁLVARO.

Após retornarmos para Rondônia, cerca de quatro ou cinco meses depois e para surpresa aos incrédulos fomos informados sobre a data de nossa partida.

Na ocasião eu tive que trancar a minha matrícula na faculdade de Inglês no meio do semestre e passar o comando do 1º Batalhão de Polícia Militar onde estava na função de comandante há pouco mais de três meses para poder em seguida seguir viagem para o Timor Leste, do outro lado do mundo, com doze horas de diferença no fuso horário, começava então a minha segunda oportunidade nas Nações Unidas.

Foram diversos fatores que, durante nove anos aconteceram e que poderiam ter me desviado de meu objetivo porém, a perseverança e a esperança nunca me permitiram fraquejar assim, quando a oportunidade surgiu eu estava pronto para segurá-la. Desta vez, as “ Forças Ocultas” não impediram o meu sucesso e assim consegui integrar por mais uma vez o rol dos Boinas Azuis das Nações Unidas.

 

Foto Texto 2 Contingente de policiais militares brasileiros no primeiro dia no Timor Leste. 2003. (1)

Foto: Efetivo policial militar no Timor Leste, em 2003.

 

 

 

 

Published in: on agosto 29, 2017 at 8:17 pm  Deixe um comentário  

O Brasil nunca comandou a MINUSTAH

Um dos maiores equívocos de boa parte da imprensa brasileira é publicar, mesmo após 13 anos de existência da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH), que o Brasil comanda (ou chefia) a Missão de Paz da ONU no Haiti.

Tais publicações induzem os leitores brasileiros a um erro grotesco, apresentados por jornalistas em matérias sem ao menos buscar o mínimo de informação necessária sobre a estrutura de uma missão da ONU, o que acarreta em informações equivocadas.

Na última semana, o site Metropolis republicou o Estadão com a seguinte informações:

“Chefiada há 13 anos pelo Brasil, a única missão de paz da ONU nas Américas começou com um telefonema…”

“Poucas semanas depois, ele se tornaria comandante da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), que na próxima quinta-feira encerrará suas ações operacionais com uma cerimônia em Porto Príncipe”

Metropolis: http://www.metropoles.com/brasil/apos-13-anos-de-missao-de-paz-brasil-deixa-o-haiti .

Mas há inúmeras outras matérias semelhantes:

O Globo:

Novo comandante brasileiro assume nesta quarte chefia da missão de paz no Haiti – Brasil comanda a força militar da Minustah desde que a missão foi criada em 2004

https://oglobo.globo.com/brasil/novo-comandante-brasileiro-assume-nesta-quarte-chefia-da-missao-de-paz-no-haiti-7960468?versao=amp

 

Diálogo: Revista Militar Digital:

Em 2 de junho, o 26º Batalhão Brasileiro de Força de Paz (26º BRABAT) assumiu o comando da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti

https://dialogo-americas.com/pt/articles/last-brazilian-contingent-assumes-command-peacekeeping-mission-haiti

DefesaNet:

Novo comandante brasileiro assume hoje chefia da missão de paz no Haiti

http://www.defesanet.com.br/ph/noticia/10225/Novo-comandante-brasileiro-assume-hoje-chefia-da-missao-de-paz-no-Haiti/

Ministério da Defesa:

28/03/2012 – DEFESA – Nações Unidas nomeiam novo chefe da Minustah

Nações Unidas nomeiam novo chefe da MinustahBrasília, 28/03/2012 — O general-de-brigada Fernando Rodrigues Goulart será o novo chefe da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah). A nomeação foi feita ontem (27) pelo secretário-geral da Organização das Nações …

http://www.defesa.gov.br/component/tags/relacoes-internacionais/missoes-de-paz?tag=minustah

ONU Brasil:

ONU nomeia General brasileiro como novo chefe da MINUSTAH

https://nacoesunidas.org/onu-nomeia-general-brasileiro-como-novo-chefe-da-minustah/

Reuters/Correio do Brasil:

27 Mar (Reuters) – O general brasileiro Fernando Rodrigues Goulart será o novo comandante da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), no lugar do compatriota general Luiz Ramos, anunciou a ONU nesta terça-feira.

http://www.correiodobrasil.com.br/onu-nomeia-novo-general-brasileiro-para-comandar-tropas-no-haiti/

 

A fim de esclarecer, de modo muito simplista, uma missão multidisciplinar da ONU possui um componente civil, um policial e um militar. Cada um desses componentes tem um “chefe” e todos estão subordinados ao Representante Especial do Secretário-Geral da ONU designado para a Missão.

No caso específico da MINUSTAH, o Brasil, por motivos diversos, sempre ocupou o cargo de Comandante da Força Militar – do componente militar (Force Commander) e por tal motivo, é correto afirmar que um oficial general do Exército Brasileiro sempre comandou as tropas e militares em missões individuais das Forças Armadas dos diversos países a serviço da ONU no país.

Da mesma maneira, sem qualquer subordinação, o componente policial é liderado pelo Comissário de Polícia (Police Commissioner), cargo esse que ao longo dos anos foi ocupado por policiais de diferentes países.

A própria estrutura civil da MINUSTAH também teve mudança em seus cargos ao longo dos anos – como o próprio Representante Especial do Secretário Geral, chefe da Missão e maior autoridade da ONU no país.

Infelizmente, as matérias jornalísticas desconsideram a presença e participação de policiais militares (no componente policial – UNPOL) e dos civis brasileiros que compuseram e ainda compõem a MINUSTAH.

Talvez a falta de conhecimento sobre o tema leve o profissional jornalista a cometer erros tão grotescos. Basta usar o google por alguns minutos!

Entretanto, importante se faz registrar o brilhante trabalho realizado por todos os Forces Commanders Brasileiros ao longo de todos os mandatos e pelas Forças Armadas Brasileiras no Haiti (Marinha, Exército e Aeronáutica – sim, todas as 3 Forças enviam efetivos, quer em missões individuais quer em contingentes).

Depois de quase 3 anos trabalhando no sistema ONU, 2 anos e 6 meses somente no Haiti (MINUSTAH), com certa frequência causa estranheza aos policiais e civis de várias nacionalidades e aos brasileiros que estiveram na Missão, o que causa até mesmo certo constrangimento ao desconsiderar os demais profissionais que lá serviram e pelo tamanho do erro por boa parte da mídia brasileira.

 

 

 

 

 

 

Published in: on agosto 28, 2017 at 5:58 am  Deixe um comentário  

O “SENTIDO” DE UMA MISSÃO DE PAZ

Por Wagner WASENKESKI

Quando em preparação ou treinamento para uma Missão de Paz, prestes a usarmos uma boina azul, muitas são as informações e objetivos os quais nos são passados como sendo o “sentido” para tal trabalho. Todavia, no dia de hoje, deixando a Missão de Paz da ONU na Guiné Bissau, eu saio com a conclusão de que o mais importante em uma missão como esta, é dar-se por conta do quão relativa é a questão humana de “ajudar o próximo” , típica coisa dos que chamo de “homens de boa vontade”. Eu vim para ajudar, mas saio daqui ainda mais ajudado. Eu vim para deixar algo, mas creio que esteja levando mais do que deixei. Então, talvez, exista uma razão pela qual Deus coloca algumas pessoas nestas missões. Pode ser que, humildemente,  ao dizermos “sim, vou ajudar”, o destinatário final sejamos nós mesmos: recebemos, pois, a chance de melhorarmos a si próprios. Então, creio que o critério de “ajudar o ser humano”, seja verdadeiramente mais relativo do que pensemos. E creio que nos melhorando, melhoramos a quem esteja perto de nós, e assim por diante até chegarmos com “efeito fermento” a toda a humanidade. Para tal, Deus nos coloca em certas provações: é preciso abrir mão de nosso conforto, dos nossos hábitos tradicionais a que estamos acostumados, da nossa boa comida, bom banho, bom sono, boa saúde, e fundamentalmente ficarmos temporariamente afastados das pessoas que mais amamos…. E tudo isso com um propósito: amar a quem inicialmente jamais vimos e sequer sabemos os seus nomes (às vezes até morrer por eles, como já ocorreu com tantos colegas).   Em véspera de meu embarque à missão, disseram-me: “parabéns pela conquista, tu és especial”. Todavia, hoje eu penso: não sou bem eu que sou especial, e sim os nacionais daqui. Eu vim para servi-los, e, quanto a eles, uma missão internacional inteira foi montada para eles! Então, eles sim são especiais. Vejamos como, nesse sentido, tudo é tão relativo.

Por fim, em momento de minha partida, fica aqui registrado meu tributo, minha admiração e meu respeito a todos os colegas boinas azuis (“homens de boa vontade!”), que partiram de seus lares, deixaram temporariamente suas famílias e seu conforto, para servirem a outros que tanto mais necessitavam, e que, todavia, em nome da causa, tombaram em terras distantes e não voltaram para suas casas (do dia em que parti ate hoje, em solo africano, já foram mais de 150… ) Que Deus abençoe e conforte suas famílias e que, apensar de toda a dor, não se esqueçam de que nada foi em vão. É por causa deles, que muitos homens e mulheres serão libertos, muitos vulneráveis receberão de volta sua dignidade, muitas crianças “terão o direito de serem crianças”,  e muitas outras coisas que sequer saberemos.  “Alguns homens passam pela História; outros, fazem a História.”

Obrigado aos colegas da missão UNIOBGIS por toda a irmandade, em especial aos brasileiros pela construção da boa impressão de nosso povo que aqui deixamos, e obrigado aos irmãos guineenses por toda a ajuda. “Eu vim para a ajudar, mas estou levando mais do que deixei”.

Servir, servir, servir….

Força e Honra!

3BPM, Brigada, Brasil!

Cap Wagner WASENKESKI

Wagner WASENKESKI é Capitão da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul, e trabalha no Escritório Integrado para a Consolidação da Paz na Guiné Bissau (UNIOGBIS), como Conselheiro Policial (Police Adviser), atuou no Escritório Regional da Ilha de Bubaque na referida Missão, ajudando na investigação criminal deste local, tráfico naval, corrupção das instituições públicas, formação dos policiais, policiamento comunitário, inclusive com as crianças através do desenvolvimento de atividades relativas a doutrina do PROERD, etc. Também, na capital do país, Bissau, atuou na reforma do setor de segurança, na formação do efetivo local, em atividades como Assistente Especial do Conselheiro Policial Sênior, dentre outras atividades.
Possui bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUCRS, Licenciatura Plena em Educação Física pela UFRGS e Bacharelado em Ciências Militares com Ênfase na Defesa Social, pela Academia de Policia Militar do Estado do Rio Grande do Sul.
No Rio Grando do Sul , trabalhou no Policiamento Ostensivo Ordinário, Pelotão de Operações Especiais, Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, Comando de Núcleos de Polícia Comunitária, Seção de Justiça e Disciplina e Chefia de Operações do 3º Batalhão de Polícia Militar.

Published in: on agosto 23, 2017 at 5:18 am  Deixe um comentário  

POLICIAL MILITAR SOBREVIVENTE AO TERREMOTO NO HAITI É HOMENAGEADO PELA PMDF

O oficial da Polícia Militar de Pernambuco, capitão Ricardo Couto, foi homenageado pelo comandante-geral da PMDF, coronel Marcos Antônio Nunes, na tarde de hoje (22/08), por ato de coragem na tragédia que matou cerca de 200 mil pessoas no Haiti em 2010. O comandante da PMDF parabenizou o capitão por representar, com excelência, a Polícia Militar no aspecto internacional.

Com atuação destacada em ações de pacificação, estruturação e segurança nas Forças de Paz da ONU, enquanto representante do Brasil e de Pernambuco no Haiti, o capitão Ricardo Couto, assim como os demais brasileiros que lá estavam e tanto orgulham a Corporação Militar, merece honras e aplausos. O espírito de luta, o desprendimento pessoal, a compaixão e amor ao próximo foram as principais virtudes que brotaram em meio ao caos da situação. O capitão relata que havia chegado 15 dias antes do terremoto para comandar o Grupo de Operações com Cães para o Instituto dos Policiais Nacionais Haitianos com a finalidade de apreender drogas na região, porém após o fatídico dia 12 de janeiro, a sobrevivência o tornou um herói, pois desde então o capitão vem se destacando em missões altamente complexas na região.

“Como policial militar de carreira, com 23 anos de profissão e 2 missões de Paz pela ONU no Haiti, eu não posso sequer mensurar, nesse momento, a alegria e o sentimento de honra e dever cumprido, tendo sido agraciado com um certificado pelo senhor comandante-geral da PMDF, coronel Nunes que também é presidente do Conselho Nacional de Comandantes-gerais. Nunca trabalhamos esperando reconhecimento ou sequer recompensa, porém quando vem de forma espontânea nos faz perceber que estamos no caminho certo”, afirmou o capitão Ricardo Couto.

Após a homenagem recebida no quartel do Comando-geral da PMDF, o capitão seguiu para o Palácio do Itamaraty onde foi condecorado pelo Ministro de Estado das Relações Exteriores, João Mendes Pereira, com a Medalha Sérgio Vieira de Mello. A comenda homenageia trabalhadores humanitários que se destacam na prestação de relevantes serviços de assistência humanitária e na promoção da paz e dos diretos humanos.

couto

 

Site da PMDF: link

Centro de Comunicação Social (CCS) da PMDF.

Criado em 22-08-17 17:56. Última atualização em 22-08-17 17:56. Escrito por Karina Linhares

 

 

 

Published in: on agosto 23, 2017 at 5:00 am  Deixe um comentário  

OFICIAIS DA PMDF PALESTRAM PARA FUTUROS OFICIAIS DA PMGO

Na tarde desta quarta-feira (16), a convite do Comandante-geral da Polícia Militar do Estado do Goiás, oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal tiveram o prazer de ministrar palestra na Academia da PMGO para cerca de 60 cadetes, futuros oficiais da Corporação goiana.

Os oficiais do Distrito Federal,tenente-coronel Wesley de Almeida e Santos, subcomandante operacional do Comando de Missões Especiais, o major Sérgio Carrera de A. Melo Neto, ex-comandante do Batalhão de Policiamento Turístico e a capitã Virgínia Souza Lima, assessora do gabinete do comando-geral da PMDF, compartilharam com os presentes suas experiências profissionais e pessoais em missões da paz das Nações Unidas das quais participaram, bem como os processos seletivos e atribuições dos policiais militares brasileiros nas áreas de conflitos e na promoção de direitos humanos, paz e segurança internacional.

PMGO3

PMGO5

PMGO4

PMGO

Sítio da PMDF: Veja matéria.

Published in: on agosto 17, 2017 at 10:15 pm  Deixe um comentário  

Encontrando as semelhanças

 

Por Nathalia Quintiliano

Quando aceitei começar essa coluna confesso que fiquei meio perdida. Há alguns anos venho tentando iniciar escrever e esse ano, finalmente, deram meus primeiros voos. Mas nunca escrevi com um olhar tão pessoal, assim, na primeira pessoa… Talvez porque a primeira coisa que aprendi nesse trabalho foi que a minha opinião não importa tanto assim. Parece meio duro, eu sei, mas a tentativa de se manter imparcial – ou diplomática – quando se vive em um ambiente tão internacionalizado acabou custando um pouco da minha opinião pessoal em prol da boa convivência e bem-estar comum.

Logo na minha primeira missão, quando estava na fronteira da Turquia com a Síria, eu notei que minha visão de mundo seria desafiada (ainda bem). No primeiro dia de trabalho, ao ser apresentada à equipe, notei que nunca havia sido colocada em um local tão pequeno com tantas nacionalidades diferentes: Meu gerente era belga e casado com uma moçambicana e falava Português fluentemente, assim como árabe, francês e inglês. Nosso vice-diretor era sudanês muçulmano casado com uma sudanesa crista que morava em Londres, mas passava a maior parte do tempo cuidando de refugiados na Itália, em um projeto de uma igreja. Todos nós respondíamos ao nosso diretor geral que era Somali/Canadense. Entre os meus colegas havia uma etíope muçulmana e um etíope cristão, uma espanhola, um egípcio, um kosovar e um sérvio, uma iemenita, um argelino e uma brasileira descendente de sírios nascida e criada nos Estados Unidos. Apesar de todas as chances de dar errado, o escritório funcionava muito bem.

A última pessoa a quem fui apresentada foi à uma palestina, e fiquei pensando o que ela pensaria quando descobrisse que eu tinha um pé no judaísmo, além de ser casada com um judeu e viver em um ambiente judaico? Apesar de eu manter opiniões fortes e absolutamente contra os assentamentos, e achar que são um grande tiro no pé de Israel como nação, ainda assim, o que ela iria dizer quando soubesse que o Rabino da Sinagoga do bairro me conhece por nome? Mal sabia eu que não só ela iria saber, como também conhecer e conviver muito bem comigo e também com o meu marido (agora ex, mas deixemos o tópico para outro texto). Começamos a nossa amizade em um pequeno restaurante perto da fronteira de Bab al-Hawa (hoje infelizmente um território dominado pelo grupo Hay’at al-Sham, afiliado ao Al-Qaida) onde frequentávamos juntas depois do trabalho para fumarmos narguilé (não recomendo) e beber Sahlep durante o gelado inverno turco – uma espécie de mingau com aroma de canela, esse eu recomendo! Nos encontramos também em Istambul onde nos divertimos juntas.

Shereen, assim como a maioria das palestinas que conheci quando visitei a Palestina, é uma mulher forte. Ela não segurava nada na boca dela, era tudo “na lata” mesmo, podia ser o Secretário-Geral da ONU e ela ainda levantaria a sua voz. Eu admiro muito isso nela, e apesar de termos discutido por assuntos como religião e aborto, onde tínhamos opiniões bem opostas, conseguíamos nos encontrar na natureza do nosso trabalho, na preocupação com as pessoas e também na admiração mútua. Ela um dia me disse que gostaria de conseguir se afastar emocionalmente de algumas coisas, para fazer o trabalho andar, enquanto eu admirava o fato dela não se afastar emocionalmente de nada.

Ela não era apaixonada por animais como eu (talvez o termo mais pertinente seja completamente pirada por qualquer bicho), mas quando ela se deparou com um cachorro machucado na fronteira foi imediatamente me chamar e cuidar do meu “turno”, enquanto eu fui cuidar dele, com a ajuda da minha amiga-alma-gêmea brasileira/síria que mencionei no parágrafo acima. Ao mesmo tempo, quando começaram a reclamar sobre a presença do cachorro (ou quando me julgaram sobre o fato de eu estar preocupada com o cachorro quando adultos e crianças viviam um estado de caos e luto perene). Shereen levantou a voz por mim imediatamente, e ainda apelidou o cachorrinho de “Habibi”. Ela foi embora não muito tempo depois, quando saiu da ONU para voltar ao ativismo na Palestina, mas meu relacionamento com ela me ensinou muito, e talvez ela nem saiba disso. Conseguimos nos atentar às nossas semelhanças em vez de ficar realçando as nossas diferenças, e descobrimos que apesar de termos opiniões distintas tínhamos valores muito parecidos, e também tínhamos a plena convicção de que conflitos – como Israel e Palestina – são muito mais complexos do que o preto e branco que as pessoas gostam de enxergar.

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Published in: on agosto 17, 2017 at 7:23 pm  Deixe um comentário  

Um pouco da experiência de um policial militar na Missão de Paz da ONU em Moçambique

Por JOSÉ HÉLIO CYSNEIROS PACHÁ, colunista mensal.

Inicialmente, gostaria de agradecer pelo convite para ser um dos colunistas desse blog idealizado pelo Major SÉRGIO CARRERA DE ALBUQUERQUE MELO NETO, será uma grande honra poder fazer parte desse projeto.

Dessa forma para que os leitores possam conhecer um pouco mais sobre mim, iniciarei descrevendo um pouco sobre minhas experiências em missões de paz das Nações Unidas, sendo que hoje meu relato será sobre minha primeira missão, em 1994…

Em 1994 o comando da Polícia Militar do Estado de Rondônia (PMRO), na pessoa do Cel PMRO JOÃO MARCOS DE ARAÚJO BRAGA, se incumbiu de enviar os primeiros policiais militares da história da Corporação rondoniense para uma Missão de Paz das Nações Unidas, na ocasião essa missão seria em Moçambique (ONUMOZ).

O meu pai JOSÉ PACHÁ ANTAR havia integrado o Batalhão Suez em 1967 como Capacete Azul, sendo assim, na época eu quis dar a ele mais esse motivo de orgulho e me voluntariei. Na ocasião, ainda como 1º Tenente, dentre mais de trinta voluntários, fui indicado juntamente com  outros quatro corajosos policiais, Cap COSTA, 1º Ten DERZETE, 2º Sgt VIDAL e 3º Sgt MORENO, para representar Rondônia nessa, que classifico como, tão árdua missão.

Ao sair do  Brasil logo percebemos que o idioma seria a primeira grande barreira a ser vencida. Naquele período, embora a ONU já se exigisse o domínio da língua Inglesa, diversos policiais militares foram designados para missões mesmo sem fluência em Inglês, era o caso dos policiais de Rondônia.

Ao chegarmos em Moçambique fomos muito bem acolhidos pelos brasileiros que já se encontravam na missão porém, rapidamente percebemos que a nós, recém chegados e sem o domínio da língua inglesa, restaria sermos encaixados nas localidades que “sobraram”, longe da capital do país Maputo, onde ainda poderíamos encontrar certas regalias como boa comida, energia elétrica vinte e quatro horas por dia, chuveiros com água quente em hotéis relativamente bons, etc.

Logo no início da primeira semana as dificuldades começaram a surgir, o idioma oficial de Moçambique é o Português, todavia, entre os policiais que integravam o efetivo de Monitores da ONU só se falava o Inglês e nas palestras sempre dependíamos de um intérprete, além disso, o trânsito era de “mão inglesa”, totalmente diferente do que estávamos acostumados, mas graças a Deus, tudo isso foi superado.

Pacha-1

Um fato engraçado nas palestras traduzidas foi o fato de que todos da equipe de Rondônia ficávamos procurando em nossos dicionários uma das “palavras” mais utilizadas: “piareme”, depois, descobrimos e rimos muito, tratava-se da sigla PRM (Polícia da República de Moçambique).

Ao final da primeira semana de orientações da ONU, ambientações, aquisição de identidade de integrante do efetivo de Monitor das Nações Unidas onde recebi a identidade CP 0405 (Civilian Police/CIVPOL 0405) e também da obtenção de sucesso na prova para obtermos a permissão para conduzir veículos da missão, veio a minha primeira surpresa, fui designado juntamente com o Capitão COSTA que era o mais antigo dentre os representantes da PMRO para a Província da Zambézia e os outros de Rondônia iriam para a Província de Beira, ocorre que Beira era muito melhor em termos de infraestrutura.

Considerando que o Capitão COSTA havia participado da reunião onde essas designações foram decididas,  na primeira oportunidade que tive questionei por que ele como mais antigo, ou seja, de maior precedência hierárquica, não havia tentado ir para um lugar melhor, foi quando junto com a surpresa iniciou-se também o meu aprendizado pois, como resposta o Capitão COSTA me disse que ele e eu “éramos Caveiras”, ou seja, possuidores do Curso de Operações Especiais e por essa condição teríamos menos dificuldades de nos adaptarmos as piores condições a serem enfrentadas na Zambézia.

Ao chegar à Zambézia, cuja capital é Quelimane, fomos informados que iriamos ficar hospedados na Casa dos Brasileiros, local onde tivemos a felicidade de sermos recebidos por outros quatro compatriotas que haviam chegado algum tempo antes, Cap PMMS ORTALE, 1º Ten PMSE LOBO, 1º Ten PMES RICARDO e 1º Ten PMRR CHAGAS, dias depois acolheríamos o 3º Sgt PMAL JOSELITO, os brasileiros “sortudos” designados para a Zambézia.

Em Moçambique, pelo menos na região da Província da Zambézia em metade do ano o inverno é bastante rigoroso, principalmente à noite e o verão não deixa nada a desejar em termos de calor para os Estados brasileiros mais quentes, estávamos em maio e o frio era bem forte nesse período.

