ONU utiliza drones em missões pela primeira vez

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO
por France Press, publicado por Luís Manuel Cabral

As Nações Unidas lançaram oficialmente esta terça-feira em Goma, na República Democrática do Congo, o primeiro drone utilizado em missões da organização.

O aparelho, de fabrico italiano, partiu do aeroporto de Goma após uma apresentação à imprensa que contou com a presença do chefe de operações de manutenção da paz da ONU, Hervé Ladsous e vários diplomatas.

A ONU dispõe de dois drones para ajudar a missão para a estabilização da paz na República Democrática do Congo que começaram a efetuar testes de voo no domingo. Estes aparelhos, que não carregam qualquer tipo de arma, serão exclusivamente utilizados em missões de vigilância da ONU na província de Kivu do Norte, onde atuam dezenas de grupos armados. Os drones também deverão assegurar o controlo da fronteira entre a RDC e os países vizinhos Uganda e Ruanda, numa tentativa de evitar que esses dosi países continuem a fornecer armamento às milicias congolesas. os dois países, no entanto, negam qualquer apoio a grupos armados na República Democrática do Congo.

A ONU espera vir a ter cinco drones operacionais, fabricados pela Selex, uma subsidiária do grupo italiano Finmeccanica,que sejam capazes de oferecer uma vigilância no terreno de 24 sobre 24 horas a partir do mês de março do próximo ano.

Fonte: Site DN GLOBO.

Published in: on dezembro 3, 2013 at 3:32 pm  Deixe um comentário  

As missões estratégicas para a paz no continente (africano)

General António José Maria  

 
A visão estratégica de Angola permitiu enviar sinais de estabilização política num raio de acção considerável

Fotografia: DR 

Este artigo define inequivocamente o pensamento estratégico do chefe e do seu génio militar, a maneira como ele movimenta os generais, o exército, a logística, como congrega e utiliza os recursos e as potencialidades do país para atingir os objectivos da guerra.
Mas a condição fundamental está no conhecimento de si próprio e do inimigo, pois é imprescindível ao chefe conhecer primeiro o seu território e logo o território do seu inimigo, e será grande sabedoria conhecer os vizinhos para saber com quem fazer as alianças.
Ora, o General Presidente José Eduardo dos Santos reuniu em si, com sagacidade, tais factores e com perícia tratou primeiro das questões do Sul, por esta ser a direcção principal da guerra pela ameaça criada pela África do Sul e pela UNITA, a qual depois de ser vencida levou à independência da Namíbia e à queda do Apartheid.
Tratou depois da ameaça retomada por Mobutu outra vez, e por Lissouba e Kolelas, que se aliaram à UNITA. Tratou da ameaça proveniente da Região dos Grandes Lagos personificada na coligação Tutsi–Ruanda, Uganda e Burundi contra a RDC, participando na contra-coligação da SADC integrada por Angola, Namíbia e Zimbabwe, considerada, por estudiosos da guerra, a Primeira Guerra Mundial Africana. A RDC, em pleno coração de África, seria a sede do seu quartel-general para a materialização do seu objectivo estratégico de ligar o Índico ao Atlântico e controlar todos os recursos ali existentes (humanos, minerais, florestais – com a sua fauna -, hídricos e marinhos).
Surpreendeu a França e os Estados Unidos da América que, feridos no seu orgulho, aplicaram sanções contra o nosso país, pois que pensaram que o Presidente Angolano tinha desencadeado pretensões hegemónicas na Região. Admiraram-se, sobretudo, da capacidade e eficácia com que Angola realizou uma espectacular e grandiosa operação de terceira dimensão ao aerotransportar as suas tropas, as do Zimbabwe e as da Namíbia, com toda a sua logística combativa. Exercício jamais feito ao Sul do Sahara, o de projecção das suas próprias tropas e as das dos seus aliados, percorrendo as extensões entre os paralelos 21º30’ e 0º30’, próximo do trópico de Capricórnio e para lá da linha do Equador, e os Meridianos 9º e 31º00’: 