O Capitão COSTA, homem de princípios e comportamento exemplares, durante a viagem recusou-se a aceitar a minha sugestão de levar consigo a manta e o travesseiro da aeronave, isso lhe custou caro em nossa primeira noite em Quelimane.

Quando chegamos a Quelimane naquele dia o comércio local já estava fechado e como os brasileiros que já estavam por lá não sabiam de nossa chegada, tínhamos casa para dormir, mas não tínhamos sequer um colchão pra deitar em cima, o único jeito foi armarmos nossas respectivas redes de selva por baixo de uma grande mesa de jantar que existia na casa, o problema é que a rede ficava mesmo armada e não pendurada, assim seu assoalho ficava em contato direto com o piso gelado.

Nessa primeira noite passamos muito frio, mas eu ao menos tinha uma manta fina pra usar com o lençol e um pequeno travesseiro trazido da aeronave, já o meu amigo Capitão COSTA não tinha nada além de um lençol fino, lembro-me de ter adormecido enquanto ria bastante da condição do Capitão, provocando-o um pouco enquanto ele batia os dentes de frio.

Em Quelimane nessa época tínhamos energia vinte e quatro horas por dia, quase todos os dias e quando faltava energia durante o dia, pouco percebíamos, pois, além de estarmos no período de inverno, não dispúnhamos de TV, Computadores, internet, as roupas eram passadas em ferro a lenha, tínhamos telefone na casa porém devido ao custo das ligações racionávamos o uso do aparelho, geralmente falávamos com nossos familiares uma vez por semana.

Na Zambézia naquela época, posso afirmar sem dúvidas que para todos os brasileiros a maior dificuldade foi mesmo com a alimentação pois, embora tivéssemos contratado uma senhora para cozinhar pra gente e a culinária dela era bem similar à nossa, até pela influência portuguesa, a qualidade da comida era péssima e os recursos muito precários e com poucos temperos e iguarias disponíveis.

Por esse motivo algo que ficou inesquecível pra mim foi o cheiro de barata no arroz de terceira que comíamos uma vez que, só encontrávamos arroz de primeira nos poucos e caros restaurantes existentes, infelizmente ou era aquele arroz ou não comeríamos nada já que feijões, só consumíamos uma vez por semana, devido ao preço e escassez e batatas também não eram encontradas com facilidade.

Alvoradas ao som de rajadas de metralhadoras eram bastante comuns na cidade mas, nunca soube de onde exatamente partiam os tiros mas, serviam para nos deixar alertas e sabedores de que a qualquer hora um problema mais sério poderia surgir e nesse caso teríamos que colocar em prática o plano de evacuação.

O meu período morando em Quelimane durou três meses, nossas missões eram de fiscalizar o cumprimento dos Direitos Humanos por parte da Polícia Moçambicana, realizando visitas às delegacias, inspecionando as selas, entrevistando os presos e verificando as suas condições físicas, emitindo o devido relatório para cada caso.

Também tirávamos serviços de Dutty Officer (oficial de dia) onde tínhamos que pernoitar no escritório sede da ONU com a responsabilidade de receber eventuais documentos via fax ou transcrever mensagens recebidas por telefone ou rádio, o qual diga-se de passagem funcionava perfeitamente e proporcionava contato com quase todas as províncias do país. A segurança das instalações era proporcionada por militares do exército de Botswana, em Moçambique trabalhávamos desarmados.

Nossa maior preocupação era justamente com a própria Polícia Moçambicana pois, não nos viam com bons olhos,  haja vista que éramos uma espécie de Corregedoria para eles e como já mencionei, fazíamos parte de uma missão de paz onde os Monitores das Nações Unidas não  eram autorizados a portar armas, sendo assim se a situação se agravasse no pais não tínhamos como nos defender com armas de fogo.

Nas selas que visitei encontrei diversas vezes presos totalmente lesionados e ensanguentados mas, como era comum na localidade o linchamento de pessoas pela própria comunidade quando essas eram encontradas furtando ou roubando, todas as vezes fui informado pelos policiais locais de serviço que esses presos estavam naquelas condições porque estavam sendo linchados pela população quando foram “salvos” pela polícia. Obviamente essas versões eram corroboradas pelos presos e nunca tive certeza se falavam de fato a verdade.

Pacha-3

Na minha segunda semana, estávamos retornando de uma patrulha quando percebi um grande tumulto em uma feira popular e perguntei aos outros policiais internacionais que estavam na viatura se sabiam do que se tratava, me responderam que aquilo era um linchamento, pedi para parar a viatura mas, como resposta me falaram que era da cultura local e que não deveríamos nos envolver, a experiência frustrante de presenciar um linchamento, mesmo que por alguns instantes e não poder fazer nada foi angustiante e marcante na minha passagem por Quelimane.

Um outro fato bastante distinto e inusitado foi a chegada de um Capitão paquistanês em Quelimane o qual, ostentava em sua farda alguns distintivos de cursos operacionais e conduzia um bastão de comando que no Exército Brasileiro é comum ser utilizado apenas por Oficiais Generais. Rapidamente o bastão de comando virou alvo de cobiça por todos os brasileiros que queriam tê-lo como souvenir porém, o paquistanês não se desfazia de modo algum de seu bastão, não o trocava por nada.

Certo dia o Capitão paquistanês saiu em uma patrulha e deixou o seu bastão em uma das salas do escritório para pegá-lo posteriormente, logo todos os Tenentes pensaram a mesma coisa, ou seja, pegar o bastão de comando esquecido porém, por princípios, nenhum teve coragem de fazer isso mas, um dos Tenentes percebeu que o Capitão COSTA estava saindo ao final do expediente e levando consigo o tal bastão de comando.

Nenhum de nós sabia mas, o Capitão havia informado a outro CIVPOL de outro país, que estaria levando consigo o bastão esquecido para depois entregar  de volta ao Capitão paquistanês e independente disso combinamos de dar um susto no Capitão COSTA.

Ao chegarmos em casa iniciamos um diálogo falso e em voz bastante alta para que todos pudessem ouvir sobre as providências que a ONU, através do pessoal da inteligência estava adotando afim de investigar o furto do Bastão de Comando do Capitão paquistanês, acrescentamos a informação de que o autor do furto após ser descoberto seria repatriado e essa conversa logo preocupou o Capitão COSTA que rapidamente trocou de roupas, recolocando o seu uniforme e se dirigiu de volta as instalações da ONU conduzindo o Bastão de Comando com ele, enquanto a “tenentada” se acabava de rir, obviamente não demorou para ele perceber que se tratou de um trote e após seu retorno, todos nós fomos devidamente “mijados” enquanto não conseguíamos conter nossas risadas.

Após três meses aproximadamente, finalmente pude tirar 15 dias de folga e voltar ao Brasil e uma das coisas que providenciei pra levar ao retornar pra Moçambique foi uma grande caixa com alguns “macetes” pra comer um pouco melhor na missão por pelo menos algum tempo, dentre eles comidas semi prontas, aveia, farinha láctea, a pequena panela pra preparar a comida, leite condensado, farinha, etc.

Logo após retornar do Brasil fui informado que eu estava transferido para a localidade de Morrumbala, localidade cujo nome, reza a lenda,  derivou de “morro tomado na bala” e que ficava a cerca de uns 250 Km de Quelimane, 420 metros acima do nível do mar, com acesso por terra porém em estrada muito precária, a maior parte dela sem asfalto e situada em área ainda não desminada, ou seja, havia risco de passarmos por cima de uma mina anti pessoal ou anti carro, caso saíssemos da estrada por algum motivo.

Assim, durante os deslocamentos nossa maior preocupação era que qualquer pequeno acidente com a viatura poderia ser fatal caso saíssemos da estrada. Até se fosse o caso de termos necessidades fisiológicas, a orientação era que fossem feitas na própria estrada. No dia seguinte a minha chegada em Quelimane, me apresentei, providenciei toda a papelada necessária e fiquei aguardando a viatura que estava vindo de Morrumbala para me buscar, lembro que almocei e iniciei minha viagem para a nova designação à tarde por volta das 14:30 horas.

Ao chegarmos em Morrumbala por volta das 18:00 horas, meus dias mais difíceis na missão estavam começando e logo nos primeiros instantes, fui recebido por dois indianos, um deles o Post Commander (comandante do posto) Capitain KAYLASH, pense num comandante boçal e soberano! Pelo menos ele se achava assim, devido ao status do oficialato em seu país que, segundo ele, na polícia da Índia havia um soldado só pra carregar a mala ou maleta de cada Oficial indiano.

Além dos indianos, estavam lá dois egípcios, dois nigerianos e dois ganenses, o único que estava sem um “canga” era eu, pra variar. O cenário encontrado em Morrumbala na época da missão é simples de descrever… uma única rua com cerca de 1,5 Km , na metade da extensão dessa rua à esquerda situava-se a casa da paróquia, única casa ainda inteira na localidade e que havia sido alugada pelos CIVPOL os quais, já se encontravam no recém instalado Posto das Nações Unidas.

Ao final da citada rua passávamos por uma minúscula ponte e subíamos uma  ladeira onde em seu término podíamos encontrar uma das poucas estruturas de alvenaria intactas da cidade, o Hospital Regional, pouco antes em uma área aberta à direita, situavam-se quatro barracas de lona da ONU onde estavam funcionando a estrutura de escritório do nosso Posto de Trabalho na localidade  e também bem perto, um pouco mais abaixo, podíamos observar a segunda estrutura sem depredações, tratava-se do escritório dos Médicos Sem Fronteiras.

Fora isso, o que se via a cada lado da rua em toda a sua extensão eram estruturas de alvenaria depredadas, escombros de antigas construções e barracas de palha, chamadas pelos locais de palhotas, todas elas de alguma forma ocupadas por pessoas para improvisarem as suas moradas e os poucos comércios existentes que em sua maioria espalhavam seus produtos nas calçadas.

Enfim, vamos a minha recepção… após me apresentarem a todos os integrantes do posto e me darem as boas vindas de praxe, fui informado de que cada quarto da casa já estava ocupado com uma das duplas das nacionalidades ali representadas e que eu iria ficar dividindo o quarto com o Comandante do Posto.

A função que eu iria desempenhar no posto seria a de Oficial de Ligação, haja vista que era o único falante da língua portuguesa dentre os CIVPOL e até a minha chegada estavam utilizando os serviços de um interprete local, vindo de Quelimane  contratado pela ONU para essa função até que eu me apresentasse.

Ao adentrar no quarto onde inicialmente eu iria passar meus dias naquela localidade observei  no canto esquerdo uma cama de casal sem colchão e com palhas acima do estrado, encostada na parede do fundo, nessa parede havia uma janela de madeira que ficava acima da cabeceira da cama, à direita vi instalada uma cama de campanha, com mosquiteiro, e ao lado um baú cheio de equipamentos, os quais cada indiano recebe de seu país e contem itens de subsistência básicos e em conformidade com as características a serem encontradas em cada missão, inclusive climáticas, obviamente na hora lembrei de toda a falta de apoio dada pelo Brasil aos policiais brasileiros que vão para missões das Nações Unidas, costumávamos dizer que para os brasileiros era cada um por si e Deus por todos.

Tão logo entrei o Capitão KAYLASH me disse: “- Essa será a sua cama”, logo em seguida eu perguntei pelo colchão, como resposta ele me perguntou: “- Você não trouxe?”

Como eu não havia sido informado que tinha que levar um colchão, de imediato o sangue ferveu e eu xinguei a mãe do Capitão em português e quando ele me perguntou em inglês o que eu havia dito, me limitei em bradar Caveira nos ouvidos dele e me larguei na cama dura mesmo, cheio de raiva e descontentamento com a falta de espírito de corpo encontrada, afinal quando foram me buscar em Quelimane poderiam ter me informado sobre as condições que eu iria encontrar em Morrumbala e me orientado com relação a alguns itens essenciais a serem adquiridos e levados à localidade.

Após me acalmar, acionei minha lanterna, procurei o banheiro e fui tomar banho, encontrei um tanque cheio de água gelada, afinal estávamos numa localidade com certa altitude, no inverno, sem água encanada e sem energia elétrica, havia gerador na casa porém, nesse dia estava com avarias e aguardando reparos.

Não me restou outra opção naquele momento senão, encarar um banho super gelado, com os dentes batendo enquanto me lembrava dos treinamentos árduos de meus cursos buscando um alento e me auto motivando para suportar o desconforto temporário de um banho  bastante frio, a temperatura local beirava uns cinco graus.

Enfim, acertei meu relógio de pulso para despertar as 07:00 horas, haja vista que o expediente começaria às 08:00 horas e  fui dormir no lastro coberto por palhas me perguntando o que era aquilo pra quem já havia dormido no chão batido da selva amazônica em um dia com chuvas.

Assim enfrentei a primeira noite em Morrumbala até que por volta das 04:30 horas da manhã comecei a ouvir lamúrias e cochichos de ladainhas repetidas que me chamaram a atenção, alcancei minha lanterna e em seguida observei que se tratava do Capitão KAYLASH que estava orando antes do pôr do sol, ele era mulçumano, sem problemas, fechei os olhos e consegui dormir um pouco mais.

Exatamente as 05:30 horas ouvi um estampido bem próximo a minha cabeça, me assustei e dei um salto da cama, nisso eu esbarrei sem querer no capitão e o mesmo caiu por sobre sua bonita cama de campanha que estava montada ao lado, partindo-a ao meio.

Naquele momento o estampido que ouvira tratava-se do som do ferrolho da janela que só poderia ser destrancado com dificuldade por conta do ferrugem, através de força, a janela como disse antes, ficava na parede do fundo, pouco acima de onde a cabeceira da cama estava encostada.

Ajudei o Capitão a levantar-se e voltei a dormir, mais uma vez bastante chateado com o ocorrido, na sequência, pra completar a experiência da primeira noite, em plena 06:00 horas da manhã o Capitão KAYLASH após ter aberto a janela, liga seu rádio AM para ouvir as notícias pela CNN, sem sequer considerar que havia um outro colega brasileiro no quarto ainda dormindo. Para ele, apenas um tenente…

Após o amanhecer fui conhecer as instalações do escritório, participei da minha primeira patrulha indo visitar um dos vilarejos mais afastados e de cara tive que assumir o volante da viatura pois, embora a habilitação fosse exigência para todos os CIVPOL, poucos deles tinham experiência em condução de veículos, principalmente em estradas com condições tão precárias, a partir desse momento passei também a ser o motorista principal em todas as patrulhas que eu participava, inclusive com a concordância unânime de todos. Soube que isso também aconteceu em outros postos onde havia brasileiros.

 

Chegou a hora do almoço e mais um problema eu tive que enfrentar… todo feliz com meus gêneros alimentícios trazidos do Brasil, já com a boca cheia d’água e com bastante fome,  peguei um risoto de frango desidratado e cuidadosamente li as instruções de preparo, na cozinha encontrei dois fogões a lenha acessos mas, sem nenhuma panela, então coloquei minha comida, dei uma mexida leve, marquei a hora do preparo e dei uma saída retornando oito minutos depois, conforme previsto nas instruções.

Encontrei a minha panela no chão, com a comida embolada, parecia uma papa ressecada e no fogão havia uma grande panela com água, minha única reação no momento foi a de um Tenente com vinte e oito anos, e muito sangue nos olhos, dei um chute na panela e tudo foi ao solo, panela para um lado, tampa pra outro, foi aquela barulheira só, com água e carvões espalhados pra todo os lados e em seguida, todos chegaram correndo para saber o que tinha acontecido. Obviamente me encontraram esbravejando e xingando muito, revoltado com a falta de respeito para com a minha comida e querendo partir pra cima do Capitão nigeriano que havia tirado a minha panela do fogo, ainda bem que me seguraram.

 

Fui informado que os fogões  eram dos nigerianos e que a água estava sendo aquecida para um deles tomar banho antes do almoço, que todos poderiam usar os fogões mas, sempre depois deles, foi a gota d’água para mim que sempre prezei pela camaradagem e espírito de corpo.

Naquele momento, duas coisas aconteceram, uma delas foi que eu aprendi que era cada um por si naquele posto, que eu estava só e não deveria esperar nada de ninguém e a segunda coisa que aconteceu foi que todos passaram a respeitar aquele Tenente brasileiro magrinho e bravo que ostentava uma caveira na altura do peito em seu uniforme negro.

Naquela hora eu decidi que teria que encontrar um jeito de sair daquele meio antes que eu me envolvesse em uma confusão mais séria e fosse repatriado. Na mesma tarde fui visitar as instalações dos Médicos Sem Fronteira e dei sorte de encontrar um Português dentre os médicos, expliquei o ocorrido e fui informado que pelas regras internas eles não poderiam autorizar que alguém de outra organização dividisse com eles a mesma instalação porém colocaram a minha disposição uma palhota que havia no fundo do terreno, caso eu aceitasse.

A palhota era redonda, com cerca de 2,5 metros de diâmetro, extremamente baixa, só dava pra ficar em pé lá dentro me situando na parte central da mesma, a porta de entrada tinha cerca de um 1,5 metros e só era possível entrar após se abaixar bem.

No interior da mesma eu encontrei uma cama de solteiro com colchão de palha, uma pequena estante, uma tábua de passar roupas, e uns engradados de refrigerantes vazios. Havia uma lâmpada incandescente no centro da palhota.  Nas instalações de toda a base havia um gerador que funcionava diariamente até as 22:00 horas, no interior da casa dos médicos havia uma cozinha com fogão industrial e um banheiro, os quais eu poderia compartilhar com eles, bem como uma sala com sofá e um vídeo cassete que também estaria à disposição. É claro que eu não tive dúvidas em mudar pra lá.

Retornei às instalações da ONU terminei o expediente às 17:00 horas e fui informado que como eu era o mais descansado e recém chegado, aquela seria a minha primeira noite de serviço como Oficial de Dia pois, a cada noite um dos CIVPOL apesar de não trabalhar com arma de fogo, pernoitava no interior das barracas a fim de guardar os equipamentos rádio ali existentes, máquinas de datilografar, mesas, cadeiras, ventiladores, etc.

Após o jantar  fui para o local e seguindo as orientações, desliguei o gerador as 22:00 horas e amarrei os cantos da barraca principal onde eu iria ficar visando diminuir a entrada de ventos, fazia muito frio. Os rádios continuavam ligados por ação das baterias e se eu ouvisse alguma mensagem para “Zulo Bravo 7” eu deveria responder e transcrever no livro o que fosse transmitido.

Aquela noite também foi inesquecível pra mim que nunca havia passado por tanto frio antes, após desligar os geradores eu deitei em cima de uma mesa de formica sem tirar nenhuma peça de roupa, pelo contrário, eu estava de casaco e ainda me cobri com a mantinha  trazida do avião e coloquei minha balaclava pra esquentar a cabeça e ouvidos.

Naquela noite só consegui cochilar até as 02:00 horas pois, ficou insuportável continuar deitado na mesa, a qual por ser de fórmica absorvia bem a temperatura e caso  eu forrasse a mesa com a manta não teria nada para me cobrir, foram longas horas até que o dia amanhecesse, durante esse tempo eu fiquei no interior da barraca me movimentando pra lá e pra cá, envolto com a manta e de vez em quando saltitando pra me aquecer.

Para surpresa de meus colegas CIVPOL, no dia seguinte anunciei minha mudança. A partir de então novas experiências foram vivenciadas por mim que diariamente após as 22:00 horas e ter que ficar sem energia, passava a curtir momentos de solidão na palhota escura, tendo como  única distração ouvir músicas em um toca fitas Tojo portátil à pilhas, lembrando de casa enquanto olhava fotos de minha mulher sob a luz fraca de uma vela acesa.

À noite também era comum acordar com barulhos nas palhas que cobriam o teto da palhota, uma vez consegui identificar focando com a luz da lanterna e descobri que eram ratos que passavam pelos caibros, às vezes bem próximos da minha cabeça, nesse dia tomei um bom susto mas, só me restava dormir e torcer para que não caíssem em cima de mim.

Meu pior momento na palhota foi uma crise de cólica intestinal que senti no meio de uma das noites solitárias, eu não tinha como pedir por socorro, lembro que liguei a lanterna, vasculhei minha mala e encontrei um vidro com um resto de Buscopan vencido a ponto da tampa do vidro está com uma borra escorrendo e o vidro estar todo manchado mas, naquela altura era minha última esperança para aliviar o sofrimento, retirei a tampa e bebi sem água mesmo cerca de “um dedo” de remédio que ainda restava, adormeci uns trinta minutos depois e acordei sem dor na manhã seguinte.

Essas cólicas apareciam em mim de vez em quando ainda quando estava no Brasil mas, nunca havia sido diagnosticada a sua causa mas, em Moçambique, após esse fato ocorrer eu fui autorizado a ir até a capital Maputo em busca de atendimento médico e lá fui orientado por uma médica argentina a não mais “engolir sapos”, pois o que eu tive foi prisão de ventre causado por stress e eu deveria soltar minha raiva de alguma forma, eu até ri no momento mas, sabendo da causa de minhas cólicas, passei a lidar melhor com meus momentos de descontentamento e raiva e já faz vinte e três anos que não senti mais essas fortes dores estomacais.

 

Depois de alguns dias que eu estava morando em Morrumbala chegou após também ter sido designado para a mesma localidade, um Sargento da Guarda Civil Espanhola chamado JUAN RODRIGUES DELGADO o qual, havia sido enviado para Morrumbala para ser o meu “Canga” e parceiro de linguagem, afinal para os gringos Português e  Espanhol é tudo a mesma coisa e todas as demais nacionalidades com representatividade em Morrumbala estavam em duplas, menos o brasileiro.

Aconteceu com JUAN a mesma coisa que aconteceu comigo e ele me procurou desesperado pedindo apoio pois, não aguentava mais os “infieles”, palavra que ele usava para se referir aos muçulmanos que eram maioria no posto.

Depois de muito custo fui convencido por JUAN a desocupar uma edícula que havia nos fundos do terreno da casa onde os demais CIVPOL estavam residindo, o local era utilizado para armazenar o combustível para as viaturas e geradores das Nações Unidas, media cerca de 4 X 5 metros em paredes de alvenaria, cobertos por telha de zinco.

Depois de limparmos tudo, mudei para lá. O local passou a ser o lugar mais amplo e confortável dentre todas as instalações disponíveis e o melhor de tudo, separado dos demais CIVPOL. Obviamente com o tempo e sem desentendimentos e superando os choques culturais fizemos boas amizades com todos eles.

Dali em diante passaríamos a lidar com outras dificuldades, a alimentação era a maior delas, não dispúnhamos de energia, assim não tínhamos como manter nada gelado, muito menos congelado, não havia restaurantes em Morrumbala, tínhamos que comprar aves, matar e preparar, então combinamos que a cada dia, quem estivesse na folga ficaria responsável pela preparação da comida.

 

Compramos nossa primeira galinha, tratava-se de uma galinha que no Brasil chamam de Garnisé , muito pequena e musculosa, não sabíamos como depenar usando água quente então decidi ensinar ao espanhol JUAN como eu havia aprendido na época em que servi ao Exército e mostrei ao mesmo como descamisar uma ave.

Passamos então a fazer sempre do mesmo jeito, o problema é que a galinha garnisé é muito dura e cheia de cartilagens, a solução que encontramos foi deixar de molho no vinho branco, que vez por outra trazíamos de Quelimane,  deixávamos no vinho de um dia para o outro, isso amaciava  a carne e amenizava o problema.

Havíamos comprado também alguns ovos que alguns meninos passaram oferecendo mas, ao quebrarmos encontramos pintos quase prontos pra nascer ou então os ovos estavam podres.  Em Morrumbala havia muita escassez de comida, bastante miséria, muitas crianças nas ruas sem escolas, por lá as pessoas comiam até ratos, os quais eram comuns de serem encontrados a venda em tabuleiros nas calçadas.

A situação da alimentação só melhorou com a chegada em Mocuba, do COBRAMOZ (sigla em inglês para Contingente Brasileiro em Moçambique) , Mocuba era outra localidade que ficava entre Morrumbala e Quelimane  e como eu havia sido designado para receber o efetivo de brasileiros do COBRAMOZ na fronteira da província e guia-los até Mocuba, fiz amizades e sempre que podia eu passava por lá e pegava arroz e feijão com eles para poder cozinhar e comer um pouco melhor em Morrumbala.

Como não existiam restaurantes, durante as patrulhas minha alimentação era composta de bolachas Cream Cracker com sardinhas, no geral eu comia muito pouco e mal, o que me deixava bem desgastado  aparentemente, a ponto de no final da missão retornar ao Brasil nove quilos mais magro.

Em Moçambique havia três tipos de malária, além das duas que já conhecia de Rondônia, a Falciparum e a Vivax, existia outra muito temida e  conhecida por “Malária Cerebral”, hoje podemos comparar  a Malária Cerebral à Dengue hemorrágica, muito perigosa.

Todos os brasileiros que não viviam em regiões do Norte do Brasil morriam de medo de contrair Malária. Certa vez tive que pernoitar em Mocuba, nessa localidade haviam sido designados os Tenentes RICARDO e CHAGAS os quais, ao saberem que eu estava por lá me convidaram para dormir na casa deles.

Ao chegar lá, na hora de dormir, entrei no quarto do RICARDO e vi um colchão de casal envolto por um mosquiteiro, observei o RICARDO borrifar o interior do mosquiteiro com um veneno para mosquitos, passar repelente no corpo todo e se vestir com um abrigo esportivo de mangas longas, completando a vestimenta com um par de meias nos pés e outro nas mãos, só o rosto ficava de fora .

Nessa época já estávamos no verão e como não havia energia para ligar um ventilador, o calor era quase insuportável,  não sei como o RICARDO aguentava vestir tudo aquilo. No quarto dele havia um sofá com cobertura de napa, o qual após eu reclinar a parte de trás o mesmo se transformou numa cama larga, foi onde me deitei apenas de cuecas para dormir na ocasião, depois de muito reclamar do calor e insistir, o RICARDO me autorizou a abrir a janela dizendo que eu iria me arrepender pois, pegaria uma Malária.

No dia seguinte após aquela noite quente segui meu destino de volta a Morrumbala, dez dias depois recebi uma mensagem via Rádio do Tenente RICARDO, o qual, muito chateado me responsabilizou por ele ter adquirido uma malária que segundo o mesmo, só ocorreu porque eu havia dormido com a janela do quarto aberta, sendo que eu não havia adoecido, apenas ele. Apesar da situação de sofrimento de meu amigo, ri muito com seu raciocínio sobre o fato.

Estava chegando a data do Medal Parede, cerimônia de condecoração da Medalha das Nações Unidas e esta cerimônia seria conduzida em Mocuba, local onde todos os brasileiros a serem condecorados haviam sido autorizados a se deslocar a fim de participar da solenidade.

Nesse dia eu viajava de viatura para Mocuba, juntamente com o Tenente CHAGAS quando fomos chamados por populares à beira da estrada para socorrer duas crianças que haviam pego uma mina anti pessoal e teriam ido brincar com a mesma dentro de uma palhota,  causando sua detonação, devido a explosão as crianças ficaram gravemente feridas e com estilhaços espalhados pelo corpo.

Sem saber da localização do campo minado, no meio do caminho passamos pela área minada e chegamos até as crianças para conduzi-las até o COBRAMOZ, local onde havia médicos disponíveis, as crianças foram atendidas e medicadas.

Pela nossa participação no socorro às vítimas, recebemos elogios (LETTER OF APPRECIATION) da ONU e no Brasil fomos condecorados por bravura.

Após passar por péssimas condições de conforto, outro fato que causou grande preocupação a todos os CIVPOL em Morrumbala e  quase provocou um abandono geral do posto foi a notícia de uma infestação por Peste Bubônica numa cidade do Malawi mais próxima de Morrumbala, a qual ficava a 60 Km de onde estávamos porém, juntamente com JUAN que veio a tornar-se em um de meus melhores amigos, como dizíamos “quase irmãos”, convencemos aos egípcios e indianos a permanecerem na localidade.

Em outubro de 1994 ocorreram finalmente as eleições no país, na ocasião os CIVPOL participaram como Observadores Eleitorais Internacionais, deu tudo certo e Moçambique elegeu democraticamente seu Presidente.

Após mais três meses de sofrimento na missão, quando eu pensava que poderia ir em casa novamente, as licenças de afastamento foram suspensas, a ONU iria iniciar a retirada de todos os seus integrantes e encerrar a missão dali a vinte e cinco dias e não se justificava fazer concessões de liberações, foram os dias mais angustiantes que tivemos até que pudemos chegar em casa no dia 22 de dezembro de 1994, após sete meses de missão.

Após o término da missão ONUMOZ em dezembro de 1994, conclui que eu poderia ter sido melhor designado se na ocasião eu dominasse o idioma inglês e ao mesmo tempo percebi que o Inglês é uma língua fácil demais para aprender, assim sendo, decidi estudar o idioma e tentar outra missão de paz no futuro, essa oportunidade demorou nove anos para surgir novamente mas, eu conto na próxima oportunidade.

Pacha-2

Nada mais prazeroso profissionalmente do que poder representar bem seu país, seu Estado, sua Instituição, seu nome, tudo em prol da paz e da solidariedade. Sinto-me privilegiado e honrado por isso.

Força e Honra… Brasil!!!

 

NOTA DO SITE: Até o fim da década de 1990, a atual Polícia das Nações Unidas (United Nations Police – UNPOL) era denominado Civilian Police (CIVPOL). O termo é utilizado tanto para o indivíduo policial em missão de paz da ONU ou para o componente policial de uma missão multidimensional.

 

 

 

Published in: on agosto 13, 2017 at 2:15 am  Deixe um comentário  

Tenente PMESP Fernanda Nossa escreve sobre fé e o respeito à diversidade cultural e religiosa em Guiné-Bissau

“PKO 5

A Guiné Bissau é um exemplo em termos de liberdade religiosa, coexistência pacífica de credos e respeito à fé!

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Na mesma família há quem comemore o Natal e quem jejue no Ramadã, e isto é tão respeitado e tão disseminado na cultura local que católicos comemoram com festa o fim do Ramadã, animistas aplaudem Jesus Cristo e muçulmanos assistem a danças para divindades da natureza sem que um duvide da crença do outro, sem que outro imponha verdades a um e sem que dois ou três briguem…

E neste domingo, na primeira missa que meu senso individual de gratidão me fez assistir, foram vários os momentos em que me emocionei! O coral de crianças super afinado, os ritos preservados que discretamente o padre fez questão de manter e ensinar para seus fiéis e que os diferenciam de tantos e tantos por detalhes quase imperceptíveis como o fato de uma leitora da palavra esperar que a próxima se aproximasse dela para que juntas elas fizessem a saudação ao altar e só então assumissem seus novos locais na igreja, as palavras curiosas do português falado aqui do outro lado do Atlântico, os singelos mas sempre presentes instrumentos de percussão típicos da região que impõem às músicas uma atmosfera incontestável, poderosa e inconfundível de África, os vitrais discretos mas significativos de santos ao longo da igrejinha branca, a senhora de idade que professou intensamente sua fé a meu lado, o rapaz que estava no banco de trás e que me desejou a paz de Cristo com uma sinceridade que fazia tempo que não via no olhar de um desconhecido, o missionário mineiro que fez questão de vir nos conhecer ao fim da missa e que veio trabalhar no país em nome da igreja, as crianças, seus risos e cochichos curiosos sobre mim e meus amigos que tem o Brasil estampado na fuça, a delicadeza do terço que ganhei de presente de um comandante e grande amigo, o fato de eu saber que minha mãe também iria na missa lá no Brasil naquele dia e que de alguma forma nossos corações se encontrariam, tudo, simplesmente tudo me fez chorar…

E assim lacrimejei do início ao fim da missa, me juntei em oração pela transfiguração das pessoas, das cabeças dos políticos e das autoridades, para que enxerguem seu dever e atuem verdadeiramente pela sociedade bondosa desse país que tem um dos mais baixos IDH do mundo (172º colocado de 177 países) mas onde ninguém permite que um irmão acabe vivendo na rua ou morra de fome, no melhor exemplo de solidariedade que se pode imaginar… e como toda macumbeira que se preze senti arrepios, calafrios e ondas de energia que não pude conter e que me fizeram tremer de emoção ao perceber a força daquelas vozes unidas suplicando por paz e estabilidade e foi tão implacável este sentimento que imediatamente desejei o mesmo para o meu país…

Fechei meus olhos e agradeci profundamente tudo o que me aconteceu neste último mês e a grande oportunidade que o “Barba” me deu… confesso que são tantas coisas vividas de maneira tão intensa e significativa que ainda nem me dei conta que estou abrindo minha terceira semana de missão de paz, sem entender muito bem o meu papel no complexo contexto de ser “police adviser” ou conselheiro policial num Escritório Internacional Integrado para a Consolidação da Paz em um país pequenino, que conquistou com suor e sangue a liberdade há menos de 50 anos depois de séculos de colonialismo, que passou por diversas crises políticas e que tem atualmente a chance de que o presidente cumpra seu mandato por completo pela primeira vez!

Então me invadiu a certeza que não dá pra vir aqui fazer a diferença por propósito financeiro, por propósito pessoal, por propósito comercial ou por aventura… o único jeito de fazer valer a pena é realmente entender, de uma vez por todas, que o exercício da autoridade, seja ela política, familiar, educacional ou policial, decorre de um dos maiores mandamentos que o barba podia nos ter ensinado: o amor ao próximo! Se em Romanos 13 está escrito que toda autoridade vem de Deus, e que por este motivo, ela merece respeito e obediência, pois atua em nome dele, em algum lugar também está escrito que o governo existe para manter a ordem e a paz e que os governantes têm grande responsabilidade perante o “Barba”, pois devem fazer justiça e guiar o povo com sabedoria e cuidado e mais: que serão julgados de acordo com suas ações…

Então voltei a fazer a mistura de fé com ideologia que sempre acabo fazendo, voltei a enxergar um propósito divino no exercício do poder de polícia e voltei a acreditar que nunca, nunquinha, de jeito nenhum eu teria escolhido outra coisa pra fazer, nem em outra vida, nem em outro planeta…

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OBS:

Post publicado pela 1º Ten PMESP Fernanda Nossa em uma rede social. Autorizado para publicação neste site. Fernanda é conselheira policial (police adviser) em missão de paz da ONU em Guiné-Bissau. Atualmente, atua como ponto focal (focal point) da UNIOGBIS com a polícia local para o desempenho das atividades de polícia comunitária na “Model Police Station”, ou esquadra policial modelo, como chamam em Guiné-Bissau.

Published in: on agosto 9, 2017 at 7:41 am  Deixe um comentário  

Major da PMDF assume cargo no Departamento de Paz da ONU

Sérgio Carrera, major da Polícia Militar do Distrito Federal, pretende aproveitar ao máximo a experiência e abrir portas para o Brasil na área de segurança pública

Maria Isabel Felix *02/08/2017 19:30 – Atualizado em 02/08/2017 19:17
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Sérgio Carrera integrará a Divisão Policial do Escritório de Estado de Direito e Instituições de Segurança – Foto: Arquivo Pessoal

 

“O mundo é muito grande e não podemos fechar as portas para o vizinho”. É assim que Sérgio Carrera relembra as experiências que passou como promotor da paz. Recentemente, o major da Polícia Militar do Distrito Federal foi selecionado para integrar a Divisão Policial do Escritório de Estado de Direito e Instituições de Segurança (Orolsi) do Departamento de Operações de Paz, localizado na sede da ONU, em Nova York. É a primeira vez que um brasileiro consegue passar no longo e difícil processo seletivo para o cargo.

 

As atribuição são muitas. Em resumo, Sérgio deverá atuar com direitos e paz na área de segurança, sendo conselheiro de chefes das divisões policiais, fazendo a gestão administrativa relacionada a emprego policial em áreas de conflito, entre outras funções. Ansioso com a nova experiência como policial, o major pretende abrir portas para o Brasil. “Poderei ter várias experiências e trabalhar com propostas de paz. É uma oportunidade de trazer novidades em segurança pública para o país”, afirma Carrera.

A inspiração de trabalhar a fim de alcançar a paz vem desde cedo. “Meu pai foi promotor da paz na ONU. Me encantava o trabalho dele”, relembra. “Certa vez, ele foi para Moçambique no período de guerra no país. Curioso em saber como era a realidade dele, viajei para lá nas últimas férias”, relembra o major.

Com mais de 20 anos de serviço policial, Sérgio Carrera atuou na Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH) em 2007 e 2013, participou da equipe de negociação de reféns da PMDF e atuou como consultor internacional da ONU, além de fazer palestras em vários países sobre a promoção da paz.

Além da formação policial, Carrera é graduado em direito e relações internacionais, com mestrado em segurança e paz. Também é membro do corpo docente do Instituto Superior de Ciências Políticas. Desde maio de 2016, o major exercia a função de Comandante do Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur) da PMDF. Espera-se que Sérgio assuma o novo cargo na ONU dentro de pouco dias.

Matéria publicada no site do Jornal Correio Brasiliense, em 02 de agosto de 2017.

Clique aqui para a matéria no site.

Major Sérgio Carrera irá trabalhar no DPKO em Nova York

Matéria publicada no blog UN Police, do veterano Major RS Marco Antonio.

Veja matéria na íntegra aqui.

Foi com imensa satisfação que li a informação postada no facebook na última segunda-feira, na página “O Brasil e as Operações de Manutenção de Paz“, que o meu amigo e irmão de missão no Haiti, Major da Polícia Militar do Distrito Federal, Sérgio Carrera, foi selecionado para exercer uma função policial no Departamento de Operações de Paz da ONU (Department of Peacekeeping Operations – DPKO) em Nova York. Tive a oportunidade de trabalhar com o então 1º Tenente Carrera na Missão de Paz da ONU no Haiti (MINUSTAH) no segundo semestre de 2007, oportunidade em que moramos, juntamente com o Major Braga – PMPA – e o Capitão Freitas – BMRS – no mesmo apartamento em Porto Príncipe.

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O Major PMDF Sérgio Carrera é um Oficial extremamente capacitado para fazer história e se tornar o primeiro policial militar brasileiro a ocupar um cargo estratégico no Secretariado da ONU, em sua sede, na cidade de Nova York. No decorrer de pouco mais de vinte anos de serviço policial, o Major Sérgio Carrera possui uma trajetória de destaque e competência nas diversas unidades policiais em que trabalhou, quer sejam unidades operacionais de área, unidades especializadas, de ensino ou de gestão de pessoal, sendo membro do corpo docente do Instituto Superior de Ciências Policiais (ISCP) e membro da equipe de Negociação de Reféns da PMDF entre os anos de 2006 e 2012. Além da formação policial, o Major Sérgio Carrera possui duas outras graduações, em Direito e Relações internacionais, bem como concluiu com méritos o Mestrado em Ciência Política.

Sua experiência internacional também é vasta, pois é  consultor internacional de “Polícia e Direitos Humanos”, “Uso da Força Policial” e de “Policiamento Discriminatório/Preconceituoso” do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU em Genebra, na Suíça, bem como foi nomeado Consultor Internacional do Alto Comissariado em uma missão de 90 dias na Papua Nova Guiné, em 2015, para a implantação do projeto de Direitos Humanos na Polícia Nacional daquele país. Foi instrutor de cursos UNPOC na Suécia, Noruega e no Brasil, onde foi um dos idealizadores do curso UNPOC promovido pela PMDF. Na foto abaixo, durante a cerimônia de encerramento do curso UNPOC na Suécia.

É instrutor/docente/consultor em vários países, dentre os quais a Suécia, Noruega, Canadá, China, Argentina, Chile, Uruguai e Haiti. Também participou em várias oportunidades como Instrutor convidado do Estágio Preparatório para Missões de Paz do Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil – CCOPAB – no Rio de Janeiro.

O Major Sérgio Carrera participou de duas Missões de Paz da ONU no Haiti , sendo a primeira em 2007, como já mencionei, e a segunda em 2013. Na foto a seguir o Oficial aparece recebendo a Medalha “In The Service Of  Peace” em Porto Príncipe em outubro de 2007.

… o Major Carrera, que exerceu, entre outras, a função de Coordenador e Instrutor do Advanced Training da Seção de Desenvolvimento de Recursos Humanos (Human Resources Development Unit – HRDU),  aparece conduzindo avaliação em policiais internacionais em sua segunda passagem pelo Haiti em 2013.

Ainda dentro do tema Missões de Paz, o Major Sérgio Carrera é autor do livro “A Serviço da Paz: relatos de policiais militares em missões de paz. Volume I – África”, além de ser autor de vários artigos relacionados ao serviço policial nas missões de paz, ser palestrante, orientador e ministrar aulas sobre temas de polícia, direitos humanos, segurança e paz internacionais.
Atualmente, desde o mês de maio de 2016, exerce a função de Comandante do Batalhão de Policiamento turístico (BPTur) da PMDF.

O processo seletivo para os cargos na ONU é longo e extremamente difícil, pois, por exemplo, para os cargos de secondment(cargos de nível profissional P) em missões de terreno ou em sedes da ONU, todos os estados-membros são convidados a indicar 1 ou 2 policiais para cada cargo ofertado e, atualmente, a ONU conta com 193 países membros.
No Brasil, além disso, o processo ainda ganha outro componente decisivo que pode ser na verdade um complicador, visto que somos polícias estaduais e dependemos do aval também do Governador de nosso Estado para participar dos certames. Nesse aspecto o Major Sérgio Carrera teve, desde o início, o total apoio do  Comandante-Geral da PMDF e do Governo do Distrito Federal – GDF, através da Casa Militar do GDF, visto que nos últimos 3 anos, sempre que as oportunidades surgiram, o Oficial foi indicado e concorreu a outros dois cargos estratégicos no HQ da ONU em Nova York, não obtendo êxito total esperado, pois seguiu nestes dois certames até a penúltima fase (prova discursiva online), não sendo escolhido a integrar a short-list da última etapa.
Já no terceiro processo seletivo, iniciado em maio de 2016, no qual o Comandante-Geral da PMDF, com o aval do Governo do DF, indicou o Major Sérgio Carrera para concorrer a um cargo estratégico na Divisão Policial do Escritório de Estado de Direito e Instituições de Segurança (OROLSI) do Departamento de Manutenção de Operações de Paz (DPKO), localizado na sede da ONU em Nova York, o desfecho foi diferente. Pois o referido Oficial foi selecionado para a short-list em novembro de 2016 e participou da última fase da seleção: um painel composto por 4 entrevistadores, com duração aproximada de 40 minutos, no qual foram feitas perguntas que abrangiam o conhecimento macro sobre conceitos, princípios, valores, e o  sistema ONU, entre outros, além de questionamentos mais específicos do cargo ao qual o Major Sérgio Carrera estava se candidatando. Detalhe: essa última fase foi conduzida nos idiomas inglês e francês.
Para a grata satisfação de todos os amigos e familiares que estavam torcendo pelo sucesso do Carrera, em fevereiro deste ano, o Chefe da OROLSI informou através de ofício ao Embaixador do Brasil junto a ONU, Sr. Mauro Vieira, a confirmação da aprovação do Major PMDF Sérgio Carrera para o cargo de Police Officer, nível P/3. Vencidos os procedimentos burocráticos de praxe, o Oficial deverá assumir suas funções nos próximos dias.
A Polícia Militar do Distrito Federal, através do seu Comandante Geral, e o Governo do Distrito Federal, através da Casa Militar, estão de parabéns por novamente assumirem a posição de protagonismo e destaque no âmbito das Policias Militares brasileiras no tema Missões de Paz e participação policial nas Missões da ONU. Bem como a Missão Permanente do Brasil junto a ONU, em especial o Embaixador Mauro Vieira, por acreditarem no potencial dos policiais brasileiros em bem representar nosso país em tão importante cargo junto às Nações unidas!

*Resumo sobre o cargo:
Atuar como Conselheiro e dar o necessário apoio à Divisão Policial em questões relacionadas ao componente policial nas operações de manutenção de paz. Assegurar a adesão dos policiais em missão no terreno ao fiel cumprimento das tarefas previstas em seu mandato; Aconselhar e orientar o componente policial em suas atividades; avaliar e analisar o progresso dos componentes policiais; e, comprometer-se com todas as outras tarefas necessárias para assegurar a adequada administração e documentação de questões relacionadas com o efetivo policial em missões de campo. Aconselhar e orientar as missões de campo em questões de orçamento; atuar como principal ponto focal entre o Quartel-General em NYC e os componentes policiais em missões de campo em questões de administração e coordenação; conduzir a avaliação inicial relacionada à preparação dos planos operacionais para o componente policial nas missões de manutenção de paz; Aconselhar na preparação dos Conceitos de operação policial; Participar na preparação do plano de contingências para o efetivo policial nas missões em andamento, em fase de redução de efetivo e na prospecção de futuras missões; e, preparar materiais com antecedentes, notas informativas  e questões de estudo sobre temas relacionados com manutenção de paz. Trabalhar em estreita coordenação com  o Gabinete de Assunto Militares,  com as Representações dos Estados Membros, com o Gabinete de Operações (especialmente as equipes de Operações integradas), com o Departamento de Apoio às missões de Campo (DFS) e outros gabinetes/escritórios do Secretariado e das agências da ONU.

 

 

Published in: on agosto 9, 2017 at 6:42 am  Deixe um comentário  

Policiais militares femininas no Sudão do Sul

Após os meses iniciais na Missão de Paz da ONU no Sudão do Sul, as Capitão Fernanda (Polícia Militar do Estado de São Paulo – PMESP) e a Capitão Emmy (Polícia Militar do Maranhão – PMMA) desempenham suas funções no país africano.

Emmy SS

A Capitão Emmy trabalha na capital Juba, no Escritório do Comissário (Police Commissioner) da Polícia (Police Commissioner – Chefe do Componente Policial da Missão –  UNPOL), como Ajudante de Ordens do Comissãrio – Protocol Officer do Police Commissioner.

Fernanda SS

A Cap Fernanda desempenha funções de Conselheira Policial (police advisor) na Seção de Proteção de Civis (Protection of Civilians) também em Juba.

Fernanda SS 2

Sucesso as nossas únicas representantes policiais militares no Sudão do Sul.

Feliz Dia dos Peacekeepers!

Published in: on maio 29, 2017 at 2:14 am  Deixe um comentário  

CROCS RECIFE APOIA PROJETO SOCIAL NA ÁFRICA

O dia 7 de abril é a data de celebração do Dia da Mulher Moçambicana, aniversário do falecimento da Sra. Josina Machel, segunda esposa de Samora Machel, primeiro presidente do país. Josina é considerada uma heroína em Moçambique por ter lutado muito pelos direitos das mulheres.

O JOCUM em Maputo desenvolve belíssimos projetos dentro das comunidades moçambicanas e aproveitando essa data tão importante, a loja da CROCS Recife fez uma doação de mais de 100 pares de calçados que foram doados a mulheres e crianças carentes que receberam com muita alegria e sorriso no rosto.

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Moçambique é um país que foi assolado por conflitos armados durante décadas os quais ceifaram muitas vidas. Um total de 67 policiais militares brasileiros participou da Missão de Paz da ONU (ONUMOZ) no país africano e ajudaram no processo de consolidação da paz na década de 1990.

Um agradecimento mais que especial aos missionários Jorge e Iranice da Igreja Verbo da Vida pelo constante suporte aos vários projetos sociais e humanitários em Moçambique e o apoio irrestrito à CROCS Recife ao levarem a doação para esse povo tão sofrido, mas que amam os brasileiros e nunca deixam o sorriso de lado.

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Sem dúvida que essas poucas 100 mulheres e crianças carentes saberão dar um valor inestimável somente por tirar seus pés do chão ao ter o que calçar.