– Luanda-Windoek-Kinshasa:  3.645 quilómetros;
– Luanda-Harare-Kinshasa:  4.454 quilómetros;
– Luanda-Kinsangani-Kinshasa: 2.895 quilómetros;
– Luanda-Bujumbura-Kinshasa: 3.459 quilómetros;
– Luanda-Libreville-Luanda: 2.190 quilómetros.
Somente mais tarde estas potências reconheceram que o Intervencionismo de Angola e do Presidente José Eduardo dos Santos tinha como objectivo primordial garantir a segurança nacional e a integridade territorial e, por consequência, a pacificação e a estabilização da Região Central e da Região dos Grandes Lagos. Reconheceram, finalmente, que Angola fez por elas o que elas próprias deveriam ter feito!…
É de todos conhecido que a UNITA, desprotegida pela África do Sul, refugiou-se nos dois Congos, que, por esta razão, se constituíram na ameaça directa às províncias de Cabinda, Zaire e Uíge. Impunha-se, obviamente, evitar a nova Internacionalização do conflito interno, que depois de 1997 se estendeu por mais cinco dolorosos anos, até 22 de Fevereiro de 2002, quando se concretizou um dos três cenários esboçados pelo Presidente José Eduardo dos Santos sobre o destino do líder da UNITA.
Esta breve radiografia da experimentada capacidade de manobra política, diplomática e militar do Presidente José Eduardo dos Santos pode sumarizar-se da forma seguinte: 

Manobra político-diplomática  
• Bateu-se para a implementação da Resolução 435/78 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, instrumento fundamental aceite pela Comunidade Internacional para a independência da Namíbia e para a erradicação do Apartheid da África do sul, e, concomitantemente, a pedra angular da sua Estratégia de retirar os factores externos ao conflito interno angolano;
• Aceitou o Compromisso de Lusaka, em 1984, para o desengajamento das tropas sul-africanas no Sul de Angola, que, entretanto, intentaram contra o Malongo, acto imputável à UNITA caso resultasse;
• Subscreveu o Acordo de Nova Iorque, a 22 de Dezembro de 1988;
• Subscreveu o Acordo de Bicesse, a 31 de Maio de 1991;
• Subscreveu o Acordo de Lusaka, a 20 de Novembro de 1994;
• Subscreveu o Memorando de Entendimento do Luena, a 30 de Março de 2002;
• Subscreveu o Acordo de Paz, a 4 de Abril de 2002;
• Subscreveu, a 1 de Agosto de 2006, o Memorando de Entendimento do Namibe sobre a Paz em Cabinda com o Fórum Cabindês Para o Diálogo. 
Manobra Militar  
• Definiu com clareza a direcção principal, quer a ameaça viesse do inimigo do Sul ou quando viesse do Norte, isto é, do Congo-Kinshasa, do Congo-Brazzaville e da Região dos Grandes Lagos. Soube definir e estabelecer as alianças necessárias, para, em nome da SADC, com o Zimbabwe e com a Namíbia, impedir, no momento oportuno, a tomada de Kinshasa pela coligação Tutsi–Ruanda, Uganda e Burundi;
• Em função da sua visão e actuação dos Anos 90, a década seguinte 2000–2010 trouxe sucessivamente a Angola o senhor embaixador Aldo Ajello, Representante da CEE para os Grandes Lagos, o ex-presidente nigeriano Olusengu Obasanju e outros diplomatas que vieram buscar a experiência do Presidente José Eduardo dos Santos para a solução dos conflitos intra-étnicos e inter-étnicos da Região Central e da Região dos Grandes Lagos;
• Reorganizou as Forças Armadas Angolanas, completamente destroçadas pelos Acordos de Bicesse e capacitou-as com armamento e técnica moderna;
• Definiu com clareza os limites da resistência da subversão interna;
• Adquiriu armamento e técnica aos países amigos tradicionais, utilizando os recursos possíveis provenientes do petróleo;
• Dirigiu a reconquista do território nacional e repôs a autoridade do Estado, através das grandes operações, combinando a guerra convencional para a reocupação territorial efectiva do país, com a flexibilidade das unidades tácticas de caçadores para combater a guerrilha, cujo desfecho se registou a 22.02.2002 no Lucusse, depois das grandes batalhas do Huambo, Bailundo, Andulo e de outras cuja magnitude e importância abordaremos quando o tempo no-lo permitir e que desabrocharam em frutos de Reconciliação Nacional (…reunite the whole Angolan people – reconciliar todo o povo Angolano) Escritores Afro-Asiáticos, 30/8/10;
• Guardou a Soberania Nacional e Conservou a Integridade Territorial;
Como se pode constatar por aquilo que disse, estou compelido a falar sobre a Intervenção de Angola e do Presidente José Eduardo dos Santos na Região Central e na Região dos Grandes Lagos no período de 1997 a 2000, tema que faz jus à declaração do Senhor Primeiro-Ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, feita à sua chegada ao Aeroporto 4 de Fevereiro, a 31.08.10, pela qual destacou “o papel pacificador que Angola desempenha nas Instituições Internacionais e na Região dos Grandes Lagos”.
Porém, viciado pelo rigor cartesiano e induzido por este ilustre visitante, recorro hoje ao africanista Bernard Lugan e ao seu “Atlas historique de l’Afrique des origines à nos jours”, para explicar, em sínteses substanciais, a Intervenção de Angola e de José Eduardo dos Santos nas guerras que eclodiram na Região Central e na Região dos Grandes Lagos, nos 4 capítulos abaixo enunciados: 