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Singelos atos que mudam rotinas e vidas de pessoas muito mais necessitadas.

Obrigado a CROCS Recife, a Igreja Verbo da Vida e ao JOCUM em Moçambique.

 

IGREJA VERBO DA VIDA: http://verbodavida.com/brasilia/conheca/quem-somos/

JOCUM – www.jocum.org.br.

CROCS Recife: http://www.shoppingrecife.com.br/loja/crocs

CROCS Brasil: https://www.crocs.com.br/

 

Published in: on abril 11, 2017 at 1:59 am  Deixe um comentário  

Policiais militares femininas iniciam treinamento em Uganda para Missão de Paz no Sudão do Sul

No dia 5 de março de 2017, na base da ONU em Entebbe/Uganda, teve início o Induction Training para a Capitão Fernanda, da Polícia Militar do Estado de São Paulo – PMESP, e Capitão Emmy da Polícia Militar do Maranhão – PMMA.

A  Capitão Fernanda foi selecionada no processo seletivo de março de 2016 que ocorreu em Recife, e a Capitão Emmy em agosto de 2014 na cidade de Manaus.

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Foto: Capitão Emmy e Capitão Fernanda.

As duas oficiais foram selecionadas para UNMISS (Sudão do Sul) e estão em sua primeira missão de paz.

Sucesso as novas boinas azul UNPOL e únicas policiais femininas brasileiras atualmente em missões da ONU, após um bom período.

 

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Capitão PMESP Fernanda em Entebbe.

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Capitão PMMA Emmy no Induction Training em Uganda.

 

Published in: on março 8, 2017 at 2:56 pm  Deixe um comentário  

Promoção venda do livro “A SERVIÇO DA PAZ: África”

O livro “A SERVIÇO DA PAZ: Relatos de Policiais Militares Brasileiros em Missões de Paz da ONU (Série Missões de Paz: ÁFRICA 1)” traz uma coletânea de histórias reais de situações vividas por policiais militares brasileiros quando integrando os contingentes policiais da Organização das Nações Unidas em suas Missões de Paz.

Os relatos tornam-se uma oportunidade importante de se fazer um registro histórico da participação policial militar brasileira em regiões em conflito ou pós-conflito. As narrativas contam as diversas situações e obstáculos que os profissionais tiveram que transpor em meio às precárias condições de trabalho, desde as suas chegadas às áreas das missões até o retorno ao Brasil.

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Os relatos levarão o leitor às realidades vividas por policiais enquanto representantes do Brasil sob a égide das Nações Unidas, onde ajudaram a promover os direitos humanos e garantir a paz e segurança internacional ao redor do mundo. Este primeiro volume da série centra-se nas cinco Missões de Paz no continente africano onde o Brasil se fez presente com efetivos policiais, desde a primeira participação em 1991 em (1) Angola, passando por (2) Moçambique, (3) Sudão, (4) Guiné-Bissau e até o mais jovem país do mundo, o (5) Sudão do Sul.

O livro está a venda on-line em sites de livrarias (Saraiva e Editora Biografia) e comigo, no valor promocional de R$ 30 + frete (menos DF) e deverá ser transferido ou depositado em conta corrente do Banco BRADESCO (Ag. 6130, cc 43-4). Comprovante com os dados para remessa devem ser enviados para missoesdepaz@gmail.com.  

Como se trata de uma produção independente, agradecemos muito a divulgação.

Tivemos alguns problemas nos últimos meses, mas agora as remessas estão funcionando plenamente.

Grande Abraço,

Sérgio Carrera

Published in: on fevereiro 23, 2017 at 11:58 pm  Deixe um comentário  

ONU solicita policiais militares para integrar Missão de Paz na Libéria

A ONU solicitou a indicação,até 17 de julho de 2016, de candidatos policiais militares para a UNMIL.

Idioma: inglês. 

 

Published in: on junho 30, 2016 at 11:11 pm  Deixe um comentário  

Get Ready: Syria Will Need Peacekeepers

The most recent tragic attacks in Brussels as well as the thousands of Syrian immigrants that continue to arrive in Europe underscore the need for an improved strategy in Syria. Defeating ISIS in Syria is crucial to the broader struggle against this brutal group that still draws many recruits from a vague argument that it is somehow “winning” its broader fight against the West. Relying on Assad and Putin will not, of course, work. The recent success of the Syrian army in Palmyra, while not intrinsically unwelcome, could further inflame passions of Sunnis against a regime that most see as itself virtually genocidal, and wind up doing little net good.
One key to a serious Syria strategy is recognizing that an international peacekeeping force will almost surely be needed someday, in order to uphold any peace deal that eventually emerges. A demonstration of willingness to deploy such a force may, in fact, improve the chances of peace, while making the international community and the parties to the conflict more realistic about what kind of peace is possible—and what kinds of other steps, including greater Western military aid for the moderate opposition, will also be needed to effect peace.

Understanding how civil wars end and the factors that spark their recurrence is one of the bright spots of political science, an academic discipline often derided by policy practitioners as too arcane and abstract to be of much practical use. Happily, that is not the case for this subject. Employing a blend of methods—sophisticated statistical analyses of many past wars, case studies informed by field research, interaction with policymakers who wrestled with specific conflicts over the years—researchers including Nicholas Sambanis at Yale, Michael Doyle and Page Fortna at Columbia, Barbara Walter at the University of California at San Diego, Stephen Stedman at Stanford and a number of others have advanced our knowledge in ways that speak directly to the current situation with Syria. Yes, there are differences in their arguments, but there are also key common threads that can guide policymakers as they seek a way out of the current morass. Among the key insights are the following:

Wars with high casualties, ethnic or sectarian components, and multiple actors are particularly hard to stop. Syria, of course, suffers from all three afflictions.

Tactical and very often short-term alliances between and among rival warring factions can contribute to failed peace efforts and occasion war’s relapse; Syria, again, includes such shape-shifting coalitions….

The remainder of this commentary is available on nationalinterest.org.

Published in: on abril 13, 2016 at 11:37 pm  Deixe um comentário  

Livro A SERVIÇO DA PAZ

O livro “A SERVIÇO DA PAZ: Relatos de Policiais Militares Brasileiros em Missões de Paz da ONU (Série Missões de Paz: ÁFRICA 1)” encontra-se atualmente em edição na Editora Biografia e com previsão para publicação no início de maio.
A SERVIÇO DA PAZ traz uma coletânea de histórias reais de situações vividas por policiais militares brasileiros quando integrando os contingentes policiais da Organização das Nações Unidas em suas Missões de Paz. Os relatos tornam-se uma oportunidade importante de se fazer um registro histórico da participação policial militar brasileira em regiões em conflito ou pós-conflito. As narrativas contam as diversas situações e obstáculos que os profissionais tiveram que transpor em meio às precárias condições de trabalho, desde as suas chegadas às áreas das missões até o retorno ao Brasil. Os relatos levarão o leitor às realidades vividas por policiais enquanto representantes do Brasil sob a égide das Nações Unidas, onde ajudaram a promover os direitos humanos e garantir a paz e segurança internacional ao redor do mundo.
Este primeiro volume da série centra-se nas cinco Missões de Paz no continente africano onde o Brasil se fez presente com efetivos policiais, desde a primeira participação em 1991 em (1) Angola, passando por (2) Moçambique, (3) Sudão, (4) Guiné-Bissau e até o mais jovem país do mundo, o (5) Sudão do Sul.

Visto que se trata de uma produção independente, a venda antecipada é uma estratégia para que possam ser realizados os pagamentos das despesas da produção.

Aos interessados, o valor do livro em venda antecipada é de R$ 35 + frete e deverá ser transferido ou depositado em conta corrente do Banco do Brasil (Ag. 1223-8, cc 35.040-0) e o comprovante enviado para missoesdepaz@gmail.com

Agradecemos a divulgação e o apoio.

  
 
 

Published in: on abril 7, 2016 at 2:17 pm  Deixe um comentário  

Algumas considerações sobre o regime de secondment para policiais da ONU

Secondment

A contratação de um servidor policial ou militar de um estado-membro da Organização das Nações Unidas (ONU) dar-se pelo regime de secondment.

No caso de policiais, os países indicam à ONU os candidatos, que devem ser voluntários, para participar de processo seletivo de acordo com as vagas ofertadas. Na seleção, os candidatos irão concorrer com policiais de outras nacionalidades e após análise curricular, os 3 mais capacitados passam para um short list. Concluídas as provas escritas, a próxima e última fase antes da escolha será uma banca para aferir a capacidade em exame oral. As indicações não garantem vaga para os países, mas apenas a possibilidade de participar do certame. Os processos duram em média um ano para serem concluídos (isso dependerá da necessidade).

Além do contido na documentação, é de conhecimento que lobby político-diplomático interfere diretamente, ou indiretamente, nas escolhas dos candidatos. Como o Brasil não é estrategicamente “de peso” no contexto policial no sistema ONU, com recursos financeiros ou de efetivos policiais, dificilmente receberá cargos importantes, salvo se houver interesse do governo, como foi no caso da Guiné-Bissau em 2010.

O fluxo básico da documentação: PM – IGPM/COTER/EB – Ministério da Defesa (MD) – Divisão de Missão de Paz – DPAZ/MRE – Missão Permanente do Brasil junto a ONU/MRE – DPKO/ONU.

Assim, o fluxo inverso será feito e o policial terá mandato inicial de 2 anos, com possibilidade de renovação por mais 2 anos, havendo por fim a contratação do servidor brasileiro pela ONU.

 

Das habilidades e competências: distinção entre policiais e militares

 

No caso do Brasil, os estados federados indicam os nomes, de acordo com as especificidades dos job descriptions e de requisitos estabelecidos pelo Exército. Dentre esses critérios criados pelo Exército estão: a) a obrigatoriedade de habilitação em processo seletivo conduzidos 2 vezes ao ano (um por semestre – tem validade de 18 meses); e, b) grau hierárquico idêntico ao utilizado nas FFAA.

Cabe a cada Unidade Federativa (Governo ou Corporação PM) indicar candidatos, voluntários, para concorrer a uma das vagas ofertadas, os quais deverão constar no banco de habilitados da Inspetoria-Geral (IGPM) do COTER/Exército Brasileiro (somente as Polícias Militares que possuem oficiais habilitados são contatadas).

Interessante que policiais militares que nunca participaram de missões da ONU mas que estejam habilitados pelo Exército são considerados “aptos” para indicação. Mesmo não existindo vedação, é por certo muitíssimo improvável que policiais sem experiência prévia sejam selecionados. Da mesma forma, profissionais que não estão concorrendo a vagas de UNPOLs, mas que teriam capacidade e interesse em concorrer a vagas de secondment, ficam vetados de participarem dos processos seletivos. Poderiam aqui ser considerados outros critérios para indicação de policiais para secondment, normalmente aqueles com mais tempo de serviço e experiência internacional.

O Exército brasileiro define as equivalências dos níveis profissionais (“P”) da ONU com as patentes hierárquicas:

– P/5 = Coronel;

– P/4 = Tenente-Coronel e Coronel;

– P/3 = Major e Tenente-Coronel;

– P/2 = Capitão.

Essas definições vêm normalmente estabelecidas pela Aditância Militar na Delegação Brasileira junto a ONU.

A lógica utilizada pelas Forças Armadas para equivalência dos níveis profissionais (“P”) da ONU reflete a realidade militar, visto que as vagas destinadas aos militares são especificamente para as patentes. Ex: Chefe de Operações = Tenente-Coronel, P/4.

Tal entendimento não se aplica necessariamente a polícia das Nações Unidas. Para contextualização, os componentes policiais de missões de paz são no rank, sem patente. Assim, quando um policial chega a uma área de missão, a administração não considera essencialmente o seu posto/graduação, mas sim as habilidades curriculares e experiência profissional. Da mesma forma, para os cargos de secondment, mesmo se levando em conta a patente no país de origem, esse fator não é decisivo, em particular, por haver inúmeras nomenclaturas diferentes nas agências policiais pelo mundo, o que se difere inteiramente dos militares das Forças Armadas. Ser sargento ou major de polícia varia de país para país, de departamento policial para departamento policial… vale muito mais as capacidades do que as patentes. Por tal motivo, em missões da ONU pode facilmente ter sargentos comandando coronéis policiais. Isso não se encontra no meio militar.

Ressalto que muitos job descriptions para cargos de secondment definem patentes ou cargos semelhantes. Todavia, como supramencionado, é muitíssimo complicado utilizar da ideia de “patente” e não de experiência e cargos ocupados durante a carreira.

Vincular os níveis P da ONU com as patentes policiais militares brasileiras, aos moldes das Forças Armadas, não atende necessariamente a demanda. É de conhecimento que as estruturas estaduais carecem de políticas de promoção razoáveis. Exemplo disso é que se pode encontrar um capitão com 25 anos de serviço em determinado estado, enquanto que em outro com menos de 20 anos já se atinge os postos mais elevados da hierarquia. Em alguns locais, permanecem 4 anos como oficiais subalternos enquanto que em outros ficam mais de 10 anos. Não há como se medir o nível de competência somente considerando a patente. Um capitão pode ter não apenas mais tempo de serviço como mais habilidades profissionais e pessoais que um “superior hierárquico”.

Na polícia da ONU a hierarquia é definida pela ocupação de cargos. Ela é funcional.

 

Policiais: especialistas civis

Convém ressaltar que as formas de organização das instituições policiais dos países-membros da ONU não interferem no sistema UNPOL/ONU. Para a ONU, os policiais são “especialistas civis” e não militares, mesmo que o sejam em seus países. Em missões multidisciplinares, os policiais não tem subordinação a militares. Os componentes policiais (UNPOL) e militares (MIL) possuem estruturas e comandos distintos, o Comissário da Polícia (Police Commissioner) e o Comandante da Força (Force Commander), respectivamente, sendo ambos subordinados a funcionários civis de carreira da ONU.

 

Legislação sobre regras de contratação, pagamento e benefícios

Com o objetivo de haver uma maior isonomia no âmbito da ONU, para evitar que 2 policiais que ocupem os mesmo cargos recebessem salários muito destoantes, uma norma da ONU estabelece que aqueles contratados “secondment” passem a “ compor os quadros de pessoal da ONU em regime temporário”, não devendo portanto os estados de origem continuar pagando salários a esses funcionários.

Há que se diferenciar o pagamento de salários com a perda de benefícios que a atual interpretação documental enviada às Polícias Militares sugere.

Quando os documentos encaminhados às corporações PM definem que os candidatos selecionados como contratados pela ONU não poderão ter ligação funcional nem financeira com o Governo Estadual/Brasileiro, induz-se que os policiais militares deverão entrar em gozo de licenças e afastamentos com outros fins para poder passar a disposição da ONU. Essa tem sido a orientação e a interpretação.

Ora, se o Estado-brasileiro indica oficialmente um servidor público para integrar missões internacionais, como poderia esse servidor ter prejuízos pessoais e profissionais ao entrar, como já proposto, com afastamentos com perda de contagem de tempo de serviço, direito à previdência (pensão militar), promoções e todos os demais direitos que lhe são conferidos? (Exemplos: Licenças para Tratar de Assuntos Pessoais – onde o policial perde todos os direitos existentes, inclusive salariais). Ou deveria o policial entrar com Licença Especial?

A lei no 10.937, de 12 de agosto de 2004, que trata “Do Exercício de Cargos de Natureza Militar Junto a Organismos Internacionais”, em seu Artigo 10 omite a figura dos militares estaduais, garantindo benefícios apenas aos militares das Forças Armadas:

 

Art. 10.

Parágrafo único.  A agregação do militar enquadrado na situação acima dar-se-á com a suspensão temporária do direito à remuneração mensal e aos demais direitos remuneratórios devidos pela União (grifo próprio).

O Artigo 11 do referido dispositivo legal estabelece que “será de responsabilidade do militar” o recolhimento dos descontos previstos.

O Artigo 12 da lei federal “As disposições desta Lei aplicam-se, no que couber, aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, quando integrantes de força multinacional nas operações de paz”.

O “§ 5o do Artigo 1o da Lei nº 5.809 (de 10 de outubro de 1972):

A tropa brasileira em missão de paz, definida como sendo os militares das Forças Armadas e os militares dos Estados, Distrito Federal e dos Territórios integrantes de contingente armado de força multinacional empregado em operações de paz, reunidos em módulo de emprego operacional, com comando único, empregada no exterior, em cumprimento de compromissos assumidos pelo Brasil como membro de organismo internacional ou em virtude de tratados, convenções, acordos, resoluções de consulta, planos de defesa, ou quaisquer outros entendimentos diplomáticos ou militares, autorizados pelo Congresso Nacional, terá sua remuneração fixada em legislação específica.” (NR)

 

Portanto, no caso de secondment, o contratado deixa de receber seu salário da fonte pagadora, exceção feita ao recolhimento de descontos para fins de reserva (aposentadoria). Assim como os militares das Forças Armadas, os policiais militares não devem ter prejuízos de contagem de tempo de serviço, promoção, reserva e outros mais por servir ao país e às Nações Unidas, o que inclusive vai contra políticas da Organização.

Não há o que se propor, ou aceitar, o gozo de afastamentos para poder haver uma indicação do Brasil junto à ONU. Como poderia um funcionário público ser indicado oficialmente pelo estado brasileiro e ter que afastar-se totalmente do serviço?

Cabe neste caso, imputar responsabilidade a quem cerceia os direitos dos policiais. Não ter vínculo com a instituição de origem, funcional e financeiro, significa atender a essas demandas da ONU e não acarretar prejuízos irreparáveis na carreira dos policiais, devendo ao estado brasileiro corrigir tais incoerências.

Considerando que o cargo de secondment não se trata de “tropa” (lei no 10.937), visto que tropa policial aplica-se para os casos de Unidades de Manutenção da Ordem, Formed Police Unit-FPU,  e que o conceito de força multinacional (§ 5o do Artigo 1o da Lei nº5.809) é amplo, algumas possibilidades para resolver esse “gargalo” que se estende por anos:

  1. Permitir uma interpretação mais ampla para que se aplique a presente lei federal aos militares estaduais e do Distrito Federal, conforme prevê o Artigo 12 (existe também um parecer da Auditoria da PMDF que se posiciona nesse sentido).
  2. Promover inclusão dos militares estaduais e do Distrito Federal na Lei no
  3. Reavaliação dos critérios estabelecidos internamente, devendo se levar em consideração as habilidades e capacidades dos candidatos.
  4. Reavaliar a classificação de níveis profissionais “P” da ONU para as policiais militares.

Mesmo existindo previsão legal para afastamentos em alguns estados brasileiros, deve ser de interesse do governo federal a publicação de normativo jurídico que garanta aos policiais militares brasileiros os direitos que lhe são devidos ao serem indicados e representarem o Brasil no nível de gestão da ONU.

Se há interesse da União e de seus órgãos em estimular uma maior participação de UNPOLs no sistema ONU, cabe promover uma regulamentação em nível nacional, respeitando o sistema federativo brasileiro.

A título de argumentação e considerando a crise econômica como fator que impede a cessão de efetivos policiais, destaca-se que no regime de secondment, o estado deixa de pagar os vencimentos (exceção feita ao recolhimento relativos à previdência). Assim, há não apenas economia ao erário como um investimento nos recursos humanos que retornarão com uma bagagem profissional mais elevada, sem contar com o caráter humanitário, de alinhamento com o governo federal e de promoção da paz e segurança internacional.

Até hoje, somente um policial militar brasileiro assumiu cargo em regime de secondment, um coronel da PMDF na missão política DPA na Guiné-Bissau (2010).

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Published in: on abril 4, 2016 at 2:05 am  Deixe um comentário  

Medalha Sergio Vieira de Mello

Em homenagem aos trabalhadores humanitários, que dedicam suas vidas a pessoas em necessidade, foi instituída a Medalha Sergio Vieira de Mello, cuja outorga se realiza durante as celebrações do Dia Mundial do Trabalhador Humanitário, em 19 de agosto de cada ano.

A distinção, que homenageia o legado desse ilustre brasileiro, é concedida, inclusive a título póstumo, às pessoas naturais ou jurídicas que tenham prestado serviços de excepcional relevância na área do direito internacional humanitário, da assistência humanitária e da promoção da paz e dos direitos humanos.

Saiba mais sobre os critérios para outorga da medalha e como submeter propostas de nomes a serem agraciados: goo.gl/qkmXs5

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Fonte: Ministério das Relações Exteriores.

Published in: on abril 4, 2016 at 1:08 am  Deixe um comentário  

DPKO abre vagas para policiais militares

Estão abertas candidaturas de oficiais superiores PM para vagas de secondment junto  Departament of Peacekeeping Operation (DPKO), na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque/EUA. Os contratos são de 2 anos, renováveis por mais dois.

Ressalta-se que as indicações não garantem vagas, mas apenas a participação em processo seletivo juntamente com policiais de outros estados-membros da ONU. Após análise dos currículos, os aprovados passam a um short list, com provas escritas e posteriormente, uma banca afere a capacidade oral, resultando na seleção. O processo dura em média 1 ano para ser concluído.

As indicações aos cargos abaixo relacionados deverão ser realizados pelos estados ao COTER até o último dia do mês de março. Os critérios são definidos pelos job descriptions e outros feitos pelo Exército Brasileiro:

– 01 (uma) vaga para Senior Police Liaison Officer (Nível P/5), Posto: Coronel PM.

– 01 (uma) vaga para Training Advisor (Nível P/4), Posto: Tenente-Coronel e Coronel PM.

– 02 (duas) vagas para Training Advisor (Nível P/4), Posto: Tenente-Coronel e Coronel PM.

– 01 (uma) vaga para Police Selection and Recruitment Officer (Nível P/4), Posto: Tenente-Coronel e Coronel PM.

– 01 (uma) vaga para Police Liaison Officer (Nível P/4), Posto: Tenente-Coronel e Coronel PM.

– 02 (duas) vaga para Police Officer (Nível P/3), Posto: Major e Tenente-Coronel PM.

– 01 (uma) vaga para Police Selection Recruitment Officer (Nível P/3), Posto: Major e Tenente-Coronel PM.

Published in: on março 16, 2016 at 12:55 am  Deixe um comentário  

Efetivo policial em missões da ONU

  

Published in: on março 14, 2016 at 2:50 am  Deixe um comentário  

Brasil não contribui com policiais femininas em missões da ONU

Segundo a ONU, atualmente o Brasil não contribui com nenhuma policial feminina. 

Uma oficial aguarda embarque para a África. A já pequena participação policial feminina foi agravada com a interrupção em ceder efetivos pela PMDF, desde dezembro de 2014. 

  

Published in: on março 14, 2016 at 2:47 am  Deixe um comentário  

O Brasil deixará o comando do componente miliar da MINUSTAH

Após 12 anos comandando a Força Militar da MINUSTAH, desde a criação da missão em 2004, o Brasil deixará de ocupar o cargo de Force Commander (Comandante da Força). Segundo o Le Nouvelliste, o Canadá passará a liderar as forças armadas a disposição da ONU no Haiti.

 

Published in: on março 13, 2016 at 6:07 pm  Deixe um comentário  

Processso de Gestão de UNPOL: Bangladesh

Bangladesh

A Polícia de Bangladesh iniciou sua participação em Missões de Paz em 1989, no Grupo de Assistência de Transição das Nações Unidas (United Nations Transition Assistance Group – UNTAG) na Namíbia e desde então, tem feito parte de praticamente todas as Missões. De acordo com os dados disponíveis no site oficial da Polícia Bangladesh, até 20 de abril de 2010, o país enviou cerca de 6400 policiais nas operações de paz e conta com aproximadamente 1500 policiais em seriço atualmente.

Após a implementação das Tropas de Choque (FPU) nos componente policiais nas Missões de Paz em 1999, o Governo do país percebeu a oportunidade de enviar uma maior quantidade de policiais para trabalhar sob a égide das Nações Unidas. Atualmente, a plena maioria dos policiais do país compoem as FPU em várias Missões, como no Timor Leste, Congo, Costa do Marfim e Darfur (Sudão) e estão, inclusive, na preparação e desdobramento de um contingente FPU composto somente por policiais femininas.