• L’INTERVENTIONNISME ANGOLAIS (O Intervencionismo Angolano) (p. 217);
• LA GUERRE DU KIVU ET LA CONSEQUÊNTE DU ZAÏRE – septembre 1996 – mai 1997 (A Guerra do Kivu e a Conquista do Zaire – Setembro 1996–Maio 1997) (p. 221);
• LA SECONDE GUERRE DU CONGO (A Segunda Guerra do Congo) (p. 225);
• LA GUERRE CIVILE DU CONGO-BRAZZAVILLE  (A GUERRA CIVIL DO CONGO-BRAZZAVILLE) (p. 227).
Apesar da extensão dos textos, embora sintetizados, transcrevo, a seguir, pelo seu interesse, os quatro capítulos. Para facilitar a leitura, dispenso o texto em françês.

O Intervencionismo Angolano  
Na imensa conflagração da África Central provocada pelos acontecimentos da RDC e do Congo Brazzaville, o exército angolano jogou um papel essencial. Apesar de combater contra as duas guerrilhas, a da FLEC (Frente de libertação do enclave de Cabinda) no seu enclave petrolífero de Cabinda e a outra a da UNITA (União nacional para a independência total de Angola) na grande profundidade do País, o governo de Dos Santos desencadeou a partir de 1977 um vigoroso intervencionismo que se desenvolveu em três etapas:
1. Em Maio de 1997, tomando pelos flancos as últimas linhas de defesa zairenses, as forças angolanas ajudaram as tropas de Laurent Désiré Kabila a capturar Kinshasa  e a expulsar do poder o marechal Mobutu, incondicional aliado da UNITA.
2. Em Julho de 1997, no Congo Brazzaville, o exército angolano facilitou a vitória a Denis Sassou Nguesso que combatia contra o bloco Kongo dirigido pelo presidente Lissouba e por Bernard Kolélas, o prefeito de Brazzaville. Para Luanda, importava afastar do poder os que apoiavam os independentistas de Cabinda com os quais têm parentesco étnico.
3. Em Julho de 1998, quando Laurent Désiré Kabila se encontrava profundamente ameaçado pela rebelião dos contingentes tutsis integrados no seu exército, uma vez mais verificou-se uma nova intervenção militar angolana que salvou o seu regime. Para Luanda, tratava-se de uma oportunidade de proteger Cabinda, razão pela qual as forças angolanas penetraram na RDC para impedir a tomada de Kinshasa pelos «rebeldes».
Na frente interna, pensando que tinha a situação sob controlo e como diplomaticamente estava em posição de força, o presidente Dos Santos lançou uma ofensiva em direcção às regiões que ainda estavam em poder da UNITA.
Nos primeiros tempos esta manobra não teve êxito, porque Jonas Savimbi permitiu que o exército angolano se aventurasse distanciando-se das suas bases antes de o encurralar. Na região de Malange, a UNITA destruiu as pontes, retirando, deste modo, às tropas governamentais, toda a possibilidade de uma ofensiva mecanizada em direcção à zona diamantífera de Saurimo por um lado e por outro em direcção ao Bailundo, Kuito e Huambo, onde as guarnições governamentais foram armadilhadas.
De imediato, a UNITA lançou uma contra ofensiva ao longo do caminho-de-ferro de Benguela e no norte do país onde Mbanza Congo foi capturada e destruído em parte a base petrolífera do Soyo. Para fazer face a essa ofensiva generalizada, Luanda não teve outra alternativa senão a de repatriar o essencial das suas brigadas engajadas no enfrentamento aos «rebeldes» congoleses.