Policiais de Bangladesh tem trabalhado não apenas no terreno, mas no Departamento de Operações de Manutenção de Paz da ONU (DPKO) e em funções de destaque:

Bangladeshi police officers worked as the Chief of Staff, Chief of Community Policing, Chief of Logistics, Sector Commanders, Team site Leaders, Public Relations Officers, Training Officers, Gender and Child Protection Officers, etc. Bangladeshi police officers are also working in various permanent posts in the UN Head Quarters. Recently, a Bangladeshi police officer is working as the police coordinator of the UN Secretary General in the Afghanistan mission. (RAZA, 2010)

Os policiais são submetidos a um curso de duas semanas, onde terão noções básicas sobre geografia, política, cultura e história geral do local onde irão trabalhar, policiamento em ambiente internaiconal, direitos humanos, proteção às minorias e gênero e policiamento comunitário, segurança pessoal, a mediação entre os beligerantes facções ou grupos organizados e resgate de reféns, sendo treinados pelos policiais mais conceituados do país e de outros países e seguem o previsto no Manual da ONU para UNPOL em relação aos pré-requisitos, tais como tempo de serviço  e sem antecedentes criminais. O país está entre os Estados-membros da ONU que mais contribuem com policiais (RAZA, 2010).

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Published in: on março 9, 2016 at 3:45 am  Deixe um comentário  

Does anyone know what good peacebuilding looks like?

Fonte: Institute for Security Studies – ISS.

On 16 February, the world bid farewell to former United Nation’s (UN) secretary-general Boutros Boutros-Ghali when he passed away at a Cairo hospital. Boutros-Ghali is often remembered for his tumultuous term at the helm of the UN, being the only UN secretary-general to have served only one term.

However, Boutros-Ghali is also remembered for his seminal 1992 policy document, the Agenda for Peace. This document shaped the way in which conflict-resolution responses are defined, underscoring the importance of peacebuilding not only at the UN, but also globally. His passing is therefore an opportunity to reflect on what has been learnt in terms of peacebuilding responses, and how these could be improved.

The Agenda for Peace guided the UN and the broader field of conflict resolution on the types of activities that could be conducted before, during and after conflict. Although many of the ideas on preventive diplomacy, peacekeeping and peacebuilding weren’t new, it assembled these in a policy-friendly framework and offered a coherent understanding of the instruments available for resolving conflict.

Boutros-Ghali showed that peacebuilding could be an important tool to help countries in their processes of sustaining peace. He defined peacebuilding as the ‘action to identify and support structures, which will tend to strengthen and solidify peace in order to avoid a relapse into conflict.’

Boutros-Ghali showed that peacebuilding could be an important tool to help countries in their processes of sustaining peace. He defined peacebuilding as the ‘action to identify and support structures, which will tend to strengthen and solidify peace in order to avoid a relapse into conflict.’

He also noted that peacebuilding responses should form a crucial part of a well-considered and integrated process within a wider and clear political strategy that aims at responding to conflicts. As he said, ‘Peacebuilding is not a therapy that the UN can attempt to impose on an unwilling patient.’

At the time, the definition and scope of peacebuilding was often limited to the range of tasks that would be conducted after conflict had ended, and following a peacekeeping operation. Today, all of these concepts and responses seem far less linear and the idea of post-conflict peacebuilding is becoming outdated.

Peacebuilding is increasingly seen to be part of an overarching approach to sustain peace, which means it becomes embedded in other types of responses, including preventive actions and peacekeeping.

Today, 20 years later, Boutros-Ghali’s ideas continue to influence responses and structures at the UN, the African Union (AU) and elsewhere. Ten years ago, the UN created an entire peacebuilding architecture after the release of the Agenda for Peace. The AU, since its establishment in 2002, has increasingly evolved in creating its own frameworks for peace operations and has a promising – albeit underusedpost-conflict reconstruction and development framework.

Although the concept of peacebuilding has grown, the international community has not yet identified how to do it well; nor does it yet seem able to pinpoint what exactly constitutes successful peacebuilding. The field still seems hamstrung by its inability to effectively plan and execute, measure and use results, generate institutional learning, and identify better ways of engaging in highly complex environments.

Peacebuilding is a long-term process, constrained by short-term realities. Progress in peacebuilding processes has to be sustained, even when particular gains are seen. Mozambique and Burundi, for instance, are good examples of how plans have to be supported in the longer term to avoid relapsing into conflict. More fractured processes in countries like the Central African Republic and the Democratic Republic of the Congo show that there is still a lot to learn about engaging in effective peacebuilding.

It is widely accepted that monitoring and evaluation is no longer optional, but rather a critical component in identifying better ways to conduct peacebuilding: particularly in a conflict-sensitive context. Current research on the challenges of monitoring and evaluation in peacebuilding is diverse, but a number of key issues stand out.

Peacebuilding practitioners are under considerable pressure to show positive results, both for accountability and to demonstrate contributions made. This means that peacebuilding implementation often focuses on short-term responses, emphasising outputs rather than longer-term outcomes, which are more difficult to achieve.

This, in turn, leads to a messy, or retrospective, monitoring and evaluation approach, beset with insufficient allocation of resources and capacity, and made even more complicated by a lack of clarity on what success or impact is; and what the outcomes are and should be. In this way, many opportunities for learning are lost. It also compromises the ability to gather satisfying evidence of success; both for practitioners and their stakeholders.

How can these shortcomings be reduced? Timely and thorough planning is crucial, and a good monitoring and evaluation approach is one that focuses on stakeholder confidence. This implies that through monitoring and evaluation, the contribution of a peacebuilding intervention can be seen in meaningful and satisfying results. It further implies that there is potential for information to be used in institutional learning and improvement. In this way, focusing on stakeholder confidence can contribute to stronger evidence, which supports both future efforts and the peacebuilding community at large.

There is some global momentum to respond to these challenges and make peacebuilding more effective. The UN is currently conducting review processes and thematic debates of its peace and security tools, including a review of the UN peacebuilding architecture. This review states that peacebuilding remains critically ‘underrecognised, underprioritised, and underesourced’, both globally and ‘within the UN system.’

The need to better design, plan and respond to peacebuilding requirements must be addressed with urgency. Currently, the Institute for Security Studies (ISS) is developing a new capacity-building process that aims to address individual and institutional shortfalls, and support the development of more effective responses. Peacebuilding practitioners who can draw on credible evidence and well-grounded arguments are better equipped to make a difference.

Of course, there is no one-size-fits-all solution. Practitioners should therefore carefully identify approaches that are appropriate to their context, and which would yield valuable and usable results.

Now more than ever, peacebuilders need to learn how to do peacebuilding well. This means letting go of the idea that peacebuilding responses should be implemented simply through identifying a range of disconnected activities. Rather, peacebuilders need to design coherent processes, in a way that allows them to effectively demonstrate how their contribution reduces the likelihood of conflicts from recurring.

Peacebuilding plans and responses need to be realistic, more considered, and better monitored at all stages. This is how the field could see an important mind shift; one that focuses on effective results rather than quick-fix outputs, and which will ultimately help peacebuilders to implement their responses more effectively.

Gustavo de Carvalho, Senior Researcher and Onnie Kok, Researcher, Peace Operations and Peacebuilding Division, ISS Pretoria

 

Published in: on fevereiro 24, 2016 at 1:42 pm  Deixe um comentário  

Os processos de gestão dos policiais da ONU (Argentina)

 Argentina 

(2014)

A Argentina tem participado de operações de paz das Nações Unidas desde 1958, quando enviou observadores militares para o Líbano. Hoje o país ocupa a sétima posição entre as nações que mais contribuem com tropas para operações da ONU, tendo na Gendarmeria Nacional Argentina (polícia militar nacional), a sua representação policial (EZPELETA, 2001).

Nos arredores de Buenos Aires, são mantidos centros de treinamento voltados para operações de paz. O primeiro trata-se do Centro de Treinamento para Capacetes Azuis – CAECOPAZ, subordinado diretamente ao Estado-Maior das Forças Armadas do país; o segundo, dirigido pela Gendarmeria Nacional Argentina, é o Centro de Treinamento para Membros de Operações de Paz no Exterior – CENCAMEX (UNITED NATIONS, 2010), voltado para o treinamento policial.  Dentre os cursos oferecidos pelo CENCAMEX, destacam-se: imersão nos idiomas inglês[1] e francês, segurança de embaixadas e preparação para policiais das Nações Unidas (GENDARMERIA, 2010). Convém se anotar que esses cursos são oferecidos para policiais e militares nacionais e estrangeiros.

No processo de recrutamento de policiais para atuação junto a ONU são convocados voluntários de todo o país. Entre os requisitos essenciais para participar do certame o candidato precisa contar com no mínimo sete anos de efetivo serviço ativo.  Uma vez selecionado, o policial participa de um curso de 10 (dez) meses de duração no CENCAMEX. A conclusão desse curso está condicionada a realização de um teste que visa avaliar múltiplos conhecimentos e habilidades. Esse exame é realizado por uma banca de avaliadores da ONU, denominada UN SAT (Selection Assistance Team).

            Finalmente, uma vez pronto para ser desdobrado em uma área de missão, o policial é submetido a uma bateria de exames e vacinas. No retorno da missão, o quadro de saúde do policial é novamente avaliado e ele conta com 50 dias de licença para ser reintegrado as suas atividades de rotina.

A Gendermeria Argentina se desvinculou do CAECOPAZ e no início da década de 2010, visto a incompatibilidade “entre defesa e segurança pública” encontrada ao longo dos anos e funciona apenas com policiais e para policiais. Tem total aval da Police Division ITS/DPKO para treinamentos credenciados e habilitação de pessoal, realizando seleção SAAT quase que anualmente. Realizam seleção e efetivo policial passa um ano letivo se preparando para os processos e missões da ONU, quer missões de paz ou políticas. Na região de Mercedes, encontra-se um simples e super eficiente centro de treinamento da Gendarmeria Argentina, considerado um dos melhores do mundo.

[1] Dois policiais militares do Distrito Federal participaram de um Curso de Imersão em idioma inglês voltado para Missões de Paz no CENCAMEX em 2010.

Published in: on fevereiro 21, 2016 at 8:27 pm  Deixe um comentário  

Os processos de gestão dos policiais da ONU (Alemanha)

Alemanha

(2010)

O primeiro envio de policiais alemães para Operações de Paz ocorreu em 1989 na Namíbia e desde então vem participando de Missões em diferentes Organismos Internacionais: ONU, União Europeia (UE), Organização para Segurança e Cooperação da Europa (OSCA) e União da Europa Ocidental (WEU). A Alemanha já enviou aproximadamente 5670 policiais para Missões de todas as essas Organizações. Em 2009, a Alemanha contribuía com 214 policiais, sendo que desses, 24 estavam em missões da ONU[1]. É uma das três instituições policiais credenciadas pela ONU como certificadora de Cursos de Policial da ONU (United Nations Police – UNPOL).

A Alemanha não participa com o envio de tropas policiais (i.e., unidades de Choque – FPU ou de Operações Especiais – SWAT), pois, segundo GROSSMAN[2] (2009), o enfrentamento de distúrbios civis pela Unidade de Choque alemã se caracteriza pelo enfrentamento direto (contenção corpo a corpo), sem a necessidade de utilização de armas e artefatos comuns a outras tropas de choque, o que inviabiliza o emprego da tropa alemã no emprego de operações de choque. Assim, a Alemanha investe apenas em missões individuais, não participando de missões coletivas (FPU e SWAT).

O processo de seleção na Alemanha é ofertado a todas as instituições policiais dos diferentes estados federados do país. Todos os níveis policiais (federal, estadual e local) enviam efetivos para a seleção, que consiste em: requisitos básicos e teste de proficiência em língua inglesa. A bateria de provas constitui-se de um grupo de tarefas e discussão, apresentação e entrevista multidisciplinar. Os requisitos básicos do candidato são:

  1. a) Experiência mínima de 8 anos; b) Boas condições físicas e de saúde; c) Proficiência no idioma inglês; d) Habilidade em lidar com o estresse; e) Autodisciplina; f) Capacidade de trabalhar sozinho e improvisar; g) Habilidade de se comunicar; h) Comportamento exemplar e boa apresentação pessoal; i) Habilidade em tecnologia da informação (computação básica); j) Carteira de habilitação; e, l) Imparcialidade. (GROSSMAN, 2009)

Na fase de treinamento e pré-desdobramento, o candidato é submetido a um treinamento em idioma estrangeiro e passa por um curso básico com duração de duas semanas, que o qualificará para eventual designação. Quando da nomeação e indicação de um policial alemão, este fará outro curso especial, de uma semana, específico para área da missão onde irá servir.[3] Os oficias de maior patente terão um módulo especial de mais três dias de curso, o que os guiará para funções de chefe de contingente, com atribuições específicas normatizadas por seu governo e pelos Standard Operating Procedures (SOP) de cada Missão de Paz. Existem 3 Centros de Treinamento Policial para Missões de Paz na Alemanha e eles realizam aproximadamente 12 cursos de Policial da ONU (United Nations Police Officers Course – UNPOC) por ano, fora os cursos específicos.

O mandato de missão para os policiais alemães é de seis meses, com possibilidade de extensão de 3 meses mais 3 meses finais, o que completaria um ano, caso haja interesse do policial, da Polícia do país e da Polícia da ONU. Durante a missão são disponibilizados meios de comunicação diretos para contato com o meio profissional, social e familiar. Há um plano emergencial com gerenciamento de crises, que está em condições de ser posto em prática em caso de necessidade, inclusive com o envio de tropas especiais da Alemanha em casos de evacuação.

A política de recursos humanos consiste também em eventos sociais como suporte em datas comemorativas e especiais, tais como: aniversários, natal e ano-novo. Existe também o apoio de caráter profissional, administrativo (financeiro, viagens), médico e legal, além de amparo e programas de apoio psicológico e de ajuda para as famílias.

Ao retornar para casa, para reintegração à corporação de origem, o policial alemão passa por um curso de readaptação de uma semana. O policial fica impedido de participar de outra Missão por um ano, e receberá apoio psicológico durante esse período. Todavia, casos excepcionais podem ser analisados para que o interstício possa ser diminuído.

Um policial alemão ocupa cargo no Integrated Training Service – ITS e também no Departamento de Operações de Paz (Department of Peacekeeping Operations – DPKO) na sede da Organização das Nações Unidas – ONU. Ademais, a Missão Permanente da Alemanha junto a ONU possui um Adido Policial, que trata dos assuntos relativos a Missões de Paz.

[1] Dados referentes à outubro de 2009.

[2] Normen Grossman foi o chefe da Seção para Cooperação Internacional da Policia Federal da Alemanha (2009).

[3] A única exceção é feita ao caso do Afeganistão, onde o Curso tem duração de 3 semanas.

Published in: on fevereiro 21, 2016 at 8:20 pm  Deixe um comentário  

ONU solicita indicação de policiais militares brasileiros para Missão de Paz no Afeganistão

As Nações Unidas solicitaram ao MRE a indicação da candidatura de policiais militares para a vaga de Senior Police Adviser, nível P5, na Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA).

O prazo para a indicação do Brasil é o dia 31 de março de 2016.

Published in: on fevereiro 16, 2016 at 12:20 am  Deixe um comentário  

Sérgio Vieira de Mello prestigia Policiais militares brasileiros na Crácia (1994)

Em 1994, na cidade de Zagreb/Croácia, o contigente policial militar brasileiro foi condecorado com a medalha das Nações Unidas, por terem contribuído para a paz no país, integrando a United Nations Protection Force (UNPROFOR). 
O brasileiro com maior cargo na Organização (à época), Sérgio Vieira de Mello, fez-se presente e prestigiou a solenidade e seus compatriotas. 
Da esquerda para direita: Sérgio V. de Mello, Tenente Pierre, (um policial canadense/vermelho), Tenente Fulgêncio, Sargento Carlos, tenente walter Benjamin e sargento Emerson.
Créditos: TC WALTER – PMPE. 

  

Published in: on fevereiro 15, 2016 at 11:25 pm  Deixe um comentário  

Veteranos da ONU assumem o Subcomando-Geral e a Chefia do Estado-Maior da PMDF

No final de dezembro de 2015, o Coronel Marcos de Araújo (veterano da Missão de Paz da ONU em Angola) assumiu o cargo de Subcomandante-Geral da PMDF. No me ato, o Coronel Leonardo Sant´Anna (veterano em Missões de Paz da ONU em Angola e Timor Leste) assumiu a Chefia do Estado-Maior da Instituição.

Sucesso aos veteranos que hoje ocupam a cúpula do comando da Polícia Militar do Distrito Federal, nos cargos N. 2 e N. 3 da hierarquia institucional.

Leia notícia na íntegra no Site da PMDF:

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Ocorreu na manhã desta quarta-feira (03), no Palácio Tiradentes (Quartel do Comando Geral-QCG), a passagem de comando dos cargos de Subcomandante-geral e chefe do Estado-Maior da PMDF. Na ocasião, foi transmitida a chefia do Estado-Maior para o coronel Leonardo José Rodrigues de Sant’anna e o Subcomando-geral para o coronel Marcos de Araújo.

A cerimônia contou com participação de ilustres convidados. Os oficiais superiores assumiram formalmente os cargos diante do governador Rodrigo Rollemberg, da secretária de Segurança Pública e da Paz Social, Márcia de Alencar Araújo; do chefe da Casa Militar, coronel Cláudio Ribas; e do Comandante-geral, coronel Nunes. Outras autoridades estiveram presentes tais como: ex-comandantes gerais; o presidente da Associação dos Magistrados do DF, Dr. Sebastião Coelho; desembargadores, o deputado federal Jair Bolsonaro, o vereador Eduardo Bolsonaro e deputados distritais como Sandra Faraj e Robério Negreiros, além de familiares do Comandante-geral e do governador do DF que também prestigiaram o evento.

O major pastor Gisleno, da Capelania da PMDF, proferiu as bênçãos sobre os comandantes na execução de suas novas funções. Foi entregue ao Comandante-geral a espada e o bastão, símbolos do Comando da Corporação. O nobre currículo do Chefe do Estado-Maior, coronel Sant’anna, conta com vasta experiência profissional em mais de 25 anos de serviço pela PMDF. É graduado em Segurança Pública e especializado em Gestão Estratégica em Segurança e Ordem Pública pela Academia de Polícia Militar de Brasília (APMB); foi chefe de Equipe de Segurança do Governador do DF, comandante do Batalhão de Planaltina, chefe da equipe de Negociadores Policiais, observador policial e consultor de treinamento das Nações Unidas e outras funções de suma relevância.

Para Subcomandante-geral, o coronel Marcos de Araújo assumiu o cargo. O novo subcomandante é doutor em Ciências Jurídicas e Sociais, mestre em Ciência Política, pós-graduado em Direito, especialista em Segurança Pública, Direitos Humanos e Política Criminal; especialista em Gestão Estratégica em Segurança Pública pela PMDF/UNB. Na PMDF, exerceu o cargo de corregedor adjunto, diretor de Recrutamento e Seleção, diretor de Promoção, Avaliação e Desempenho, tendo comandado o Batalhão Escolar e também a Academia de Polícia Militar de Brasília.

O Comandante-geral, coronel Nunes, em seu discurso falou sobre a importância dos cargos assumidos: “os cargos que agora assumem são fundamentais para o desenvolvimento operacional e administrativo da Corporação na medida em que dão suporte ao Comando no processo decisório para assuntos de alta complexidade”. Ele ainda fez uma ressalva em homenagem ao pai assassinado ontem na porta de escola (Eli Roberto Chaves) no Guará: “estamos empenhados na busca do criminoso e não mediremos esforços para encontrá-lo”. O governador Rodrigo Rollemberg, em sua fala também citou e lamentou o ocorrido. Frisou sobre a importância do programa Pacto pela Vida, elogiou a diminuição (a menor depois de 22 anos) dos índices criminais em 2015.

Published in: on fevereiro 9, 2016 at 3:31 am  Deixe um comentário  

Terremotos tremem a cidade de Jacmel, no Haiti

A cidade de Jacmel, no Haiti, sentiu abalos sísmicos no dia de 28de janeiro de 2016. 

Não há informações de mortes e/ou feridos. 

Published in: on janeiro 28, 2016 at 11:52 pm  Deixe um comentário  

Terremotos no Haiti

Segundo informações de oficiais policiais militares que integram o componente policial da ONU no Haiti (MINUSTAH), tremores de  pequena escala foram sentidos no interior do país, levando a população local a deixar suas residências.

A situação na capital do país, Porto Príncipe, é estavel.

Published in: on janeiro 28, 2016 at 9:56 pm  Deixe um comentário  

A crise econômica e a crise policial brasileira junto a ONU

A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) é a instituição policial brasileira que mais contribui (e contribuiu ao longo de mais de duas décadas) com efetivos para representar o país em missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), sendo referência para as demais coirmãs e antiga aliada do Governo Federal nos esforços em promover a paz, os direitos humanos e a segurança internacional, conforme prevê os tratados internacionais assinados e ratificados pelo Brasil. No ano de 2015, nenhum policial militar da capital foi autorizado a participar de quaisquer das missões de paz, havendo um rompimento na tradição em ceder profissionais, que além de contribuir internacionalmente para uma melhor imagem do país, o GDF e a Corporação, enriquecem a instituição com o conhecimento adquirido. A crise econômica e a não aplicação do Fundo Constitucional do Distrito Federal foram oficialmente evocados como fatores responsáveis pelas não autorizações governamentais. Tal medida gerou um significativo impacto tanto no número efetivo de policiais brasileiros nas diversas missões pelo mundo, quando no desgaste de relações do país com a ONU (Police Division/DPKO). Mas se a situação crítica da economia requer tais medidas, há motivos para se lamentar (mas não recriminar), visto que as decisões foram tomadas de maneira bem refletidas e embasadas. Uma simples análise permite a qualquer um que entenda um pouco do assunto que faltou interesse do governo federal (agentes e suas instituições) em “entrar no circuito”, propor mudança na legislação, promover realocação de recursos para os estados federados, articular politicamente. Inúmeras medidas poderiam ter sido adotadas. Mas faltou tato, percepção, ou talvez interesse. Mais uma vez, a teoria mostrou-se ser bela, e a prática o seu antônimo.

O ano de 2015 deve ser “deletado” dos anais da PMDF no que se refere a missões de paz e o seu papel de ímpar relevância, não só na área técnica-profissional, mas os seus impactos diretos na política de segurança internacional. No mundo atual, não há mais espaço para discutir “segurança pública” de maneira fechada, isolada de outras variáveis. O combate à criminalidade não tem fronteiras e a cada dia as cooperações técnicas na área policial somente crescem, em todas as suas variáveis, sendo o sistema ONU o maior celeiro da cooperação policial em escala global (não desprezando os demais).

Talvez seja o momento de repensar a criação de uma agenda política-diplomática  que envolva as Unidades Federativas de uma forma mais ampla no processo de construção do tema, com políticas de incentivo em âmbito nacional. Afinal, onde está o pacto federativo? Os acordos de cooperação federativas? Será que somente o MJ sabe fazer? Qual a dificuldade?. Talvez tenha chegado o momento do Ministério das Relações Exteriores, da Defesa e do Planejamento, se envolverem de uma maneira mais propositiva e não apenas retórica quanto ao tema. É chegada hora das autoridades saberem que os militares das Forças Armadas fazem parte de “um” componente de uma missão de paz multidisciplinar (os outros dois são o policial e o civil) e que missões tradicionais são exceções e não regra. O papel dos componentes militares são fundamentais nos processos  pré/durante/pós-conflitos e na estabilização. Da mesma forma, o “rule of law” é premissa para segurança pública e defesa interna dos estados.. Na outra mão, há que se requerer um maior engajamento e compromisso dos estados, para que de forma responsável, atendam as implicações políticas internacionais. Sem dúvida que a atual imagem negativa do Brasil junto a ONU (no tema UNPOL – policial), causada por fatores diversos nos últimos meses de 2015, seria minimizada e constrangimentos políticos e diplomáticos seriam evitados. Existe uma lógica muito simples que até hoje não foi observada (ou talvez não queira ser observada) pelas autoridades que estão diretamente ligadas ao tema:

= falta de interesse/articulação política + verba/orçamento + políticas pública/legislação + capacitação de pessoal.

Menos ego/vaidade (pessoais e institucionais) e mais engajamento político de forma a promover a tão esperada “agenda ‘pro’positiva”, repetida exaustivamente há anos, mas sem quaisquer efeitos práticos.

Published in: on janeiro 28, 2016 at 4:56 pm  Deixe um comentário  

Quantidade de policiais por número de habitantes (artigo de opinião – off topic)

Por Sergio Carrera de A. Melo Neto

(2013)

Arquivo em PDF: quantidade-de-policiais-por-nc3bamero-de-habitantes
Defining patrol staffing allocation and deployment requirements is a complex endeavor which requires consideration of an extensive series of factors and a sizable body of reliable, current data (IACP, 2003).
A reportagem do Portal G1/DF, intitulada “Regiões do DF com mais mortes têm menos policiais, aponta levantamento.” (MOREIRA, 2013), reacendeu uma antiga discussão e questionamento quanto ao descrito na matéria: de que o numero de policiais considerado ideal pela Organização das Nações Unidas (ONU) é de 1 policial para cada 250 pessoas, segundo o especialista em segurança pública e comentarista da Rede Globo, entrevistado pelo jornalista.
Esse é um paradigma que há anos muitos acadêmicos, policiais e gestores da área de segurança pública no Brasil, e em vários países (basta fazer uma pesquisa na internet), têm utilizado para justificar ou se defender, como resposta a gestão de pessoal e ao emprego operacional/administrativo dos efetivos policiais. Por vezes, tem tratado como elemento fundamental para o aumento/redução dos índices de criminalidade em determinadas áreas (ou associações feitas em relação à “sensação de segurança”). Entretanto, essa relação policial/habitantes (ratio) merece ser um pouco melhor discutida, assim como se investigar junto a ONU o(s) documento(s) de referência para tal assertiva. A fim de se apurar tais questionamentos, buscou-se fazer uma breve pesquisa e uma comparação com dados de estudos realizados nos Estados Unidos da América (EUA), em particular, para melhor compreender a veracidade do tema, que por vezes pode nortear, erroneamente, políticas de segurança pública e políticas públicas de segurança, caso existam.2

De acordo com o Uniform Crime Reporting (UCR) Program do Federal Bureau of Investigation– FBI, a proporção (ratio) de policiais por população nos Estados Unidos no ano de 2011 foi de 2,4 para cada 1000 habitantes. Praticamente todas as instituições policiais dos EUA subsidiam com dados e informações referentes ao registro de crimes o Uniform Crime Reporting (UCR) Program do FBI, como uma base nacional, tendo recebido uma contribuição de 14633 diferentes agências policiais em 2011. “Cidades” com menos de 10 mil habitantes registraram uma média de 3,5 policiais para cada grupo de mil habitantes, enquanto “condados” com menos de 10 mil habitantes, um ratio de 2,7 (FBI, 2011).

O mesmo relatório define que o ratio, “contabilizando os civis” que trabalham nas instituições policiais, é de 3,4 policiais para cada 1000 habitantes nos EUA. Consideram-se membros de uma agência policial americana os sworn officer (policiais de carreira – Law Enforcement Officer) e os funcionários civis (atendentes, despachantes de rádio, estenógrafos, carcereiros, agentes penitenciários e mecânicos, desde que sejam empregados de tempo integral da agência). Em 2011, o numero de sworn officers representou 69,7 por cento de todo pessoal das agências de segurança

Em 2011, de acordo com o FBI, as “cidades” americanas tiveram uma média de 2,2 policiais/mil habitantes, nacionalmente, enquanto que as cidades das regiões nordeste e sul (2,6); Midwest (2,1) e Oeste (1,6) (FBI, 2011b), ressaltando que os dados são relativos ao efetivo policial por cidades (contabilizando os funcionários civis) e não seu emprego por regiões internas (bairros, vilarejos e áreas, por exemplo), que varia de acordo com cada política de gestão administrativa e operacional dos órgãos policiais.

No estado americano da Flórida, o Departamento Estadual de Law Enforcement (Florida Department of Law Enforcement – FDLE), em seu Relatório de Perfil de Justiça Criminal (ano 2010), descreve os ratios das diversas instituições policiais

No estado americano de Michigan, também com base no UCRP, a cidade de Detroit tinha, em 2011, 4 policiais para cada 1000 moradores, enquanto Grand Rapids tinha 1,6 e Lansing com 1,9 sworn officer para cada 1000 habitantes (HARRIS, 2011).

Todavia, no mesmo estado, a cidade de Flint com 1,2 policiais/mil habitantes liderava a lista nacional americana como a cidade mais violenta do país, enquanto que algumas das outras sequer entravam na lista de cidades violentas, como Sterling Heights, com ratio de 1,24 policiais para mil moradores, praticamente a mesma proporção.
Então o que justificaria, no caso de cidades do estado de Michigan, tamanha discrepância entre instituições policiais com ratio muito semelhantes, mas com índices criminais tão distintos? Para tal questionamento, alguns estudiosos desenvolveram pesquisas e análise da gestão do emprego de efetivo policial, tendo neste caso específico utilizado o ratio como indicador fundamental.

Segundo Peter Bellmio (apud HARRIS, 2011), a quantidade de chamadas/atendimentos policiais seria uma variável primordial para se estabelecer o ratio de policiais de determinado departamento (e/ou área), a fim de que a polícia atue proativamente, em vez de simplesmente responder as chamadas de emergência (190):

Peter Bellmio, a Annapolis, Md., consultant, who has analyzed police staffing levels for police departments in Seattle and Los Angeles, said departments need to have enough officers to handle the volume of calls and be responsive to minor calls by setting up appointments with residents. That can help a department become proactive, rather than simply reacting to calls, Bellmio said. (HARRIS, 2011)

A Associação Internacional dos Chefes de Polícia (International Association of Chiefs of Police – IACP) se posicionou em relação à correlação entre quantidade de policiais e população (position on police to population ratios) e o porquê das agências policiais não dever utilizar apenas esse indicador como base para tomadas de decisão quanto ao emprego de efetivo, “Ratios, such as officers-per-thousand population, are totally inappropriate as a basis for staffing decisions.” (IACP, 2003).

WILSON & WEISS afirmam que:

Analogamente, no Brasil, não se registram critérios plenamente definidos e aceitos por todos para a fixação de efetivo policial militar. Nos Estados os critérios são os mais variados, sendo o número de policiais militares determinado de forma aleatória, sem metodologia ou teoria que sustente a aplicação (p. 45, 2012).

Em contrapartida, um estudo realizado por Conforto (apud WILSON & WEISS, 2012), com base no sistema americano de cálculo de efetivo policial, afirma que tanto em áreas urbanas como em rurais existe uma necessidade de 1,5 a 2,5 policiais para cada mil habitantes, conforme descrito:

Ao descrever o sistema Norte-americano de cálculo de efetivo, Conforto (1998) explica que tal sistema é originário de profunda análise estatística e científica por técnicos americanos, que chegaram a um consenso de que o efetivo necessário para o sistema policial local, varia de 1,5 (um e meio) a 2,5 (dois e meio) policiais para cada 1000 (mil) habitantes, tanto na área urbana como na área rural. A execução se diferencia nas duas áreas, pela maior ou menor mobilidade e pelo poder das comunicações. Estes mesmos critérios são aplicáveis à nossa realidade. Na variação de 1,5 a 2,5 policiais para cada 1000 habitantes estão inseridos os fatores criminológicos, que variam de local para local, e que aumentam ou diminuem o índice de criminalidade, aumentando ou diminuindo em consequência o efetivo policial (Conforto apud WILSON & WEISS, p. 446, 2012).

Considerando a influência internacional da ONU em recomendar e propor a seus Estados-membros medidas diversas a serem adotadas, a retórica criada e aceita como oficial por acadêmicos, imprensa e até membros de governos, de que as Nações Unidas estabelecem a relação de 1 policial para 250 habitantes foi questionada por WILSON & WEISS (2012) junto ao Centro de Informação das Nações Unidas em 2007, visto a inexistência de quaisquer documentos, como descrevem:

Porém, onde a ONU definiu tal parâmetro e qual o critério adotado? Em recente pesquisa sobre o assunto, ficou cristalina e incontestável a resposta a este paradigma, através do Centro de Informação das Nações unidas que assim se pronunciou: “o dado com o número de policiais por habitante não é das Nações unidas e, portanto, não sabemos responder as suas questões”. (CENTRO DE INFORMAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2007). Portanto, como base de cálculo para efetivo policial, não existe qualquer parâmetro (WILSON & WEISS, p. 45, 2012).

Assim, em 2007, o Centro de Informação das Nações Unidas oficialmente respondeu ao questionamento de WILSON & WEISS, negando tal recomendação por parte da ONU. Passados vários anos, e com a contínua afirmação da referida “recomendação por parte da ONU”, foi buscado pelo autor (10 out.2013), o Departamento de Segurança da ONU (United Nations Department of Safety and Security – UNDSS) no Brasil sobre o ratio supostamente estabelecido pelas Nações Unidas, tendo como resposta de um funcionário, o “total desconhecimento”3.

Depois de reiteradas tentativas de se encontrar algum documento da ONU que pudesse respaldar tal recomendação, foi então indicado o Relatório do Secretário Geral das Nações Unidas, por ocasião do 20º Congresso de Prevenção ao Crime e Justiça Criminal, realizado na cidade de Salvador-BA, em abril de 2010 (UN, 2010), onde no ponto 48 do Relatório se afirma, após pesquisa (survey) realizada entre vários países, que existe uma média mundial de 300 policiais para cada 100 mil habitantes no ano de 2006. Trata-se de uma constatação, de uma conclusão com base em dados fornecidos e preenchidos por Estados-membros da ONU para a referida pesquisa, e não uma “recomendação”. A survey afirma ainda que existe uma variação “significativa” do número de policiais entre os países participantes da pesquisa, concluindo que existe um número mínimo de policiais para cada 100 mil habitantes que são necessários em todos os países, conforme texto original abaixo:

48. An analysis of data collected through the United Nations Survey indicates a median of approximately 300 police officers per 100,000 inhabitants worldwide for 2006. Nevertheless, Survey responses show that rates of police officers per population vary significantly among countries. Results imply that there is a minimum number of police officers per 100,000 inhabitants that is necessary in any country. Only four countries worldwide, for example, show police personnel values lower than 100 officers per 100,000 inhabitants. Relatively high median rates of police personnel (around 400) were observed in countries in West Asia, as well as in Eastern and Southern Europe. The median rate of police personnel per population at the global level remained quite stable over the period 2002-2006, after an increase between 1995 and 2002 (UN, 2010).
Como nenhum documento fora encontrado, considerando que o Relatório acima apenas emite conclusões lógicas de dados fornecidos – não se tratando de recomendação, a fim de dirimir quaisquer dúvidas em encontrar algum documento com a referida recomendação, o autor entrou em contato direto com o Centro de Informação das Nações Unidas (UNIC RIO, 2013), em 12 de outubro de 2013, assim como feito por WILSON & WEISS em 2007, obtendo a seguinte resposta:

Prezado Sergio,
Muito obrigado pelo contato e pela checagem da informação. Desde já me coloco à disposição para quaisquer novas dúvidas que surgirem. As Nações Unidas não possuem nenhuma recomendação sobre o número de policiais por número de habitantes. Isto porque os contextos e níveis de violência variam de acordo com a comunidade, cidade, município, estado, país e/ou região. A recomendação é que cada contexto seja analisado conforme suas características (UNIC, 2013).

Fica-se, portanto, clara a inexistência de qualquer recomendação sobre o número de policiais por número de habitantes por parte da ONU, conforme resposta oficial do UNIC RIO, a qual pode ser confirmada por qualquer membro da mídia, consultores, especialistas e governos junto ao aludido órgão.

Em relação ao emprego de efetivos policiais em determinadas regiões/áreas (bairros, cidades, etc.) por parte das instituições, o “numero de policiais por habitantes” pode ser um indicador para o processo de tomada de decisões para a alocação de recursos humanos, mas não deveria ser o único. Os gestores devem incluir outros indicadores e variáveis para a adequada distribuição de efetivo, considerando, inclusive, perspectivas históricas de cada localidade e tendências e mudanças de tipos criminais e evolução/modernização do modus operandi delituoso.

Os serviços e funções exigidas das agências de segurança pública, as polícias, requerem conhecimentos específicos diversos, como conhecimento de aspectos demográficos, sociais, econômicos e políticos, índices criminais, com bons programas de análise criminal (e pessoal qualificado), jurisdição de competência, taxas de emprego/desemprego, nível educacional, sistema judicial eficiente, renda per capita, políticas públicas na área, doutrina institucional e governamental, investimento em programas de integração entre sociedade e polícia e investimento em treinamento e equipamento policial, como bem destaca VALLA (p.58, 1999): “é fundamental perceber que não se diminui a criminalidade apenas tornando maior a polícia. A polícia necessita não é de um pessoal numeroso, mas de um pessoal melhor selecionado, melhor formado e melhor equipado.”. Um exemplo simples que está diretamente ligado ao indicador de aumento de efetivo é o aumento de registros de ocorrências, o que eleva naturalmente o número de casos reportados pela polícia, que subsidia dados oficiais do governo sobre segurança pública. Estudos, a favor e contra a utilização do ratio na atividade policial vêm sendo desenvolvidos e tanto os órgãos policiais quanto os acadêmicos devem avaliar os benefícios que podem ser tirados, observado cada caso em particular. Recomendações de instituições nacionais e internacionais, como a ONU, devem ser bem vistas e acolhidas em benefício coletivo, desde que verídicas e com a devida prova científica, sem “achismos”. Ao se constatar que inexistem, segundo o Centro de Informações das Nações Unidas, recomendações da Organização referente ao tema, como amplamente divulgado pela imprensa e especialistas, verifica-se que “somos” reativos não apenas na práxis, mas também na teoria. Como visto, duas cidades podem ter o mesmo ratio de policiais por habitantes, mas cenários completamente diferentes de criminalidade. Alguns dos fatores citados, por certo, contribuem para que a cidade de Flint/Michigan, com ratio de 1,2, seja a mais violenta dos Estados Unidos, enquanto outras, no mesmo estado, e com ratio semelhante, sejam locais tranquilos e com baixos índices de violência. Por conseguinte, a mesma lógica pode e deve ser aplicada em cidades brasileiras, como no caso do Distrito Federal.
Ademais, uma maior compreensão da complexidade que é a atividade policial deve ser melhor estudada não apenas pelos policiais em si, com a contínua busca por conhecimento e melhorias diversas em oferecer a comunidade um serviço de qualidade e confiança-mútua, mas que sejam transmitidas com responsabilidade por aqueles que têm o dever de não apenas divulgar informações à população, com notícias e acontecimentos relevantes, mas que tem o dever de fazê-lo a cautela necessária em respeito aos profissionais e aos cidadãos.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

FEDERAL BUREAU OF INVESTIGATIONS (FBI). Uniformed Crimes Reports: crime in the United States 2011.Criminal Justice Information Services Division. Disponível em: <http://www.fbi.gov/about-us/cjis/ucr/crime-in-the-u.s/2011/crime-in-the-u.s.-2011/police-employee-data&gt;.12 out.2013.
________. (FBI, 2011b). Full-time Law Enforcement Officers by Region and Geographic Division by Population Group: Number and Rate per 1,000 Inhabitants, 2011/Table 71. Disponível em: <http://www.fbi.gov/about-us/cjis/ucr/crime-in-the-u.s/2011/crime-in-the-u.s.-2011/tables/table-71&gt;. 12 out.2013.
4 Nota: Muito importante seria se a ONU tivesse, pois seria mais um elemento científico de auxílio para o ratio em foco. Em respeito às inúmeras publicações que contem e se referem a “recomendação da ONU para a relação da quantidade de policiais para número de habitantes”, a busca para encontrar algum documento que possa ter originado a afirmação, continuará sendo desenvolvida pelo autor, mesmo com confirmação oficial de sua inexistência, via mensagem pessoal, pelo Centro de Informações das Nações Unidas/RJ.
FLORIDA DEPARTMENT OF LAW ENFORCEMENT (FDLE). Criminal Justice Profile Report 2010: Ratios of Full Time Officers Statewide – 2010. Disponível em: <http://www.fdle.state.fl.us/Content/getdoc/be775ef3-00a3-4197-966a-92bb9a401419/Statewide-Ratios.aspx&gt;. 12 out 2013
HARRIS, Davis. Flint’s police officer per resident ratio low compared to other Michigan cities despite rampant crime. (HARRIS, 2011a). Disponível em: <http://www.mlive.com/news/flint/index.ssf/2011/07/flints_police_officer_per_resi.html&gt;. 12 out.2013.
________. Flint ranks as nation’s most violent, FBI statistics show. (HARRIS, 2011b). Disponível em:
<http://www.mlive.com/news/flint/index.ssf/2011/05/fbi_statistics_show_flint_is_m.html&gt;.
INTERNATIONAL ASSOCIATION OF CHIEFS OF POLICE (IACP). Research Center Directorate: Perspectives. 2003. Disponível em: <http://www.theiacp.org/LinkClick.aspx?fileticket=LF7xdWl1tPk=&gt;. 12 out.2013.
MOREIRA, Ricardo. Regiões do DF com mais mortes têm menos policiais, aponta levantamento. G1 DF. 09 out.2013.
Disponível em <http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2013/10/regioes-do-df-com-mais-mortes-tem-menos-policiais-aponta-levantamento.html&gt;. 12 out.2013.
VALLA, Wilson Odirley. Doutrina de Emprego de Polícia Militar e Bombeiro Militar. 1. ed. Curitiba: Optagraf, 1999.
WILSON, Jeremy & WEISS, M. Alexander. A performance-based approach to police staffing and allocation. ISBN 978-1-932582-60-4. Michigan, Michigan State University, 2012. Disponível em: <http://a-capp.msu.edu/sites/default/files/files/041218461_Performance_Based_Approach_Police_Staffing_FINAL100112.pdf&gt; 12 out.2013.
UNITED NATIONS. Twelfth United Nations Congress on Crime Prevention and Criminal Justice.State of Crime and Criminal Justice Worldwide. Report of the Secretary-General. A/CONF.213/3. 1 February 2010. Salvador, Brazil, 12-19 April 2010. Disponível em: <http://www.unodc.org/documents/commissions/CCPCJ_session19/ACONF213_3eV1050608.pdf&gt;. 12 out.2013.
________. Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC) Rio [mensagem pessoal]. Mensagem recebida e-mail do autor. 12 outubro 2013

Published in: on janeiro 28, 2016 at 4:34 pm  Deixe um comentário  

MD informa que Brasil não tem policiais com requisitos para o Haiti

O Ministério da Defesa informou ao Ministério das Relações Exteriores que não identificou candidatos que preencham os requisitos exigidos para concorrer ao cargo de “Deputy Police Commissioner for Development of the Haitian National Police” (D/1) na Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH).

O cargo é um dos mais importantes da MINUSTAH.

Published in: on janeiro 28, 2016 at 4:16 pm  Deixe um comentário  

Vagas de policiais para UNMIL e UNIFIL

Foram abertas vagas em regime de ‘secondment’ para policiais militares brasileiros na Missão das Nações Unidas na Libéria (UNMIL) e na Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) e o Ministério da Defesa informou não ter identificado
candidatos para concorrerem aos processos de seleção.

(janeiro de 2016)

Published in: on janeiro 28, 2016 at 4:14 pm  Deixe um comentário  

Abertura de processo para Base Logística da ONU

Em 10 de janeiro de 2016,  o Secretariado das Nações Unidas solicitou a indicação de policial militar brasileiro para o processo de  seleção para o cargo de ‘Police Reform Adviser’ (P-4),  localizado na Base Logística da ONU, em Brindisi/Itália.

Estima-se que as solicitações junto as Corporações Policiais Militares devam chegar até o fim do mês.

Published in: on janeiro 28, 2016 at 4:11 pm  Deixe um comentário  

VI CURSO EM OPERAÇÕES DE PAZ E AÇÃO HUMANITÁRIA (Coimbra, Portugal)

Numa iniciativa conjunta do Ius Gentium Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e do Comando da Brigada de Intervenção (BrigInt) do Exército Português, vai decorrer nos dias 14, 21, 28 de novembro e 5 de dezembro/2015 (sábados), noAuditório da BrigInt, no Aquartelamento de Sant’Anna|Coimbra, o VI CURSO EM OPERAÇÕES DE PAZ E AÇÃO HUMANITÁRIA (OPAH6).

O curso é organizado sob a orientação dos Professores Doutores Rui Moura Ramos, Vital Moreira e Jónatas Machado e do Major-General Aguiar Santos.

A Direção Executiva é assegurada pela Mestre Carla de Marcelino Gomes e pelo Major Ricardo Costa.

As candidaturas decorrem até 31 de outubro/2015 e devem ser remetidas paraigc@fd.uc.pt.

Mais informações disponíveis emhttp://www.fd.uc.pt/igc/opah/index.html.

Cartaz_2015

Published in: on agosto 4, 2015 at 12:52 am  Deixe um comentário  

Erros comuns durante a entrevista pre-deployment

Meu nome é Rodrigo Kravetz de Oliveira[1], trabalhei como UNPOL, e durante minha missão no Sudão do Sul, tive a graça de ser escolhido e certificado pela Divisão Policial da ONU como AMS (Assessment for Mission Service) English Instructor. (O autor deste blog também a tem). No Brasil, isso seria o equivalente ao responsável no exército pelos testes de inglês, tiro e direção 4×4. Ou seja, uma das minhas funções era selecionar os candidatos policiais que iriam servir em missão de paz. O time de examinadores é conhecido como SAAT (Selection Assistance and Assessment Team) e, por isso, é comum ouvir que o teste também se chama SAAT. Na verdade o teste se chama AMS (e eu não sabia disso quando fui preencher o EASP). Mas por “usos e costumes” todo o mundo (literalmente) o chama de SAAT.

Por isso, tive a oportunidade de entrevistar diversos candidatos policiais de diversos países, tanto no exame inicial quanto na entrevista “pre-deployment”.

Para aqueles que não sabem, esclareço que, após a seleção do Exército (inglês, tiro e direção 4×4), e após o treinamento no CCOPAB, ainda há uma última entrevista por telefone, pelo pessoal da missão para a qual o candidato policial irá trabalhar. Por exemplo, caso seu nome seja enviado para o Haiti, um “board” de UNPOLs do Haiti irá te ligar e te entrevistar para a missão.

Desta forma, neste post eu gostaria de contribuir um pouco com a minha experiência e fornecer informações importantes aos candidatos policiais para missão de paz pelo ONU, a fim de que não sejam pegos de surpresa durante essa última entrevista. São informações que eu não tive, mas que podem fazer a diferença durante a seleção.

Do outro lado da linha

Quando eu fui entrevistado para a missão de paz do Sudão do Sul, recebi a primeira ligação, pasmem, a 1523 metros de altura no Pico Marumbi.  Eu e minha irmã tínhamos acabado de subir a montanha, em um final de semana, quando me ligaram. Portanto aqui vai a dica número 1:

  • Eles podem te ligar a qualquer hora e a qualquer momento.

O pessoal da missão obviamente dá uma olhada na diferença de fuso horário, mas lembre-se de que os UNPOL trabalham também durante os finais de semana. Portanto sempre tenha contigo, o tempo todo, a sua “colinha”.