Em Abril de 1999, a situação militar começou a reverter-se a favor do exército angolano, que dispunha de material cada vez mais sofisticado perante uma UNITA asfixiada pelo embargo internacional. Uma após outra, a UNITA perdeu as suas posições antes de renunciar à guerra clássica para retomar a guerrilha.”… (p.217) 
A Guerra do Kivu e a Conquista do Zaire (Setembro de 1996-Maio de 1997)  
“A guerra do Kivu eclodiu em 1996 quando o poder tutsi rwandês lançou uma ofensiva contra a Hutulândia que o presidente Mobutu permitiu que se instalasse no seu território e de tal forma que este santuário continha três sedes de desestabilização:
1. Reagrupadas em comunidades de campos militarizados e dirigidas por quadros do antigo regime de Kigali, os refugiados constituíam uma força pronta para reconquistar o Ruanda. 
2. No norte do lago Tanganica, o fenómeno era idêntico em relação aos refugiados burundeses. Desde Cibitoke aos arredores de Bujumbura, toda a planície de Ruzizi estava submetida ao controlo das milícias hutu do FDD (Frente de Defesa da Democracia) que transformou Uvira no seu quartel-general a partir do qual se planificavam as acções terroristas lançadas contra Bujumbura.   
3. A norte, na região do lago Eduardo, o Zaire abrigava os maquizar que levavam a cabo a guerrilha contra o regime ugandês do presidente Museveni.
O Uganda, o Ruanda e o Burundi deviam por isso e imperativamente destruir o “abcesso” representado pelo Kivu. Tal foi feito em menos de dois meses  no fim de uma guerra relâmpago iniciada pelos Banyamulenge. 
Os Tutsi refugiados no Zaire nas colinas ocidentais dominantes dos lagos Kivu e Tanganica, desde o norte de Goma até ao plateau de Itombwe eram perseguidos pelos Hutu refugiados no Zaire. Estes armados pelo Ruanda, contra-atacaram a 14 Setembro de 1996 e repeliram os assaltantes e depois o exército zairense.
Ao mesmo tempo, como o demonstra a carta, uma tripla ofensiva foi lançada pelos exércitos do Burundi, do Ruanda e do Uganda de que resultou a derrota militar do Zaire, o encerramento da sede de Bujumbura e o fim da Hutulândia. Desta feita os campos foram desocupados e os refugiados inocentes retornaram, em centenas de milhar, ao Ruanda. Quanto aos que participaram no genocídio de 1994, fugiram em direcção a Punia e Kisangani, perseguidos pelos tutsi completamente decididos em castigá-los.
Em virtude do vazio militar que se criou no Zaire, o Uganda e o Ruanda decidiram então explorar esta vantagem e destruir o regime de Mobutu aliado fiel do regime hutu ruandês. 
A conquista do Zaire (ver página 222) fez-se pelo prolongamento da campanha do Kivu.
O Uganda, o Ruanda e o Burundi criaram uma oposição fictícia zairense à frente da qual colocaram Laurent Désirè Kabila, um Luba de Katanga e personagem controversa que eles pensavam poder manipular. Em finais de Maio de 1997, o exército tutsi ruandês saiu vitorioso depois de ter beneficiado, a 15 de Maio em Kenge (carta página 222), da ajuda decisiva dos tanques angolanos. O presidente Mobutu foi afastado do poder e o Zaíre tornou-se República Democrática do Congo (RDC). 
Um ano mais tarde, em Maio de 1998, o presidente Kabila rompeu com os seus aliados ruandeses e ugandeses, o que desencadeou a segunda guerra do Congo (ver páginas 223-224)
 
A Segunda Guerra do Congo  
“Foram dez os países que mais ou menos se engajaram directamente na segunda guerra do Congo que eclodiu em Agosto de 1998, quando o presidente Kabila afastou do exército os Tutsi ruandeses que o tinham colocado no poder em 1997.  
Os beligerantes congoleses estavam agrupados em duas coligações:
1. A primeira constituída à volta do presidente Kabila, politicamente apoiada pelos países francófonos da região e pelo Sudão. O Zimbabwe, Angola e a Namíbia e também o Tchad enviaram-lhe tropas.
2. O “bloco tutsi”, como se apresenta, isto é, o Uganda, o Ruanda e o Burundi apoiavam os “rebeldes” agrupados em dois principais movimentos.
- A norte da RDC, e ao longo da fronteira com a República Centro Africana, as tribos Ngbandi e Ngbaka, sob tutela de Mobutu, criaram o MLC (Movimento para a Libertação do Congo) dirigido por Jean-Pierre Bemba Gombo, filho de um multimilionário congolês desde então muito próximo do marchal Mobutu. O MLC era uma união tribal enraizada na sua região de origem e beneficiando do apoio financeiro proveniente da rica diáspora mobutista. A partir desta frente norte, o Uganda dirigia as operações. 
– Na frente sul, os ruandeses obtiveram brilhantes sucessos militares nesta guerra.
Desta feita, a 12 de Outubro de 1998, quando Kindu, capital de Maniema e quartel-general das forças governamentais caiu nas suas mãos; ou ainda em finais de Dezembro de 2000 quando tomaram Pweto depois de duros combates contra o corpo expedicionário zimbabweano.
A conflagração generalizada desta parte de África teve como origem a reconquista do Ruanda pelos Tutsi em 1994. Estes últimos em seguida repuseram a sua política pré-colonial de expansão a oeste do lago Kivu. Eles tinham sido retirados desta ulceração demográfica por ocasião das partilhas coloniais, antes de se verem confinados às terras altas sobrepovoadas pelas fronteiras herdadas da descolonização.
O federalismo regional que eles preconizavam não podia ser edificado senão sobre as minas da República Democrática do Congo. Compreende-se então porque é que os presidentes Dos Santos de Angola, Mugabe do Zimbabwe e Nujoma da Namíbia foram em socorro do presidente Kabila. Estando à testa de partidos Estados herdeiros territoriais da colonização, eles não ignoravam que em caso da vitória tutsi, as fronteiras regionais deixadas pelos Brancos corriam o risco de ser destruídas.  
Em finais do ano de 2000, a situação militar não tinha verdadeiramente evoluído, e por arrastamento a situação indicada no mapa na p. 224. A norte, as posições do MLC pareciam sólidas. A sul, apenas a presença de 15 a 20.000 soldados zimbabweanos desdobrada na defesa do eixo Mbuji-Mayi-Lac Mweru (ou Moero), impediam a progressão rwandesa. Entretanto colocaram-se três questões: 
1. Por quanto tempo o Zimbabwe  seria capaz de manter um corpo expedicionário na RDC?
2. O desdobramento dos capacetes azuis da ONU previsto para princípio do ano de 2001 não iria confirmar a divisão de facto da RDC?
3. A morte do presidente Kabila a 16 de Janeiro de 2001 não iria transformar as realidades políticas regionais?”