Lá no meio da Serra do Mar paranaense a ligação estava horrível e cortando o tempo todo. Fui sincero, falei que não conseguia escutar. Eles então me pediram uma “land line” (telefone fixo) para que pudessem ligar novamente. Como avaliadores nós temos que testar todos os da lista que nos dão, por isso o pessoal da entrevista vai te ligar quantas vezes forem preciso, portanto fica aqui a dica 2:

  • Se a ligação estiver horrível, fale que a ligação está horrível! ao invés de tentar entender telepaticamente a mensagem, e tenha sempre um telefone fixo disponível.

Então eu forneci o telefone fixo do meu local de trabalho e sugeri para que ligassem em duas horas (o tempo suficiente pra voltar, tomar um banho, pegar a colinha e fazer a entrevista). A sugestão foi aceita e assim foi feito.

Perguntas da entrevista

Durante a minha entrevista me perguntaram coisas como “Quando o tráfego pode ser desviado”? Para cada “skillset” que você coloca no EASP eles irão te fazer uma pergunta a fim de verificar se você realmente trabalhou naquela função pela Polícia. Então uma dica óbvia é somente colocar sua real experiência no EASP. Nesta pergunta em específico eu esqueci de mencionar, por exemplo, que o tráfego pode ser desviado em função de comboio VIP. Portanto aqui vai a próxima dica:

  • Traduza as suas funções policiais para o inglês.

Como se diz mesmo “desviar o tráfego” em inglês? São expressões simples como essa que você vai usar durante a entrevista. Mas acredite, dá uma impressão muito ruim quando o candidato fica “ahhnn, uhnn” até achar a palavra (ou não achar). Escreva o que você faz no seu trabalho em inglês, e você vai ver o quão importante são palavras como “seize, assault, arrest, suspect, weapon” e por aí vai.

  • Pesquise sobre a missão

Essas perguntas são recordes em ficar sem resposta. No Sudão do Sul, perguntávamos “qual a capital do Sudão do Sul”. A maioria não sabia, alguns pediam um tempo, pesquisavam no Google (dá pra ouvir claramente o som de teclado através do telefone) e então respondiam. Na minha última entrevista, com candidatos da Holanda, apenas um dos entrevistados sabia a resposta. Aliás, ele explicou também a origem da crise no Sudão do Sul (ele obteve essa informação claramente pela Wikipedia, mas o que importa é que ele sabia o que estava dizendo), e tivemos uma ótima impressão sobre ele.

Por fim, perguntamos sobre os UN core values (e agora você deve estar se perguntando porque eu coloquei isso no final). Essas perguntas são feitas no começo da entrevista, coloquei aqui no final porque esse tipo de dica “todo mundo sabe”. Mas o que todo mundo não sabe é que as perguntas sobre Professionalism, Integrity, Respect for Diversity e Gender Mainstreaming podem (e devem) ser feitas de uma maneira diferente do tradicional “O que é profissionalismo”.

  • Como são feitas as perguntas sobre os Core Values?

Aqui vai uma: Me diga um exemplo no seu trabalho quando um colega seu faz algo anti-ético. Ah, por essa você não esperava! Essas perguntas indiretas são mestres em deixar candidatos calados. Portanto, pratique traduzindo coisas do seu cotidiano policial para o inglês.

Na minha experiência, nós perguntávamos ao candidato primeiro a definição do valor, e logo em seguida uma pergunta indireta como a de cima. O que comumente acontecia é que o candidato sabia “de cor” o Core Value mas patinava em um exemplo real.

Aliás, com relação ao comportamento anti-ético acima, se você for perguntado, responda o que a ONU espera que você responda: você imediatamente vai comunicar e dedurar o comportamento anti-ético; e aliás, os valores da ONU estão acima de valores pessoais!! Não diga que você vai fazer uma parte, um ofício ou passar para a P/2.

Ao final, da entrevista, agradeça a oportunidade, isso conta pontos e os entrevistadores terão uma boa impressão sobre você. Ao desligar o telefone, você será então classificado entre “Insuficiente, Suficiente, Bom ou Excelente”. A maioria dos brasileiros fica no Suficiente ou Bom (eu tenho a lista dos que foram para o Sudão do Sul, aproximadamente metade no bom, metade no suficiente), e é difícil alguém ficar no “not recommended”.

Eu espero que as dicas acima possam ajudar futuros candidatos brasileiros, a despeito da atual conjuntura econômica, e fortalecer a participação de policias boinas azuis nas missões!

Por fim, caso você queira se aprofundar sobre o teste em inglês em si, e praticar em casa, recomendo o site http://www.beapeacekeeper.com

Um ótimo dia!

[1] É Primeiro-Tenente da Polícia Militar do Paraná (PMPR).

Published in: on julho 27, 2015 at 6:35 am  Deixe um comentário  

International Master’s Degree in Conflictology

UNITAR offers various online postgraduate study programmes for professionals and students in the areas of armed conflicts, peacekeeping and peacebuilding. The objective is to prepare candidates for professional careers by providing up-to-date knowledge and methods as well as transferable skills of interest to employers and the UN System.

UNITAR offers a unique online Master’s Degree in Conflictology jointly delivered with the Open University of Catalonia. Participants from different background attend the online programmes to prepare for professional practice and acquire knowledge and skills related to peace and security from UN practitioners and academics.

The International Master’s Degree in Conflictology presents empirical knowledge and insight on conflict resolution, transformation, mediation and management, for conflicts of all importance, be they interpersonal or global. Practitioners and academics from prestigious universities, the United Nations and peace research institutes guide participants through the virtual learning environment, enabling them to learn about the peaceful resolution of conflicts and prepare for professional practice. This programme trains participants in all applications of conflictology and facilitates the development of professional projects by giving participants access to the largest network of people working to promote peace.

Objectives

At the end of the Master’s Programme, students will be able to:

  • Analyze the nature and characteristics of contemporary conflicts at different levels;
  • Access information and knowledge to develop efficient intervention programmes;
  • Synthesise techniques and strategies for non-violent intervention;
  • Formulate a plan of action for peaceful interventions, both for the prevention of conflicts and for their resolution;
  • Lead and facilitate negotiation and mediation processes, at the family, professional and international levels.
  • Courses

    To receive the Master’s Degree in Conflictology, issued by the UOC in partnership with UNITAR, candidates must complete the following courses equivalent to 60 ECTS (1500 hours) in no more than two years.

    UNITAR courses

    • Introduction to Peace Operations
    • Milestones in UN Peacekeeping
    • Conflict Analysis
    • Conflict Resolution
    • Human Security in Post-Conflict Intervention

    UOC courses

    • Philosophy of Peace
    • Media and Peace Building
    • Crisis Management
    • Economy and Conflict
    • Deconstructing the War
    • The Intercultural/Ethnic Conflict and the Management of Diversity
    • Family Mediation
    • Non-violence
    • Business Mediation
    • Implementation of Conflict Strategy in Workplace and Commercial Conflicts
    • Business Ethics
    • Mandate Evaluation
    • Postgraduate Project
    • Master Project

    Target audience

    • Personnel of peace operations (civilian, military and police);
    • Civil servants and staff of international, regional and national organisations involved in peace and security;
    • NGO representatives and humanitarian workers;
    • Researchers and academics;
    • Students;
    • Any person with responsibilities and interest in solving conflicts.

    Entry requirements

    In order to be considered for the Master’s degree in Conflictology, candidates must be fluent in English, possess a valid passport or national identity card and have completed an undergraduate degree.

    Other Study Programmes Available

    If you are looking for a shorter programme, if you want to develop a unique expertise on UN peace operations or if you do not have an undergraduate degree, you may register for the UNITAR Postgraduate Diploma in Peacekeeping and Peacebuilding.

    For more information on the Postgraduate Diploma and the Master’s Degree, download the brochure, leaflet and the frequently asked questions (PDF, 402 KB).

    Tuition Fees, Discounts and Scholarships

    As of 2014/2015, tuition fees for the programme are as follows:

    To be eligible for theLeast Developed Countries (LDCs) discount, candidates must be a citizen from an LDCs included in the list compiled by the United Nations. All candidates from LDCs will automatically be considered for the discount as long as they submit their application on time.

    To be eligible for the UN Volunteer discount, candidates must currently be UN volunteers and must provide a proof of status in their application.

    Tuition fees may be paid in instalments. Scholarships are available on a very competitive basis.

    For more information on scholarships and tuition fees, please, consult the frequently asked questions (PDF, 402 KB).

    Registration

    2015 Fall Semester

    Deadline for application | 01 July 2015

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SOURCE: UNITAR

Published in: on junho 22, 2015 at 1:13 am  Deixe um comentário  

Haitian National Police- 20 years of service

Haitian National Police- 20 years of service

Enjoy and share these pictures and video produced by the police in Haiti, showing the 20th anniversary of the Haitian National.Police (HNP). Many things has improved, and the struggle for change continues. The HNP is a young police force, but wathcing their efforts to improve at close range really gives me the impression that they want to improve for the benefit of their country. https://lnkd.in/e-U8ZQd

English translation from the link:

This June 12, 2015 marks the 20th anniversary of the National Police of Haiti, HNP. 20 years punctuated by ups and downs, but mostly sacrifices that helped sculpt a police force today, professional and efficient.

Indeed since the promulgation of the Law of 28 December 1994, the National Police of Haiti is the only official institution responsible, since the dissolution of the army in 1995, to ensure the security of the country.

Follow this video report highlights the reform of the HNP.

LINK

Published in: on junho 22, 2015 at 12:19 am  Deixe um comentário  

PNH: 20 ans à servir et protéger

Haitian National Police- 20 years of service

Ce 12 Juin 2015 marque les 20 ans d’existence de la Police Nationale d’Haïti, PNH. 20 années ponctuées de hauts et de bas, mais surtout de sacrifices qui ont permis de sculpter une force de police, aujourd’hui, professionnelle et efficace.

En effet depuis la promulgation de la Loi du 28 Décembre 1994, la Police Nationale d’Haïti est la seule institution officiellement chargée, depuis la dissolution de l’armée en 1995, d’assurer la sécurité du pays.

Suivez dans ce reportage vidéo les temps forts de la réforme de la PNH. – link

Conception multimedia: Igor Rugwiza, Violine Thelusma

Published in: on junho 22, 2015 at 12:17 am  Deixe um comentário  

Un rapport de l’ONU dénonce les comportements des casques bleus en mission

Le Monde.fr | 12.06.2015 à 11h35 • Mis à jour le 12.06.2015 à 15h00

Des casques bleus à Port-au-Prince, en 2009. | THONY BELIZAIRE / AFP

Dix ans après la sortie du « rapport Zeid » qui explorait des mesures concrètes pour éliminer les cas d’exploitations sexuelles dans le cadre des opérations de maintien de la paix des Nations Unies, rien n’a changé ou presque. « Des casques bleus ont échangé de l’argent, des bijoux, du parfum, des téléphones contre des faveurs sexuelles », note un rapport du bureau des enquêtes internes de l’ONU, à paraître la semaine prochaine. Le code de conduite de l’organisation prohibe pourtant strictement les rapports sexuels en échange de nourriture, d’argent ou de tout autre bien matériel. L’institution réprouve par ailleurs fermement depuis 2003 les relations sexuelles entre les casques bleus et les populations qu’ils sont censés protéger, sans pour autant les interdire, ce qui laisse une marge d’interprétation aux soldats déployés sur le terrain.

Or, le rapport note que deux opérations de maintien de la paix en Haïti (Minustah) et au Liberia (Minul) « démontrent que ces échanges à caractère sexuels sont répandus, sous-estimés et pas assez dénoncés. » Selon le document, 231 femmes haïtiennes ont indiqué avoir eu des relations sexuelles avec des casques bleus en échange de biens matériels. Le rapport note que les conditions qui encouragent ce type d’exploitation sont « la faim et la pénurie de produits de première nécessité et de médicaments ». Seulement sept femmes avaient connaissance de la politique de « tolérance zéro » des Nations unies sur les abus sexuels. Et aucune ne connaissait l’existence d’une ligne téléphonique pour dénoncer de tels abus.

« NAMING AND SHAMING »

D’après une autre enquête menée à Monrovia (Liberia) auprès d’un échantillon de 489 femmes âgées de 18 à 30 ans en 2012, « plus d’un quart (…) avaient procédé à des transactions sexuelles avec les casques bleus, généralement pour de l’argent. » Le rapport estime par ailleurs que le nombre de préservatifs distribués pour éviter les risques d’infection au VIH laisse penser « que les relations sexuelles entre les casques bleus et la population locale sont très répandues ».

Entre 2008 et 2013, 480 cas d’abus ou d’exploitations sexuelles ont été recensés au sein des Nations unies, et un tiers de ces cas implique des mineurs. Pour la première fois dans un rapport, le bureau des enquêtes internes pratique la politique du « naming and shaming » qui consiste à nommer et dénoncer les pays dont les ressortissants se sont rendus coupables de tels actes. Quatre pays sont particulièrement concernés : le Pakistan, l’Uruguay, l’Afrique du Sud, et le Nigeria. Ces accusations visent en premier lieu les militaires. Mais les civils (17 % du personnel des missions), représentent 33 % des accusations.

« Malgré une baisse continue du nombre de plaintes, qui s’explique en partie par une sous-estimation du nombre de cas, l’efficacité de la lutte contre l’exploitation et les abus sexuels est entravée par une organisation complexe et la lenteur de l’organisation à enquêter et à venir en aide aux victimes », note le bureau des enquêtes internes.

Le rapport estime que les investigations menées sur ces accusations prennent « beaucoup trop de temps » (seize mois de délai en moyenne). L’ONU doit par ailleurs s’en remettre aux pays d’origine des coupables et aux juridictions nationales pour les sanctions, ce qui entraîne « de très grandes disparités selon les Etats ».Les civils sont le plus souvent congédiés tandis que soldats et policiers sont renvoyés dans leur pays avec interdiction de participer à une autre mission onusienne. Cette enquête sort à un moment où l’ONU est vivement critiquée pour sa gestion des accusations de viols de mineurs commis en Centrafrique par des soldats français, tchadiens et équato-guinéens. Mais elle ne revient pas sur cette affaire.

Par Marie Bourreau (New York, Nations unies, correspondance)

Source: Le Monde.fr

Published in: on junho 21, 2015 at 9:41 pm  Deixe um comentário  

Accusations de viols en Centrafrique : l’ONU va lancer une enquête externe indépendante

Des soldats français lors d'une opération à Bangui, en février 2014.

Des soldats français lors d’une opération à Bangui, en février 2014. Crédits : Jerome Delay / AP

Le secrétaire général de l’Organisation des nations unies (ONU), Ban Ki-moon, prévoit de mettre en place une enquête externe indépendante portant sur sa gestion de l’affaire des agressions sexuelles présumées d’enfants par des soldats français et africains déployés en République centrafricaine (RCA), a indiqué son porte-parole mercredi 3 juin.

Lire aussi : Accusations de viols en RCA : « Soit il y a des salopards, soit c’est une manipulation »

« Son intention avec la mise en place de cette enquête est d’assurer que les Nations unies n’abandonnent pas les victimes d’abus sexuels, particulièrement lorsqu’ils sont commis par ceux qui sont censés protéger » les populations, a expliqué Stéphane Dujarric.

Enquête judiciaire ouverte en France depuis juillet

Au moins 14 soldats français déployés en RCA sont soupçonnés d’avoir abusé sexuellement d’enfants entre décembre 2013 et mai-juin 2014. Une enquête préliminaire a été ouverte par le parquet de Paris à la fin juillet 2014.

Lire aussi : Accusations de viols en Centrafrique : retour sur neuf mois d’enquête

Les autorités françaises ont ouvert leur enquête après avoir été saisies d’un rapport de l’ONU transmis à la mi-juillet par un fonctionnaire du Haut-Commissariat, Anders Kompass. François Hollande a promis d’être « implacable ». L’armée assure qu’elle ne veut pas « cacher quoi que ce soit ». Parmi les militaires soupçonnés, « très peu » ont été identifiés, selon une source judiciaire française, sans en dévoiler le chiffre précis.
Fonte: Le Monde Afrique. 

Published in: on junho 21, 2015 at 9:37 pm  Deixe um comentário  

Les préconisations d’experts pour réformer la mission des casques bleus

Le Monde.fr avec AFP | 17.06.2015 à 00h54 • Mis à jour le 17.06.2015 à 08h31

dapter l’ensemble des opérations de maintien de la paix de l’ONU aux nouveaux conflits, tel est l’objectif que s’est fixé un rapport d’experts rédigé sous la direction du Prix Nobel de la paix, José Ramos-Horta.

Commandé l’an dernier, avant une série d’accusations de scandales sexuels impliquant des casques bleus, le document, remis mardi 16 juin au secrétaire général des Nations unies Ban Ki-moon, ambitionne de réviser, pour la première fois depuis quinze ans les missions des soldats de l’ONU.

« PÉRIODE NOIRE »

Selon un résumé obtenu par l’AFP, il recommande notamment d’exclure des missions de maintien de la paix les pays qui bafouent les droits des enfants dans les conflits armés, afin d’éliminer le risque que des casques bleus ne commettent des abus sexuels.

L’ONU met à jour chaque année une « liste de la honte » des armées ou milices coupables de telles exactions. Elle comprend actuellement huit pays dont la Syrie, le Soudan du Sud, le Yémen et la République démocratique du Congo. La même exclusion devrait s’appliquer aux pays dont les armées en campagne commettent régulièrement des violences sexuelles dénoncées par l’ONU, ajoute le rapport.

Sur les exactions commises par les militaires des pays contributeurs de troupes, le texte suggère de rendre publiques les sanctions prises ainsi que de dénoncer l’absence de sanctions. « Personne ne devrait être au-dessus des lois », a affirmé M. Ramos-Horta à la presse tout en reconnaissant une contradiction : l’ONU est forcée de s’en remettre au pays d’origine des coupables pour les sanctionner.

Le rapport veut aussi accélérer les enquêtes — qui ne devront pas dépasser six mois, au lieu de seize mois en moyenne aujourd’hui — et créer un « programme efficace et bien financé d’aide aux victimes »La récente série de scandales impliquant des casques bleus « est la pire chose qui puisse arriver pour la crédibilité de l’ONU », a estimé M. Ramos-Horta, parlant de « période noire ».

MISSIONS D’UN NOUVEAU GENRE

Sur la refonte des missions des casques bleus de manière générale, le rapport observe que depuis la dernière révision de celle-ci, la donne a changé : aujourd’hui les soldats de l’ONU sont la cible d’attentats extrémistes, comme au Mali, ou d’enlèvements par des groupes armés, comme sur le plateau du Golan.

En quinze ans, les crises régionales se sont par ailleurs multipliées et le nombre de casques bleus a grimpé (près de 130 000 hommes, contre 20 000 il y a quinze ans, pour un budget de 8 milliards de dollars). Leur mandat est aussi plus complexe : ils doivent protéger les civils mais aussi aider les pays hôtes à préparer des élections.

Le rapport recommande ainsi de créer une force onusienne de déploiement rapide « de taille modeste » pour renforcer les missions en cas d’urgence mais rejette l’idée d’impliquer l’ONU dans des opérations antiterroristes.

Il invite par ailleurs les pays développés ou émergents à fournir davantage de fonds et de soldats aux missions, qui s’appuient souvent sur des contingents de pays en développement (Bangladesh, Pakistan).

Enfin, il estime souhaitable une présence plus grande des femmes dans les opérations et préconise le déploiement d’experts en droits de l’homme afin que les missions fassent dans ce domaine des « rapports réguliers et publics ».

Fonte: Le Monde. 

Published in: on junho 21, 2015 at 9:31 pm  Deixe um comentário  

Dia do peacekeeper – o que o Brasil tem com isso?

Por Eduarda Hamann

Ontem, 29 de maio, foi celebrado o Dia Internacional dos peacekeepers. Assim são chamados os profissionais que trabalham sob a bandeira azul da ONU e que recebem a difícil tarefa de manter a paz, às vezes em lugares onde não há paz para ser mantida. Ao todo, o Brasil já enviou mais de 40 mil militares e policiais para missões de paz,mas pouca gente além desses brasileiros sabe disso.

O Brasil contribui para as operações de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) desde a primeira missão, em 1948. Até hoje, 69 missões já foram autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU, e cerca de 50 dessas contaram com a participação de brasileiros.

Nos últimos 70 anos, o trabalho do peacekeeper se tornou mais complexo e perigoso. Os conflitos armados contemporâneos são bem diferentes dos da Segunda Guerra Mundial. Por exemplo, os civis não estão mais isolados como antes – muitos se envolvem com grupos armados e a imensa maioria sofre, sem defesa, com as terríveis consequências dos confrontos que hoje ocorrem no meio das cidades. Além disso, o fácil acesso a armas e munições, aliado às novas ameaças (como as provenientes do extremismo), forçaram a ONU a repensar a maneira de responder aos novos desafios.

A partir da década de 1990, algumas missões passaram a incorporar elementos relacionados ao desenvolvimento socioeconômico e, recentemente, certas missões receberam “dentes”, isto é, uma autorização formal para usar a força em situações complexas de escalada da violência. É particularmente emblemático o caso da missão da ONU na República Democrática do Congo, cujas tropas são comandadas por um general brasileiro.

De todas as missões de paz das quais participou, a mais importante para o Brasil é, sem dúvida, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH). Primeiro, em termos diplomáticos, desde a elaboração do mandato, o país fez gestões importantes junto aos demais países da região para convencê-los não somente a aceitar uma missão de natureza mais militarizada, mas também de efetivamente enviar tropas para a implementação do mandato. Isso reforçou a liderança regional do Brasil e conferiu ao país um papel de destaque também na missão. Segundo, em termos militares, o Brasil precisou desenvolver novas técnicas, táticas e procedimentos para dar conta dos desafios da pacificação, sobretudo entre 2005 e 2007, e o sucesso das operações deflagradas fortaleceu a moral das tropas dentro e fora do Brasil, mesmo depois do terremoto de janeiro de 2010.

Iniciada em junho de 2004, a MINUSTAH agora passa por um complexo processo de reconfiguração junto com as demandas do governo haitiano, e já experimenta a gradual retirada de tropas e de policiais da ONU até o seu possível término em 2016.

No entanto, apesar dos avanços principalmente decorrentes da MINUSTAH, o Brasil não desfruta de boa posição nos rankings internacionais relacionados às operações de paz. Há hoje 1.680 tropas brasileiras nas missões da ONU, equivalentes a 0,57% do efetivo militar do país. Este contingente coloca o Brasil na 21ª posição do ranking da ONU, uma vez que correspondem a apenas 1,63% do total do pessoal uniformizado (militares e policiais) sob a bandeira da organização.

A contribuição do Brasil para o fundo das operações de paz da ONU também é baixa e equivale a somente 0,6% do total. Além disso, mesmo sendo pequena a cota brasileira, desde 2012 o país não remete parte de suas contribuições obrigatórias e a dívida junto ao orçamento das operações de paz já chega a 87 milhões de dólares. Não se trata de uma situação confortável para quem busca um papel mais proeminente no sistema de paz e segurança internacional, incluindo o assento permanente no Conselho de Segurança.

No Dia dos Peacekeepers, o Brasil pode realmente se orgulhar do que os seus cidadãos têm feito pelo mundo – da América Latina ao sudeste asiático, da África a Europa. Mas a data também convida a reflexões profundas, sobretudo em meio a crises políticas e institucionais.

É preciso discutir o lugar das mulheres brasileiras nas forças armadas e nas operações de paz, bem como a melhor gestão dos policiais militares que participam das missões da ONU. Além disso, também se faz necessário um debate amplo a respeito do papel que o país quer desempenhar no sistema de paz e segurança, seguido de investimento de recursos (humanos e financeiros) na implementação de suas decisões estratégicas.

Fonte: Igarapé

Published in: on junho 21, 2015 at 9:26 pm  Deixe um comentário  

Veterano de Missão de Paz publica seu terceiro livro

O Tenente-Coronel da Reserva Remunerada da PMDF Antônio Sérgio Carrera, veterano da Missão de Paz da ONU em Moçambique (ONUMOZ, entre 1993-1994), publica seu terceiro livro hoje, dia 11 de junho de 2015, no Espaço Cultural do Restaurante Carpe Diem da CLS 104, Asa Sul, Brasília-DF.