A Guerra Civil do Congo-Brazzaville 

“A 15 de Agosto de 1963, o primeiro presidente do Congo, o padre Fulbert Youlou, foi afastado do poder e o seu sucessor, Alphonse Massemba-Debat, um Kongo-Lari fez-se Presidente da República. Em Julho de 1968, dois oficiais Mbochi, os capitães Raoul e Ngouabi tomaram o poder. Marien Ngouabi impôs-se e criou o PCT (Partido Congolês do Trabalho) para fazer do Congo uma República popular marxista-leninista. Nesta situação, os Mbochi confiscaram o poder em seu proveito.
A 18 de Março de 1977, o presidente Ngouabi foi assassinado e o coronel Yhombi Opango, um Mbochi, torna-se presidente do Congo. Em 1979, o coronel Sassou Nguesso, igualmente um Mbochi, toma o poder.
Constrangido pela França a adoptarem o multipartidarismo ele aceitou no início de 1991 pôr em marcha um processo democrático que matematicamente iria dar o poder aos mais numerosos, isto é, aos Kongo.
Assim, fora das eleições presidenciais de 1992, os Kongo que, reunidas todas as tribos, totalizam 48 por cento da população, sobrepunham-se aos Mbochi, que não passam dos 13 por cento. A campanha para a eleição presidencial de 1997 decorreu num clima de guerra civil e, sabendo que matematicamente, iria perder esta eleição pela segunda vez, o coronel Sassou Nguesso aproveitou uma provocação feita da parte do presidente Lissouba para forçar o destino. Em Outubro de 1997, desencadeada uma guerra feroz, os Mbochi retomam pelas armas o poder perdido há cinco anos atrás nas urnas. 
Os Kongo refugiam-se então nas suas regiões de origem (Niari, Bouenza, Lekoumou e Pool).
As milícias do antigo presidente Pascal Lissouba e as de Bernard Kollas, antigo presidente da Câmara Municipal de Brazzaville, deram início a partir daí a uma guerrilha combativa apoiada pelos separatistas angolanos de Cabinda. 
Os desafios sendo claramente regionais, o presidente Sassou Nguesso foi apoiado pelo exército angolano que mantinha um contingente permanente no Congo-Brazzaville. Para Luanda era vital que os Kongo fossem mantidos fora do poder, a fim de proteger Cabinda, igualmente povoada por Kongo. Em caso de retorno destes últimos ao poder em Brazzaville, a guerrilha de Cabinda teria a certeza de encontrar as bases de que dispunha antes de 1997 (ver p. 216).
Em finais de Dezembro de 1998, as milícias Kongo pensaram que o contexto se lhes apresentava favorável pelo facto de que, retomada a guerra em Angola, poderiam atacar Brazzaville. Em consequência dos combates bastantes violentos de rua, o exército congolês desalojado pediu apoio aos Angolanos.
A incursão foi esmagada pela intervenção de armas pesadas. Rua a rua, parcela por parcela, casa por casa, fez-se uma “limpeza” sistemática e impiedosa. Ordenaram-se vários lavantamentos étnicos seguidos de excuções sumárias. Fizeram-se vítimas às centenas e talvez mesmo aos milhares.  
Tendo finalmente as milícias Kongo sido derrotadas, o exército governamental retomou o controlo de uma capital com uma nova sede uma vez arrasados os quartéis de Bakongo e de Makelekele.  
Em seguida a lenta reconquista das quatro províncias do sul, Bouenza, Lekoumou, Niari – feudo de Pascal Lissouba –, e o Pool – região étnica de Bernard Kolelas –, foi concluída durante o ano 2000.” 

A Nossa Razão 

Quais, pois, As Razões da Nossa Razão para a Intervenção de Angola na Região Central e Região dos Grandes Lagos?
– Neutralização da retaguarda nascente da UNITA no Zaire (aeroporto de Ndjili e base aérea de Kamina), depois desta ter perdido o apoio do Apartheid. A UNITA combateu ao lado de Mobutu contra a coligação Kabila, Angola, Ruanda, Uganda e Burundi;
– Neutralização do porto de Ponta Negra e do aeroporto de Brazzaville, feitas novas bases operativas da UNITA, cedidas por Lissouba e Kolelas, para o seu rearmamento, uma vez perdida a sua base estratégica de Lumbala-Nguimbo. A UNITA pretendia destruir o Malongo depois de ter destruído a base do Muanda no Soyo;
– Neutralização da aliança entre Lissouba/Kolelas e as FLEC’s, combinadas primeiro para derrotar Sassou Nguesso e para atacar e ocupar Cabinda, posteriormente;
– Neutralização da coligação Tutsi–Ruanda, Uganda e Burundi, cuja estratégia expansionista e hegemónica visava a ocupação da RDC, “espaço vital”, para domínio da Região Central e Região dos Grandes Lagos;
– Impedimento de nova internacionalização do conflito angolano a Norte do País, com a entrada em cena de novos actores.
…“Veritas filia temporis – A verdade é filha do tempo”…
Vale o que disseram ontem Bernard Lugan e hoje José Maria Neves sobre o papel pacificador de Angola e de José Eduardo dos Santos na RDC, na RCB e na Região dos Grandes Lagos. 

Luanda, 15 de Setembro de 2010 

Fonte: Jornal de Angola on line. 

Published in: on setembro 19, 2010 at 4:49 pm  Deixe um comentário  

ONU admite falha em caso de estupro em massa no Congo

O enviado especial da ONU na República Democrática do Congo, Atul Khare, admitiu nesta terça-feira que as forças de paz no país falharam, após uma série de estupros em massa ter ocorrido em locais próximos a bases dos capacetes azuis.

“Ainda que a responsabilidade principal de proteger os civis seja claramente do governo congolês, nós também falhamos, já que não cumprimos nossa obrigação de proteger os civis no leste do Congo. Nossas ações não foram adequadas e isso resultou em uma agressão brutal à população local. Precisamos melhorar”, afirmou Khare, que é subsecretário da ONU para Operação de Paz, ao Conselho de Segurança.

Durante sua investigação no leste Congo, ele descobriu que os estupros em massa também ocorreram em cidades que não haviam sido levadas em conta no levantamento inicial. Assim o número de mulheres e crianças estupradas nas últimas semanas chegaria a 500, e não 250 como se pensava.

As investigações mostraram que em pelo menos um vilarejo todas as mulheres e crianças foram violadas. Em outros locais, dezenas de vítimas foram estupradas por gangues de rebeldes congoleses e ruandeses. Um dos ataques ocorreu em Luvungi, a apenas 30 quilômetros de uma base das forças de paz.

Mais patrulhas

Khare fez uma série de recomendações para as forças de paz na região, tais como a realização de mais patrulhas e buscas, além da criação de um sistema de comunicação, via rádio e celulares, nos vilarejos mais remotos. Ele também pediu que os líderes rebeldes congoleses e ruandeses envolvidos nos ataques sexuais sejam julgados.

“Decidimos que é preciso fazer mais patrulhas no fim da tarde e à noite”, disse Khare. “A missão da ONU fará todo o possível, incluindo adotar uma postura mais agressiva por parte dos soldados das forças de paz, ampliar a obtenção de informações com pessoas suspeitas e ajudar o governo congolês.”

Mas ele deixou claro que estabelecer a autoridade do Estado na região é a medida mais eficiente para lidar com a violência.

Khare lembrou ainda que a missão da organização no país realizou na semana passada uma ação para demonstrar força e poder para proteger os civis na província de Kivu do Norte, onde ocorreram os estupros em massa. A ação envolveu 750 soldados das forças de paz da ONU e teve apoio de helicópteros.

A República Democrática do Congo é conhecida pela frequência com que ocorrem abusos sexuais de mulheres e crianças, e o país já chegou a ser chamado de “capital mundial do estupro” por um enviado da organização.

O leste do país ainda sofre ações de violência do exército e de milícias locais e de países vizinhos, como a Ruanda, sete anos depois do fim da guerra civil em 2003. Apesar de um acordo de paz e da formação de um governo de transição, a população do leste do país vive aterrorizada por milícias e soldados.

Fonte: BBC.

Published in: on setembro 8, 2010 at 1:48 pm  Deixe um comentário  

UN ‘was not told about DR Congo mass rapes’

UN troops could not have prevented the rape of more than 150 women and boys by rebels in DR Congo because they did not know it was happening, a UN envoy said.

Check it all!

Published in: on agosto 31, 2010 at 3:57 pm  Deixe um comentário  

UN peacekeeper killed in clash in eastern DR Congo

24 May 2010 – An Indian soldier from the United Nations peacekeeping force in the Democratic Republic of the Congo (DRC) was killed today when his patrol went to the aid of national army forces caught in an ambush by unidentified gunmen in the east of the country.

As soon as the Indian patrol saw the army troops under attack in North Kivu, scene of years of fighting between the Government and an array of rebel groups, it went to their aid, according to a press release issued by the peacekeeping force, known as MONUC.

The soldier was wounded in the exchange of fire and taken to hospital in Goma, the provincial capital, where he later died, the 31st blue helmet in the 11-year history of MONUC to die under enemy fire.

A Congolese soldier and a civilian were also killed and three soldiers and one civilian wounded.

MONUC has helped restore a measure of stability and democratic process to a country torn apart by years of civil war and revolts that led to the greatest death toll since World War II – 4 million people killed by fighting and the attendant starvation and disease. But fighting has continued in the east.

FONTE: UN NEWS CENTRE

Published in: on maio 26, 2010 at 8:57 am  Deixe um comentário  

Boina azul é morto no Congo

Un casque bleu ghanéen et deux travailleurs de la Mission de l’Organisation des Nations Unies en République démocratique du Congo ont été tués dans une attaque perpétrée dimanche par une vingtaine de personnes dans la capitale de la province de l’Equateur, Mbandaka, en République démocratique du Congo (RDC).

« Le casque bleu a été tué après avoir été délibérément pris pour cible par un insurgé alors qu’il se tenait sur le toit d’un véhicule blindé », a rapporté la porte-parole adjointe du Secrétaire général de l’ONU, Marie Okabé.

Arrivés par bateau, la vingtaine d’insurgés s’est d’abord attaqué à la résidence du gouverneur de la province, puis au bâtiment de l’Assemblée nationale, avant de se diriger vers l’aéroport de la ville.