Após publicar um livro sobre a experiência de um policial militar brasileiro em Missão de Paz na África (Sierra Romeu 8 – Uma Operação de Paz na África) e sobre a vida de um Oficial R/2 do Exército (Uma vida na caserna – lembranças de um oficial R/2), o seu terceiro livro é uma ficção com o título “VINTE ANOS DEPOIS”.

Prestigie!

 vinte anos depois

INFORMAÇÕES:

Data: 11 de junho de 2015.

Local: Espaço Cultural do restaurante Carpe Diem da CLS 104, Asa Sul, Brasília-DF.

Forma de aquisição: Os livros serão obtidos diretamente com o autor ao preço de R$ 35,00, pagos em espécie ou cheque em razão de não haver qualquer vinculação com o restaurante para a comercialização.

Published in: on junho 11, 2015 at 6:45 am  Deixe um comentário  

Lembranças ao eterno peacekeeper – Ten PMDF Cleiton Batista Neiva

Nesta semana, o nosso querido amigo Cleiton Batista Neiva completaria mais um ano de vida.

Torna-se um pouco repetitivo falar dele, mas é impossível deixar de lembrar de sua figura como pai, filho, marido, profissional e amigo atencioso.

Lembrava nesses dias quando participamos de um processo seletivo para Missões de Paz em 2003 ou 2004. O Cleiton estava apreensivo pois seria a primeira vez que faria a avaliação no idioma francês e à época, não era comum oficiais subalternos serem autorizados a participar de uma missão de paz, muito menos habilitados em idioma francês. Ambos passamos (eu em inglês), mas o Cleiton foi o único que passou em francês, e em poucos meses se deslocou ao Haiti para integrar a MINUSTAH, juntamente com outros dois oficiais (um da PMBA e um da PMGO), sendo os primeiros policiais militares brasileiros a compor a recém-criada missão da ONU. Assumiu cargos importantes e foi motivador e exemplo para vários outros policiais. A muito devo a suas orientações!

Foi o primeiro peacekeeper da 8ª Turma de Oficiais da PMDF (Aspirantes 1999), turma essa que leva seu nome.

Temos todos a certeza de que sua missão foi cumprida e a sua vida atingiu positivamente a muitas pessoas. Sua partida prematura de nosso convívio, em decorrência dos sismos no Haiti em 2010, nos deixam saudosos. Mas felizes àqueles que puderem conhecê-lo e conviver consigo.

Certo que está em lugar muito melhor, deixo apenas alguns registros, com toda a saudade que a sua ausência nos traz.

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Foto 1 – Ainda com o “bichoforme” – 1º Ano da Academia da PMDF, com amigos de turma.

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Foto 2 – No 3º Ano da Academia da PMDF, com amigos de turma.

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Foto 3 – No 3º Ano da Academia da PMDF, com amigos de turma no intervalo das aulas.

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Foto 4 – No 3º Ano da Academia da PMDF, com amigos de turma se preparando para desfile ou jarrão …

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Foto 5 – Na Base Operacional nº 8 – Terceiro e último Acampamento – No 3º Ano da Academia da PMDF.

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Foto 6 – Na Base Operacional nº 8 – Terceiro e último Acampamento – No 3º Ano da Academia da PMDF.

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Foto 7 – Baile da Espada – Após declarado Aspirante a Oficial, com sua irmã.

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Foto 8 – Baile da Espada – Após declarado Aspirante a Oficial, com sua mãe.

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Foto 9 – Recepção oferecida pela Embaixada do Brasil em Porto Príncipe, em comemoração ao 7 de setembro. 2007. Major BMRS Marco e sua esposa Irene.

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Foto 10 – No comando de operação durante distúrbios em Porto Príncipe. Entre 2004 e 2005.

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Foto 11 – Prestigiando o efetivo UNPOL na MINUSTAH durante solenidade de outorga da Medalha da ONU. 2007.

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“Saudades, querido mano!”

Published in: on junho 6, 2015 at 8:03 am  Deixe um comentário  

Brasil recebe solicitação para indicar policiais militares para o cargo de PoC Site Coordinator no Sudão do Sul

A Organização das Nações Unidas lançou job description para processo seletivo para o cargo de PoC Site Coordinator, da Missão de Paz da ONU no Sudão do Sul (UNMISS).

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O cargo é nível P-4.

O Brasil, e demais estados-membros da ONU, recebeu solicitação para indicar policiais candidatos para o cargo em regime de secondment contracted e em breve as corporações PM deverão ser notificadas.

Considerando entendimento do Exército nos últimos anos, o cargo deverá ser preenchido por Tenente-Coronel, com deadline para indicação junto a ONU até o dia 24 de julho de 2015.

Trata-se de um processo seletivo, onde os indicados concorrerão com policiais de vários países.

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Foto: O Major Marco Antonio, da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, em Entebbe/Uganda, durante Induction Training, antes do deployment em sua Missão no Sudão do Sul.

PS: Nota já postada sobre as campanhas para cargos de secondment e importância dos cargos – vide post link 

Published in: on junho 6, 2015 at 6:19 am  Deixe um comentário  

Missões de Paz onde o Brasil comanda componentes

Atualmente (junho de 2015), o Brasil está a frente dos componentes militares em 03 Operações de Paz: dois oficiais-generais do Exército Brasileiro nos cargos de Force Commander (Comandante da Força) no Haiti (MINUSTAH) e no Congo (MONUSCO) (1).

Temos ainda um Oficial-General (Almirante) da Marinha, como comandante da “Força Naval” do “Componente Militar” da Missão no Líbano (UNIFIL).

Não há nenhum brasileiro no cargo de comandante (Police Commissioner) do componente policial (United Nations Police – UNPOL) em qualquer Missão de Paz. O último brasileiro a ser comandante de um componente policial foi o Coronel PMDF Nelson W. Garcia, na Guiné-Bissau (UNIOGBIS), entre os anos de 2010 e 2011, no cargo de Senior Police Adviser (2).

(1) É o segundo cargo de Force Commander exercido pelo General Santos Cruz, que também foi o comandante da Força no Haiti (MINUSTAH), quando tomou posse em 2008.

(2) Em missões multidisciplinares, via de regra, existem 3 componentes: a) o civil (composto por profissionais do quadro de pessoal da ONU e que chefiam e ocupam os principais cargos das missões, como o de Representante Especial do Secretário Geral da ONU); b) o policial (composto por policiais em missões individuais – staff e tropas de controle de distúrbios/Companhias de Policiamento de Choque – as Formed Police Unit/FPU dos estados-membros, sendo comandada pelo Comissário da Polícia, Police Commissioner, – policial de carreira indicado por um estado-membro da ONU em cargo de secondment contracted, normalmente nível D/2); e, c) o militar (composto por militares em missões individuais – staff e tropas militares dos estados-membros comandada por militar de carreira indicado por um estado-membro da ONU em cargo de secondment contracted, normalmente nível D/2 – Force Commander).

Nota:

a) Importante destacar que os componentes militares e policiais estão subordinados administrativamente às autoridades civis Special Representative of the Secretary-General (SRSG – chefe da missão) e os Deputies, mas tem autonomia para a gestão administrativa e operacional de seus componentes, não trabalham em parcerias e não subordinação.

b) Para cada componente existe um Stardard Operating Procedure (SOP) específico.

c) Pode ainda haver um precedência funcional de cargos, para fins de cerimonial e na ausência de autoridades civis da área de missão. Ainda podem existir missões de natureza “tradicional”, como as primeiras, onde o Comandante da Força era também o SRSG, mas são exceções a regra.

d) Cada missão possui estruturas e organogramas e cargos distintos, mas seguem essa lógica. Não necessariamente o componente policial (UNPOL) terá tropas de choque (FPU) e em muitas missões os militares destacam Observadores Militares para o terreno, não sendo o caso de desdobramento de tropa.

Published in: on junho 6, 2015 at 5:32 am  Deixe um comentário  

Oficial da PMAL é indicado para cargo de Gênero e Pessoas Vulneráveis na Missão de Paz da ONU em Guiné-Bissau

No dia 02 de junho de 2015, o Ministério da Defesa (MD) indicou ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Major PMAL Rhonady Severino Oliveira para concorrer à vaga de Police Officer – Gender & Vulnerable People, nível profissional staff P-3, secondment contracted, para cargo no Escritório Integrado das Nações Unidas para Consolidação da Paz em Guiné-Bissau (UNIOGBIS).

Parabéns ao veterano oficial pela indicação e a PMAL.

Published in: on junho 4, 2015 at 7:23 pm  Deixe um comentário  

ONU solicita ao Brasil indicação de policiais para o cargo de Police Commissioner no Sudão do Sul

(Editado 06 de junho de 2015 – ERRATA)

A Organização das Nações Unidas lançou job description para processo seletivo para o cargo de Police Commissioner (Comissário da Polícia, comandante do componente policial) da Missão de Paz da ONU no Sudão do Sul.

O cargo é nível D-2, um dos mais altos e importantes do sistema das Nações Unidas.

O Brasil, assim como os demais estados-membros da ONU, recebeu solicitação para indicar candidatos para o cargo de “Secondment Contracted” e em breve as corporações policiais militares deverão receber solicitação de indicados.

Geralmente, para este cargo, o posto é de Coronel PM e os candidatos deverão estar habilitados por processo realizado pelo Exército.

Ressalta-se que uma campanha para o cargo de secondment contracted dura em média 2 anos (indicação, análise de CV – P11 e attachments, análise de exames médicos, entrevistas, short list e decisão), salvo casos emergenciais, motivo pelo qual é altamente recomendável que as instituições indiquem representantes para ocupar o cargo máximo policial na Missão de Paz no Sudão do Sul, motivo de orgulho para a instituição e os governos locais e federal, ao representar o Brasil como chefe de um componente de uma Operação de Paz, tal como temos hoje, dois generais do Exército Brasileiro como comandante dos componentes militares, no Haiti e Congo, e um Oficial-General (Almirante) da Marinha, como comandante da “Força Naval” do “Componente Militar” da Missão no Líbano (UNIFIL), sendo sempre destaque e prestígio para as instituições e para o país.

Um fator diferencial e facilitador, sem dúvida (especulação), é o fato da exigência apenas da proficiência do inglês (possivelmente tendo os idiomas francês e/ou árabe, como desejáveis), e experiência prévia em missões.

Felizmente, na atualidade, o Brasil possui fortes candidatos que preenchem os requisitos.

Essa é uma boa oportunidade para que a já mencionada cooperação e compreensão da importância da participação policial brasileira seja colocada em prática por meio de uma “sensibilização” quanto ao tema entre os órgãos envolvidos.

O prazo do Brasil para indicação dos candidatos para o cargo junto a ONU tem como deadline o dia 24 de julho de 2015.

NOTA:

As indicações são apenas para concorrer ao cargo e em nada se confunde com seconded to the UN Police (UNPOL – Non contracted), onde ao indicar, a vaga estaria teoricamente certa.

Published in: on junho 3, 2015 at 2:45 am  Comments (1)  

Dia do Peacekeeper: momento de reflexão

O Ministério da Defesa realizou na data de ontem, 29 de maio de 2015, uma solenidade alusiva ao Dia Internacional dos Peacekeepers, os mantenedores da paz (os boinas azuis). O evento ficou a cargo do Exército brasileiro e foi realizado no Comando Militar do Planalto/Setor Militar Urbano, em Brasília-DF.

Como tradicionalmente ocorre, policiais militares do Distrito Federal são convidados a participarem do evento, recebendo convite individual, do próprio Ministro da Defesa, o que é sempre um motivo de prestígio e, de certa forma, a PMDF acaba por representar os policiais militares dos demais estados do país.

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Foto 1: Policiais militares do Distrito Federal, veteranos de missões de paz da ONU, que participaram do evento.

O evento contou com autoridades das Forças Armadas que se posicionaram em local de destaque, mas não contou com a figura de uma autoridade policial que representasse as Corporações Policiais Militares que contribuem com efetivos (não sei se por não ter sido convidado ou não ter podido comparecer devido a agenda – lembro que o Comandante-Geral da PMDF é veterano de 2 missões de paz da ONU). Ademais, não havia qualquer foto, imagens ou informações sobre a participação policial militar brasileira em qualquer das 11 missões de paz onde se fizeram presentes desde o ano de 1991.

peacekeepers 2015 - autoridades

Foto 1: Autoridades de cada Força Armada, Ministro da Defesa e Ministro do GSI.

Na Ordem do Dia de 2015, em seu pronunciamento, o Ministro Jacques Wagner menciona, ao fim do texto, agradecimento aos policiais brasileiros:

“Neste 29 de maio, presto homenagem aos capacetes azuis brasileiros – militares, policiais e civis que, comprometidos com a construção da paz , elevam o nome da nação brasileira no cenário internacional.” 

Em 2014, nenhuma citação aos policiais militares foi feita na Ordem do Dia do Ministro Celso Amorim, se restringindo a participação brasileira em missões de paz exclusivamente aos militares das Forças Armadas.

No ano de 2013, segundo o site do Forte, faz-se uma menção aos policiais militares em missões:

“Esse quantitativo, composto de militares das três Forças Armadas, além de policiais e bombeiros, contribui para estabelecer a presença e estreitar o apoio do Brasil a nove nações: Chipre, Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Haiti, Líbano, Libéria, Saara Ocidental, Sudão e Sudão do Sul.” (Ministro Celso Amorim).

Em 2012, o Ministro da Defesa Celso Amorim fez a seguinte menção aos policiais militares:

“O Brasil enaltece também os militares e policiais militares que integram missões na áfrica , no oriente médio e na Ásia.”

Em 2011, também não houve qualquer menção aos policiais militares, conforme publicação no blog do Planalto (Presidência da República), mas apenas aos militares das FFAA (Ministro da Defesa Nelson Jobim).

Nota-se, ao se realizar uma breve análise dos últimos anos, que embora convidados a participarem do evento (convite individual), carece o Estado brasileiro (União) reconhecer e valorizar a participação de policiais militares brasileiros em missões de paz. São em pequenas ações como essas, que o reconhecimento do país (BRASIL) é desejado e esperado. Parece algo pequeno, mas é simbólico e significativo.

Uma missão de paz (multidisciplinar) é geralmente composta por 3 componentes: um civil (que chefia a missão), um militar e um policial. Felizmente, o Brasil tem se destacado por sua contribuição nos componentes militares em Operações de Paz, desde Angola, Timor Leste, até o Haiti, quer com tropas (companhias e batalhões – até Brigada na MINUSTAH) ou em missões individuais, com os Observadores Militares. Entretanto, o componente policial ainda não é enxergado pelas autoridades com a relevância que merece e é dado pelos demais países, mesmo considerando cargos importantíssimos já ocupados por policiais militares brasileiros e de ser o foco de grande parte das missões (principalmente, após período pós-conflito e estabilização), inclusive com missões plenamente policiais, com o foco no rule of law e Security Sector Reform – SSR.

Faz-se ímpar também citar a falta de envolvimento da maioria das Corporações Policiais Militares (políticas institucionais e ações individuais) que ainda não amadureceram e não enxergam os “porquês” de autorizar a liberação de efetivos para integrar missões de paz. Mais importantemente, os míopes e limitados intelectuais de plantão, devido a mediocridade de suas personalidades, não apenas são contra mas denigrem e maculam aqueles que buscam servir por uma causa nobre e de reconhecimento profissional e pessoal. Limitar-se a prejudicar quem estuda, passa em concurso nível nacional (caso dos policiais militares) devido a incapacidade, ignorância, limitações e falta de coragem de servir em área de conflito e a ficar longe de casa (zona de conforto) ainda existe, inclusive em gerações mais novas, o que é apenas digno de pena. Não concordar é algo pessoal, mas existem valores muito mais importantes por trás de uma participação em experiência dessa natureza. Não concordar com algo não pode significar lutar contra, levantar uma bandeira de combate àqueles que perdem horas de estudo e aperfeiçoamento intelectual e técnico, de provas de tiro, direção defensiva, idiomas, entrevistas,  além de não estar respondendo judicialmente ou ter ficha disciplinar digna e ter seu currículo avaliado e analisado se é adequado para as funções e cargos nas missões.

Se, assim como nas Forças Armadas, fosse motivo de orgulho institucional nas PMs, esse quadro seria muito diferente. Na Polícia Militar do Paraná (PMPR), o policial militar ao retornar de missão é condecorado (com pontuação para fins de promoção por merecimento – a mais alta) e tem seu tempo considerado como de campanha. Referência e padrão internacional.

O atual momento é de reflexão para mudanças substanciais, concretas e objetivas. Os órgãos federais devem promover medidas de cooperação e comprometimento entre as UF’s e União, provocar medidas diversas, como mudança de legislação, padronização, atualização de treinamentos e preparação focados no componente policial (UNPOL) que funcionem e não figurem apenas no papel.

O MRE, MD e EB deveriam buscar “alianças”, unir esforços e compromissos/comprometimento entre os órgãos e governos, pois enquanto governadores e ministros de estados talvez nem tenham conhecimento sobre o que faz um policial numa missão de paz (ou mesmo que eles participam), politicamente será inviável ao país qualificar da forma apropriada (seleção e treinamento), manter e aumentar o número de missões policiais individuais e fazer o acompanhamento adequado dos que estão a serviço do Brasil e promovendo direitos humanos, paz e segurança.

Se “A união faz a força” e “unidos somos mais fortes”, eis que chegou a hora de deixar a vaidade e o ego de lado (pessoais e institucionais) e pensar no tema “cooperação policial para missões de paz” como parte da agenda da política externa do país.

As dificuldades existem. Mas quando se tem vontade, tem solução. Inúmeras são as possibilidades factíveis para mudanças concretas.

O que falta, então?

Particularmente, torço para que os sábios prevaleçam ante os medíocres e ignorantes.

Boa sorte as novas gerações!

A palavra-chave é “cooperação”.

S.

Ref.:

Ordem do dia de 2015 – Link do Ordem do Dia Peacekeepers – 2015 (arquivo)

Ordem do dia de 2014 – Link do Site do MD e Ordem do Dia Peacekeepers – 2014 (arquivo).

Published in: on maio 30, 2015 at 9:12 pm  Comments (2)  

Boinas Azuis – Dia Internacional dos Peacekeepers

Criado em 29-05-15 21:53. Última atualização em 29-05-15 21:53. Escrito por Gilmar Santo.

O dia 29 de maio foi instituído como o Dia Internacional dos Peacekeepers, através da Resolução da ONU nº 57/129 de Fev/2003, como homenagem àqueles que serviram e continuam servindo em Operações de Paz da ONU, em todo o mundo.

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Em comemoração a esse dia, foi realizada uma cerimônia no Comando Militar do Planalto (CMP), no Setor Militar Urbano (SMU), em Brasília/DF. O evento contou com a presença do Ministro da Defesa e com a participação de militares das forças armadas e auxiliares que participaram das diversas missões em que o Brasil participou. A PMDF se fez presente com veteranos de diversas missões.

Fonte: Site PMDF

Published in: on maio 30, 2015 at 7:21 pm  Deixe um comentário  

PMDF OCUPA LUGAR DE DESTAQUE EM MISSÕES DE PAZ

Criado em 26-05-15 19:14. Última atualização em 28-05-15 11:21. Escrito por Fabio Evangelista

No dia 29 de maio é comemorado o dia mundial do peacekeeper, o soldado da paz, e a PMDF é, entre as policias militares de todo o Brasil, a maior contribuidora de material humano para as missões de paz em todo o mundo.

Desde a primeira missão de paz da ONU, em 1948, o Brasil participou de todas elas. Até 2007, mais de 18.000 militares e civis representaram o Brasil nas missões da ONU.

A Polícia Militar do Distrito Federal também participou de todas essas missões envolvendo polícias militares. Em 1991, o capitão Antônio Ribeiro da Cunha liderava o primeiro grupo de policiais brasileiros a integrar uma missão de paz da ONU, em Angola, na África.

Em todos esses anos PMDF enviou mais de 100 policiais em missões da ONU. Além de Angola, a PMDF também atuou na Guatemala, El Salvador, Moçambique, Kosovo, Guiné-Bissau, Sudão, Sudão do Sul, Haiti e Timor Leste.

26-05-2015 Missoes de Paz

Na foto, o major da PMDF Rodrigo Campos, em missão de paz da ONU, saudando um veterano da revolução armada que depôs suas armas para exercer seu direito ao voto, nas regiões montanhosas do Timor Leste.

Veteranos das forças armadas e das policias militares que participaram de missões de paz serão homenageados no Comando Militar do Planalto, no Setor Militar Urbano, às 09h do dia 29/05.

Fonte: Site PMDF (matéria corrigida)

NOTA:

Das 11 missões policiais que o Brasil participou, a PMDF se fez presente em todas, inclusive na Ex-Iugoslávia.

Published in: on maio 28, 2015 at 3:39 pm  Deixe um comentário  

Lançamento do livro “ONU – Operações de Paz”

No Dia Internacional dos Peacekeepers, 29 de maio, às 17:00, no 3o Regimento de Polícia Montada-Brigada Militar em Passo Fundo-RS, ocorrerá o lançamento do livro “ONU – Operações de Paz: a evolução histórica da ONU, da Polícia das Nações Unidas (UNPOL) e a participação da Brigada Militar”, de autoria do ilustre Major QOEM Marco Antonio dos Santos Morais, do Rio Grande do Sul. Veterano de 2 Missões de Paz (Haiti e Sudão do Sul), o atual Comandante do Colégio Militar de Passo Fundo, receberá os convidados e a sociedade em evento de relevância não apenas para ele, mas para a história de nosso país.

Parabéns ao Major Marco pela excelente iniciativa, a qual será objeto de leitura por muitas gerações.

Sucesso!

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COMO COMPRAR: Como autor independente, ele mesmo irá comercializar o livro, ao preço de R$40,00 (quarenta reais) + 4,20 (carta simples) ou 7,20 (carta registrada). Os interessados podem entrar em contato comigo inbox aqui no face ou, também, através do e-mail cap_marco@hotamil.com.

Síntese realizada pelo autor:

As Operações de Paz da ONU evoluíram desde a metade do século passado de Operações com estrutura e funções essencialmente militares para as Operações Multidimensionais, nas quais os segmentos civil, militar e policial se tornaram os três pilares básicos de uma Operação de Paz. Nesse contexto a participação policial nessas Operações ganhou destaque e importância dentro dos objetivos globais das missões a partir da década de 1990. Essa mudança de patamar da atividade policial é apresentada através do estudo do histórico da ONU e de seus órgãos internos, como o Conselho de Segurança e o Departamento de Operações de Paz (DPKO), dando ênfase à importância da United Nations Police (UNPOL) através da análise de suas funções específicas em uma Operação de Paz multidimensional, com destaque especial aos diferentes mandatos policiais estabelecidos pelo Conselho de Segurança para cada Operação. Através de relatos e fotografias, o livro faz um resgate histórico da experiência vivenciada por vinte e um Oficiais da Brigada Militar durante suas participações individuais em sete Operações de Paz ONU desde 1993, com um texto repleto de informações gerais e específicas a respeito das atividades diárias e funções desempenhadas por esses valorosos Oficiais nas Operações de Paz da ONU em El Salvador (UNOSAL), na Guatemala (MINUGUA), em Kosovo (UNMIK), no Haiti (MINUSTAH), na Guiné Bissau (UNIOGBIS), no Timor Leste (UNMIT) e recentemente no Sudão do Sul (UNMISS). O número expressivo de sete Operações de Paz proporciona ao leitor uma visão global do trabalho da UNPOL e da evolução das missões policiais, visto que a apresentação de cada operação parte da análise do histórico do conflito, do Mandato atribuído à UNPOL e das peculiaridades do cenário encontrado por esses Oficiais em diferentes países da América Central, Europa, Caribe, Ásia e África.

Published in: on maio 24, 2015 at 6:24 am  Deixe um comentário