La MONUC s’est efforcée d’envoyer des renforts à l’aéroport mais deux personnes sous contrat avec l’ONU ont été abattues par les assaillants, un employé de l’aéroport même et un pilote.

L’ONU a aidé l’armée nationale à reprendre l’;aéroport et la police onusienne patrouille actuellement les rues de Mbandaka avec la police congolaise afin de ramener un sentiment de sécurité et rétablir la paix dans la province.

fonte: http://www.facebook.com/#!/notes/aisp-spia/un-casque-bleu-ghaneen-tue-au-congo-il-se-rendait-a-laeroport-lorsquil-a-ete-att/384042764305

Published in: on abril 10, 2010 at 3:11 pm  Deixe um comentário  

Oficial da PMDF poderá ser o novo chefe do componente policial (UNPOL) da Missão de Paz da ONU no Congo.

Após alguns rumores quanto participação ou não de policiais militares brasileiros em alguma Operação de Paz no Congo, algo que nunca ocorreu, somente hoje recebi a informação de que um Oficial (Major) da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) foi indicado como Comissário da Polícia da ONU (UNPOL) na Missão de Paz no Congo.

Se confirmado, ele será o primeiro policial brasileiro a integrar uma Missão de Paz no referido país africano e assumirá a função de chefe do componente policial da ONU, sendo a maior autoridade policial no país.

Desta maneira, o Brasil passa a exercer a chefia da Polícia da ONU (UNPOL) em duas Operações de Paz, simultaneamente. Desde fevereiro de 2010, o Coronel Garcia (PMDF) é o Senior Police Advisor na Missão de Paz em Guiné-Bissau.

Maiores informações serão postadas logo quando confirmadas.

Sérgio Carrera

Published in: on abril 4, 2010 at 2:16 am  Deixe um comentário  

Tropas da ONU contrabandearam armas para milícias no Congo

KINSHASA – Capacetes azuis do Paquistão e da Índia contrabandearam ouro e marfim, trocando-os por armas com milícias, no Leste do Congo, segundo foi divulgado ontem pela BBC. Uma nova testemunha contradiz a versão das Nações Unidas de que não houve transferências de armas na região. A ONU informou anteriormente ter encontrado evidências de contrabando entre os capacetes azuis, porém nada envolvendo armas.

A BBC já havia feito denúncia similar há mais de um ano, e a ONU iniciou uma investigação sobre o possível envolvimento das tropas. O porta-voz da organização no Congo, Kemal Saiki, considerou que a reportagem aparentemente não traz informações novas e que as investigações continuam. “É certo que houve condutas inaceitáveis de indivíduos, mas não há prova do tráfico mencionado”, disse.

Segundo Saiki, não foram encontradas “provas irrefutáveis” em relação ao suposto contrabando de armas e munição. A BBC informou ter encontrado testemunhas que confirmaram as negociações de armas entre a ONU e as milícias em Mongbwalu. De acordo com a reportagem, as armas eram entregues para que as milícias guardassem áreas de minas de ouro e fizessem a segurança da região.

Ex-líderes da milícia detidos em Kinshasa também confirmaram ter recebido armas de capacetes azuis. Funcionários da ONU disseram que as investigações não encontraram evidências de comércio de armas, ainda que haja indicações de que um capacete azul do Paquistão tenha contrabandeado ouro.

Conforme noticiado, um contingente de capacetes azuis indianos voou em um helicóptero da ONU até o Parque Nacional Virunga, no Congo, para trocar munição por marfim com um grupo rebelde de Ruanda. Os comandantes desse grupo estariam entre os responsáveis pelo genocídio ocorrido em Ruanda, em 1994.

A força da ONU no Congo, com 18 mil soldados, é a maior operação de paz da entidade. Ainda que tenha sido fortemente afetado por escândalos de abuso sexual e corrupção, o contingente ajudou a organizar e policiar o país em suas primeiras eleições livres em décadas, em 2006. A força também perdeu vários de seus membros em confrontos com milícias.

As novas acusações ocorrem em um momento em que o Congo parece regredir para um padrão de conflitos incessantes entre bandos armados. No início deste ano, falhou a tentativa para se chegar a um acordo de paz no país. O Congo luta para controlar as fronteiras, após décadas de guerras e falta de um governo de fato. Minas com muito ouro, diamante e cobalto operam com pouco monitoramento e o contrabando é comum.

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Published in: on abril 30, 2008 at 10:27 pm  Deixe um comentário